Brave Heart
10 Capítulo 10 - Lembranças de Família
Notas iniciais
Como vocês estão?
Segue mais um post de BH e gostaria de pedir desculpas pela demora. Como alguns sabem, eu tenho outras fics(Sangue Nobre e Lágrimas de Sol)e ambas estão terminando. Portanto, estive ausente pois precisava terminar ambas ou pelo menos, agilizar grande parte, já que estava sendo bastante difícil eu conseguir escrever nelas ^^.
De qualquer forma, segue capítulo fresquinho e espero que gostem.
Vou pedir POR FAVORZINHO que se passarem pela fic, deixem um recado. Não custa nada!!! Sei que muita gente está favoritando a fic e nunca deixou um oi pra gente :(
Pooooxaaaa assim ficamos chatiadas :(. Depois agente para de escrever ou entra em Hiatus e vocês reclamam ¬¬
Boa leitura e nos vemos lá embaixo.
Pela manhã após o banho, resolvi organizar os poucos pertences, que eu havia trazido em minhas malas. Dimitri meu marido, não havia aparecido no quarto e eu muito menos, tinha a intenção de procura-lo. Graças ao Convento, eu estava apta a acordar cedo e, portanto, tentei manter ao máximo meus movimentos restritos, para que não o importunasse.
Uma batida tímida na porta, fez-me virar em sua direção. Ajeitei meu vestido e então falei:
-Pode entrar, por favor. – Ainda sentada, pausei minhas mãos em meu colo. Era a mesma criada da noite anterior.
-Senhora, o Conde deseja a sua presença na mesa do café. –Sem mais delongas ou possivelmente esperando por uma resposta minha, a criada deu as costas e fechou a porta atrás de si.
Respirando fundo e novamente chegando meu reflexo no espelho, resolvi descer.
Dimitri estava sentado em uma das extremidades da gigantesca mesa, com doze lugares. Quando me viu, depositou com cuidado sua xícara de porcelana sobre a mesa.
-Bom dia minha esposa. Acredito eu, que tenha dormido bem. – Embora sua voz fosse estranhamente calma, notei certo desconforto que ele logo, fez questão se apagar em suas feições.
-Bom dia. – Respondi vagamente, encarando os lugares na mesa. Eu não fazia ideia de qual, ele gostaria que eu sentasse.
-Sente-se ao meu lado. – Gesticulando para a cadeira próxima de si, o obedeci. Meus olhos incapazes de firmar nos seus. Ele pareceu notar isso também, pois continuou a falar.
-Iremos receber visita para o almoço.
-Achei que não gostasse de receber visitas. – Mal consegui conter o ácido em minha voz.
-E eu achei, que já havíamos conversado sobre você não me interromper. – Fitei rapidamente seus lábios, em silêncio desta vez. Felizmente eu não parecia ter o irritado tão seriamente. – Como eu dizia, — Ele então passou rapidamente o guardanapo por seus lábios. – Teremos visita para o almoço e eu quero que pareçamos um casal.
-Mas não somos um casal? – Novamente eu não consegui conter minha língua, enquanto pegava um pedaço de pão da cesta. Sua expressão novamente mudou. Para algo irônico e malicioso.
-Não me force a fazer coisas que não quero, Roza. – A pronuncia diferente para meu nome, me fez fita-lo.
-Roza? – Perguntei curiosa, mas ele desviou seu olhar do meu, para sua própria xícara.
-É apenas uma pronuncia. – Ele pareceu entediado de repente.
-Você não é daqui, não é mesmo? – Mordi um pedaço de pão aguardando sua resposta. Os olhos de Dimitri correram por todo o movimento.
-Eu não cresci aqui. – Ele respondeu depois de uma longa pausa. Com uma mão, ele gesticulou impaciente, para um dos empregados, que logo se aproximou.
-Veja se a Senhora precisa de mais alguma coisa. Estarei em meu escritório. – Dimitri então se levantou e seguiu, me deixando sozinha ali.
---X---
Depois do café, resolvi caminhar pela imensa cara que agora de certa forma, me pertencia. O silêncio daquele local gigantesco era anormal e muitas vezes, parecia ser aterrorizante. Me questionei sobre Dimitri viver ali sozinho. Como ele conseguiria por tanto tempo, apenas se acostumar com aquele silêncio ou no máximo, com o tilintar de talheres na mesa de jantar?
Durante toda a minha curta vida, sempre fui cercada de pessoas e isso de certa forma, era algo que eu gostaria de lembrar e sempre, com carinho. As manhãs que passava no jardim com minha mãe ou quando ganhei minha primeira boneca. Quando Katherine nasceu então, as coisas tornaram-se um pouco mais difícil para nos mas mesmo assim, eu sempre estive cercada por pessoas. Nos últimos anos então, quando comecei a ajudar crianças e pessoas sem ter o que comer, foi quando me senti muito mais humana.
