Boulevard Of Broken Dreams

17 Cap 17 - Eu tenho direito de viver - Part Final


Notas iniciais
Oi Leitores!!!!!!!
Então, os comentários no último capitulo ajudaram muito a fazer esse Pov. do Percy. E se ficou muito doce não me culpe ok? Eu fiz o melhor possível.
Bem eu também vou agradecer a DaughterOfAthena pelo linda recomendação. Muito obrigado mesmo (é você realmente é um exemplo, rsrsrs).
Bem curtam o capítulo e não deixem de ler as notas finais.

''Construi amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos bati na porta da vida e disse-lhe: não tenho medo de vivê-la. ''

August Cury, escritor e psicanalista

Pov. Percy

Eu andava de um lado para o outro nervoso. Minha mãe a todo o momento me lançava um olhar divertido apesar de também estar preocupada. Quem aparecesse na minha casa nesse momento logo quando me visse seria capaz de pensar que algo catastrófico havia acabado de acontecer, coisa que eu esperava que não.

Thalia havia saído para ir à escola e até agora não voltou, ou seja, já são dez horas da noite e nada daquela louca aparecer, menina irresponsável. Minha mãe já havia falado que sempre ela dava essas escapatórias para esfriar a cabeça e tal, mas mesmo assim. Eu faltava perder os cabelos, claro se já não tivesse ficado careca do primeiro ataque de preocupação.

— Percy! — minha mãe falou me segurando pelos ombros — calma filho, ela está bem, daqui a pouco ela chega e se você continuar assim vai acabar abrindo um buraco no piso.

— Mas mãe! Já são dez horas, talvez ela...

— Talvez nada Percy — ela falou rindo de mim não sei o porquê — e melhor você ir dormir antes que você quebre o piso e fique sem unhas.

— O que?! Não mãe eu não posso, a Thalia... bom...

Eu não sabia o que falava. Eu me preocupava com Thalia, ela podia parecer tão forte com um diamante por fora, mas eu sabia que era tão frágil como uma flor.

Eu tenho certeza que ela era capaz de cometer alguma loucura. Eu havia visto algumas marcas de cortes nos seus pulsos. Sim! Isso mesmo, ela se cortava, ou ao menos fazia isso, pois ela jurou que já havia parado com isso, mas eu duvidava mesmo vendo que as marcas de cortes pareciam antigas.

— Eu sei filho — ela falou tocando no meu rosto — você se preocupa com ela, mas você também tem que confiar nela afinal ela também precisa de um tempo pra ela...

Minha mãe encarava o vazio com uma expressão de pena. Eu sabia o que ela estava pensando. Thalia parecia que a cada dia se distanciava mais do mundo. Aquilo me preocupava, sim ela era minha irmã, mesmo não tendo o mesmo sangue.

— Tudo bem mãe, mas eu vou ficar ali — falei apontando para o sofá — até a hora que ela chegar.

— Tudo bem então desde que você fique quieto. — ela falou rindo.

Sentei-me no sofá e quase que instantaneamente senti o cansaço pesar como um camelo. Não que eu já tivesse carregado um, mas... err... ah você entendeu. Hoje foi um dia e tanto, primeiro eu tive que aturar os alunos daquela escola. Gente fútil e falsa. Sério! A única coisa que eles prezam e o dinheiro do papai e tal, arrgh.

Mas apesar de tudo foi até engraçado, principalmente quando Grover soube que teria enchilhadas e saiu correndo caindo de cara no chão, em cima de uma garota. Certo que eu não deveria rir e tal, mas foi tão engraçado ver a cara dele quando viu em quem tinha esbarrado. Sério foi hilário, eu sabia que ele tinha uma paixonite aguda pela garota... acho que é Juniper o nome dela, mas a cara de tacho que ele fez... ah! Pena que não tirei uma foto.

