Brave Heart
7 Capítulo 7 - Jogada De Interesses
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Eu não iria postar, mas como a fic tem recebido bastante comentários, segue mais um post essa semana.
Sei que muita gente também não está gostando da ideia de como o Abe está tãooo ruim nessa fic. Mas gente, tudo tem um propósito. Dimitri também não é o exemplo de delicadeza por agora, mas vamos aguardar o decorrer da fic. Lembrando a todas que esta fic é ROMITRI e sobre o Dimka ter matado os pais dele, não vou adiantar nada rsrsrsrsrsrs.
Por fim, leiam a fic e acompanhem que tenho certeza, que não irão se arrepender!!! =)
*Não deixem de comentar!!!*
Nos vemos lá embaixo.
Juntando o que havia restado de meu orgulho ferido, segui em passos vacilantes até o banheiro. Encarando meu reflexo no espelho, me senti miserável. Meus cabelos antes presos, estavam agora totalmente desalinhados e em minha boca, notei um hematoma pulsante em sangue. Em meu vestido pequenos respingos, me fazendo recordar do que havia acontecido, há alguns minutos atrás. Onde minha singela vida, havia se transformado nesta confusão?
Toquei minha boca com a toalha úmida, tentando limpar o sangue. O ardor daquele ponto, me fez quase voltar a chorar. Uma batida insistente na porta do banheiro, me fez sair de meus devaneios.
-Está ocupado. – Disse suavemente, tentando controlar o choro.
-Abra a porta, menina – O tom de Alberta era preocupado. Abri e fechei meus olhos, apoiando minhas duas mãos na pia gelada. Com um suspiro alto, me ergui do lugar e girei a maçaneta.
-Está ruim –Ela se referiu a mim, notando meu rosto machucado. –Seu pai que fez isso? – Ela perguntou, mesmo sabendo a resposta. Apenas assinalei com a cabeça.
Alberta então adentrou no banheiro e pediu para que eu sentasse em um banco, que ali estava. Com a ajuda de uma toalha úmida, ela começou a limpar os pontos vermelhos do meu rosto.
-O que você aprontou menina? – Ela parecia triste e desapontada. – Sabe que seu pai anda cansado ultimamente.
-Você não faz ideia do que ele fez. – Senti que as lágrimas insistiam em voltar, mas eu não cedi.
-Quando te vi partir da cozinha, sabia que não iria resultar em coisa boa. –Ela resmungou mais para si mesma, do que para mim. – Deveria ter lhe parado, mas agora já está feito. – Ela lamentou, indo a pia para lavar a pequena toalha. –Não sei se foi oportuno ou não, o jovem cavalheiro ter aparecido ali e te ajudar.
-Você fala do assassino, como se ele realmente quisesse faze-lo. Como se se importasse comigo – Emiti um som amargurado, não me importando com o julgamento de Alberta. Ela me olhou rapidamente e gesticulou impaciente, com a cabeça. Sinal de que ela discordava. – Por culpa da maldita escolha de meu pai com Katherine, eu estou penando por nós duas.
-Por que teve que se intrometer, menina? – Ela me perguntou em tom cansado. –Acabou com a paz desta casa, agora.
Levantei-me e diante do pequeno espelho do banheiro, ajeitei meu vestido arrasado.
-Você fala como se fosse minha culpa. – Não encarei Alberta a dizer aquilo. Meu coração estava despedaçado e eu ponderei por um momento, se deveria contar a ela, sobre as novas daquela casa. -Vou para meu quarto. – Resolvi por fim, primeiramente procurar Katherine e depois meu pai. Mesmo com a preocupação evidente nos olhos de nossa fiel amiga Alberta, algumas coisas ainda precisariam ser resolvidas. Alberta apenas sinalizou em entendimento e assim segui.
Katherine estava no canto mais distante do quarto, abraçada a uma de suas bonecas. Quando ela me viu, seus olhos se abriram em espanto e ela veio em minha direção.
-Você está bem? – Katherine perguntou, tocando meu rosto com suas mãos gélidas.
-Estou bem agora. – Sorri lhe abraçando apertado. – Precisamos conversar. – De relance em seus dedos miúdos, vi o anel que ela havia ganhado a pouco, de seu ex-noivo, Dimitri Belikov. Com uma mão, a guiei para que sentássemos em nossas camas.
-Papai está te mandando embora? – Seus olhos brilharam e eu temi que ela pudesse começar a chorar.
-Está tudo bem. Eu vou embora, mas não é bem por isso. – Tentei soar menos apreensiva do que realmente estava.
-Está voltando para o Convento? – Ela pareceu ainda mais surpresa.
-Não. – Ponderei por um momento. Isso era algo com que eu precisava lidar e logo. –Eu hum, a pouco conversei com seu noivo e papai.
