Breach Burst
2 Parte 2. Brechas
Notas iniciais
Luppi
Era uma fria noite de sexta-feira e eu me encontrava do lado de fora da igreja onde a irmã de meu amigo Yoshi estava prestes a se casar. Ele por sua vez era uma gracinha, de fato. Uma combinação perfeita de madeixas negras e compridas que relavam em seus ombros como ondas de mar e olhos (Esqueci-me de citar “belos”) BELOS olhos azuis clarinhos.
É, não me xingue por ser um ‘fucking emo, sem-vergonha e gay, okay? Sou assim desde que nasci. Meu irmão Pitter e meu pai (Que me detesta claramente) são testemunhas disso... O pai quase me matou quando Pitter contou para ele que eu tentei beijá-lo a força por curiosidade quando éramos pequenos. Sério, literalmente. Se não fosse minha tia, eu não estaria vivo hoje.
Meu nome é Luppi Lavin e agora estava babando enquanto Yoshi conversava com outro ser chamado Scott, que, cá entre nós, também não é nada feio. Eu sou o mais baixo daqui por enquanto. Também tenho cabelos pretos que me cobre um dos olhos, porém estes são lisos. Minhas íris conseguem ser claras e realmente não tenho nada de formal. O piercing de argola em meu lábio inferior denuncia isso. Não faço a mínima ideia de como dar nó em uma gravata e por esse motivo, neste exato momento ela está toda torta em torno do meu pescoço. Uma vergonha para a humanidade...
De repente os convidados começaram a entrar e... Gente, nossa... Mas em que merda de cidade eu fui nascer?! Só entrava estrupício! Sério. Pareciam rascunhos ‘fails dos deuses quando começou a tentar desenhar os primeiros seres humanos!
Certo Luppi, não vamos exagerar. Coitados.
Até mesmo Yoshi desistiu de ficar ali esperando.
Então meus olhos foram salvos da possibilidade de ficar cego quando um ser da minha praia chegou. Seus olhos verdes brilhavam a minha procura, os cabelos castanhos que antes lhe cobriam a testa estavam penteados para trás e o quase sempre presente pirulito estava na boca, com o palito jogado pro lado. Vestia-se com calça jeans escura, sapatos sociais e camisa também social branca com as mangas dobradas na altura dos cotovelos. Irresistível... Mas o que mais deixava André Luís com aquele ar “sexy” era a falta dos óculos. Estava sem naquela noite. E estava lindo! Sabe o que eu digo com LINDO?
Acho que comecei a pensar merda, porque meu nariz começou a sangrar (Se você costuma assistir anime, sabe do que estou falando).
— Érr... Luppi? — André me olhava com uma cara do tipo: “whatafuck?” — Vai querer uma bolsa de sangue?
— Hã? — Limpei rapidamente aquela sujeira, totalmente envergonhado. Ele riu. — An- André? O que você está fazendo aqui?
— Ora, não tá na cara? Vim ver um casamento.
— É, mas... Tu nem conhece o noivo...
— Não conheço o noivo — Deu um sorriso malicioso — Mas já stalkeei a noiva no Facebook.
“Héteros...” pensei, revirando os olhos, enquanto ele voltava a rir.
— Mas vem cá — Ele começou — Você fica bonito sem aquela blusa listrada preta e vermelha de sempre.
Ele só podia estar tirando com a minha cara. Como se eu só soubesse usar aquela blusa...
Flashback::::
2ª feira => Blusa listrada fechada pela metade;
3ª feira => Blusa listrada fechada por inteiro;
4ª feira => Blusa listrada totalmente aberta;
5ª feira => Blusa listrada com outra inteira preta por cima;
6ª feira => Blusa listrada fechada pela metade + blusa preta na cintura.
[...]
Okay... Sou gamado naquela blusa.
— V- valeu — Respondi, achando que havia corado um pouco — Você também... Está muito gostoso...?
Só tomei consciência do que havia dito depois. Enrubesci por inteiro:
— NÃO! Eu quis dizer tentador — ‘Péra, o quê? Piorou — Quis dizer sedutor — Cada vez que tentava arrumar só piorava. Eu estava cavando a própria cova — Bonito! (?) Charmoso! (?) Não feio...
André começou a rir daquela vergonha toda. Meu Deus... Não sabia onde enfiar a cara. Depois de um tempo ele parou, me fitando.
— Obrigado Luppi — Ele disse “obrigado”? Não foi “valeu”? Cadê as suas gírias? André Luís... Você estava estranho. E esse jeito de me olhar? Quer ser estuprado moleque?! — Pelos mil elogios.
— D- De nada. — Abaixei a cabeça.
— Quando vai ir jogar Resident lá em casa de novo?
— Quando você me convidar. — Encarei suas obres verdes.
Dei conta que aquela “fitação” estava durando demais. Eu tinha que me confessar. Dizer tudo que eu sentia para um heterossexual. Dane-se as consequências! Tenho que dizer que...
— André Luís... Eu t--...
O sinal para a entrada dos noivos soou, cortando minha fala. Acho que aquilo foi um sinal de que ainda não era hora.
— Ah... Vamos entrar. — Ele sugeriu. Concordei.
Esperamos, esperamos. Mas noivo simplesmente sumido, assim como o Yoshi. A noiva e as pessoas resolveram procurá-los. Segui a multidão até um quarto e a noiva abriu a porta toda sorridente com as alianças nas mãos, todavia seu sorriso deu espaço a uma cara histérica e em um misto de raiva e desespero com a cena. O noivo completamente despido sobre um Yoshi totalmente oferecido. Ambos em cima da cama, cobertos de suor.
Todos começaram a gritar espantados como se estivessem vendo o Diabo fazendo macumba para a rainha da Inglaterra. Realmente não era uma cena que se via todos os dias.
Aquele, sem sombra de dúvidas, foi o casamento mais bizarro da história daquela cidade...
Fale com o autor