Bourbon Street
10 Capítulo Dez - Putinha particular
Notas iniciais
Abri os olhos rapidamente ao me lembrar que Nicholas havia dormido comigo. Porém, ao olhar para o lado, percebi que — novamente — eu estava sozinho.
Bufei, xingando-me mentalmente por ter deixado aquele idiota entrar na minha vida. Eu era mesmo muito babaca por acreditar que aquele policialzinho pudesse ter conserto, mas a verdade era que ele não estava quebrado para eu consertar e, mesmo se tivesse, eu nunca conseguiria.
— Está pensando em maneiras de me matar por ter fugido da cama? — o homem praticamente brotou no quarto, fazendo com que eu me assustasse.
— O que está fazendo pelado? — meus olhos avaliavam sua pele.
Ele sorriu, fechou a porta e pulou na cama, quase me lançando do outro lado do quarto.
— Não posso ficar à vontade na sua casa? — Perguntou, passou os braços por mim e me puxou para mais perto — Achei que podia... — seus dedos afagavam meu cabelo com leveza.
Seus lábios estavam desenhados em um sorriso divertido.
— Não é isso — resmunguei — Você pode — assim que falei, ouvi um barulho não muito longe e acabei percebendo que a televisão estava ligada — O que você estava fazendo? — cerrei os olhos, intrigado.
— Bom... — sorriu — Eu tomei banho, comi um pedaço de queijo e estava assistindo televisão quando ouvi a cama se mexer... — puxou-me, moldando seu corpo ao meu e enfiando o rosto na curva do meu pescoço — E aí eu vim te ver antes que você pudesse criar sentimentos assassinos por mim...
Sorriu novamente e acabou me levando junto.
— Só tenho uma pergunta... — balancei a cabeça, divertido — Onde você pensa que está?
Ele jogou a cabeça para trás, soltando uma gargalhada alta.
— Desculpe-me, mas o meu banho matinal é sagrado, não posso viver sem ele — afirmou, divertido.
— Ah — exclamei — Já eu não posso viver sem comida, mas tudo bem. Vou te deixar ser fresco.
— Eu não sou fresco — retrucou aparentemente irritado — Quer saber? Porque você não dorme? É bom que fica calado — fechou a cara.
— Hey, aceite brincadeiras... — acariciava seu rosto suavemente — Não seja tão amargo.
— Você gosta do meu sabor, então... não reclame — rimos juntos — Mas falando sério, ainda é cedo e você parece cansado. Não vai ser legal dormir durante o trabalho.
— Tem razão — começava a me acomodar — Vou tentar.
Algum tempo passou desde que eu havia tentando dormir. Porém, o único problema que tinha era que eu não conseguia tendo consciência de que Nick estava bem ao meu lado acariciando meu cabelo.
— Não consegui — Abri os olhos de repente.
— Você nem tentou — ele riu divertido.
— Tentei sim — quase atropelei as palavras. Nós rimos juntos.
Observei seu corpo nu bem ao meu lado.
— Isso é estranho para mim — ele disse enquanto mexia no meu cabelo.
— O que é estranho?
— É que eu sempre acordei ao lado de uma mulher e agora... bom... não sei mais o que pensar... — suspirou — Não sei mais o que pensar de mim... — consertou — Sabe, eu...
— Já entendi — disse fazendo menção de me afastar — Não precisa dizer mais nada.
— Do que? — ele segurou meu braço e me puxou.
— Sobre isso ser errado — balancei a cabeça – Sobre nós sermos errados.
— Eu não ia dizer nada disso — sorriu — Eu quero você — ele se moveu vagarosamente e atingiu meus lábios com os seus — E sei que você me quer — sorrimos junto.
— Metido — tentei beijá-lo, mas só o vi se afastar mais e mais. Cerrei os olhos, vendo-o abriu um largo sorriso — Não vai deixar? — perguntei e ele balançou a cabeça negativamente — Você sabe que eu sou mais forte, não é? — disse ao passar meu corpo sobre o dele.
Nick soltou uma gargalhada alta.
— Ah, verdade? — em apenas um movimento eu fui jogado para o lado e já podia vê-lo por cima de mim. Droga.
O barulho do despertador fez com que tanto Nick quanto eu olhássemos assustados para o lado.
— Tenho que ir trabalhar — fiz careta.
