Boys Don't Cry

2 First Summer


Notas iniciais
desculpa os séculos de atraso! eu sou um monstro eu sei, peço desculpa previamente pela demora e pelos erros (estou postando word vomit FIGHT ME!). juro que eu vou tentar ser mais frequente nas postagens. dedico esse capítulo a todos que me apoiaram, comentaram e estão acompanhando, vocês são uns amorzinhos e estão numa parte guardada do meu coração. a musiquinha depressiva desse capítulo é: https://www.youtube.com/watch?v=b4_x063rhX4 (enjoy)

A praia de Cape Charles estava deserta naquele dia. Passos estavam marcados na areia, indicando que a pessoa que os fez havia andado em círculos várias e várias vezes. Não se avistava nenhum pelicano voando pelo céu nublado naquela manhã. As ondas cinzentas se quebravam no horizonte e, por causa da maré enchendo, não havia muita areia amarelada.

Sentado em uma cadeira de salva-vidas velha estava um homem de pele alva. A brisa salgada inundava seus pulmões. Ele sentiu falta daquele lugar. Completavam exatos vinte e cinco anos desde a última vez que ele andara pela praia.

Nunca andou por outra praia.

Nunca pisou em outra areia.

Nunca sentiu outro vento marítimo.

Nunca arranjou outra pessoa para nadar na água salgada consigo exceto ele.

Nunca teve outro ele (outro garoto com feições lupinas).

Só existiria um elo o qual levaria até seu caixão: a praia, o “eu” mais jovem do homem de pele alva e o garoto com feições lupinas.

Nada mais, nada menos.

Ele desceu da cadeira.

Era inverno, e ele tinha um encontro marcado com seu passado.

(64)

Era verão, e Francis Jameson preferia ficar deitado no piso úmido do seu quarto do que em seu pequeno colchão mofento. Era o dia de ventilador de Phyllis, portanto não importasse o calor que fizesse — ou quantas vezes ele batesse na porta do quarto dela implorando compaixão, ela permaneceria firme em sua resposta seca e negativa.

O céu já estava escuro e beirava duas da manhã, todavia Francis não conseguia pregar suas pálpebras. Sua pele estava coberta por uma fina camada de suor frio que o enlouquecia e o fazia querer tomar banho imediatamente, mas por ser verão — a pior estação do ano — a água deveria ser economizada e a senhora Jameson, caso descobrisse uma regra sua quebrada, frivolamente acabaria com qualquer liberdade concedida para o seu filho mais novo. Francis preferia a insônia ao invés do confinamento.

Ele passou os dedos pelo cabelo recheado de espesso fios negros e escorridos, arrependido de não ter dormido no apartamento de Tyler Hill. A janela do seu minúsculo quarto estava, infelizmente, fechada, pois havia muitos mosquitos lá fora para que ele pudesse deixar ela se quer encostada. Ouviu as rajadas de vento ricocheteando e os pelos da sua nuca se arrepiaram. Fechou os olhos momentaneamente imaginando o frio. Distante, gelado, inverno. Mais uma batida. Congelante, nevasca, nublado. E outra. E mais outra… Nenhuma delas fora causada pela ventania.

Ele abriu os olhos e, hesitante, levantou-se do chão e abriu a claraboia. Do lado de fora, em seu quintal, estava um William Graham mais acabado e selvagem, sorrindo para Francis de maneira ferozmente bela, deixando seus caninos pontudos à mostra.

— Olá, Jams — falou Will, fitando Francis com seus olhos gélidos.

— De novo? — questionou Jameson, encostando-se no batente da janela e retribuindo o olhar do outro.

Não era a primeira vez que Will o procurava tarde da noite. Não era a primeira vez que ele estava cheio de marcas roxas pelo corpo — apesar de essas não terem sido feitas por seu pai. Também não era a primeira vez que ele parecia estranhamente diferente e vivo. Ninguém sabia da vida noturna de Graham exceto Francis.

— O que posso dizer? — passou a língua pelos lábios e deu de ombros, daquela maneira despreocupada usual como se não fosse importante seu nariz estar coberto de sangue seco e seus punhos em carne viva.

— Seu pai vai descobrir.

— Ele está viajando — disse entredentes e logo depois cuspindo na grama aparada.

Havia algo assustador sobre aquele lado de Will. Era como se toda a parte controlada e sensata que ele tinha deixasse de existir. Era inevitável não associá-lo com um animal. Um lobo branco, pensou Francis, solitário e sanguinário. Internamente, se sentia responsável por aquilo, por essas loucas noites de Will que ele dava suporte ao consertar as suas cagadas quando o garoto aparecia. Por fora, simplesmente suspirava e dizia:

— Entra aí — e caminhava em direção a pequena cômoda de mogno, atravessando o cômodo rapidamente.

Will sorriu — compensando os sorrisos que guardava durante o dia — e pulou a janela. Sentou-se desengonçadamente no tapete, as pernas cruzadas de maneira asiática, e ficou observando hipnotizado o abajur de lava psicodélico ao seu lado, que os iluminava debilmente com uma luz verde fantasmagórica. O outro garoto trazia consigo o pequeno kit de primeiros socorros e começava a cuidar dos ferimentos.

