Brand New Day
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dizem que estamos voando alto demais. Bem, então se acostume a olhar por cima.
Hiroto estava sentado no galho mais alto de uma árvore, olhando ao redor a cidade de Inazuma ao por do sol. Abaixo da árvore, encontrava-se um menino de olhos verdes e pele morena lendo um livro enquanto esperava o amigo descer da árvore. Aquele era Midorikawa Ryuuji, seu melhor amigo e parceiro de encrenca durante o ano todos que estudavam no mesmo colégio.
Pelo menos, era. Eles não iriam mais para aquele colégio juntos. E isso dava para perceber por suas roupas de formatura que balançavam um pouco por conta do vento. Só de pensar que nunca mais iria pegar um ônibus para ir a Raimon junto a Midorikawa, sentar ao lado do mesmo e conversar ou o irritar quando ele quer escutar música, puxando o fone dele toda hora, o fazia sentir um aperto no peito por mais que finja que não.
Midorikawa ia para Tóquio, tinha sido aceito numa grande faculdade da capital desse fino arquipélago no qual chamam de Japão. Hiroto, por sua vez, ia fazer uma faculdade em Inazuma na qual tinha sido convidado a entrar por suas belas notas. Ele olhou para baixo, vendo o menino ler, e sentiu tristeza ao pensar que após o Ano Novo, eles nunca mais iriam voltar a se ver.
O ruivo sabe que estava sendo dramático, mas ele tinha medo forte e malvado daquilo que as pessoas dizem acontecer, de nunca mais ver seus amigos de Ensino Médio novamente após eles irem a caminho da faculdade.
— Hiroto, eu sei que sou lindo, mas pare de me olhar. Está me deixando sem graça. — o de cabelos verdes brincou, ajeitando sua roupa de formatura e colocando o chapéu ao seu lado.
E por fim, o ruivo desceu da árvore e se deitou do lado do amigo, usando as mãos de travesseiro para a sua cabeça. Midorikawa se deitou, usando a barriga do amigo como travesseiro para o mesmo reclamar, se surpreendendo quando passaram dez minutos e ele não falou nada.
— Que bom que sabe que você é lindo. — Hiroto sussurrou para que Midorikawa não escutasse, e o menino fingiu que não escutou o ruivo para não o envergonhar, dando um pequeno sorriso discreto como se tivesse lido algo engraçado.
Acho que fico óbvio demais o outro porque de que Hiroto se sentia destruído em imaginar que ele nunca mais veria o melhor amigo, certo?
Existe um trecho de Pequeno Príncipe diz que Se tu me cativas, nós teremos necessidades um do outro. Serás para mim único no mundo. Literalmente, isso explicava aquilo no exato momento. Hiroto tinha sido cativado por Midorikawa sem ao mesmo ele saber disso ou querer. Ele nunca se declarou, por ter tantos motivos e isso o fez ocultar por muito tempo.
— Esse livro é tão legal. — Midorikawa comentou para quebrar o clima. — Nunca achei que o Aphodit ia falar um livro bom recomendado pela a namorada.
— Qual livro?
— A todos os garotos que me apaixonei. — Midorikawa disse e Hiroto se levantou, o fazendo se sentar num ato rápido ao sentir o mesmo levantando. — O que foi?
— Hasuike leu uma vez esse livro a Nagumo. — Hiroto comentou. — Esse e mais quatrocentos. Jeremy Fink e o Sentido da Vida, Extraordinário, os livros de A Seleção e Harry Potter são somente exemplos do que ela anda lendo diariamente para ele esses dias.
— Oh, andava interessado na namorada do Nagumo? — perguntou Midorikawa. O ruivo não pode ver a sua feição, ele estava com o livro na cara.
— Não! — Hiroto fez cara de nojo, e sentiu um arrepio. — Ela é medonha.
Midorikawa riu e fechou o livro, olhando o ruivo por um tempo com um sorriso. Hiroto sorriu ao vê-lo sorrir também, depois desviando o olhar para o nada. Podia sentir que Midorikawa ainda o olhava, mas logo o mesmo abaixou o olhar.
— Midorikawa... — Hiroto o chamou fraco. Ele olhou o menino. — Será que vamos nos ver novamente?
— Como assim?
