Brave Heart

17 Capítulo 17 - Situações Inexplicáveis


Notas iniciais
**Leiam as notas finais**

Boa Leitura!

POV – Dimitri

Rose acordou cedo. Antes mesmo que eu terminasse meu desjejum, a vi partir pela porta dos fundos, atrás de sua mais nova pose. Perséfone. Eu precisava admitir para mim mesmo, que seu ato havia me pego um tanto desprevenido. Sua audácia e coragem, estavam se revelando cada dia mais, conforme a sentia se adaptar a sua nova vida. Os traços que um dia eu havia visto em seu rosto na igreja, pareciam aflorar a cada minuto de sua permanência ali.

Temendo por um desastre em massa com a imensa égua indomável, assim que terminei meus assuntos pendentes no escritório, segui para o estábulo atrás de Rose e torcendo mentalmente, para que ela ainda estivesse sem muitos hematomas pelo corpo.

Querendo passar-me despercebido, para que não atrapalhasse seu desempenho, cruzei meus braços e em uma sombra qualquer de uma das árvores ali próximas, encostei meu corpo, apenas para observa-la. Rose estava ao lado de João, um de meus mais fieis serviçais, pedindo já sem paciência, para que ele se afastasse de Perséfone, que estava amarrada na cerca de madeira. Um vislumbre de sorriso se fez em meus lábios, notando o quão corada a pele de seu frágil rosto estava, pela notável indignação de sua parte. João mesmo a contra gosto e soltando os mais diversos palavreados, se afastou de Rose.

Ela então respirou fundo e logo voltou a se aproximar da égua, dando dois passos para trás, quando ela se moveu bruscamente. João ao seu lado voltou a advertê-la, mas Rose apenas virou os olhos e tentou novamente. Em sua segunda tentativa, Perséfone aparentou apreciar o toque de seus dedos gentis, sobre a pelagem negra. Quando finalmente seus dedos desceram para a região da barriga, percebi qual era a real intensão de Rose. Automaticamente, alarme soou dentro de minha cabeça. Fechei e abri meus olhos, decidindo se iria ou não impedi-la a tal ato. Respirando fundo, decidi dar-lhe algum espaço e apenas aguardei.

Não demorou, para que aos palavreados e xingareios, João se aproximasse com uma manta avermelhada a qual, Rose jogou por cima da barriga do imenso animal. Por mais uma vez João preocupado, tentou impedi-la mas o máximo que conseguiu, foi um olhar zangado da parte de Rose.

Com um primeiro impulso, ela tentou montar a égua, que bravamente se esquivou. Rose então respirou fundo mais uma vez, e ajeitou os cabelos presos no topo da cabeça, para logo em seguida, tentar novamente. Para minha total surpresa e possivelmente do serviçal ao lado dela, o animal se deixou montar. Antes mesmo que eu conseguisse me aproximar para parabeniza-la por tal ato, finquei meus pés no chão diante do brilho do imenso sorriso de satisfação em seus lábios. Eu nunca a vira sorrir daquela forma tão genuína. Era parecia feliz.

A passos vacilantes porém precisos, a égua começou a cavalgar em círculos pela grama verde, parecendo atenta as ordens de sua nova dona. Rose se agachava para mais próximo da cabeça do animal, a cada vez que pronunciava uma nova ordem ou até mesmo um elogio, sorrindo satisfeita consigo mesma, em seguida.

De soslaio em certo momento, percebi que João havia chegado com outro cavalo para possivelmente tentar uma aproximação com a égua. Com dedos ágeis, o velho homem o prendeu distante o suficiente, para não atrair a atenção de Perséfone e logo em seguida, notei que ele abria a porteira. Alarme soou dentro de mim e não consegui conter desta vez, meus pés de irem apressados para onde os dois estavam agora. Que Rose havia conseguido montar a égua era muito bom, mas bem diferente era de sair com ela, apenas sob um cobertor surrado. João havia enlouquecido por permitir tal feitio.

Perséfone estava prestes a sair pela porteira, quando chamei pelo nome de sua dona. Rose virou a cabeça, quase no mesmo instante, em que a égua se assustou e poi-se a correr desenfreadamente, para fora do cerco. Assustada demais para gritar ou processar qualquer outra informação, Rose se apertou ao pescoço do animal, que seguia sem rumo.

