Branco & Azul
5 Um Colar para a Minha Morte
Notas iniciais
Sísifo esperou, quando o navio com Navi veio buscar uma Cléota para ser ama de leite de outra criança dos estranhos Balaur que casavam com os próprios irmãos. Ele esperou silenciosamente no porto para ver se Elia sairia do navio toda vestida de azul para abraçá-lo, rir, brincar no jardim, levar ele para nadar com o Hipocampo dela e depois se aventurarem nas arenas de areia ou apenas nadar. Porém, a cada ano que passava toda vez que o Portal era aberto e o navio chegava para as transições de comércio e troca seus olhos brilhavam de esperança esperando Elia aparecer. Por cinco anos ele viu aquele mesmo navio entrar em Saphiral e ir embora sem avistar sua irmã de cabelos brancos. Quem iria elogiar seus cabelos azuis? Quem iria segurar sua mão quando estivesse trovejando em Saphiral? Maia? Cadmo? Artemisa? Não. Era sempre Elia.
Durante os cinco anos três Cléota foram levadas para serem amas de leite. Enquanto ele estava no Refugio, sua mãe foi para o outro lado ao menos duas vezes, então com certeza Elora e Elisa deveriam ter tido bebês. Ela não levava seu pai por que Eilon era um abantesma, segundo Artemisa e não gostava que seu pai pisasse em Calasir; seu pai não precisava dele mesmo, aquele parvo. Mas e se a próxima a ficar grávida fosse Elia? Sísifo saiu do Refúgio mais cedo naquele outono, queria ver Elia, sabia que ela não o abandonou por vontade própria, foi por idiotice daqueles valdevinos de cabelos brancos e bonifrates das ações do falecido Estevão.
Sísifo tinha sete anos quando já sabia que se alguém machucasse sua irmã ele ia querer brigar, mesmo que na época suas mãos estivessem frágeis pelo vazio da sua irmã. Ele usou a voz para ser rude quando Eilon mandou uma carta explicando porque Elia deveria estar em Calasir e não em Saphiral, nunca viu seu pai tão irritado com o ocorrido; as palavras sempre venceriam, mas naquela época ele perdeu. (ele apenas não sabia que foi porque Elia começou a nutrir sentimentos por Sísifo e um casamento e relacionamentos entre irmãos era algo que Perseu não aprovava e Estela tinha entendimento disso, menos o príncipe de cabelos anil.) Dez anos com a mente de quinze, esperto ágil, aprendeu truques com Rigel, e aquilo era ótimo, truques eram sempre bons porque seus meios-irmãos não sabiam nada daquilo e ainda se achavam os melhores do mundo aqueles azedos como tâmaras.
Assim que a barca chegou à costa de Saphiral, ele não esperou junto com Maia e Cadmo para a e recepção de seus pais, Sísifo saiu correndo deixando um rastro de pegadas queimadas como se estivesse fugindo de algo encontrou seus pais no meio do caminho, Estela tentou o abraçar, mas o ar quente chegou primeiro que ele e antes que Perseu pudesse segurar o menino ele deu um rápido: “Oi mamãe e papai!” Eles apenas viram o rastro de fogo que ele deixou á caminho do castelo, não podia perder tempo. Queria cantar uma música que seria apenas deles dois, ele já havia chorado até suas lágrimas se esgotarem e entendeu que aprendeu a ama-la. Ele tinha um plano, precisava funcionar, esbarrou na sobrinha Calisne, mas não parou até chegar na área das cargas do porto, tudo do Reino era colocado em uma área lateral do castelo, como um hall tudo armazenado como uma montanha de coisas.
