Brave Heart

1 Capítulo 1 - Prólogo


Notas iniciais
Olá Ninas
Como estão?
Segue mais uma fic minha e da Kah Belikov saindo do forno.
É uma fic épica portanto tenham paciência conosco. Lemos bastante, mas um errinho ou outro acho que sempre aparecem.
Por favor não deixem de comentar. Queremos ver a opinião de vocês sobre a fic.
Sabemos que a capa está uma shit, mas é o que temos por enquanto. Logo mudaremos.
Bom é só... nos vemos lá embaixo.

Pensilvânia, 1845

O vento serpenteava com força, do lado de fora das janelas de vidro. Encolhi-me um pouco mais em minha manta, tentando apartar o frio que insistia em atormentar meus braços quase nus, somente cobertos com a renda do vestido. Um som de vozes sussurradas, me fez virar na direção de minha irmã mais nova Katherine, que brincava com sua boneca de pano recém-ganhada de aniversário.

–Acho melhor pegar uma manta. – A ofereci a que tinha, mas ela prontamente negou com os braços, em sua melhor forma juvenil.

–Não estou com frio, Rose. – Ela me olhou zangada pela insistência. Suspirei alto.

–Se não se agasalhar, vai ter problemas sérios com o papai, quando retornar. – Somente o nome de nosso pai sendo citado, fez com que os olhos claros de Katherine, se focassem nos meus. Aproveitei-me desse momento, para retirar minha mante e envolve-la nos braços de minha irmã.

–Vou verificar se Alberta precisa de algo e depois venho checa-la. –Beijei o topo de sua testa fria e rumei para a cozinha.

Alberta estava descascando batatas em um recipiente grande e redondo de barro. Seus olhos castanhos e atentos cruzaram com os meus, quando adentrei no cômodo.

–Menina onde está sua manta? – Ela me perguntou curiosa, logo voltando sua atenção as batatas.

–Dei minha manta a Katherine. – Encolhi os ombros e logo sentei junto a ela, em uma das cadeiras da mesa de madeira. –Logo vou buscar outra, após o banho.

–Quer comer um pedaço de pão? – Ela perguntou em sua forma rústica. Alberta era nossa empregada mais antiga e fiel. Havíamos perdido minha mãe, quando ela deu a luz a Katherine. Desde então, Alberta ocupava de certa forma, parte do vazio que nos havia restado. Meu pai embora um comerciante de grandes posses, passava grande parte do seu tempo enfurnado em seu escritório na cidade, ou em reuniões que ele nomeava como sociais, somente para não passar seu tempo conosco. Quando completei dezesseis anos e resolvi me opor a tudo aquilo, havia recebido então, uma passagem somente de ida, para o convento Madre de Deus. Aquele convento até os dias de hoje, tem sido minha casa desde então.

Hoje completavam dois dias, que eu havia retornado a Delano, um vilarejo da Pensilvânia, a pedido de meu pai. Segundo ele, minha avó materna viria nos visitar em seu aniversário e ela, gostaria que eu estivesse presente este ano. Katherine também havia insistido para que eu viesse, pois se sentia extremamente sozinha e infeliz. Depois de quase quatro anos longe de casa, era difícil para eu ainda manter a antiga rotina. No fundo, era como se eu não pertencesse mais a aquela casa.

–Não obrigada – respondi gentilmente, ainda perdida em meus pensamentos. –Sabe se meu pai irá demorar a voltar?

–Hoje é quinta-feira, então acredito que ele irá voltar depois do jantar. – Alberta respondeu de uma forma cansada.

–É sempre assim, não é? – Instiguei a conversa, me sentindo um pouco mal por aquilo, principalmente por saber a resposta de minha pergunta. Durante cada dia que eu passara no convento, havia suplicado em minhas orações, que a vida de Katherine não fosse igual, a que eu havia tido naquela casa. Logo que minha mãe morreu, nosso pai havia entrado em um caminho sem volta. Havia se entregado a bebidas, mulheres e jogo, e grande parte do seu tempo, ele passava na rua ou dormindo, se estivesse em casa. Antes de partir, havia pedido fervorosamente a Alberta, que tentasse ao máximo, manter Katherine longe de tudo aquilo. Pelo rosto ainda juvenil e despreocupado de minha irmã mais nova, eu acreditava que ela estava fazendo um trabalho bom.

–Tem piorado um pouco de um ano para cá, menina – Alberta me olhou de soslaio –Seu pai tem chegado mais tarde em dias de semana, isso é claro, quando não passa a maioria das noites fora.