— Não — ele murmurou enfiando o rosto no meu pescoço — Olha só, a gente brigou, mas foram três dias que ficamos longes, e... eu... eu...
— Vou facilitar para você — sorri, deslizando meus dedos pelo seu rosto — Eu senti sua falta.
Suas mãos voaram para minha cintura e um largo sorriso se espalhou pelo seu rosto.
Nick parecia estar bem carente, porque suas mãos começaram a percorrer meu corpo com uma vontade explícita. Seus lábios colaram no meu pescoço e eu já podia sentir sua ereção contra minha barriga.
— Está ficando quente — sussurrei.
— Unhun.
— Ér... olha só, eu preciso fazer umas coisas antes, então... porque a gente não se encontra aqui mais tarde?
— Ah — ele gemeu enraivecido e ergueu o tronco — Que horas?
— Oito?
— Ah, sério que eu vou ter que esperar todo esse tempo para te comer?
— Nicholas — o repreendi.
Uma gargalhada alta escapou do fundo da sua garganta e foi impossível não acompanhá-lo naquele momento.
— Ridículo — o empurrei para o outro lado da cama.
Apressei-me a tomar banho e, assim que saí do quarto, já vestido e pronto para trabalhar, avistei Nick sentado em um dos sofás da sala. Assim que ele me viu, levantou-se, desligou a televisão e andou até mim.
— Eu perguntaria se você tem certeza que prefere trabalhar a ficar aqui comigo, porém, acabei de perceber que preciso ir até minha casa antes que minha mulher jogue minhas coisas pela janela — ele murmurou ao me encostar à parede.
— A gente vai se ver mais tarde — tentei esconder o fato de que eu não gostava nadinha de vê-lo falando da esposa.
— Mas é chato pensar que eu vou precisar passar por um dia insuportável e só te ver durante a noite — ele revirou os olhos — Enfim... — sorriu — Vamos antes que você se atrase — suas mãos seguraram minha cintura e seus lábios colaram nos meus.
Fechei os olhos ao sentir sua língua me invadir sem sequer pedir permissão. Encostei as mãos em seu peito e o empurrei de leve.
— Não começa outra vez — o repreendi.
— Não posso fazer isso lá fora, então esse é nosso beijo de despedida — sorriu e andou até a porta, abrindo-a.
Fiquei algum tempo parado, apenas amenizando o que ele havia dito. Eu sabia que não daríamos muito certo, mas entender que eu era apenas um caso escondido para ele, confesso, me deixou um pouco mal.
— Espero que dê tudo certo — balbuciei já atravessando a rua.
Antes de entrar no seu carro e sair velozmente pelas ruas, Nick pronunciou:
— Eu sei você está torcendo contra.
Sorri, sozinho.
xXx
— Bom dia — Lia sorriu assim que coloquei os pés na sala.
— Bom dia — retribuí.
— Não precisa nem sentar — ela disse de repente e eu a olhei — O chefe quer falar com você.
Revirei os olhos e respirei fundo. Eu ainda achava excitante o fato do meu chefe dar em cima de mim, mas eu não estava com paciência para suas investidas.
— Deseje-me sorte — bufei.
— Você não precisa — alargou o sorriso.
Caminhei calmamente até a sala no fim do corredor. Assim que cheguei, bati à porta e esperei que fosse aberta. O homem apareceu e soltou um sorriso calmo ao me ver.
— Lia deu meu recado — ele afirmou, animado.
— Sim, senhor — assenti sem expressão alguma.
Ele fez um sinal para que eu entrasse e assim o fiz. Eu tinha a leve impressão que ele avaliava meu corpo, o que não me deixava mais confortável.
Permaneci parado em frente a sua mesa esperando que ele se sentasse. Porém, ele não passou na minha frente e quando eu menos esperava, senti seu corpo colando ao meu. Suas mãos agarraram minha cintura e eu me vi virando de frente e o afastando.
O olhei um pouco assustado.
Afinal, o que ele estava fazendo?
— Estamos sozinhos, Enzo — ele sussurrou — Não precisa se esconder, nem me negar algo.
O que ele pensa que eu sou? Porque todos pensam que eu sou uma prostituta?
— O que...? — comecei, mas logo desisti — Que diabos você está tentando fazer?