Enquanto suas contusões eram concertadas com vários bandaids, metros de gaze e grandes quantidades de Votarol, Will pensava em como gostaria de morar ali e não no casarão ao lado. A residência amarelo pálida dos Jameson era pequena e morna, construída com eucalipto e tomando apenas um quarto do terreno deles, os outros três quartos eram ocupados pelo enorme jardim da senhora Jameson no qual ela cultivava suas flores exóticas e coloridas; a casa nunca ficava em silêncio e mesmo aquela hora da noite, Will escutava o cricrilar dos grilos de estimação de Gertrude e o som de algum videogame de carro que Judith jogava na sala de estar. Era como se ela tivesse vida e personalidade própria. Will invejava Francis, por isso.

— Prontinho — exclamou o menino de cabelo preto, analisando alegremente sua obra-prima. — Caralho, eu usei duas caixas e meia de bandaid com esses seus dedos de aranha.

— Aranhas não tem dedos — murmurou Will, passando a sua mão menos machucada sobre a outra.

— Você me entendeu.

— Obrigada.

— De nada.

Por um tempo, não tinha nada para falar. Francis, escorado na parede, passou a brincar com uma das ligas coloridas em seu braço esquerdo; Will, ainda sentado de pernas cruzadas, apoiava seu cotovelo no joelho, deixando sua cabeça encaixada no seu palmo. Por coincidência, os dois vestiam a mesma camisa 666, do álbum novo da única banda que tinham em comum: Billy Talent. Todavia, ao passo que a de Francis era falsificada, a de Graham era original e agora, manchada com seu DNA.

— Agora que lembrei — Will tateou os bolsos traseiros de seus jeans escuros rasgados e tirou de lá um pequeno cilindro branco recheado de erva. — Tome, aceite como agradecimento concreto — Francis vacilou. — Ah, qual é! Todo mundo sabe que essa sua abstinência é porque você tá duro. Vai, aceita.

Se Will não tivesse se inclinado abruptamente para ficar cara a cara com Francis, colocando o baseado entre seus lábios trêmulos, ele provavelmente não teria aceitado — pelo menos, ele gostaria de pensar que não teria. Will tirou do outro bolso um isqueiro Zippo e deslizou o dedo sobre o eixo, ateando fogo na ponta do rolinho, a mesma logo estava enegrecida, com uma tênue linha de fumaça saindo por ela e inundando o quarto com o aroma adocicado e forte.

— Puta que pariu.

Francis sentiu seu corpo relaxar com a primeira tragada. Com a segunda, a euforia. A terceira foi dada por Will. Não demorou muito para os dois estarem rindo sem qualquer motivo aparente e começando frases e não as terminando.

— Sua mãe não vai..? — começou Will.

— Ela também está viajando — ele fez um grunhido estranho. — Será que seu pai e minha mãe estão fudendo ou algo assim?

— Provavelmente.

Francis queria ficar eternamente ali, que não era ali. Naquele espaço vazio em sua mente, dominado de desejos e sonhos e espuma do mar. Olhou para o lado e viu os poços auríferos de tom turquesa que eram os olhos de Graham, queria pegar um lápis e desenhá-los. Turmalinas. Seus olhos eram pedras turmalinas recém-colidas do leito de algum rio. Francis queria colhê-las. Sua mente zuniu. Ele falou algo que fez Will sorrir e mostrar seus dentes pontiagudos. Ouviram o latido de algum cachorrou que passou pela rua. Francis, inconscientemente ergueu a mão e tocou no canino direito dele e riu.

— Você é um lobo completo, não é mesmo?

Graham fez uma expressão desconcertante e perguntou o que Francis queria dizer com aquilo. Francis respondeu. Will, como um lobo irritado faria, levantou-se abruptamente e rosnou “Boa Noite”, pulando pela janela e depois a cerca. O relógio de LED marcava três horas e quarenta cinco da manhã. O efeito da maconha passou quatro e meia. A fome chegou dez minutos depois. Deitou-se com um buraco negro em seu estômago.

Francis dormiu pensando na reação incompreensível do outro rapaz, apenas lamentou que ele tinha levado consigo o baseado e descartado-o em seu quintal.

Francis nem fazia ideia de que sua vida seria carregada de lamentações e aquela era a menor delas.

(…)

— Você.

Segure.

— Desculpa.

Não deixe ela escorrer.

— Disse que não lamentaria.

Não deixe essa filha da puta escorrer. Não na frente dele.

— Eu lamento.

Úmida, quente e salgada.

— Eu sempre lamentei.

Os dois estavam derramando gotas úmidas, quentes e salgadas pelos olhos.

Notas finais
então é isso galerinha! espero que tenham gostado. sobre esses números entre parentêses, já explico que são os dias, o primeiro capítulo foi quando começou essa contagem, "o começo". portanto isso é 64 dias depois daquilo. os que não tem datas e só pontinhos são atemporais só pra deixar um mistério ou plot twist pequeninho. enfim, nada muito NOSSA NÃO ESPERAVA POR ISSO, ELE ENGRAVIDOU (omegaverse is a mystery to human society). prometo que a partir de agora eu posto pelo menos uma vez por mês, queria ser mais frequente, mas estou no último ano do ensino médio (YEH) e ENEM tá aí e tá foda (nada de tranquilo e favorável por aqui). agradecendo a moça venus por me obrigar 24/7 para escrever. pois é, um beijo para todos, se eu lembrar de adicionar algo nas notas eu adiciono depois, bye bye estrelinhas. (nota, dia 26/01): eu menti sobre atualizar nessa época, judge me.