Brave Heart

29 Capítulo 29 - A Nota


Abri meus olhos preguiçosamente.

Mãos estavam envoltas ao meu corpo, de forma possessiva. Com um sorriso nos lábios, tentei me mover mais de uma vez, em minha tentativa frustrada.

–Roza, vamos dormir mais um pouco. – Dimitri ronronou bem próximo do meu ouvido.

Com um impulso decidido, girei meu corpo para encara-lo. Dimitri ainda tinha os olhos fechados e sua expressão era tranquila. Segurei seu rosto com ambas às mãos e ele sorriu.

–Preciso verificar Katherine. – Murmurei enquanto traçava linhas invisíveis pelo seu rosto, com o polegar.

–Maria será a sombra dela se quiser. – Dimitri se aproximou mais a mim e então, afundou seu rosto na curvatura do meu pescoço, distribuindo beijos quentes pela minha pele. — Mas pelo amor de Deus, eu não vou deixar você sair daqui agora.

Graças à mescla de cócegas e seu tom sôfrego, eu gargalhei.

–Dimitri, você fala como se o estivesse abandonando. – Ergui seu rosto para me encarar. –E isso não é verdade. – Beijei seus lábios.

Ele estava prestes a protestar, quando uma batida na porta foi ouvida. Dimitri praguejou no que parecia ser outra língua, mas poi-se sentado, me obrigando a fazer o mesmo. Ele então se levantou e depositou sobre seu corpo nu, um robe de cetim escuro antes de seguir em direção à porta.

–Katherine? – Dimitri pareceu constrangido, enquanto mexia em seu cabelo castanho. Seus olhos desviaram para minha direção. Rapidamente me levantei e vesti meu robe, indo ao encontro deles.

–Kate? Está ocorrendo algo? – Apertei mais a vestimenta ao meu redor, enquanto encarava minha irmã. Seu rosto estava coberto em tom escarlate e nítido constrangimento.

–Me desculpem pela intromissão, mas eu gostaria de ir com sua criada a feira de antiguidades, e os empregados me disseram que eu só poderia sair, com a permissão de seu marido. Gostaria de saber se você não quer ir também– Os olhos claros de Katherine seguiram para Dimitri. Ela parecia um pouco assustada.

–Ah é isso. – Ele murmurou voltando a mecher em seu cabelo e então, notei sua ansiedade.

–Kate amor, nos dê licença durante alguns minutos sim? Vou falar com meu marido e eu logo encontro você lá embaixo.

Katherine sinalizou sem hesitar e então, Dimitri fechou a porta. Sua expressão estava inquieta e ele pareceu um pouco aborrecido.

–Por que me olha dessa forma? – Perguntei, suavizando ao máximo meu tom. Dimitri limitou-se a virar os olhos.

Um silêncio pairou entre nós e por fim, ele suspirou.

–Eu acho que terei que aprender a dividir. – Ele sussurrou quase inaudivelmente.

–Seu bobo. — Dando um passo à frente, eu beijei seus lábios. Dimitri pareceu apreciar meu gesto, pois logo suas mãos estavam ao redor da minha cintura me puxando para si.

–Eu falo sério Roza. Não suporto a ideia de ter que divi-la, mas irei abrir uma exceção por se tratar de sua irmã. – Ele então beijou minha fronte e se distanciou. –Pode acompanha-la. Eu vou aproveitar para enviar uma nota para Ivan e convidar ele e sua esposa, para nos fazerem uma visita.

–Seria uma ótima ideia. – Retribui seu beijo e segui para a sala de banho.

Já no andar debaixo, encontrei minha irmã na mesa do café. Quando ela percebeu minha presença, ergueu seus olhos do pãozinho que estava fatiando, para me fitar.

–Desculpe Rose. Eu não quis atrapalhar.

–Está tudo bem. – Gesticulei com as mãos, sentando ao seu lado a mesa. Bem diferente ao modelo que tínhamos na antiga casa, este era de uma brilhante e lustrosa madeira. O estofado assim como o resto da casa, também cheirava a novo. –Estávamos acordados já. – Sorri.

–Mas eu não deveria ter interrompido vocês. – Kate olhou para baixo, suas mãos em cima da mesa.

–Eu já disse que está tudo bem. – Peguei suas mãos nas minhas. – Mas agora me conte o que pretende fazer para hoje. Dimitri estará ocupado e então, poderemos sair juntas.

