Brave Heart

11 Capítulo 11 – Bons Costumes


Notas iniciais
Olá gente!
Como vocês estão?
Como prometido, segue novo capítulo =)

Beijos e boa leitura ^^

**Leiam as notas finais**

Já se passava da hora do jantar, quando ouvi uma batida em minha porta. Eu havia passado grande parte do dia trancada no quarto, evitando qualquer tipo de contato com Dimitri. Depois de sua atitude no almoço, duvidará que conseguíssemos manter um relacionamento de aparências, ao menos.

-Pode entrar. – Respondi cansada, empurrando meu livro de cabeceira para o outro lado da cama. O sono já demonstrava sua face para mim.

Quando a porta foi aberta, me espantei com quem vi. Uma figura bastante alta e de silhueta definida, parou para me fitar.

-Você é a última pessoa que eu esperaria ver aqui. – Desviei o olhar. Dimitri então se aproximou alguns passos da cama, onde eu estava sentada.

-Você não desceu para jantar. – Ele comentou me encarando. Sua voz era uma mistura de cautela e de estranha, tranquilidade.

-Não tenho fome. – Sim, era uma mentira. Meu estômago naquele exato momento estava se contorcendo pela fome, mas meu orgulho era ainda maior.

-Irá jejuar? – Dimitri então para meu espanto, se sentou em frente a mim, na cama. – Eu não aprecio mulheres muito magras. – O tom de ironia em sua voz, me fez voltar a encara-lo. Mesmo com a vontade que eu tinha em lhe responder a altura, resolvi me calar.

Percebendo ele que eu não iria continuar com aquilo, ele voltou a falar:

-Me desculpe por mais cedo. – As palavras saíram calmamente de sua boca e eu percebi então, o quão difícil estava sendo para ele, pronuncia-las. Quando fitei seus olhos castanhos, ele apenas desviou o olhar, antes de continuar: — Eu lhe disse para não ter medo de mim, mas minhas atitudes foram contrárias as minhas ações. Desculpe-me. – Dimitri então encarou suas próprias mãos e eu, parei estupefata. Aquilo realmente estava acontecendo?

E então abruptamente ele se levantou da cama e começou a caminhar em direção a porta do quarto. Parecia terrivelmente derrotado. Reprimi a vontade de me manter quieta, mas eu sabia que não iria conseguir conte-la, por muito tempo.

-Espere. – Disse a ele, ignorando minha consciência sobre aquele ato, ser algo suicida.

Dimitri se virou para mim então, com a expressão ligeiramente surpresa. Assim como eu, ele não estava acreditando em minhas boas ações.

-Ainda tem algo para comer? – Aproveitei-me da situação. –Estou faminta.

Dimitri não me acompanhou até a cozinha, mas dize-me que eu estava livre, para pegar o que eu quisesse. Fiz então um lanche rápido, usando pão e algum pedaço de carne, que havia encontrado facilmente na cozinha. Como os empregados haviam já se retirado, me encontrei sozinha diante do meu jantar improvisado.

Automaticamente memórias do escritório de Dimitri, voltaram a minha mente, enquanto eu comia. Eu ainda não conseguia apagar totalmente aquele retrato de minhas lembranças recentes. Notavelmente eram pessoas importantes para ele, pois além de bastante grande e notório o quadro, ele estava em uma posição de destaque. Cada vez mais me pegava intrigada com seu antigo passado e ansiava para realmente saber, o que havia acontecido e por que, agora ele vivia sozinho. Desde que eu havia chegado a minha antiga casa, mal havia tido tempo para organizar, ou melhor, averiguar as informações que eu havia descoberto. Tudo era estranhamente novo para mim.

Quando estava prestes a terminar meu lanche improvisado, notei a presença de alguém na porta.

-Vejo que conseguiu encontrar algo para comer. – Dimitri apareceu na soleira da porta. Seus braços cruzados relaxadamente no peito e diferente de nossos outros encontros mais cedo, ele estava somente usando uma camisa branca de linho, com dois ou três botões abertos, eu não soube dizer ao certo. Seu cabelo estava solto caindo livremente nos ombros. De longe, realmente ele era um homem bastante bonito. Reprimi-me automaticamente, com o pensamento.

-Eu sei me virar. – Dei de ombros, me sentindo levemente afetada pela sua presença. Não era algo comum para mim. Ainda mais, depois de anos em um Convento.

Dimitri pareceu notar meu desconforto e então, caminhou pela cozinha parando próximo da pia, onde uma chaleira de aparência ainda quente estava localizada. Ele com cuidado excessivo, despejou uma pequena parte do conteúdo da chaleira, em uma xícara mediada de porcelana. Quando seus olhos se encontraram com os meus, ele falou:

-Aceita um pouco? – O cheiro inebriante de chá se aprofundou em minhas narinas, conforme o conteúdo era despejado em sua xícara agora, parcialmente cheia.