Meus dedos brincavam na parede fria, conforme caminhava pelo corredor do andar de baixo. Mais quadros de lugares se faziam presentes nas paredes. Parei então em frente a uma pesada porta de madeira escura, bem no final do corredor. Sem pensar muito no que estava fazendo, levei minhas mãos até as pesadas e douradas maçanetas, até que ouvi alguém me chamar, bem atrás de mim.
-Senhora, eu não faria isso, se fosse você. – A voz da mesma criada que parecia estar me seguindo a cada passo que eu dava, soou atrás de mim.
-E por que acha isso? — A incentivei, erguendo uma sobrancelha desconfiada para ela.
-Este é o escritório de seu marido e ele, não gosta que ninguém chegue nem mesmo perto dele. – Pela sua expressão perturbada, percebi que ela falava sério. Intrigada, me voltei novamente pela porta, analisando os detalhes da mesma. Um enorme leão, parecia estar desenhado na porta. Tateei a gravura com os dedos. A madeira maciça, brincando com meus dedos frágeis.
-Onde meu marido está? Pode me dizer? – Perguntei, me voltando a criada novamente. Ela pareceu relaxar um pouco.
-Ele foi até o jardim ler o jornal.
-Ótimo. – Me virei novamente em direção à porta e sem esperar que a criada se colocasse falasse mais alguma coisa, abri a pesada porta. Seu sussurro de espanto era audível, mas não me importei.
Fechando a porta atrás de mim, olhei rapidamente ao redor. Eu não teria muito tempo.
Diferente das paredes com quadros de lugares, desta vez, me surpreendi com alguns rostos incomuns. Havia uma grande escrivaninha ali e também mais estantes de livros. O lugar parecia levemente empoeirado. Talvez, pela falta de pessoas entrando ali, como a criada havia citado. Dentre as pinturas, uma em especial, prendeu minha atenção. Bem acima da lareira apagada agora, havia um quadro de destaque e nele, haviam quatro pessoas. Uma mulher jovem de aproximadamente trinta anos, um homem um pouco mais velho e duas crianças com aproximadamente dez ou doze anos bastante parecidas, provavelmente irmãos ou parentes próximos. Aproximei-me então alguns passos para tentar identifica-los, quando a porta abriu abruptamente.
Não conseguindo conter a surpresa, dando vários passos para trás, percebendo quem era o invasor. Dimitri. E desta vez, ele estava irritado.
-O que você está fazendo no meu escritório? – Embora ele claramente estivesse irritado, suas palavras eram controladas e estranhamente, calmas.
-Eu vim ver você. – Era uma nítida mentira, mas não podia correr o risco, de semear mais confusão. Dimitri pareceu bastante confuso com aquilo, embora eu achasse que ele não havia acreditado em nada.
-Veio me ver? – Ele então ergueu uma sobrancelha confusa em minha direção. Engoli seco. – Explique-se. Quer alguma coisa?
Cruzando os braços no peito, ele aguardou minha explicação. Sem muitas opções e beirando perdidamente o precipício, passei meus olhos rapidamente ao redor do cômodo, esperando por alguma resposta divina. Finalmente a encontrei.
-Eu gostaria de usar seu piano. – Bem no canto, próximo à porta da varanda aberta, um piano estava localizado.
-Eu apostaria dez moedas de ouro, que você está tentando me enrolar. – Dimitri então caminhou para mais perto de mim, parando próximo de sua escrivaninha. Ele então encostou parte de seu corpo. Eu estava prestes a inventar outra resposta, quando ouvi seu desafio. – Aposto que mal sabe as notas de um piano.
-Eu sei sim, as notas de um piano. – Respondi rápido demais, quase de forma indignada, recebendo uma falsa surpresa do rosto de Dimitri. Como se aquilo não pudesse piorar, ele se moveu para o sofá próximo da porta e então sentou.
-Pode usa-lo. Prove-me que eu estava errado e então, poderá sair. – Seus braços cruzaram em seu peito e eu vi estampando em sua face, que ele estava me desafiando.
Sem saber ao certo como proceder a aquilo, caminhei em direção ao piano, com passos vacilantes. Diferente de alguns outros móveis, este parecia ser usado com frequência. Engoli seco, sentando-me no pequeno banco de couro. Quando encarei as teclas do piano, soube exatamente o que deveria ser feito. A não ser é claro, se eu não soubesse por onde começar.
Longos minutos se passaram ou poderia ter sido até uma eternidade. Não consegui fazer mais do que encarar as teclas. Sim, eu amava música mas infelizmente, não consegui destravar a parte bloqueada dentro de mim. Acima de tudo, aquilo fazia parte da minha história.