Na parte da frente ficavam os materiais para Calasir, como tecidos, frutos, sementes, tudo o que o Rei encomendava, na parte do meio eram usados para trocas entre outras regiões do Reino e suas províncias, como couro, armas, material para ser derretido e fazer o que fosse necessário tanto para o povo como para a realeza. Sísifo correu para a parte final, o que era destinado para os filhos e netos de sua mãe. Presentes, joias, brinquedos, agrados era aquilo que o filho de Perseu queria. Sísifo começou a mexer nos presentes que sua mãe separou para seus filhos. Os dedos dele começaram a formigar, ele ia queimar tudo se continuasse afoito, se afastou um pouco para focar primeiramente no presente que ele queria o que era dedicado a Elia. Uma caixa média, com fita azul,vermelha e rosa. Abriu encontrando dentro um vestido elegante de fibra de lótus verde azulado, junto com um conjunto de joias como: um par de brincos, um par de pulseiras e um colar, ambos de ouro. Sísifo revirou os olhos tirando as joias de ouro ela não precisava de ouro, ela era mais preciosa do que um mero metal, seus costumes eram tão estranhos. Ele retirou o seu próprio colar prateado com uma pedra rosa com listras azuis em formato circular e colocou em troca, assim como um anel de prata azulada e dois brincos com um filete de fogo armazenado Ele riu quando fechou o embrulho e se afastou das coisas, não podia ser visto, nem ouvido naquela parte do Reino. Ele se afastou á tempo de levarem as coisas para o navio. Ela iria receber, Elia precisava entender, ela era inteligente sabia que ela entenderia o recado.
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Doía no momento em que tiraram suas cartas, doeu no momento em que pegaram seu presente; machucou internamente quando disseram que pegariam a ave para não entregar nada, e pela pequena escolta que Eilon mandou para Dragoi, cada entrega era retirada e queimada por Archys; no terceiro ano por uma sorte do acaso Evan e Ethan conseguiram pegar a fênix Alba enquanto Navi entendeu o percurso da ave e em conjunto redirecionando uma carta para Saphiral:
“Caros Rei e Rainha de Saphiral,
Eu, Eilon e Elisa, Monarcas de Calasir, junto com nossos irmãos Ethan e Elora Conde e Condessa de Interlok, assim como Evan Conde de Dragoi, nos reunimos para ter uma conversa longa e chegamos ao consenso de que, Elia não pode mais fazer as visitas intercaladas entre Saphiral e Calasir. Para o bem de Elia e em memória do meu falecido pai, Estevão que é manter a linhagem de Deragona. E temos entendimento de que: “Perseu não aceita a tradição dos deragonianos entre irmãos.” O legado deverá continuar o suficiente para os Balaur serem uma família grande e inesquecível. Então para evitar a criação de um possível interesse romântico entre Sísifo com Eli e a raiva de Perseu em conjunto tomamos a decisão correta. Ela pode sofrer um pouco, mas é o certo. Respeitando a vontade de meu pai, Estevão e sua posição Perseu.
Espero compreensão, Eilon.”
Perseu não gostou que Eilon escreveu que poderia ter algo acontecer com Sísifo e Elia. Uma audácia na opinião do Rei de Saphiral. Eles foram criados como irmãos e nunca fariam nada do tipo que Estevão desejaria. Sua raiva durou mais porque Eilon acusou Sísifo, mas no fim, ele e Estela concordaram que seria o melhor para todos os lados e menos estressante e confuso para Elia. Era triste porque ali ela poderia ser livre, sem expectativas rigorosas e regras que tiravam todo o seu brilho e propósito próprio. E assim foi feito, Estela assim veria mais Elia ficaria ao menos uma lua com os filhos, ás vezes eles se reuniam em Deragona, Perseu também ia e levava Maia, Cadmo e Orfeu que nasceu lá. Mas e Sísifo? Ele ficava com Artemisa. Ela não era bem-vinda na família, eles não foram a sua coroação, não mandaram cartas, não compareceram ao seu casamento e tal como Sísifo foi rejeitado por seus meios-irmãos, ela também não queria nada daqueles azedos.
Depois do segundo ano sem conseguir ver Sísifo, Elia tentava se manter forte mesmo querendo achar o meio-irmão, leva-lo a algum lugar para ele saber que ela se importava com ele; mesmo que tudo ficasse frio no inverno ela precisava se manter forte, para quando ela tivesse dezesseis anos fugiria para Saphiral encontraria Sísifo e eles poderiam morar em algum outro Reino que Perseu disponibilizava.