-Ele bateu muito em papai não é? – Katherine desviou o olhar. O ruim era que ela, se desviava cada vez mais do assunto., tornando a situação mais difícil.
-Papai está bem. – Disse rapidamente. – Foi uma briga boba entre os dois e eu acabei sendo acertada, quando tentei separa-los. – Disse de uma vez, pensando que a verdade, poderia não ser bem vinda agora. Já me bastava odiar Abe por tudo o que ele havia feito a nós. Não era minha intenção fazer a vida de Katherine rancorosa, como a minha. Afinal, ela teria que viver naquela casa por mais um longo tempo e eu gostaria que fosse o menos traumatizante possível.
-Eu sinto muito. – Seus dedos gentis tocaram meu lábio ferido e eu recuei pela dor.
-Tenho outra coisa para te contar. – Respirei fundo e ela baixou sua mão para o próprio colo.
-O que foi? – Ela perguntou curiosa.
-Papai e eu, concordamos que o casamento para você, ainda não é o certo. – Menti. Mais uma vez eu havia mentido. Mas desta vez, não me arrependi de fazê-lo.
Instantaneamente seus lábios mortos em preocupação, deram lugar a um amplo sorriso.
-Está falando sério? – Sua energia positiva era contagiante. Meu coração se afundou. –Papai realmente mudou de ideia! Eu sempre acreditei que você seria capaz! Obrigado irmã – E em um ato totalmente inesperado, Katherine saltou de sua cama e me abraçou. Fechei meus olhos, pensando em minhas próximas palavras. Por que tudo tinha de ser tão complicado?
A porta então foi aberta as pressas e nos distanciamos. Meu pai estava parado na soleira, segurando um copo quase vazio de uísque. Ainda vestido em suas roupas tingidas de carmesim, passou seu olhar por nós duas, parando em mim.
-Está se sentindo a heroína? – Ele perguntou adentrando no cômodo. –Está feliz pelo que fez? – Seu tom era perigoso e pelo nítido índice de álcool em seu hálito, temi. Notando meu silêncio, ele continuou. –Já contou a novidade para sua irmã? – Seus olhos afiados pararam em Katherine. Engoli em seco, me negando a sentir intimidada.
-Papai, estávamos conversando sobre... – Comecei, mas ele me interrompeu.
-Estava contando a ela que lhe roubou o noivo? – Ele ergueu uma sobrancelha, parecendo se deliciar com minha falta de fala. Katherine buscou meu olhar, confusa.
-Papai, por favor. – Voltei a insistir para que ele mantivesse o controle, mas era impossível.
-Você vai se casar? – Katherine então perguntou confusa. –Vai ser casar com o Senhor Dimitri? – Sua expressão era uma mistura de confusão e alivio.
-Eu fiz isso por você. – Falei de uma vez e então, o silêncio foi cortado por uma sequência de palmas inacabadas de um homem bêbado. Abe.
-E o prêmio irá para a jovem Srta. Mazur. Por sua audácia e esperteza. – Ele disse vagamente, mais para si mesmo, do que para nós, estáticas ali. –Salvou sua pequena irmã das garras do malvado pai, que... – Quando eu estava prestes a interrompê-lo, alguém fez por mim.
-Já chega Abe – Minha avó adentrou no cômodo. Sua voz firme e determinada – Já basta de informações por hoje. – Minha avó parou próxima de Katherine e eu me fechei em meu próprio abraço–Pelo que entendi, Rosemarie estará casando com o Senhor Belikov no lugar de Katherine e isso por enquanto, já nos basta.
Abe notavelmente não estava feliz com a intromissão, mas preferiu ignorar. Com um resmungo audível, deu meia volta e quase se esbarrou em Alberta, que trazia dois copos de leite e alguns biscoitos, em uma bandeja de prata. Quando ela entrou por completo no cômodo, fechou a porta atrás de si.
-Parece que a vida nesta casa, está complicada. – Minha avó resmungou, soltando um suspiro. Ela agora, estava abraçada a Katherine. –Eu soube que vai se casar com o noivo de Katherine.
-Então é verdade? – Minha irmã insistiu novamente na pergunta.
-Sim, é verdade – Lhe respondi com pesar.
-Aceitam ? – Alberta passou por com a bandeja. Quando meus olhos encontraram os seus, ela não conseguiu evitar a preocupação translúcida.
-Estou bem, obrigada – respondi em tom educado. Sentei-me na cama me sentindo cansada de repente.
-E quando foi marcado o casamento? Teremos um segundo noivado? – Minha avó continuou em seu questionamento, inacreditavelmente não se importando com o resto, ou oque havia me levado a aquilo. Para ela tanto fazia efeito eu ser noiva de um psicopata que havia matado os pais, como roubado o noivo de minha mais nova irmã. Ambos resultariam em um bom casamento, em sua opinião.