João sem saber ao certo o que fazer, seguiu em direção ao outro cavalo, mas antes mesmo que ele tivesse chance de monta-lo, eu mesmo o fiz.

Quando me aproximei o suficiente de Rose e Perséfone, notei que seus olhos estavam fechados e ela parecia estar rezando, enquanto seus dedos estavam agarrados ao pelo do animal.

-Rose! – Gritei para que ela me ouvisse. Assustada, Rose me encarou e eu vi que mesmo estando apavorada, ela não iria ceder. –Esta vendo as rédeas? – Aquilo pareceu alerta-la, que logo sinalizou com a cabeça em entendimento. – Tente com uma mão alcança-la. Fara Perséfone parar.

Respirando fundo, Rose soltou uma de suas mãos trêmulas e logo firmou seus dedos de um lado das rédeas.

-Agora de uma vez só, pegue o outro lado e puxe a égua para trás. – Tentei soar o mais firme que pudesse parecer, quando na verdade, eu estava temendo por um terrível acidente. O irmão de meu pai havia perdido o movimento de suas pernas, após uma corrida de cavalos, quando eu ainda era pequeno. Notei que Rose estava apavorada mas também, vi determinação em seus olhos, quando ela resolveu por fim seguir meu conselho e puxar as rédeas de Perséfone, com força para que a égua parasse.

A poeira se fez alta, mas graças à coragem de Rose, a égua finalmente havia parado. Desci as pressas de meu próprio cavalo, quando notei que ela ainda se mantinha em cima de Perséfone, provavelmente ainda muito abalada.

-Rose vem. Você conseguiu. – Ergui meus dois braços em sua direção já impaciente, para que ela me aceitasse e descesse de uma vez por todas da égua fujona. Rose tinha as mãos firmes nas rédeas e seus olhos estavam um tanto abertos. Ela estava em choque. – Vem vamos, eu não vou te deixar cair.

Ela passou os olhos pelo agitado animal e então, pousou seus olhos em mim, como se decidindo aceitar meus braços erguidos ou não.

-Vamos logo, ou vou ser obrigado a puxar-lhe – Soei mais autoritário do que pretendia, mas isso foi o suficiente para que Rose saísse de seu transe momentâneo e aceitasse meus braços para se apoiar e descer do cavalo. Quando ela estava prestes a passar sua segunda perna para que eu pegasse, Perséfone se agitou e foi o suficiente, para Rose jogar todo o seu corpo para cima do meu e caíssemos no chão com força.

-O meu Deus. – Rose para meu espanto começou a rir, enquanto levantava um pouco seu rosto coberto em tom escarlate, para me encarar. –Me desculpe. – Ela suavizou sua voz, enquanto me observava sem expressão, embaixo de seu corpo. Um pouco desajeitadamente, toquei seu rosto com as duas mãos, em busca de algum ferimento aparente, mas ao invés, só vi traços de sujeira marrom, enquanto seus olhos inexpressivos brilhavam para mim. Alívio passou por minhas feições, quando percebi que ela estava intacta.

POV Rosemarie

Ele continuava a me encarar, sem dizer uma única palavra. Era como se todas elas sumissem e por fim, Dimitri tivesse sua mente em branco. De todas as formas que imaginei, para suas possíveis respostas para meu ato sem pensar, o deixar sem palavras, não era algo relativamente esperado por mim. Dimitri parecia apático ou simplesmente, surpreso. Minhas mãos estavam depositadas em sua camisa de linho de cor clara e seu peito, subia e descia de uma forma quase acelerada. Suas duas mãos acariciavam as laterais do meu rosto, fazendo com que minha respiração se mantivesse semelhante a sua. Claramente, ele estava preocupado com meu bem estar.

-Você quer me matar não é? – Sugeri piscando algumas vezes, sentindo o rubor de minhas bochechas aumentar, conforme as batidas se seu coração sob a camisa, se tornavam quase audíveis a meus ouvidos.