-Aceito sim. – Fiz menção de levantar para pegar um pouco de chá, quando ele gesticulou com a mão, para que eu não me movesse. Com agilidade, ele logo encheu a segunda xícara, a entregando para mim em seguida. – Obrigada.

-Disponha. – Dimitri então sentou a minha frente na mesa. Novamente seus olhos se encontraram com os meus. Voltei a desviar o olhar e desesperadamente, mudar de assunto. Ele tinha um efeito estranho sob mim.

-Você não faz o feitio, de preparar seu próprio chá. – Apontei de forma divertida, recebendo um olhar introvertido de sua parte. No final de tudo, ele parecia pouco a vontade comigo. Era algo a se esperar.

-Eu tive que me virar por muito tempo, Roza. Às vezes é preciso aprender a fazer seu próprio chá, por exemplo. – Novamente meu apelido havia sido citado, mas ele nem pareceu tê-lo notado. Era algo normal para ele. Dimitri então bebericou seu chá, seus olhos parcialmente ainda atentos em mim.

-Vejo. – Comentei vagamente, sentindo minha língua estalar pronta a questiona-lo. Tentei ao máximo me controlar, ou sentia que aquele clima calmo, porém estranho entre nós, se evaporasse como água fervente.

-Você quer perguntar algo. Pode fazê-lo. – Dimitri disse de repente, tomando novamente minha atenção. Seus olhos estavam em sua própria xícara. Suas mãos descansando por cima da mesa. Ele parecia muito jovial naquela posição tão despreocupada.

-Não tenho a intenção de irrita-lo. – Respondi vagamente, desviando o olhar para a minha própria xícara.

Houve uma longa pausa, até que ele voltasse a falar novamente.

-Eram meus pais. – Sua voz era quase engasgada e percebi que novamente, ele parecia em uma batalha contra si mesmo. E o vencedor? Quem saberia, afinal.

-Eu ouvi coisas a respeito. – Murmurei mesmo sabendo que aquilo era insano e como nas outras vezes, inoportuno. Dimitri me fitou rapidamente e desta vez, sustentou o olhar.

-Não ligue para tudo o que as pessoas falam. – Sua voz era sombria e desta vez, ele se levantou. – Pode ficar a vontade, esta casa é sua. Vou dormir um pouco.

E assim tão logo quanto ele surgiu, se foi pela porta da cozinha, me deixando novamente sozinha.

---X---

Na manhã seguinte após uma noite de pesadelos indesejáveis, decidi que iria tentar conversar com Dimitri. A última lembrança de nossa conversa na noite anterior me deixou em sérias dúvidas, sobre a origem dos boatos sobre ele e principalmente, se o que as pessoas alegavam, era de fato verdade. Agora analisando mais claramente, ele quase parecia não culpado.

O encontrei sentado como de costume habitual, na mesa onde o café era servido. Diferente do dia anterior, quando seus olhos se encontraram com os meus, ele não disse absolutamente nada. Apenas me analisava cautelosamente, como se esperando alguma reação minha.

-Bom dia – Tive a iniciativa, antes mesmo de sentar-me.

-Bom dia. – Ele respondeu indiferente, tendo sua atenção agora em um jornal. Pigarreei.

-O que vai fazer hoje? – Perguntei de repente, sabendo que possivelmente meu dia seria entediante, se ele resolvesse me manter trancafiada e sozinha. Dimitri me olhou de forma quase curiosa, porém com um toque de apreciação.

-Tenho alguns papéis para assinar, mas logo, estarei disponível. – Sua resposta era vaga, me abrindo sugestões para continuar.

-Ah sim, vejo – Continuei naquela linha de respostas vagas, para que eu pudesse escolher bem minhas palavras.

-Precisa de algo? – Ele instigou, bebendo um gole de seu café.

-Na verdade pensei que talvez, pudéssemos conversar. – Desviei o olhar, para um pedaço de pão sob a mesa. Sim, eu estava sendo uma tremenda medrosa naquele momento e não me orgulhava daquilo.

-Se for relacionado à nossa breve conversa de ontem sobre. – Ele começou, mas logo o interrompi.

-Não é sobre isso. – Me apressei a dizer. Dimitri então ergueu uma sobrancelha desconfiada para mim. Tentei não me intimidar a aquilo. –Eu gostaria que me ensinasse a tocar piano.

A xícara então pousou em seus lábios e ele então me encarou de uma forma bastante estranha, eu diria.

-E o que te faz pensar, que eu sei toca-lo? – Ah sim, ele estava jogando comigo. Usei levemente o guardanapo sob meus lábios e ele pareceu notar o movimento. Com uma calma que eu não sentia, voltei a falar:

-A notar pelo estado do resto de seu escritório, eu diria que utiliza muito o piano. – Dei de ombros e isso pareceu diverti-lo. Foi à primeira vez, que vi o deslumbre de um sorriso em seus lábios. Mas como da primeira vez em que achei ter visto, o sorriso se evaporou tão cedo, quando havia surgido.

