Brave Heart

9 Capítulo 9 - Segunda Impressão


Notas iniciais
Segue novo post.
POR FAVOR, não sejam leitoras fantasmas.
Passou pela fic, DEIXE UM OI PRA GENTE!!! =)

O corredor do andar de cima era tão escuro, quanto o resto da enorme mansão. Tentei me focar apenas na decoração, ao invés de Dimitri ao meu lado. Os belos retratos de cidades mundanas, ainda prevaleciam nas paredes daquela casa. Em partes eu tinha uma ousada vontade, em perguntar-lhe sobre seu gosto pela arte, mas minhas palavras morreram, quando chegamos à porta de um dormitório, bem no final do corredor.

Dimitri deu um passo à frente e abriu a porta, logo fazendo sinal para que o acompanhasse. Com passos vacilantes, adentrei no quarto iluminado por velas. A minha primeira impressão foi gritante. Ele era muito maior do que eu estava habituada a ter, em minha antiga casa, ou no próprio Convento. Uma cama bastante grande e convidativa a nível confortável, estava localizada em frente a uma lareira de tijolos marrons e que agora, estava acessa. Duas cômodas grandes e uma escrivaninha com alguns papéis espalhados, atenuavam a decoração. No canto mais distante do quarto, próximo a janela, estava localizada mais uma pequena estante de livros de frente para um confortável sofá. Sinal de que meu marido, provavelmente tinha gosto pela leitura.

-Você parece gostar de livros. – Murmurei baixo, notando que talvez ele não ouvisse.

-Eles me distraem. – Dimitri respondeu vagamente. Lancei um olhar em sua direção e percebi, que ele estava tirando seu paletó negro. Estremeci.

-Não se preocupe, que não vou morder-lhe – Pela primeira vez, vi um vislumbre de sorriso em seu rosto frio, mas que tão logo apareceu, se evaporou. Talvez no final das contas, fosse apenas alguma má interpretação minha, causada pelo escuro do quarto. Fincando meus pés no chão, apenas o observei andar pelo quarto e ir em direção à janela. –Você não é minha inimiga Rosemarie e espero que eu não mude de opinião, sobre isso. – Dimitri então depois de uma longa pausa, se virou para me encarar. –Eu não vou machucar você e não vi necessidade em ir atrás de sua avó, em busca de ajuda.

-Eu. – Comecei, mas me senti miserável demais na frente dele. Ele havia me ajudado afinal e eu estava sendo talvez um pouco rude demais. –Eu escutei coisas sobre você. – Admiti, incapaz de encarar seus olhos. Pausei-os em minhas mãos suadas.

-Eu já imagino o que deve ter ouvido, mas de todo, faz alguma diferença agora? – Suas palavras eram frias e sem outra opção, ergui meu olhar para o seu. –Mudaria alguma coisa agora ou mudou, quando aceitou trocar de lugar com sua irmã? Sabendo ainda que seu pai havia vendido uma de vocês, para mim?

Como adagas, suas palavras atravessavam meu coração.

-Não, não faz diferença. – Respondi forçando minha voz que agora, eu tinha certeza ser um sussurro assustado. Ele tinha razão. Por mais que eu soubesse mesmo antes de ter aceitado a troca por causa de Katherine, que seu passado era sombrio, eu aceitei sua proposta.

-Pois bem. – Dimitri então caminhou em minha direção e para meu espanto, parou de frente a mim. Com sua mão direita, ergueu meu rosto para que o encarasse. Meu corpo tremia por completo. Eu estava perdida. Sem outra opção, comecei a rezar em silencio, para que tudo acabasse rapidamente. Dimitri me olhou minuciosamente durante um longo tempo. Era como se estivesse tentando gravar cada detalhe do meu rosto. –Você é realmente bonita. –Sua mão era firme, mas seus dedos gentis.

-Obrigada Senhor. – Respondi, sem saber ao certo como me portar. Eu estava aterrorizada com a ideia, do que veria a seguir. Sua atenção pareceu mudar ali. Com um longo suspiro, ele se distanciou alguns passos.

-Este é meu quarto. Agora vamos conhecer o seu. – Ele disse bruscamente, me deixando totalmente confusa, embora miseravelmente, aliviada.

Dimitri caminhou em direção até uma das cômodas e então percebi, que logo atrás, havia uma porta estreita. Como ele era relativamente muito mais alto que eu, se agachou para passar.

-Isso é uma passagem secreta? – Perguntei enquanto o observava passar.

-Vai ficar observando, ou vai me seguir? – Dimitri se virou irritado e então, o segui pela entrada.