A vida apenas não era justa, no ano em que ela completaria catorze anos escondido ouviu da boca de Elora que Evan contou a Ethan que ele pediria ela em casamento em sua festa de aniversário; seu sangue gelou, não queria isso. Elia ficou muito tempo em Dragoi, ajudando no templo, tentando se acalmar, ajudando o sacerdote Ibran que já estava mais velho, mas continuava com a mesma sabedoria. No começo era para se tranquilizar, com o tempo ela pensou que seria mais eficaz ser uma ótima ajudante, assim se ela pedisse para ele não realizar o casamento entre ela e Evan.
O outono estava chegando, logo seria seu aniversário e a única coisa que a acalmava era quando o navio com a mercadoria de Saphiral chegava, Sísifo não mandava mais mensagens ou presentes, tudo era confiscado antes de ser entregues á ela. Naquela manhã Evan levou o presente de sua mãe para a irmã e assim que ela pegou levou um susto quando ele se inclinou o suficiente para beijar seus lábios. Evan ficou um pouco incomodado quando ela não queria.
-Pare com isso... Não fique assim, seremos casados, não vou te machucar. – Ele disse segurando o seu ombro sem muita força, assim se aproximando do seu rosto e beijando sua boca.
Ela se sentiu estranha não estranha com a atitude, Evan havia tentado isso muitas vezes, ela apenas se esquivava e naquele momento seu coração acelerado, rosto vermelho e após um longo momento voltou para o seu quarto, e abriu o pacote com os olhos marejados. Sua mãe sempre era tão cuidadosa com ela, o vestido era lindo, os brincos, e o colar eram simples e perfeitos. Elia suspirou fundo retirando o colar que Evan havia lhe dado no seu último aniversário e colocou o colar que a fazia se sentir mais próxima de Saphiral e principalmente mais perto de Sísifo. Entretanto não era o suficiente estava tão presa quanto seu pai Estevão ficou na Abadia, quanto sua mãe Estela foi capturada pelos Cristais Negros; ela não conseguia aguentar era sufocante o que ela poderia fazer se não queria se casar com Evan? O que ela poderia dizer sobre o sentimento que ainda tinha por Sísifo que aumentava com uma velocidade incomum.
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Á tarde quando as mãos de Evan deslizavam sobre seus cabelos, mãos e rosto durante o lanche da tarde Elia não aguentava mais. Saiu ás escondidas de Dragoi e foi até um dos círculos vermelhos e mágicos que Perseu havia feito para sua mãe e se colocou no meio. Mas não pensou em Saphiral e sim em Deragona, sempre vazio e sem guardas ou alguém que a visse. Respirando fundo ela foi para o ponto de onde era a passagem de um porto, onde havia rochedos, pedras e era alto, muito alto.
-Vai ser rápido, não vai doer. Pule Elia você consegue...
Conforme ela falava consigo mesma apertando o colar que sua mãe lhe enviou assim com vestido e os brincos fechou os olhos sussurrou o nome de Sísifo desejando que ele ouvisse e fosse a salvar; ela aguardou um bom tempo e quando o vento bateu forte em seu rosto ela pulou. Apenas se deixou cair sem dragões, sem Pégasus, sem Sísifo, apenas ela, Deragona e um silêncio triste enquanto ia junto para a sua morte o mais rápido que imaginava, fechando os olhos seria mais fácil.
O mar, o céu e o mar, eram azuis, como os cabelos de Sísifo, como tudo que simbolizava ele ter todo o seu amor.
Antes de Elia se aproximar do chão, do rochedo, de algum perigo, algo a segurou firme, com força, de maneira protetora. Ela estava de olhos fechados e quando abriu os olhos, viu asas negras, não de dragão parecia de um pássaro, porém, grande demais para ser de qualquer pássaro, a luz atrapalhou sua visão e assim que seus pés alcançaram o chão, um homem um usando uma longa túnica roxa com tom cinza, com expressão fria, pele cinzenta, cabelos longos pretos, com o corpo magro a encarou.