— Eu sei quem você é e sei que gosta do mesmo que eu, então porque não facilitar as coisas? — ele se aproximou suavemente — Tira a roupa... — sussurrou próximo ao meu ouvido, roçando o nariz em meu pescoço.
Confesso que o aroma que exalava do seu corpo me deixava excitado.
— Você sabe que eu posso te processar por assédio, não é? — tentava ser forte.
Ele sorriu sarcasticamente e correu suas mãos até a camisa social, desabotoando botão por botão, deixando a mostra seus mamilos rosados e um abdômen que deixaria qualquer carinha de dezoito anos com inveja.
— Eu tenho dinheiro — alargou o sorriso — Posso perder mil processos que continuo milionário — levou a mão ao cinto — Eu sei que você acha excitante o fato de transar com o seu chefe... — olhou para minha calça, que já mostrava um volume considerável — Que tal...?
Ele nem precisou terminar de falar. Agarrei sua cintura e prensei seu corpo ao meu. Sua risada baixa ribombou pelos meus ouvidos enquanto minha mente soltava alertas e dizia “Não faça isso”, mas naquele momento eu estava pensando com meu pênis.
O empurrei de leve e acariciei seus mamilos com a ponta dos meus dedos gelados. Eles eram durinhos e pontudos, o que me excitava ainda mais.
Eu roçava minha língua ao redor do biquinho do seu mamilo, lambuzando-o e, volta e meia, dando mordidinhas, puxando-os até mim. Ele gemia baixinho, intensificando meu estado de excitação.
Ao mesmo tempo em que mordia seu mamilo direito, ele retirava a calça, revelando o que faltava me mostrar para provar que ele era definitivamente muito gostoso.
Seu membro ainda coberto por uma boxer branca exaltava e marcava o tecido que o prendia. Eu sugava e mordia seus mamilos, deixando-os avermelhados e bem molhados.
O homem soltava gemidos baixos e suas mãos acariciavam meus cabelos, quase arrancando-os.
Agarrei a beirada da sua boxer, puxando-a para baixo e vendo seu membro quase pular no meu rosto. O virei de costas a fim de olhar sua bunda, era durinha e lisa, extremamente convidativa. Levei dois dos meus dedos à sua entrada, roçando-os na mesma com calma.
Aconcheguei meus dedos na sua entrada, massageando-a. Uma expressão de prazer brotou no rosto dele, que acabou sendo escondido na curva do meu pescoço. Aquilo acabou por aumentar minha vontade.
Peguei-o pela cintura e fiz com que ele deitasse seu tronco na sua mesa de trabalho. Abri suas pernas, me aconchegando entre elas.
— Você é um merda de um passivo, não é mesmo? — puxei seus cabelos para trás, deixando seu pescoço a mostra.
Ele não respondeu, mas sua expressão já dizia tudo.
O puxei, virando-o de frente para mim. Mordisquei seu queixo, descendo os beijos até seu pescoço, deixando várias mordidinhas, marcando-o.
Sua respiração ofegante batia contra mim enquanto eu descia até seus mamilos.
— Tira a minha roupa — segurei seu queixo com força, lambendo seu lábio inferior, ainda em pé na sua frente.
Sem falar nada, o homem começou a desabotoar minha camisa. Ele me encarava desejosamente, o que só aumentava o meu tesão. Arranquei a peça do meu corpo, afinal eu estava ansioso. O Sr. Chapman se abaixou, ajoelhando-se de frente para meu volume. Suas mãos voaram para minha calça, que era descida com bastante paciência. Ele tirou a peça junto a minha cueca, deixando meu volume à mostra. Meu membro ereto ficou rumo ao rosto do homem. Ele pulsava, duro como pedra. O homem ficou apenas olhando com os olhos arregalados.
— O que está esperando? — segurei a base do meu membro, mantendo a ponta próxima à sua boca.
Enfiei minha ereção em sua boca, sem me preocupar em ser delicado. Segurei seus cabelos com firmeza assim que comecei a socar rápido, atingindo o fundo da sua garganta. Suas mãos seguravam minha barriga, tentando me controlar, mas aquilo sequer me incomodava.
De repente, ele conseguiu me parar e, em um gesto rápido, deslizou sua língua pela minha glande, arrepiando-me. Sua língua começou a percorrer toda a extensão do meu membro até que voltou à glande, onde enfiou a boca sem hesitar. Dava chupadas intensas e lentas, arrancando de mim gemidos altos. Eu tentava me conter, mas não conseguia.
