Bound By Blood
1 Eu não posso acreditar..
"Querido Diário,
Eu já estou preocupada com eles, Damon disse que assim que encontrasse Stefan me ligaria, e até agora nada; já se passaram 2 horas e meia. Estou sentada na escada desde que Damon saiu para procurá-lo. Eu sei que Stefan e eu terminamos, e que ele agora bebe sangue humano, mas eu não posso negar que o amo, isso não, nunca poderei negar. Por é amor de verdade. Ele sempre arranja um jeito de me dizer que estava bem, mas já faziam 3 semanas e meia sem notícias dele, eu estava mal, não queria comer.. O celular na minha mão está começando a ficar escorregadio, por causa do suor das minhas mãos. Sempre que estou ao ponto de explodir de preocupação isso acontece; eu não vou aguentar muito tempo sem notícias, mas eu estou respirando devagar e regularmente, tentando não pirar de vez. Eu não queria me mover, estava de frente para a porta na escada a tarde toda, já estava escurecendo. Eu não quero subir e pegar meu diário, por isso estou escrevendo aqui no celular hoje, mas tarde eu reescrevo tudo nele, eu prometo. Se Damon demorar muito eu vou pirar. Será que ele está bem? Por favor, que esteja."
Li aquelas palavras várias vezes no celular, e cada vez que eu lia meu coração martelava mais rápido e mais forte, parecia que iria pular do peito. Suspirei e encostei a cabeça na parede. Mais dez minutos e nada. Eu fico louca só de pensar que pode ter acontecido alguma coisa com eles.. Ouvi passos na varanda, e imediatamente fixei o olhar na porta, só conseguia ouvir as batidas do meu coração. E foi quando ouvi Damon gritar meu nome do outro lado da porta.
– Elena!– Sua voz estava fraca, e lenta. Eu travei por alguns segundos, e depois rapidamente me levantei, com a respiração ofegante e rezando muito.
Quando finalmente abri a porta Damon estava com o Stefan nas costas, Damon estava sangrando, e Stefan estava de olhos fechados, e pelo que parecia, não respirava. Ajudei Damon a carregar Stefan, e o colocamos no sofá. Lágrimas estavam querendo sair, e rolar pelo meu rosto. Respirei fundo e me concentrei em não chorar. Me virei para Damon que estava com uma estaca um pouco abaixo do coração, respirando com dificuldade. E me lançou aquele olhar de dor, o mesmo olhar de quando foi mordido por Tyler. Corri na direção da bancada da cozinha onde ele estava sentado. Desde que ele gritou meu nome, não pronunciamos nenhuma palavra. Olhando nervosa, perguntei com a voz chorosa.
– O que aconteceu? Quem fez isso com você? Porque..– As perguntas se perderam no ar assim que saíam da minha boca. Ele ainda com a voz fraca, mas cheia de dor pronunciou meu nome mais baixo que antes, e não conseguiu terminar a frase. — Tudo bem, não diga nada. Apenas faça sinal, ok?–
Ele soltou um gemido o que entendi como um sim.
– Damon, eu posso retirar a estaca?– Ele soltou o mesmo gemido de novo. Eu segurei a estaca com as duas mãos, e fechei os olhos, a última coisa que vi antes de fechar, foi a cara de dor e espanto de Damon.
Respirei mais uma vez, e quando puxei-a de uma vez só, prendi a respiração. Damon gritou, e depois respirava rapidamente, soltando palavrões para todos os lados, e no final só consegui entender um 'obrigado'. Alguns segundos depois sua respiração voltou ao normal, e eu só olhei de canto para Stefan. Corremos até ele. A primeira coisa que fiz foi ver a pulsação: nada. Mas eu não sabia se vampiros tinham pulsação. Então me virei para Damon com as lágrimas descendo descontroladamente. Agora onde estava a estaca, havia uma ferida cicatrizando, e as roupas dele todas sujas de sangue.
– Damon, consegue sentir cheiro de sangue sem me atacar?– Ele não respondeu, eu corri de novo até a cozinha, peguei uma faca e abri um pouco a cima do meu pulso, um corte não muito grande, mas o sangue começou a descer, só não estava mais rápido que minhas lágrimas. Voltei a Stefan e pressionei meu pulso contra seus lábios, mas ele não reagiu.
– Stefan, por favor. Por favor, Stefan!– Eu já estava gritando, e nada dele beber.
Quando Damon viu que eu estava prestes a aumentar o corte no pulso pela segunda vez, me agarrou pela cintura, me abraçando gentilmente, mas com força. E eu aceitei o abraço, agora mais do que nunca, meu coração doía, e eu tinha um nó na garganta. Tinha alguém gritando, e eu queria que essa pessoa parasse. E foi aí que eu percebi que quem estava gritando era eu. E Damon tentava me acalmar enquanto chorava. Nós dois ali sabíamos o que estava acontecendo, mais ninguém sabia. Damon puxou meu rosto para o peito dele. Algo estava acontecendo com Stefan e ele não queria que eu visse. Não fiz força alguma contra ele, eu não tinha mais forças. Stefan estava morto. Era tudo que eu sabia, tudo que me importava. Quem faria isso com ele? Damon? Não, se fosse o Damon ele não estaria aqui, não estaria chorando. Eu abracei ainda mais Damon, fechei os olhos, apertando meu rosto contra o peito dele. As lágrimas não tinham fim. E quando eu consegui abrir os olhos de novo. Estava no meu quarto. Damon tirou meus braços da cintura dele e olhou nos meus olhos, ele também estava chorando. Segurou meu rosto, e disse que já voltaria, desceu as escadas num átimo, e eu caí na cama ainda chorando.
Abracei tão forte o travesseiro enquanto lembrava de tudo que já tive com Stefan, cada toque, cada sorriso, cada beijo. Eu nunca esqueceria, nunca. Meu coração doía tanto, mas eu fazia questão de lembrar ainda mais. Alguém bateu na porta, e eu nem tinha idéia que havia sido fechada. Eu não queria saber quem era, se fosse Damon ele entraria se quisesse. E então a porta se entre abriu e ouvi a voz de Bonnie.
– Elena, posso entrar?– E quando ela me viu, veio correndo na minha direção, ficamos abraçadas durante um tempo.
Ela também chorava, bastante. Damon apareceu na porta ainda chorando, mas eu sabia que hoje ele não me explicaria nada. Eu não aguentaria ouvir. Ele saiu chorando, e eu fiquei preocupada, mas não conseguia me mexer. Bonnie dormiu lá em casa, e se Jeremy chegou, não quis nos atrapalhar.
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