-Oh. – Elia deu um passo para trás, estava assustada.
-Você não pode morrer! – Sua voz era dura, áspera e fria. – Nem pense nisso novamente. Eu já não consigo proteger o Sísifo vou conseguir proteger você! – Elia colocou a mão sobre o peito apavorada, ele conhecia Sísifo, seria um inimigo? – Sísifo já é teimoso por si só e você fica brincando disso?
Ela abriu a boca mais não saiu nenhum som.
-Thanatos, eu sou o deus da morte, o protetor de Sísifo, filho de Perseu e Estela, seu meio-irmão que se importa com você. – Ele disse mexendo as mãos e revirando os olhos. – Se importa demasiadamente que agora eu tenho que realmente ficar atento quando você sai de Pardóx! Eu já fui enganado e isso não é legal mocinha. – Thanatos apontou o dedo para ela.
-(...) Você é. Quem? – Sua voz saiu tremula e Thanatos fez uma genuflexão parando bem na frente dela, com um olhar profundo.
-Thanatos, deus da morte! Ouviu? – Ela assentiu rapidamente enquanto ele segurava o colar que estava no pescoço dela e o analisou. – Aquele pestinha azul me humilhou... Ficou (...) – Ele fechou a mão e levou o punho fechado para a sua boca apertando mostrando os dentes. Elia ia correr, porém a outra mão dele puxou-a pelo tecido do vestido. – Não, você não vai sair sem eu conversar com você, Elia caçula de Estevão das cinzas e Estela dos encantos, enteada de Perseu terror dos casados. Olhe para mim!
-Sim. – Ela ficou paralisada e encarou aqueles olhos profundos e cansados, ela deu um pequeno sorriso sem graça tentando não começar a chorar e gritar.
-Eu poderia com muita graça te levar para o mundo dos mortos, fim acaba toda essa bobagem. Só que você está com esse colar, significando que Sísifo quer que eu te proteja também. – Ele deu um sorriso irônico. – Lindo não é?
-Sim! Eu achei que...
-Não! – Ele a interrompeu revoltado. – Eu não posso tirar isso porque não pertence mais á Sísifo; fazendo-me ser um cão de guarda para você não quebrar esse rosto lindinho no chão.
-Obrigada... Eu não poderia agradecer de melhor forma... – Sua voz foi baixando com a voz embargada, o choro na garganta.
-Não me agradeça ainda. Você me tirou do meu infeliz trabalho para não poder te levar comigo! – Ela pressionou os lábios com as lágrimas já caindo. – Aah não chore! – Ele resmungou passando as mãos nos cabelos com raiva e frustração. – Não vou te levar, eu te protegi, pare de chorar!
Elia continuou chorando se sentando no chão fazendo quase um rio de lágrimas, Thanatos se sentou de frente para ela, esperando ela parar de chorar. Ficou olhando para Deragona, os deuses haviam feito um bom trabalho para Perseu agradar a futura esposa na época. Olhava com certo tédio, Perseu nem precisava de tanto trabalho era só ter raptado a mulher e trancado a entrada do portal, como Hades fez. Depois de um longo momento, viu a garota soluçando de tanto chorar.
-Foi o susto de quase ter morrido, já passou. – Ela concordou limpando os olhos com o tecido do vestido. – Passou não foi? – Ela assentiu. – Me deixa continuar falando, não estou te culpando por estar sentindo falta do pestinha azul. Estou te culpando por você querer se matar e nem pensar que depois ele Sísifo ia querer se matar; felizes, vocês iriam ficar juntos no submundo...
Ela não sabia se era ironia, então apenas observou.
-O que viria depois? Sua mãe reclamando com os deuses; Perseu brigando com os deuses, todos eles vão reclamar no meu ouvido e você acha que eu vou ficar feliz com isso?! Acha?
-Provavelmente não. – Elia concluiu.
-Exatamente! Da próxima vez, peça para Sísifo vir te raptar e levar para outro Reino.
-Ele não faria isso. – Thanatos sorriu de canto.
-Eu acredito que sim!
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