Dimitri então, desceu suas duas mãos gradativamente para as laterais de minha cintura, exercendo uma leve pressão quente em minha pele, mesmo por cima do tecido de minha vestimenta. Sem que eu me desse conta de como aquilo começou, senti que meu coração, batia ao mesmo compasse do de Dimitri e voltando a fixar meus olhos nos dele, minha mente nublou. Mas antes que eu pudesse dizer ou fazer alguma coisa, ele apenas sorriu fracamente, antes de falar.

-Eu não vou te matar por agora, mas eu não tenho tanta certeza sobre minha sorte, se eu deixar sua égua escapar. – Dimitri virou seus olhos para a égua bem atrás de mim, me fazendo sorrir e espantar meus sentimentos conflituosos para longe. Com cuidado, sentei-me no chão e instintivamente, uma de minhas mãos foram para meus cabelos totalmente desalinhados. Meu coque havia se desfeito e meu cabelo castanho, caia parcialmente em cascatas pelas minhas costas.

-Eu estou uma confusão. – Murmurei um pouco aborrecida, mas Dimitri apenas limitou-se a me olhar, logo que conseguiu se levantar do chão. Quando seus olhos cruzaram com os meus, vi outro vislumbre de sorriso, mas que tão logo quanto surgiu, foi substituído por uma máscara de indiferença.

-Não estamos muito longe. Vou levar Perséfone pelas rédeas. – Ele então se virou de costas para verificar a égua e então, eu pude notar o quão suja sua camisa clara estava. Quando caímos, Dimitri era o que estava por baixo, tomando assim, toda a brutalidade do golpe e também, da sujeira. Quando ele voltou a se virar, seus olhos cruzaram com os meus. – Acha que consegue montar novamente? – Ele então apontou com a cabeça para o outro cavalo, o qual ele havia me seguido.

-Eu posso fazer isso. – Respondi, após respirar fundo. Mesmo com toda aquela confusão, minha mente estava bastante clara, sobre o que deveria ser feito.

Com ajuda de Dimitri, consegui montar em seu outro cavalo. Ele por sua vez, foi caminhando por todo o caminho, enquanto com uma mão puxava Perséfone e com a outra, o cavalo que eu estava montada. Vê-lo assim de forma tão simples e protetora, me fez questionar sobre sua verdadeira personalidade. Talvez ele não fosse de todo o homem mesquinho e terrível, como um dia eu acreditei.

Quando chegamos bem próximo do casarão, quatro empregados se aproximaram as pressas. Dentre eles duas mulheres que vieram rapidamente me acolher e verificar se eu estava bem. Dimitri preferiu que não se aproximassem dele e com ordens precisas a um de seus lacaios, logo levaram Perséfone para longe. Uma estranha sensação dentro de mim soando como um alerta, negava-se a acreditar que mesmo depois de todo o ocorrido, Dimitri pudesse fazer algum mal ao pobre animal. Minhas dúvidas restantes sumiram, quando seus olhos cruzaram com os meus. Perséfone estava a salvo.

Mais tarde naquele dia, mais precisamente após o almoço, Dimitri saiu para resolver alguns assuntos em seu comércio no centro, me deixando a vontade para a visita de minha irmã, para o chá da tarde. Katherine chegou pontualmente às quinze horas, acompanhada de Alberta, minha antiga ama. Ambas eram peças fundamentais de minha vida e de forma alguma, poderia exclui-las de seu papel tão importante.

Eu estava sentada na mesa de chá, quando a pesada porta de mogno, foi aberta por Marie, anunciando a chegada de minhas duas convidadas. Katherine ignorando qualquer cerimônia me abraçou assim que segui em direção a elas, logo que a porta foi aberta.

-Como está formosa, minha irmã – Beijei sua testa, observando o vestido azul pálido que ela estava usando. Katherine sorria de orelha a orelha. – E a cada dia mais crescida.

-Está tão bonita Rose. – Ela então olhou para os dois lados, antes de baixar um tom de sua voz. –Ele está te tratando bem? – O ar juvenil desde a última vez que havia visto Katherine, estava mudando gradativamente, para algo mais sério. Ela parecia bastante amadurecida e isso, me fez pensar sobre o que necessariamente, ela estava vivendo na antiga casa de meus pais.