Aquela boca começava a descer pelo meu membro, iniciando um vai e vem delirante. Senti seus lábios chegarem à base do mesmo enquanto a glande chegava ao fundo da sua garganta. Seus olhos chegavam a lacrimejar, mas ele continuava.
Querendo recuperar o fôlego, subiu novamente, começando a dar lambidas na minha glande. Segurei meu membro pela base e o tirei da sua boca, inclinando-me até ele.
— Senta ali — apontei para o sofá ao mesmo tempo em que chupava seus lábios.
Ele soltou um riso sarcástico e levantou a mão, segurando meu queixo com força.
— Não vou te obedecer por completo — praticamente cuspiu as palavras.
O Sr. Chapman — era esquisito chamá-lo daquela forma tão formal diante do que estávamos fazendo — apoiou as mãos no meu peito e me empurrou no sofá.
Se aproximou calmamente, deixando um selinho em meus lábios. Completamente excitado, segurei na base do meu membro e comecei a me masturbar. Ele segurou minha mão e se ajeitou, sentando-se sobre mim.
Com um gemido baixo, vi-me dentro dele. Sua entrada se dilatava cada vez mais à medida que meu comprimento forçava caminho dentro dele.
Segurei sua cintura, acomodando-o sobre meu peito.
— Calado — sussurrei em seu ouvido, tentando acabar com seus gemidos.
Eu não queria que ninguém soubesse de nada o que estava acontecendo naquela sala.
Em resposta, ele apertou meus braços com força, fincando as pequenas unhas em meus músculos.
Eu investia com mais rapidez e força, ouvindo seus gemidos baixos, que me deixavam louco de tesão. Eu tinha certeza que aquilo era para me provocar.
— Espera — ele tentou se levantar a fim de se aliviar com meu membro fora de si, mas eu não deixei.
— Fica quieto até eu terminar — sussurrei, apertando-o mais contra meu peito.
Continuei investindo e, de repente, junto com um gemido razoavelmente alto, senti um líquido quente na minha barriga. O corpo do homem se relaxou em meus braços.
Investi mais algumas vezes e, logo, acabei gozando também.
— Eu sabia que você ia cair — sussurrou em meu ouvido.
— Tenho cara de puta? — retruquei ao cerrar os olhos.
— Para falar a verdade, tem sim — sorria de lado.
Eu não deixaria que ele zombasse de mim daquela maneira.
— Pois é — segurei seu queixo, aproximando seu rosto do meu — Mas, hoje... — lambi seus lábios — ...você foi minha putinha particular.
Ele mordeu o lábio inferior, parecendo um pouco bravo, mas nada falou.
— Volte para seu serviço — ordenou, levantando-se e agarrando suas roupas no chão.
— E qual é o meu serviço, senhor? — brinquei ao me levantar.
Ele me lançou um olhar viperino e, antes que ele pudesse falar ou fazer qualquer coisa, agarrei minhas roupas e comecei a vesti-las.
— Me deixar em paz — se jogou na cadeira giratória e permaneceu quieto.
— Agora, né? — terminei de abotoar minha camisa, levantei o olhar e o encarei ao perceber que ele não havia respondido. Seus olhos estavam fixos em mim e pareciam queimar de raiva. Respirei fundo e baguncei meu cabelo com uma das mãos — Desculpe-me, senhor — firmei — Vou voltar ao...
— Não precisa — interrompeu-me — Vá para casa e volte amanhã.
— Não é preciso — tentei me impor — Vou continuar meu trab...
— Você vai sumir da minha frente — bateu as duas mãos sobre a mesa e se levantou, fazendo um barulho estrondoso — Agora.
— Ah... está, tudo bem... — suspirei — Já que você foi tão educado — ironizei.
Eu ia dizer "Até amanhã", mas parei e pensei. Talvez eu fosse demitido depois daquilo, então aquela frase não fazia sentido algum.
Andei pelos corredores com a cabeça na lua e os pensamentos em Nick. Eu não deveria ter feito o que fiz e, aquilo estava me matando de remorso mesmo eu sabendo que o que existia entre Nick e eu não era nem mesmo um relacionamento verdadeiro. Quer dizer, nós estávamos juntos, mas não era nada demais, certo? Ele era casado e eu podia seguir com minha vida, não é mesmo?