— Depois que você se mudar para Tóquio, morar lá por muito tempo, você acha que voltaríamos a nos falar algum dia? — Hiroto perguntou. — Ou eu estou sonhando muito alto?
Midorikawa pensou um pouco sobre o assunto.
— Ei! — ele deu um leve soco no braço do ruivo. — Que drama é esse? Vamos sempre nos falar por mensagens, nos ver num bate-papo com webcam e essas coisas. Eu irei voltar nos feriados, eu o vejo nesses dias.
Hiroto revirou os olhos.
— Isso não da certo, Midorikawa. Aos poucos, você vai se esquecer de conversar comigo, e talvez arranje amigos e uma namorada por lá que o faça ter motivos para ficar nos feriados por lá. — Hiroto comentou e o de cabelos verdes fez careta quando se referiu a arranjar namorada. — Não faça essa cara, dizem que as meninas de Tóquio são belas.
Era doloroso falar a ele arranjar uma namorada? Claro que sim, mas era a realidade naquele momento.
Um silêncio se instalou no ar, e a cara de Midorikawa ficou mais triste. Hiroto achou que ele ia chorar por um momento, o bater, o chamar de idiota pessimista que não confia em sua amizade, ou até de péssimo amigo. Mas ele não fez nada disso, apenas colocou o livro aberto entre ambos e o puxou para mais perto, dando um beijo no mesmo e o tampando com o livro para ninguém ver.
Hiroto arregalou os olhos com o ato, mas quando Midorikawa se separou o ruivo o beijou novamente. Em ambos os beijos, era calmo e suave, entretanto tinha uma incrível sensação em ambos que os fizeram ficar um tempo parados após se separarem do segundo beijo. O ruivo voltou a olhar o nada, e o de cabelos verdes passou as mãos nos lábios.
— Eu...
— Não fala nada, tenho medo de nos machucar mais ainda se falar isso. — Hiroto disse e fez uma pausa, parecendo aflito. — Isso... — ele olhou Midorikawa, se levantando e passando as mãos no cabelo. — Não vai rolar.
Midorikawa se levantou, indo para frente de Hiroto.
— Porque não vai?
— Midorikawa, você vai para Tóquio! — Hiroto exclamou. — Era difícil pensar nisso como amigo, agora você vai e me beija, deixando a parte ferida desse fato ainda mais machucada.
— Eu já disse que... — Midorikawa colocou as mãos no ombro dele.
— Namoro a distância não dá certo, Midorikawa! — ele se soltou de Midorikawa. — As pessoas raramente recebem o que querem, por isso não da certo. Não quero começar algo sabendo que vai dar errado. E nem pense em citar sobre coisas românticas e dizer que vai dar certo, não sonhe alto.
Ele pegou o chapéu de formatura que tinha deixado cair quando subiu na árvore e Midorikawa o seguiu ao ver que ele ia embora.
— Apenas diga que me ama! — Midorikawa fez Hiroto parar, mas não se virar ao mesmo. — Se dizer isso, eu juro que paro de pensar alto sobre namoro a distância.
Hiroto viu o ônibus que pega para ir para casa chegar ao ponto de ônibus. Ele estava com o coração na mão para se virar, porque sabia que Midorikawa estaria prestes a chorar.
— Diga algo, Hiroto Kiyama! — Midorikawa exclamou.
— Somos homens também, isso é errado. — Midorikawa riu do que Hiroto disse.
— É errado amar? — Midorikawa perguntou alto ao Hiroto.
— Não.
— Então, isso não é desculpa! — o de cabelos verdes insistiu naquilo.
— Serei claro. — ele se virou a Midorikawa. — Eu não te amo, porque eu não amo algo impossível de ocorrer.
E assim correu para o ônibus, e a porta bateu quando o mesmo entrou. Ele se sentou perto da janela, evitando olhar Midorikawa ainda parado na mesma posição, e aos poucos se encolhendo para chorar. Naquele momento, Hiroto tinha em mente que isso o iria fazer chorar assim que estivesse indo dormir, mas talvez não se arrependa.