Além do Grover o meu único amigo é... hum... bem é só ele mesmo. Ninguém nem sequer me dava um bom dia, não que eu fosse sem educação e tal e não respondesse, mas quanto eles me viam chegar de ônibus, bom digamos que eu passo de um desconhecido para praticamente o nada.

Ao menos eles me respeitam. Desde que eu falei aquilo com a loira, ninguém mexe comigo ou com Grover. Até mesmo o Ethan havia ficado quieto, mas sempre me lançava um olhar homicida. Por falar na loira, ela estava estranha depois daquilo, eu podia ver que o olhar dela agora sempre estava opaco, como se... como se viver não valesse mais a pena. Será que ela estava doente? Afinal ela parecia mais magra... mas por que eu estou me preocupando com ela? Tudo bem que ela era linda, alias muito linda e tinha os olhos mais intensos que eu já vi, fora que...

Droga, droga, droga. Eu sacudia a cabeça freneticamente tentando espantar esse tipo de pensamento. Minha mãe me olhava com a sobrancelha erguida e tinha um discreto sorriso no rosto. Eu não duvidava em nada se ela não soube no que eu estou pensando, afinal mesmo estando morando com meus pais há pouco tempo eles, principalmente minha mãe parecia me conhecer desde sempre.

Suspirei pesadamente e me deitei no sofá, eu não queria dormir, Thalia era louca o suficiente para fazer algum tipo de besteira, mas aos poucos eu senti o peso sobre os meus olhos e acabei dormindo ali mesmo e voltei a sonhar o mesmo sonho de todas as noites.

Eu corria em direção a ponte que havia sobre o rio Hudson como um louco. Eu não podia deixá-la fazer isso, não isso nunca. Por onde eu passava correndo as pessoas me olhava torto, a chuva cai como um temporal sobre Nova York.

Meus pulmões queimavam procurando fôlego para continuar, ela era minha vida, meu sol, aquilo que me mantinha vivo, ela não poderia fazer isso comigo. Minhas pernas já estavam fraquejando quando cheguei à ponte.

Eu olhava desesperado ao redor procurando-a. Eu não podia ter chegado tarde de mais. Não! Isso não... corri um pouco mais até que a vi. Meu coração parou uma batida e vela daquele jeito me fez sentir como se houvessem me atravessado com uma foice.

Ela estava sentada já se preparando para pular dali. Eu podia ver lagrimas descendo dos seus olhos, que agora refletiam dor, perda, incredulidade. Eu era dela do mesmo jeito que ela era minha e eu podia sentir cada sentimento que se passava naquele coração. Vê-la daquele jeito me machucava, eu sabia que era culpado, somente não sabia o que havia feito.

Aproximei-me devagar dela, mas não foi o suficiente. pois ela sentiu a minha presença e preparou para pular. Eu não conseguiria chegar a tempo então eu gritei com toda força que consegui.

— Annabeth! Eu te...

Acordei com o coração aos pulos. Não era a primeira vez que eu sonhava com aquilo. Aquela garota já está virando uma obsceção. Olhei ao redor e vi que ainda estava deitado no sofá com um cobertor sobre mim.

Eu podia ver que já estava de dia. O sol entrava pelas grandes janelas da casa, dando-lhe uma aparecia surreal. Eu ainda não acreditava em como a minha vida havia mudado tanto. Agora eu tinha alguém que me amasse, que se importava comigo, mesmo eu convivendo com isso todos os dias era difícil não pensar que aquilo podia ser um sonho e a qualquer momento eu acordaria. Eu tinha muito que agradecer a quem olhava por mim lá de cima.

Me levantei esfregando os olhos. Eu não havia me esquecido da Thalia muito pelo contrario eu ainda estava preocupado com aquele pedaço de confusão, mas eu sabia que se algo houvesse acontecido minha mãe falaria ao menos eu acho que sim.

Olhei para o relógio em cima mesa e senti o palavrão vindo. Calma Percy, não é pra tanto... respirei fundo, já sabendo a merda que eu estava. Isso mesmo eu estava atrasado. O meu pai eu conseguiria enrolar, mas minha mãe...

