Brand New Life
1 Novatos?
Notas iniciais
- Kagene Rui, Rei... Bem vindos às instalações, podem escolher o quarto que quiserem.
Os gêmeos fizeram que sim com a cabeça. Era a primeira vez que iam àquele lugar, e passariam meses ali. Tudo começou com um teste para uma gravadora: a Crypton Future Media. Houve dois aprovados entre milhares de candidatos: Rei e Rui. Uma vez contratados, deveriam se mudar para uma espécie de Hotel, que funcionava nos andares superiores da própria gravadora. Seriam Vocaloids, e cada um tem direito a um quarto diferente ali.
- Rei, vamos
subir? -Disse Kagene Rui, a garota de cabelos lisos negros e cortados um pouco acima dos ombros. Seus olhos eram de rara cor amarelo-mel.
- Bem...
-suspirou- Certo -Segurou-a pelo braço para ter certeza de que ela não iria se perder. Kagene Rei tinha cabelos negros como os da irmã, curtos, mas um pouco mais longos na parte de trás. Os olhos também eram da mesma cor.
Cuidadosamente subiram os degraus até que ouviram voz e de longe viram alguém de longos cabelos azul-esverdeados...
- São os novatos? Não sabia que chegariam hoje! Nossa! São gêmeos também? Que coincidência... -Hatsune Miku falava com alguém ao seu lado. Não tinha notado que tinha sido vista.
- Oi? -Rui tentou sorrir para cumprimenta-la.
- A-Ah! Bom dia... Seja bem vinda! Seu nome...
- Kagene Rui, prazer!
- Rui... -Rei não gostava que a irmã falasse com quem não conhecia. Mas por hoje, como, afinal,todos era uma espécie de "companheiros de casa" ela deveria se adaptar- Eu já vou procurar um quarto, qualquer problema me chama -Lançou um olhar penetrante para Miku como se dissesse "Não toque na Rui"-.
- Tudo bem...
Rei pensava
enquanto caminhava pelos corredores vazios. Ouvia vozes de todos os lados, mas não via ninguém. Sentiria falta do Grand Piano que tinha no quarto de sua casa.
"É uma gravadora, certamente há vários como aquele aqui" pensou como
consolo. Tocar piano para ele era uma espécie de terapia ou hobbie. Algo que
ele adorava e precisava fazer. Pensava se Rui arranjaria pessoas para conversar e torcia para que ninguém fizesse mal a ela. Quanto a si mesmo... Nunca teve grandes amigos, se acostumara com a solidão e preenchia seu tempo livre lendo, montando quebra-cabeças ou ao piano.
Achou um quarto vago e sem muita preocupação jogou a maleta de mão que carregava no chão,
deitando-se na cama olhando para cima. Esqueceu a porta aberta por descuido,
mas estava concentrado olhando para o teto e não voltaria para fechá-la.
“É... As coisas vão mesmo mudar de agora em diante... Será que...”
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho no corredor. Rei poderia ter ignorado se não houvesse a possibilidade de ter vindo de algum problema com sua irmã Rui, então se levantou em um salto e saiu correndo em direção ao local.
- Ai... Que merda... Doeu... – O barulho veio de uma garota extremamente parecida com sua irmã Rui, porém com cabelos loiros, olhos azuis e um grande laço branco na cabeça. Ela certamente havia caído no chão enquanto corria.
Rei a observava um pouco surpreso por achar alguém tão parecido assim com sua irmã.
- Rin! Rin? Você está bem?!
O grito veio de um garoto de olhos azuis e cabelo loiro preso para trás em um rabo-de-cavalo.
Ele agora havia se ajoelhado ao lado da garota que aparentemente se chamava Rin.
- Rin, pra que você estava correndo desse jeito? – Disse ele um pouco preocupado.
- Eu só queria me divertir um pouco! Agora me ajuda a levantar. – Disse ela.
Rei notou... Aquele garoto também parecia muito com ele... Possivelmente o desconhecido nem sequer tinha se dado conta de sua presença ali. Rei deu um passo para trás.
“Preciso saber seu nome...”
O quê? Por que
queria saber disso, pensou em resposta ao que tinha pensado antes.
“E daí, não tenho nada haver com isso.”
Quando Rin e o outro garoto se levantaram, este se surpreendeu e quase deu um pulo. Eram verdadeiramente parecidos, fora as roupas, olhos e cabelo.
- Ah? D-Desculpe... Não tinha te visto...
Rei não conseguia tirar os olhos dele. Não sabia o que falar também, então permaneceu calado.
- Len, vou buscar suco de laranja! – Disse a loira pouco interessada em quem era aquele estranho e indo para a cozinha dando um tapa nas costas dele.
“Então o nome dele... É Len...”.
- É novo aqui, não é? – Len mostrou um sorriso amigável – Eu nunca vi você por aqui... Então deve ser! Bom, bem vindo! Pelo visto seu quarto é ao lado do meu então... Se precisar de algo... Pode pedir...
- Certo... Mas não precisa me chamar de “novato” – Deu de ombros.
Len inclinou a cabeça.
- Ah... Eu nem sei seu nome...
- Kagene Rei.
- E o meu é Kagamine Len, prazer – Estendeu a mão sorrindo novamente esperando que ele a apertasse.
Rei olhou para os olhos dele por um instante e cautelosamente apertou sua mão, afinal não costumava nunca ter contato físico (ainda que um aperto de mão) com ninguém, quem diria com estranhos.
Conversaram sobre coisas simples por alguns minutos, sentados em um banco no corredor. Ainda que houvessem acabado de se conhecer, foi uma das poucas que alguém que não Rui falara com Rei na vida se não por obrigação.
“Oh, ele sociável pelo visto. Ele deve estar falando comigo por pena pra não me deixar só aqui...”.
Len agora estava calado e com o olhar distante, perdido em pensamentos. Porém Rei queria ouvir mais sua voz...
“BAKA! Por que eu tenho que pensar isso? O que deu em mim hoje?!”
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