Saímos do outro lado do cômodo e então, notei um quarto similar ao que estava há pouco. Uma das diferenças notórias apenas, era uma penteadeira estupenda em um canto do quarto. Aproximei-me, não deixando de perceber o cuidado e zelo, que ele aparentava ter com as coisas. Uma escova de cabelos muito bem conservada, algumas presilhas de pedras esverdeadas em formato de borboletas e também um pequeno espelho, estavam perfeitamente alinhados no cômodo. Um objeto em particular, me chamou a atenção.

-O que é isso? – Fui tocar a pequena caixa, mas Dimitri a tirou de minhas mãos.

-Não toque nisso – Ele disse de forma brusca, me fazendo dar vários passos para trás. Percebendo que me havia assustado, logo se redimiu. – É apenas algo particular, que esqueceram, de tirar do quarto.

-Está tudo bem. – Respondi fracamente. –Eu vou dormir aqui? – Perguntei encarando a cama vazia com lençol carmesim, como os do quarto de Dimitri.

-Este será seu novo quarto. – Colocando a pequena caixa distante de mim em outra cômoda, ele caminhou até o armário de roupas. –Aqui estão as coisas que irá precisar. Vestidos e peças íntimas. Caso algo não esteja do seu agrado, basta me comunicar, que pedirei para que sejam substituídas.

-Eu apenas achei que. – Não consegui conter minha surpresa no gesto. Ele estava me dando à liberdade de ficar em um cômodo sozinha, em sua casa?

-Você apenas achou que o monstro do seu marido, fosse obriga-la a passar uma noite com ele? – Ele perguntou ironicamente. Quando me silenciei, ele apenas continuou. Enojado. – Eu não sei o que espera de mim Rosemarie, mas claramente, não sou igual a seu pai. – Com essas palavras, ele pegou a pequena caixa da cômoda e voltou por onde tinha vindo, fechando a estreita porta, atrás de si.

Vi-me tocando meus lábios, ansiosa demais para sequer falar alguma coisa. Olhei ao redor e senti alívio, a notar que havia outra porta no quarto, que dava acesso ao corredor principal. De todo o mal, eu não estava totalmente presa ali.

Caminhei em passos lentos até a cama e sentei, sentindo a maciez da seda entre meus dedos. Uma segunda olhada ao redor e pude notar que assim como no primeiro quarto, haviam alguns livros de cabeceira. Arrisquei-me a abrir o primeiro que vi, percebendo que estava um tanto empoeirado.

-Devem o ter esquecido aqui por muito tempo. – Murmurei para mim mesma, o fechando logo em seguida, incomodada pelo pó.

O lugar por onde Dimitri havia passado, continuava aberto. Com um suspiro, me levantei e fechei a porta estreita, percebendo que não havia chave para trancar, deste lado. Voltando minha atenção para a cama, percebi que próximo das almofadas, estava dobrado uma camisola de cor clara. A peguei, sentindo o tecido frágil entre meus dedos. Possivelmente, a peça havia sido cara.

Comecei a desabotoar meu vestido e um barulho estranho, me fez virar abruptamente em direção à porta estreita. Uma jovem não muito mais velha que eu, estava parada na porta. Seus cabelos eram castanhos e seu rosto tinha alguns pontos de sardas.

-Senhora me desculpe. Não quis assusta-la. – Ela prontamente se desculpou. –O Senhor Belikov me pediu para verificar se a Senhora, não precisa de alguma coisa.

-Ah, está tudo bem. – Tirando uma das mãos de minhas costas seminuas, gesticulei para que ela se aproximasse. –Me ajude com isso, por favor.

Com rápido auxilio, consegui me livrar do pesado vestido. Assim que me virei para encara-la, pude notar o quão jovem realmente ela parecia.

-A Senhora precisa de mais algum a coisa? – A menina perguntou, cruzando os braços na frente do corpo.

-Estou bem, obrigada. – Segui em direção à penteadeira e comecei a soltar as presilhas de meu cabelo. Quando vi a criada partia, um estalo se fez em minha cabeça e então, a chamei de volta. –Faz tempo que você trabalha para o Conde?

Ela pareceu então um pouco encabulada, mas logo me respondeu:

-Desde que eu nasci. –Ótimo. Era o que eu precisava.

-Pode me dizer então, a quem pertencia este quarto? – Memórias do reflexo sobre a reação de Dimitri quando toquei o pequeno objeto, ainda me intrigavam. Algo me dizia que existia mais ali. Mais do que ele quis compartilhar.

-A mãe do Senhor Belikov. – Ela disse sem pestanejar. Senti minha garganta queimar. Como reflexo, a toquei.

-Está Okay. Obrigada pela ajuda. – respondi seu saber ao certo, em que direção olhar.

Notas finais
...

O que acharam?!