–Me sinto péssima com isso. – Toquei meu rosto, sem saber ao certo o que fazer. –Mas ele escolheu assim. Estou presa em um convento e não há o que eu possa realmente fazer, a não ser rezar para que Katherine não se deixe levar, por essa situação horrível.

–Estou preocupada com o rumo que sua irmã possa levar afinal. – Alberta disse sabiamente, prendendo minha atenção a ela.

–O que quer dizer? – Me debrucei um pouco na mesa de madeira, esperando.

–São só pensamentos menina. Só pensamentos. – E como se estivesse tentando fugir daquilo, Alberta levantou e virou de costas para mim, enquanto lavava as batatas na pia.

–Se começou a falar sobre isso, algo sabe, mulher. – Levantei também e logo toquei suas costas.

–É bobagem. – Alberta me olhou de soslaio, nunca abandonando seus afazeres. Pensei por um momento naquilo e resolvi deixa-la em paz por enquanto. Afinal, tinha coisas a fazer por agora.

–Estou de acordo. – Respondi por fim. – Vou tomar um banho e logo venho com Katherine, para jantar.

–Em pouco mais de uma hora, acredito que o jantar esteja pronto. – Alberta respondeu sem se virar, me deixando ainda mais intrigada com aquilo.

Quando voltei ao quarto, Katherine ainda brincava com sua boneca, mas seus olhos estavam quase se fechando, pelo cansaço.

–Deixe a boneca Katherine. Vou chamar Carlota para lhe acompanhar ao banho. – Sentei ao seu lado na cama. Katherine apenas me observou, decidindo se iria ou não abandonar seu passatempo.

–Está certo. – Ela decidiu por fim, se levantando da cama e indo em direção ao lavatório.

Em passos largos, segui até a sala de estar. Carlota estava polindo algumas peças de prata, quando a encontrei.

–Carlota, pode por favor ajudar Katherine com o banho? – Lhe pedi gentilmente.

–Sim senhorita. Já estou indo. – Rapidamente a jovem mulher limpou suas mãos sujas em seu avental e seguiu para encontrar Katherine. Relativamente mais nova que Alberta, Carlota tinha um pouco mais do que vinte anos. Alberta era sua tia e há havia trazido de Londres, para poder ajuda-la com os afazeres da casa. Meu pai não se opôs em nada e isso foi muito bem vindo.

Depois que Katherine e eu havíamos tomado banho e nos trocado, Alberta nos serviu com uma sopa de feijão e legumes, acompanhada de pão caseiro, na cozinha. Raramente usávamos a sala de estar para jantar, depois que minha mãe havia morrido. Meu pai quase nunca jantava em casa e raramente recebíamos convidados também. Katherine se sentia mais a vontade com a companhia de Alberta a mesa, quando eu não estava por perto.

–Está deliciosa – Apontei a Alberta. –Sinto falta de sua comida fora de casa.

–As cozinheiras do Convento, são tão ruins assim? – A sábia mulher sorriu, mostrando alguns traços da idade, no canto de seus olhos.

–Digamos que eu não aprecio a comida. – Também sorri.

–Deve ser por isso então, que está tão magra. – Alberta com seu jeito desajeitado, apontou a colher em minha direção.

–Não acho Rose tão magra – Katherine franziu o cenho. – A acho bonita e tenho certeza que os cavalheiros irão corteja-la.

–Sua irmã não pode ter namorados – Alberta apontou ainda sorrindo. – Ela vive em um Convento.

–O que é um convento? – Katherine perguntou curiosa, entre uma colherada de sopa e outra.

–É um lugar aonde meninas boas vão – Alberta respondeu com calma.

–Eu não sou uma menina boa? – A forma inocente como Katherine perguntou aquilo, me fez sorrir.

–É claro que é – Tomei a iniciativa. – Mas ainda é bastante nova, para decidir se deseja ir para lá ou não.

–O que você faz em um Convento, Rose? – Sua curiosidade, estava fazendo cócegas em minha pele.

–Servimos a Deus. Passamos a maior parte do tempo rezando por outras pessoas e também ajudamos, os que não têm o que comer. – Em minha opinião, essa era a parte mais gratificante do que eu fazia. Há pouco mais de um ano, eu ajudava as irmãs do Convento, levando suprimentos aos mais necessitados. Era um trabalho árduo, principalmente quando tínhamos que visitar casas, onde as pessoas mal tinham o que vestir ou comer. O choque com tamanha miséria, por muitas fezes fizeram meus olhos lacrimejar em pena.