-Rose, eu já disse para não mecher nas coisas do seu pai. – Minha mãe alertava preocupada, notando que novamente, eu estava sentada no banco do piano. Meus pés nem se quer, se aproximavam do chão.
-Eu gosto tanto dele mamãe. – Apontei sorrindo, para o piano que meu pai havia herdado de sua mãe.
-Mas você sabe que seu pai, não gosta que mechamos nele. Era da sua avó e isso, lhe traz más recordações. – Novamente ela me alertou, mas diferente das outra vezes em que me havia pego, ela se sentou ao meu lado, aguardando que eu tocasse.
-Mamãe eu não sei tocar. – Respondi fazendo beicinho e então ela sorriu. Um amplo e caloroso sorriso.
-Me deixe sentar então docinho. – Com a ajuda dos braços, ela me colocou para o lado e então sentou no banco que eu estava. Com pós um longo suspiro, minha mãe começou a tocar. Suas mãos deslizavam por cada tecla, preenchendo o grande cômodo com alegria que eu ansiava. Por muito eu havia esperado pelo som daquele piano. Por muito eu havia aguardado para que ela tocasse para mim.
-Rose? – Eu mal percebi, que Dimitri estava me chamando. Quando o olhei, percebi que sua expressão havia mudado um pouco. Ele parecia quase, preocupado. Chacoalhando um pouco minha cabeça para espantar aqueles pensamentos, senti umidade em meu rosto. Quando elevei minhas mãos para toca-lo, percebi que estava chorando.
Sem respostas para aquilo, apenas me levantei de onde estava e caminhei em direção à porta. Eu jamais gostaria de demonstrar minha fraqueza diante daquele homem. Ouvi meu nome sendo chamado mais algumas vezes, porém eu estava abalada demais para retornar e então, apenas segui para meu quarto.
Na hora do almoço, desci para acompanhar meu marido, conforme havia me pedido mais cedo e então, estranhei quando percebi que o almoço estava sendo servido, sem ao menos algum outro convidado.
-Não teríamos mais convidados para o almoço? – Perguntei de repente, notando que ainda estávamos em silêncio.
-Não achei oportuno, uma vez que estava indisposta. – Dimitri não me olhou a comentar aquilo, me fazendo sentir-me ainda mais intrigada, sobre suas decisões um tanto inusitadas. Sua voz era tranquila e bastante controlada. Certa parte de seu autocontrole, era algo que eu admirava bastante, dado que eu, parecia não ter nenhum algumas vezes.
-Obrigada – Respondi simplesmente, ignorando agora seu olhar em meu rosto. – Mas não vejo um problema, marcarmos outra data.
-Não se preocupe com isso. – Dimitri logo me respondeu e então notei, que ele se servia de vinho. – Teremos outras oportunidades.
Quando nossos olhares se cruzaram, percebi que ele gostaria de me perguntar algo, mas aparentava ser ainda mais orgulhoso que eu, para dar o braço a torcer. Dessa forma, voltei a encarar meu próprio prato. A codorna de repente, não parecendo tão apetitosa como antes.
-Você não tocou no prato. – Dimitri me disse depois de uma longa pausa.
-Eu não tenho fome. – Respondi simplesmente, não me dando o trabalho de encara-lo. Eu sabia como seus olhos iriam parecer e sinceramente, não estava com humor para aquilo. Eu não estava com humor para seus jogos. Lembrar-me de minha mãe, sempre me foi doloroso. Desde a época de menina ou até mesmo, nos dias de prece no Convento. Era algo que eu ainda tinha certo problema, em conseguir superar.
Não vendo alternativa para mudarmos a conversa, resolvi apelar.
-Quem eram as pessoas do quadro, em cima da lareira? – Perguntei entre um gole e outro, de água. Quando encontrei seus olhos castanhos, percebi que havia tocado em um assunto não muito agradável para Dimitri. Não senti vontade em me redimir.
-Não era ninguém. – Ele respondeu depois de uma longa pausa, voltando a deslizar calmamente sua faca, pela codorna no prato.
-Eram sua família? – Minhas palavras eram ásperas. Dimitri me olhou severamente e desta vez, eu sabia que estava encrencada. Não me importei.
-Eu já te disse que não era ninguém. – Com um gesto bruto e muito rápido para eu processar, Dimitri se levantou da mesa como um furacão e lançando seu prato bem longe, ele me deixou sozinha, enquanto saia irritado.
Notas finais
O que acharam?
Será que finalmente os dois podem começar a se dar bem?
Bom... acho que a Rose estrapolou um pouquinho nessa última parte né? rssssss
Comentem, dizendo o que acharam do post.
Beijos e até a próxima.
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