— Ei, Enzo, acorda — ao passar pela esquina das salas, bati de frente com Lia — Está tudo bem? — me avaliava.
— Claro — assenti com pressa — Espero que sobreviva sem mim hoje — agachei para pegar as pastas que haviam caído das suas mãos.
— Já vai embora? — ela sorriu ao receber os documentos.
— Fui liberado — sorri desajeitado — Até amanhã — me aproximei suavemente e segurei seus braços.
Ela ficou corada ao receber um beijo na bochecha e eu sorri.
— Ah... Até — ela tentara sorrir.
Pelo jeito eu causava algum efeito nela.
Peguei minhas coisas sem pensar muito no que fazer a seguir saí daquele prédio.
xXx
Pensei em ir até delegacia e ver Nick antes do que tínhamos combinado, como uma espécie de surpresa ou algo do tipo. Porém, as lembranças do que eu havia acabado de fazer misturadas com os meus pensamentos que diziam “Você deveria tomar um banho” não me deixaram completar meu plano.
Portanto, fui para casa, enfiei-me debaixo do chuveiro e me mantive lá por bastante tempo. Eu não tinha mais nada para fazer e também não queria fazer nada. Talvez aquele dia pudesse ser dedicado à minha preguiça.
Assim que terminei de me banhar, joguei-me nu e completamente molhado no sofá, eu não me importava com a bagunça, na verdade, nunca me importei.
Não demorou muito e meus olhos começaram a pesar, porém antes que eu pudesse adormecer, o telefone tocou e eu fui obrigado a atender.
— Oi — disse.
— Enzo, a gente precisa conversar — era Jeane.
— O que quer de mim? — revirei os olhos, atordoado de cansaço.
— Eu não aguento a minha mãe, ela está me enlouquecendo — começou — Eu quero voltar para você.
Soltei uma alta gargalhada ao ouvir o que ela havia dito. Era muita idiotice da parte dela.
— Me esquece, Jeane — desliguei o telefone e o coloquei no gancho.
Como eu queria ter feito antes, fechei os olhos e adormeci.
xXx
A campainha ribombou pelas paredes da casa e me acordou. Pulei do sofá, assustado, e olhei para o relógio, que indicava oito horas em ponto.
Só podia ser Nick, mas, porque chegou exatamente na hora? Um sorriso divertido se estendeu pelo meu rosto ao perceber que ele poderia estar esperando do lado de fora há muito tempo, apenas para dar o horário certo. Achei aquilo fofo.
Corri para o quarto e me vesti com uma boxer verde escura e uma calça de moletom. A campainha ribombou novamente e eu me pus a correr de volta para a sala.
— Oi — Nicholas sorriu assim que eu abri a porta — Posso entrar? — perguntou observando meu corpo daquele jeito que me fazia arrepiar por inteiro.
— Claro — empurrei a porta, dando espaço para que ele pudesse passar.
Fechei a mesma assim que ele passou.
— Meu dia foi uma merda — ele resmungou e levou as mãos até sua camisa, abrindo botão por botão — É bom estar aqui com você — sorriu.
Sorri envergonhado pelas lembranças que voltavam com força total na minha mente.
— É bom te ver — suspirei.
Ele dobrou a camisa com calma e a colocou sobre a mesa. Com certeza ele se sentia em casa quando estávamos juntos, isso era bom e ao mesmo tempo ruim, pois me fazia sentir um merda ainda maior por ter feito o que fiz.
— Resolveu o problema com sua esposa? — apoiei-me à parede lateral.
Ele abriu o cinto e deixou que seu jeans escorresse pelas suas pernas. Ele já havia retirado o tênis e colocado ao lado e, por isso, estava apenas de boxer preta.
Meus olhos percorreram seu corpo e um calor imenso pareceu exalar do mesmo. Nick soltou um sorriso malicioso e andou até mim. Suas mãos agarraram minha cintura e me puxaram mais para si.
Gemi em meio ao beijo.
Eu me sentia atraído por ele, mas aquele não era um dos momentos que eu o desejava mais do que tudo. Podemos dizer que eu estava sem vontade de fazer o que ele tanto queria.
— Nicholas — apoiei minhas mãos em seu peito e o empurrei, levemente.
Ele me encarou aparentemente bravo, o que me deixou indeciso se falava ou não o que eu estava pensando.