–Você é importante – Katherine sorriu em minha direção. – Quando eu crescer, quero ser como você Rose.

Durante um bom tempo, apenas observei em silêncio, o rosto sonhador de Katherine. Se ela soubesse qual o verdadeiro motivo de eu ter ido parar lá, talvez não pensasse em querer o mesmo destino que eu. Não que eu realmente pensasse em ter uma família um dia, mas a ideia de estar presa entre quatro paredes e nunca poder sair, não era lá uma imagem tão bem vinda. Antes de eu começar a sair das paredes de granito do Convento para ajudar as irmãs, eu pensava seriamente que poderia ficar louca.

–Dê tempo ao tempo – Alberta respondeu por mim e eu tive a estranha sensação, que partilhávamos do mesmo pensamento. Sorri para ela, agradecendo mentalmente pelo incentivo.

–---X----

Abri os olhos assustada. Ao meu lado, pude notar que Katherine também havia acordado e agora, estava sentada em sua cama.

–O que está acontecendo? – Ela perguntou sonolenta, coçando seus olhos. Provavelmente, ela havia sido derrubada de seu sonho.

–Eu não sei, mas fique aqui. – Pedi a ela, enquanto me levantava da cama e pegava meu robe. Outro som surgiu e dessa vez, era de algo se espatifando. Alarme passou por mim.

–Não saia dai está bem? – Pedi a ela. Estava escuro, mas graças ao brilho da vela ainda queimando, eu conseguia ver a extensão de nosso quarto. Katherine assinalou silenciosamente, enquanto eu seguia porta a fora.

Desci os degraus do andar de cima até a sala. Meus músculos estavam tensos e minha mão tremia tanto, que suspeitava seriamente, ser capaz de derrubar meu candelabro. Quando já estava no final da escada, me deparei com a figura de meu pai debruçado no sofá. Parte de seu corpo estava no chão, como se ele tivesse perdido o equilíbrio e dormido ali mesmo. Soltei um alto suspiro, depositando o candelabro próximo de nós, para que eu pudesse ajuda-lo. Uma sombra na parede, quase me fez pular de susto. Era Alberta.

–Deixe que eu o ajudo. – Alberta então se colocou na minha frente, puxando as pernas de meu pai mais para cima do sofá. Quando a cabeça de meu pai virou um pouco, pude sentir a ardência do cheiro de álcool e cigarros, passando por minhas narinas. Instintivamente toquei meu nariz, tentando parar o cheiro, mas era inevitável.

–Meu Deus – Comentei horrorizada.

–É melhor se acostumar menina. – Alberta me lançou um olhar de soslaio. –Hoje ainda ele está em seus melhores dias.

–Não consigo imaginar os piores. – Sussurrei ainda mais baixo, com medo de que Katherine aparecesse a qualquer momento.

–Vá para cima e cuide de sua irmã – Alberta ordenou, notando meu desconforto aparente. – Eu assumo daqui.

–Tem certeza? – Perguntei mais uma vez, observando a figura adormecida de meu pai, esticada no sofá. Suas bochechas estavam extremamente avermelhadas e em seu rosto, haviam ainda mais traços de idade, do que eu já estava habituada a ver. Notavelmente ele estava envelhecendo precocemente, graças ao seu novo hábito de vida. A figura de minha mãe, veio a minha mente com aquela visão. –Ela iria odiá-lo por fazer isso. – Comentei em um sussurro quase morto a Alberta. Mesmo sem eu citar nomes, Alberta sabia de quem se tratava. Silenciosamente ela concordou com um gesto breve de cabeça.

–Agora vá menina Rose. Já viu demais por apenas um dia. –Concordando silenciosamente, fui em direção ao quarto.

Quando abri a porta, felizmente Katherine havia adormecido. A sensação de alívio de apossou de mim. Eu não conseguia imaginar, como seria para aquela menina de doze anos, se acostumar a aquele tipo de situação. Eu não havia me acostumado e isso, contando que meu pai não havia dado um terço do trabalho, como aparentava dar agora. Desde cedo, eu havia entendido que bebidas e jogo eram uma mistura perigosa e que deveríamos as evitar a qualquer custo. Meu avô Charles, havia morrido por uso excessivo de álcool, ainda quando eu era criança. Durante muito tempo, eu vi minha avó materna, viver em uma verdadeira sombra, de sua existência.

Notas finais
E ai, o que acharam?

Beijos e até a próxima