Ela era um caso a parte. Eu nunca conseguiria enrolar ela, muito menos tentar contar alguma desculpa. Dona Sally fazia questão que o seu filho aqui, estudasse e muito, principalmente por que eu quase não fui à escola, não que a culpa fosse minha, claro.

Subi as escadas correndo, talvez ela já houvesse ido para o hospital. Passei pelo quarto dos meus pais caminhado nas pontas dos pés, eu já pensava na sorte que eu estava tendo, mas quando eu coloquei a mão na maçaneta da porta do meu quarto eu senti meu sangue gelar quando uma mão tocou o meu ombro.

Eu não tinha medo do que a minha mãe poderia fazer até por que ela nunca me deixou de castigo, mas eu não queria deixá-la pensando que eu não estava me esforçando. Virei-me devagar já pronto para encarar uma Dona Sally brava, mas logo relaxei vi os olhos que me encaravam.

Meu pai tinha uma cara séria, mas dava para ver que ele estava se segurando para não rir, provavelmente minha expressão devia ter entregado o meu medo. Eu sabia que ele não iria surtar, mas eu não sabia se ele contaria pra minha mãe.

— Bom dia Perseu! — eu engoli em seco e respondi.

— Ahn... bom dia pai.

— Então... por que ainda não pra escola? — ele perguntou com uma sobrancelha erguida.

— Ah pai! Eu acordei agora, mas não conta pra minha mãe que cheguei atrasado, ela vai... ela vai...

Eu nem conseguia imaginar o ela ia fazer dessa vez, por que logo na primeira semana quando me atrasei e perdi a primeira aula, ela me fez ter 'aulas' a mais com o Sr. Baiacu até mais tarde, por que eu não poderia ficar atrasado com a matéria e tal, cara aquilo era... deprimente e incrivelmente chato.

Ele me olhou por alguns minutos, como se analisasse a situação até que balançou a cabeça concordando, aquilo me livrava das aulas chatas.

— Certo filho eu não irei falar nada a sua mãe, mas só dessa vez viu — ela falou sério, mas depois sorriu — agora vai se vestir por que você já está atrasado e eu ainda quero te mostra uma coisa.

Subi para o quarto correndo, e me arrumei em tempo recorde. Desci as escadas quase pulando e vi meu pai me esperando com um sorriso no rosto. Parecia uma criança que ganhou algum brinquedo, apenas deu tempo de ir à cozinha e pegar uma maça já que meu pai saiu me puxando em direção a garagem dizendo que eu iria gostar muito, e que começaria a tirar carteira.

Eu já imaginava que não demoraria muito para meu pai me comprar um carro já que ele ficava incomodado quando eu ia de ônibus. Eu não queria magoar os meus pais, mas eu precisava fazer isso ao menos agora eu sei o quanto aquelas pessoas são fúteis.

— Pai! Não precisava ter comprado um carro, eu...

— Como não precisava Perseu? Você é meu filho e vai passar a andar como quem realmente é! — eu apenas assenti, não que eu não tivesse gostado disso, mas eu simplesmente não me via fazendo parte da realeza britânica.

— Certo — falei desanimado.

Ele percebeu a tensão na minha voz e parou me fazendo olhá-lo nos olhos.

— Olha Percy eu só quero o melhor pra você, e que eu achei que você ia gostar, mas se você não quiser...

— Não pai tudo bem eu quero sim, e que... ainda é difícil acostumar que agora eu tenho uma família. — ele me olhou sorrindo bagunçou o meu cabelo.

— Mas agora você tem filho, sempre se lembre disso, mas agora vamos ver a belezinha que eu comprei — ela falou com os olhos brilhando já entrando na garagem — eu tive que mandar fazer algumas mudanças, mas você vai adorar, ele é...