— O que foi? — ele suspirou, ansioso.
— Eu... eu estou um pouco... — tentei — ... mal.
Ele se afastou e pegou suas roupas, vestindo-as.
— Ei, Nick — me aproximei e segurei sua mão para que ele não continuasse a fazer progresso — Achei que você veio aqui para ter minha companhia e não só para transar — o encarei, sério — Poxa, eu só estou meio sem vontade.
Ele me interrompeu com uma risada sarcástica e uma olhada para baixo.
— Eu sou mais esperto do que você pensa, Enzo — ele sussurrou e começou a vestir a calça — Eu não vou dizer que você está me traindo, porque não estamos em um relacionamento, mas eu sei que você esteve com outro.
— Oi? — cerrei os olhos — Você sabe do que?
— Você me dá todos os indícios disso — murmurou e levou uma das mãos a meu cabelo — Seu cabelo está embaraçado justamente na nuca, seu humor está mudando rapidamente, você marcou nosso encontro horas depois que voltou do seu trabalho, dando assim tempo de você fazer...
— Ah, cala a boca — balbuciei um pouco inseguro — Além de pensar besteira, está falando besteira.
Eu era um merda por ficar com outro homem e era um merda maior ainda por mentir.
— Ah é mesmo, Carter? — ele satirizou ao fechar o zíper da sua calça — Tudo bem, eu estou sendo paranoico.
O que eu achei estranho foi sua atitude que veio a seguir. Ele deu meia volta e andou até o banheiro. O segui de perto sem saber direito o que fazer. Quando eu menos esperava, ele abriu o cesto de roupa suja e tirou minha boxer de lá de dentro, a mesma que eu havia usado mais cedo.
— Você se masturbou mais cedo e gozou na cueca? Ou isso foi depois de uma transa rápida na qual você precisou se vestir às pressas? — ele me encarava com uma expressão diferente no rosto e os olhos cerrados em pura ironia e ceticismo.
Não dava mais para fugir.
— Escuta, Nick. Nós não temos nada de importante, então não é ruim o fato de eu ter transado com outro, é? — eu tentava me ajudar, mas era algo difícil de realizar — Nós não somos um casal...
— Você deveria ter me respeitado — ele gritou e jogou a cueca dentro do cesto com uma força impressionante — Porra, eu disse que vinha para cá ficar com você, mas você é uma puta que não pode esperar, né?
— Cala a sua boca para falar de mim — rebati.
— Ah, vá para o inferno, Carter — ele ganiu — Você é sim uma prostituta — lambeu o lábio inferior — Ou será que eu sou ruim de cama o suficiente para você procurar por outro?
— Não é nada disso, Nick — tentei segurar sua mão, mas ele se afastou.
— Então o que é?
— Você sabe que eu não consigo resistir por muito tempo — suspirei — Talvez eu seja mesmo uma prostituta — bufei — Desculpe-me — olhei dentro dos seus olhos — Eu sou assim.
— Você é um safado — ele rosnou ainda com raiva.
— Ei, espera — cerrei os olhos — Estamos aqui falando de mim, mas e você?
— O que tem eu?
— Você é casado, transa com sua mulher quando bem quer mesmo estando comigo e agora vem me irritar por que eu fiz o mesmo?
— Minha situação é diferente, Carter — ele rosnou, aproximando-se de mim — Eu sou casado, tenho que mostrar para ela que estou presente e mostrar para as pessoas que eu continuo o mesmo. Ninguém pode saber do que estamos fazendo.
Sua última frase fez algo ruim se embolar dentro de mim e um mal estar tomar conta do meu corpo inteiro.
— Ah, verdade — debochei — Além de prostituta, eu sou sua amante.
Saí dali.
— Ei, Carter — ele segurou meu braço assim que eu cheguei ao quarto — Foi mal, está bem? — suas mãos correram para minha nuca, puxando-me para mais perto — Eu estava nervoso por causa do meu dia de merda e acabei descontando em você. Desculpe-me.
Balancei a cabeça de forma afirmativa, sentindo seus braços me envolverem em um abraço calmo.
— Posso dormir aqui essa noite?
— Não precisa pedir — respondi com a voz um pouco falha.
Nicholas levantou meu rosto e me beijou.
E a cena dele me beijando se reproduziu muitas vezes durante aquela noite.
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