-Você é observadora. Aprecio esta virtude. – Dimitri então pegou um pedaço de pão.

-Isso quer dizer que vai me ensinar? – Perguntei com um pouco mais de entusiasmo, do que gostaria.

-Isso quer dizer que irei pensar. – Dimitri me corrigiu rapidamente. – Você invadiu uma parte desta casa, que não tenho intensão alguma, de tornar pública.

-Não a tornou pública. Pelo que percebi, só nos dois moramos nesta casa com mais de dez quartos. – Comentei de mal humor. Eu temia pelo meu plano não funcionar como deveria. –E afinal sou sua esposa agora. Você me disse para ter liberdade com a casa.

-Também a instrui a não me afrontar e você o faz, o tempo todo.

-Não é como se você afinal, fosse uma dama em perigo. – Ergui uma sobrancelha irritada a ele e algo incrível aconteceu. Dimitri gargalhou. Tão alto e tão vividamente, que precisei me cutucar mais de uma vez, para ter certeza que aquilo, era de verdade. Ele havia afinal, achado meu comentário engraçado.

-Não vejo graça – Continuei com minha ironia e ele então, me encarou.

-Pois eu vejo. – Ele então usou seu guardanapo e se levantou da cadeira, erguendo uma mão para mim.

Como o observei receosa, ele continuou.

-Tem a primeira aula comigo. Vamos. – Sem pestanejar, peguei sua mão e me levantei de onde estava sentada.

---X---

Não sei por quanto tempo, apenas encarei as teclas do vasto piano. Minhas mãos suavam tanto, que por mais de duas vezes, tive que limpa-las no meu vestido. Dimitri estava sentado ao meu lado, apenas aguardando por meus próximos movimentos.

-Tem certeza que quer fazer isso? – De soslaio o observei, somente para ter certeza sobre sua aparência em branco. Dimitri não demonstrava nenhum sentimento ou feição. Era como se vestisse uma máscara de indiferença e ironicamente ou não, a vestia sempre na minha presença.

-Eu prefiro te ver tocar. – Fiz menção de levantar-me, mas ele segurou gentilmente meu braço no lugar, para que eu não me movesse.

-Não vou tocar. Veja isso. – Soltando meu braço devagar, Dimitri tocou em algumas teclas apenas com uma mão, emitindo um som agradável. –Repita isso, mas distribua suas duas mãos, dessa forma. – Ele então se levantou e com cuidado, separou minhas duas mãos sobre o teclado. –Mas não as deixe tão severamente duras assim. – Dimitri então espalmou uma mão minha de cada vez, Era um movimento estranho, como se tivesse alongando cada dedo de minhas mãos. Suas palmas eram extremamente quentes, contrastando com meu toque.

Quando ele terminou de alongar cada dedo, voltou a depositar minhas mãos no teclado. Comecei a repetir a ordem que seus dedos haviam alcançado em cada tecla, mas ele logo me interrompeu.

-Roza, não é assim. – Meu nome sendo pronunciado daquela forma, me fez instantaneamente virar em sua direção. O que na verdade, havia sido um grande erro. Meu rosto estava a apenas alguns centímetros do seu rosto. Engoli seco, logo voltando minha atenção para o piano. Dimitri pareceu pouco afetado, quanto realmente eu me sentia.

-Vamos começar de novo – Forcei um sorriso sem graça, me sentindo constrangida e estranhamente irritadiça.

Dimitri então soltou um longo suspiro, antes de voltar e sentar ao meu lado.

-Mas preste atenção, por favor – Ele disse se forma impaciente. Virei os olhos.

-Seria mais fácil, se você se sentasse onde eu estou não? – Ergui uma sobrancelha desconfiada para ele, não me importando com sua reação.

Dimitri me olhou durante um longo tempo. Seu rosto inexpressivo, até que finalmente, ele pareceu ceder.

-Sente-se aqui então. – Ele disse por fim, para que trocássemos de lugar.


Notas finais
E ai, o que acharam?

Obrigada a todos os comentários e principalmente, obrigada as leitoras que deixaram de ser fantasmas. Vocês não fazem idéia de como apreciamos os comentários e reações de vocês.

Novamente perdão pelos possíveis erros. Postamos na correria, então, alguns erros podem aparecer.

Outra coisa importante: É minha primeira fic e consequentemente da Kah Belikov tbm que é épica. Dessa forma, perdoem agente se houver algum equivoco na linguagem ou iniciativa.

Nós não fazemos ideia de quantos capítulos a fic terá. Como devem perceber, as minhas fics são grandes, mas isso não é uma regra.