Ignorando meus pensamentos momentaneamente, resolvi responder a sua pergunta:

-Eu estou bem aqui. Dimitri é um homem bom. – Opinei pela resposta mais fácil a ser explicada. Eu não precisava necessariamente entrar em detalhes, ainda mais, com minha irmã mais nova.

Katherine ponderou por um momento minha resposta, como se analisando minhas feições. Aproveitei-me de tal fato, para cumprimentar Alberta atrás dela com um abraço apertado e logo, pedi que elas sentassem junto a mim, em volta da mesa redonda. Enquanto era nos servido chá e algumas fatias de bolo glacê, Katherine voltou a iniciar sua conversa.

-Vovó iria vir conosco, mas está de cama, por conta de um resfriado forte. – Katherine se ajeitou melhor em sua cadeira almofadada, para fitar ligeiramente Alberta, enquanto a mesma se servia uma xícara de chá.

-E como ela está? – Perguntei, alternando entre um gole e outro de minha própria bebida quente.

-Está causando o maior alvoroço em casa, mas desde que papai viajou, as coisas estão andando bastante bem. – Katherine me respondeu.

-Papai está viajando? – Não conseguindo conter minha inquietação, por estar omissa de tal informação.

-Seu pai viajou a negócios. – Foi à vez de Alberta me responder. Seus olhos cruzaram então com os meus, por um breve momento.

-Isso é o que ele disse – Katherine deu de ombros, não se sentindo totalmente à vontade em falar sobre tal assunto.

-E sabem ao menos para onde ele foi? – Com um breve gesto de cabeça, pedi que uma das criadas se aproximasse para substituir o bule já sem chá, por outro.

-Não faço a mínima ideia. – Katherine respondeu, enquanto cortava ela mesma, uma fatia de bolo para si. –Mas logo ele deve estar de volta para expulsar vovó de lá. – Dessa vez, minha irmã corou um pouco, a tampar seus lábios para rir.

-Não pode ser assim tão severa com nossa avó, minha irmã – A adverti, apesar de meu sorriso cúmplice.

Nossa conversa se estendeu por quase toda à tarde. Katherine contou-me que havia ingressado em uma escola de música para garotas e com isso, estava completamente satisfeita. Como nem ela e nem Alberta mencionaram nada sobre uma possível união entre Katherine e outro cavalheiro, resolvi não tocar no assunto. Isso era algo com que eu pretendia lidar, com minha irmã mais velha, mesmo que minha avó se empenhasse em tornar tal assunto, uma tarefa bastante árdua. Alberta por si, parecia bastante apreensiva em perguntar-me algo sobre meu casamento, por isso, permaneceu em silêncio a maior parte do tempo, apenas instigando-me com o olhar.

O rosto feliz e sonhador de Katherine, acabaram por me impossibilitar de minha tarefa inicial. Contar a elas, sobre minha mudança não tardia, a Londres. Eu iria ter que pensar em alguma outra forma, de contar isso a minha família.

Notas finais
Boa noite Ninas!
Tudo bem com vocês?

Bom, esse capítulo é surpresa!!! Sim, nós não iríamos postar tão cedo, mas como recebemos uma recomendação linda da Tata, estamos postando um capítulo novinho em folha (fica a dica! rs)

Bom, primeiramente obrigada a todos os comentários, vocês são 10! E aproveito para informa-las que logo estaremos respondendo a todos. Só não fizemos isso agora, por que estamos a todo o vapor com capítulos novos.

Sobre o capítulo.
Gente o que foi isso? PARA TUDO! COMENTEM SOBRE ESSE "DESLIZE" do casal Romitri por favor heim! Eu particularmente gostei bastante desse capítulo. Mas é claro, que os próximos também estão bem legais. Levando em conta principalmente, o primeiro beijo ROMITRI!!! #suspira.

Bom, então é isso por enquanto.
Nem preciso pedir por favor para quem estiver acompanhando, deixar um "oi" pra gente. Eu realmente fico muito chateada com muitas outras fics que o povo tem muitas vezes, menor número de leitores do que BH e recebem tipo muitos comentários/sugestões e afins.

Vou ficando por aqui e esperando ansiosamente por você que pensou em deixar um recomendaçaozinha pra gente!!!! please!!!

Beijos e até a próxima