Katherine abriu um imenso sorriso, antes de começar a falar sobre suas sugestões.

As ruas de Londres eram ainda mais convidativas durante o dia. O comércio se fazia presente em quase todo o centro, e aproveitamos para visitar o maior número de lugares possível. Maria nossa criada, também nos acompanhou durante todo o passeio. Visitamos praças, museus e algumas lojas de vestidos do comércio. Quando enfim retornamos a casa grande, já se passavam das três horas da tarde.

–Eu estava preocupado. – Dimitri nos recebeu na entrada principal. Lancei a ele um olhar rápido, enquanto retirava meu pesado casaco.

–Me desculpe pela demora, mas a cidade é simplesmente convidativa. – Sorri e então, sua tensão se dissipou.

Katherine seguia com Maria em direção à cozinha. Dimitri percebendo meu olhar, se adiantou.

–Eu acredito que pode me contar como foi o passeio, enquanto come.

Sem nem sequer esperar por uma resposta minha, espalmou sua mão ampla na altura das minhas costas.

***

Ergui meu olhar para o homem a minha frente. Já fazia um par de horas, que Dimitri estava na mesma posição, afundado em papeis de sua mesa de escritório. Uma gota de suor escapava pelo canto esquerdo de sua testa, denunciando sua tensão. Foi ai que resolvi agir.

–Hey – Fechando um livro com um som seco, ajeitei minhas saias e fui a sua direção. – O que ocorre?

Dimitri não me olhou. Não precisava.

–Estou um pouco cansado. Somente isso. – Novamente ele estava insistindo com suas respostas vagas.

–Não quer realmente me contar, o que ocorre? – Toquei seus ombros com a ponta de meus dedos e ele tremeu levemente, mas antes que eu pudesse insistir naquilo, Dimitri se levantou e caminhou para sua pequena reserva de bebidas.

–Não é nada com que tenha que se preocupar, Rose. – Dimitri pegou a taça e depositou uma pequena quantidade de bebida, mas antes de sorvê-la, me encarou brevemente. – É só uma brincadeira sem graça. Tem que ser uma brincadeira sem graça.

–Está se referindo a carta que recebeu ontem? – Insisti, enquanto me recordava de uma entrega em mãos, feita tarde da noite para meu marido. Após o recebimento daquela carta que nem se quer eu sabia ao que se referia, Dimitri pareceu ausente e estranhamente perturbado. Desde bem cedo estava enfiado em trabalho e mais trabalho, e foi então que percebi que se escondia de algo.

–Eu já disse que está tudo bem. – Ele forçou um sorriso e quando eu estava prestes a insistir, a porta de seu escritório foi aberta.

–Senhor Belikov, informo que o jantar está servido – Um homem com seguramente mais de cinquenta anos, parou na soleira. Seu nome era Frederico e ele era nosso novo mordomo.

–Obrigado pela informação. Estamos indo.

Dimitri não esperou para minha reação e então, me arrastou para a sala de jantar, onde Katherine nos aguardada sentada a mesa, enquanto brincava com uma taça de água. Quando seu olhar passou por nós, ela ajeitou sua postura.

–Boa noite Senhor Conde. – Ela sussurrou.

–Eu já disse que pode me chamar de Dimitri. – Dimitri pôs seus olhos em branco e eu sorri.

–Tudo bem. – Katherine respondeu de forma encabulada, mas não desviou o olhar. – Minha avó sempre me recordava das formalidades.

–Nossa avó sempre foi muito exagerada. – Foi minha vez de virar os olhos, enquanto depositava o guardanapo em meu colo.

–Aqui somos uma família. Então podemos nos tratar pelo primeiro nome, mas não vai ser sempre assim. Vocês duas irão ver que as pessoas aqui em Londres, possuem muito mais inclinação a formalidades, do que em nossa antiga vila. – Dimitri esclareceu a garganta, enquanto nos era servido o primeiro prato.

–Eu estou de acordo. – Respondi buscando seus olhos, mas ele estava inclinado a me evitar.

Após o jantar, Katherine seguiu para seu quarto e eu, esperei por Dimitri em nossa cama, tendo a companhia de um livro. Como se soubesse que não escaparia de minhas perguntas, ele tardou a subir. Respirando fundo, apertei o laço de meu robe negro e desci as escadas.