E Hiroto nunca mais viu o de cabelos verdes naquele ano, apenas soube notícias dele por Reina, após o ano novo, que disse que ele tinha ido embora. Reina disse que Midorikawa tinha falado algo a ela, e era para ela falar ao mesmo. Ambos estavam arrumando o quarto do ruivo, que estava literalmente uma bagunça desde a formatura.
— Ele mandou dizer que irá voltar, e dessa vez você não terá desculpa de dizer que é algo impossível. — ela falou, sem entender muito que o garoto tinha falado. — O que ele quis dizer, Hiroto?
Hiroto ignorou aquilo, apenas fez sinal que não sabia.
— O verde deve ter afetado a mente dele. — brincou, fazendo a de cabelo azul rir um pouco.
****
Dez anos depois.
Era um simples começo chato de um dos mais dias chatos da vida do ruivo. Hiroto iria reclamar sobre o sono e querer dormir mais, entretanto naquele dia ele acordou cedo. Agora estava sentado se preparando para sair com os amigos, não que tivesse tantos, mas eles eram realmente os melhores.
Ao terminar de se arrumar e pegar os óculos de perto e o colocar dentro da maleta, Hiroto saiu de casa. Voltou um pouco para pegar o celular, e assim saiu para mais um amável dia de trabalho suportando ver o que defenderia mentir ou não. Entrou num elevador ao mesmo tempo em que um morador novo dos 301, a casa ao lado da sua, e apertou para ir ao térreo.
— Qual andar? — perguntou sem olhar na cara da pessoa.
— Térreo. — a pessoa falou, e parecia estar procurando algo na mochila. Hiroto não apertou nenhum botão, já que tinha pressionado o mesmo.
Hiroto estava tão avoado em seus pensamentos que nem olhou uma vez para seu vizinho, apenas o encarando quando várias papeladas caíram no chão. Testes de Biologia do Ensino Médio, ele sabia só de ver uma questão. Ele se abaixou e catou junto ao vizinho.
— Ih, essa daqui errou feio. — Hiroto não se conteve a falar de uma das provas, e o homem riu.
— Ela assassinou muito a Física, não é a primeira vez. — ele brincou, e Hiroto riu e o entregou, olhando rapidamente o mesmo. O homem também o olhou, e Hiroto via que o mesmo lembrava alguém de muito tempo que fez o coração doer.
E a porta abriu. Hiroto se levantou e saiu andando, escutando um Obrigado de longe. Entrou no carro, se sentou e respirou fundo. Como o homem poderia ser tão parecido a Midorikawa? Ele sabia que não era Midorikawa porque Reina tinha o falado que o garoto começou a morar por lá mesmo já que tinha muitas propostas de emprego boas.
Ele ia ligar o carro quando escutou alguém bater no vidro e se assustou, olhando e vendo que era o homem do elevador. Ele abaixou o vidro.
— Eu preciso de ajuda, acho que perdi a minha lente de contato por aqui. Poderia me ajudar?
Hiroto hesitou, mas saiu do carro e olhou o garoto.
— Onde você perdeu? — o garoto começou a rir. Hiroto ficou confuso, franzindo as sobrancelhas. — Ah... O que foi?
— Não se lembra de mim, cabeça de tomate? Realmente, uma pessoa que nega amar outra mesmo ela sabendo que você a ama... Como você se tornou um advogado? Seu QI é de um número?— perguntou o mesmo, e Hiroto arregalou os olhos. — Eu falei para Reina dizer que eu ia voltar.
— Você... — o de cabelos verdes olhos nos olhos. — Midorikawa?
— Antes que peça desculpas, eu digo que não precisa pedir. — falou com um sorriso de canto no rosto e chegando mais perto do ruivo. — Você disse uma vez que estava sonhando muito alto. Então, vamos sonhar alto juntos e nos acostumar a ver as coisas por cima.
E então uma pasta azul tampou o beijo de ambos do lado esquerdo. Midorikawa tinha o beijado de surpresa novamente. Hiroto demorou um tempo, mas logo abaixou a pasta da mão do garoto e retribuiu o beijo, um beijo apaixonado.
Depois de dez anos tendo dias idiotas, Hiroto por fim conseguiu dias bons. Até porque, ele tinha esquecido que, quando você fecha os olhos com a luz da lua e os abre com a luz do sol entrando por uma falha da cortina mal fechada, era um novo dia.
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