-Não teremos um segundo noivado. – Respondi de forma ríspida. –Amanhã ele virá buscar minhas coisas. –Peguei um biscoito e um copo de leite.
-Já? – Minha avó então aumentou um pouco sua voz. Assim como eu, provavelmente havia sido pega desprevenida. –E a cerimônia? Seu pai não concordará com isso.
Sorri de forma irônica. Minha avó não fazia ideia do que meu pai era capaz. Nem ela e nem ninguém ali.
-Está tudo acertado. Será uma cerimônia simples e em sua casa.- Levantei-me então, depositando o lanche mal comido na cabeceira. – Se me derem licença, tenho algo para arrumar e não estou me sentindo bem.
Alberta saiu primeiro e seguida dela, Katherine ainda com um olhar confuso e perdido. Não a culpei. Minha avó então, fechou a porta do quarto, com nós duas lá dentro.
-Eu sei que não vai querer conversar sobre isso, mas é necessário. – Ela então como se não tivesse sido solicitado que saísse, se aproximou de meu armário de roupas. Apenas a observei abri-lo e chegar meus vestidos. –Não pode se apresentar a sociedade, com tão poucos modelos assim. – ela quase pareceu ofendida.
-Vó, eu não quero falar sobre isso agora. – Suspirei.
-Mas vamos conversar. – Ela insistiu e desta vez, eu sabia que seria obrigada a escuta-la.
Depois de longas horas escutando seus conselhos, sobre como uma jovem deveria se portar, depois de casada na sociedade e roupas apropriadas, ela resolveu abranger outro tipo de assunto. E este, me fez revirar o estômago.
-Depois do casamento, quando os noivos ficam sozinhos. – A interrompi.
-Não, não. – Me levantei as pressas da cama, dobrando um vestido para coloca-lo na mala. –Não é realmente necessária esta conversa. – A ideia me apavorava e acreditava seriamente, que quanto mais falássemos sobre isso, pior seria na hora. Eu sabia muito bem o que implicava meu acordo e não estava nem um pouco feliz ou tranquila, sobre aquilo. Tentei pensar em uma coisa de cada vez. –Eu preciso terminar de resolver as coisas vó. Acho melhor a Senhora também, reservar um horário com a costureira. Não acredito que gostaria de estar deselegante no casamento. – Forcei um sorriso, sabendo que ela morderia a isca. Nada mais preocupante para minha avó, do que sua própria aparência.
-Tem razão. – Seu protesto morreu, quando percebeu que eu tinha razão. – Então depois, conversamos sobre isso. – Ela se afastou de meu armário e quando finalmente partiu, cai de costas na cama. Sim, eu estava encrencada.
---X---
Como era de se esperar, dois empregados de Dimitri Belikov, pararam em frente minha casa no dia seguinte e consigo, levaram minha única mala de viagens. Dentro delas, estavam mais objetos de recordações do que roupas, propriamente ditas. Graças a minha estadia de longa data no Convento em outra cidade, grande partes de minhas vestimentas, agora se resumiam em trajes fechados. Ainda era bastante difícil para eu aceitar o casamento, mas não havia me restado de todo, alguma esperança.
Katherine agora brincava livremente com sua boneca no canto do quarto, enquanto minha avó dava ordens para que Carlota, apertasse ainda mais, meu espartilho. A falta de ar em meus pulmões já se fazia presente, mas preferi não argumentar. O vestido que eu estava usando agora, era um modelo recebido pelos empregados de Dimitri, em tom pastel de renda. Como prometido, ele havia escolhido por fim, o modelo para o casamento. Quando minha avó finalmente se deu por satisfeita, me virei e sentei em frente à penteadeira, para que pudesse cuidar de meu cabelo.
Diferente do que imaginei, me senti um experimento de laboratório, conforme camadas e mais camadas de pós de arroz, eram lançadas com ajuda de uma esponja, em minha face. Perdi a conta de quantas vezes tossi ou me senti sufocar com o cheiro inebriante de perfume francês, misturado com a pressão em meu ventre, causada pelo espartilho. Quando tudo pareceu finalmente ter tido um fim, senti seus olhos calculistas em mim, enquanto observava o resultado final, de sua experiência. Eu não me atrevia a virar em direção ao espelho, por medo do que viria.
-Estou bastante satisfeita. – Minha avó murmurou por fim, segundos antes de Alberta entrar.
-A carruagem veio lhe buscar. – Ela soou clara e eu senti meu coração disparar com a notícia.
Com a ajuda de minha avó e Carlota, me levantei do lugar e me negando a olhar para o espelho, caminhei em direção à porta. Eu me sentia extremamente infeliz.
Notas finais
A Rose tá tão deprimida e o Abe e a avó dela não ajudam!!!
O que será que vai acontecer?
Comentem!!!
Aguardamos os comentários para prosseguir.
BeijoBeijo
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