Já no andar de baixo, as luzes da casa estavam quase todas apagadas, denunciando a retirada dos empregados para seus respectivos cômodos. Frustrada, caminhei em direção à biblioteca e abri a porta. O cômodo estava vazio. Franzindo o cenho, segui para a cozinha, sala de estar, escritório e por último, o corredor vasto do andar de cima. Tudo estava estranhamente silencioso.

–Onde que diabos, está meu marido? – Murmurei comigo mesma, enquanto parava em frente a uma das imensas janelas da sala, empurrando a densa cortina para o lado. A frente da casa estava silenciosa também.

Pensando o pior, fui à ala dos empregados e acordei Maria, que se levantou sobressaltada. Sua colega de quarto que era uma das cozinheiras, também se colocou de pé em um segundo.

–Não precisa gritar. – Toquei seu ombro. – Quero que me fale se viu Dimitri na última hora. –Sentei ao seu lado da cama.

–Me desculpe senhora. Eu estava tendo um pesadelo. – Maria tocou a testa suada e eu sorri. – Mas respondendo a sua pergunta, eu acredito que seu marido saiu de casa.

–saiu? Ele não me disse nada. – Franzi o cenho, tentando me recordar se Dimitri havia me informado sobre tal ato. –Quando ele saiu? Disse algo?

–Eu não sei senhora. Apenas pediu ao mordomo que avisasse ao cocheiro que ele iria sair em breve. – Ela deu de ombros. – E como eu ajudei sua irmã com a cama, eu o perdi quando já havia descido.

–Tudo bem. Obrigada. – Voltei a tocar o ombro da criada e logo me levantei.

–Precisa de algo senhora? – Maria fez menção de se levantar, mas eu a interrompi com uma mão.

–De forma alguma. Volte a dormir.

Sem alternativa e preocupada demais para descansar, segui em direção à cozinha e preparei um chá com algumas torradas. O comportamento de Dimitri sem dúvida alguma estava estranho e eu não entendia em nada, o porquê de ele ter saído no meio da noite, sem me dar explicações.

Assim que terminei meu pequeno lanche, segui para o salão principal e me espreguicei no grande sofá confortável, enquanto o aguardava retornar.

–Rose? Rose? – Uma mão fria tocava meu rosto. Abri meus olhos. Dimitri estava agachado na frente do sofá, parecendo devastado – Está tudo bem?

Empurrando sua mão, me sentei.

–Onde esteve? – Ignorando sua pergunta, formulei minha própria. Ele franziu o cenho, mas logo me respondeu.

–Eu tive que resolver um assunto. Por que está dormindo no sofá?

–Que assunto? – Insisti e ele respirou pesadamente, quando percebeu que eu não iria ceder. Passando uma mão pelo cabelo solto nervosamente, voltou a me encarar.

–Precisamos conversar. – Ele disse sem rodeios.

–É uma ótima ideia. – Ironizei um pouco. A verdade era que eu não entendia de nada o que estava se passando, e acabava por me sentir uma inútil.

–Rose – Dimitri enrolou suas mãos ao redor da minha cintura e me puxou para cima. Tentei fugir de seu abraço, mas ele não se afastou e logo, depositou seu rosto em meu ombro, se escondendo entre meus cabelos.

–Você me ama, verdade? Nunca vai me deixar? – Dimitri ronronou, enquanto apertava suas mãos fortemente ao redor de mim.

–Que tipo de pergunta é essa? – Suavizei minha voz. – É claro que eu amo você e nunca te deixaria.

Ele então se afastou e me encarou. Seus olhos eram uma mistura de pânico e tristeza.

–Meu irmão está vivo, Rose.

Notas finais
Bom, todas vocês tem motivos para me odiar rs.

Eu sei... sim eu sei que andei sumida, mas gente, minha cabeça está complicada. Eu não estou conseguindo escrever nada que preste. Vão comprovar ai em cima :(

De qualquer forma, tentei, para que vocês não ficassem mais tempo com a fic parada. Agora parece que o fio da meada fluiu e então, eu estou já deixando um outro capítulo pronto.

Mas me falem... o que acharam?
Pelo jeito o irmão do Dimitri está vivo. Será mesmo? Só sei que ele anda agindo meio estranho..... A Rose não gostou disso. Nem um pouco.

Beijos e até a próxima.