A voz dele morreu quando correu os olhos pela garagem. Meu pai não é um fanático de carros, mas gosta de ter os melhores como o Rolls Royce que ele usa para andar pela cidade, o Maserati da Thalia e o Porsche da minha mãe. Mas de entre todos eles meu pai olhava para um local em especial, que naquele momento estava vazio.

Ali ainda se podia ver uma capa de um automóvel jogada no chão e marcas de pneu no chão, seja lá quem for que saiu assim estava com pressa.

Eu confesso que demorei um pouco para juntar as peças. O carro da Thalia estava ali, certo, com o vidro traseiro quebrado ainda por cima. Meu pai procurava o carro que ele comprou pra mim, mas não achava, confere.

Bem no meio disso tudo só havia duas explicações, ou um marciano de cueca entrou aqui e levou o carro para dar uma voltinha em Las Vegas e se casar com um orangotango, coisa que eu acho menos provável ou um ser conhecido chamado Thalia, seqüestrou o meu carro por algum motivo desconhecido. Eu sinceramente prefiro a segunda opção e acho que o meu pai também.

Ele estava vermelho, mas a raiva devia ser tanta que já estava quase azul. Ele com certeza queria fazer alguma surpresa pra mim, mas agora pelo jeito tudo foi por água abaixo. Eu sinceramente sentia pena da Thalia.

— Ãnh... tudo bem pai? — perguntei mesmo já sabendo a resposta.

Ele respirou fundo algumas vezes, até que olhou para mim e assentiu. É! Thalia com certeza devia ter pensado melhor antes de irritar meu pai. Eu apenas o vi nervoso uma vez e eu não quero vê-lo assim nuca mais, é assustador o jeito como ele fica vingativo.

— Olha pai... — falei tentando amenizar a situação — vai ver ela pegou o carro por que estava precisando, olha o carro dela.

Nisso me aproximei do carro para reparar no vidro que estava quebrado. Abria a porta traseira e o que eu vi me deixou sem voz.

No banco havia o estilhaço de uma bala. Seja-la como ela quebrou esse vidro, algo muito sério deve ter acontecido para ter sido feito por um tiro. Será que ela... não! Ela não faria uma coisa dessas... ao menos eu acho.

Meu pai me observava com um olhar triste e nem reparou quando pequei a cápsula discretamente.

— Me desculpa Perseu, mas dessa vez eu terei que conversar com sua irmã — ele falou rígido — ela sabia muito bem o que eu faria e devia ter me avisado, esses adolescentes de hoje não respeitam ninguém, isso é...

Ele saiu da garagem reclamando, mas pouco me importei. Será que Thalia estava envolvida com isso? Eu conhecia muito bem os tipos de pessoas que faziam parte do tráfico, usuários de drogas e tal. Quando se vive nas ruas você tem que ter idéia de quem é pessoa que está do seu lado, pois as chances dela armar pra você são muitas.

Mas Thalia não parecia são parecia ser o tipo de pessoa que estava envolvida com isso. Eu tinha que tirar isso a limpo com ela. Sai correndo dali em direção ao ponto de ônibus já que estava incrivelmente atrasado por sorte o ônibus estava acabando de chegar. Entrei e sentei na janela tentando desvendar aquele mistério.

Quando cheguei à escola vi que já havia perdido a primeira aula e entrei esgueirando pelo corredor. A diretora não poderia me ver ali se não minha mãe com certeza iria saber. Quando estava chegando perto da ala dos armários eu a vi.

Thalia conversava com uma garota loira que estava de costa pra mim. Quando ela me olhou eu vi o medo passar pelos seus olhos e eu não perderia a oportunidade de tirar sarro com a cara dela. Fiz a minha melhor cara de raiva e caminhei rápido até onde ela estava, mas minha expressão mudou para ódio puro quando vi a garota que estava com ela.

Aquela loira miserável da Annabeth me olhava assustada, mas havia algo mais no seu olhar. Eu pouco me importei em saber do que se tratava. Se ela estava ali com certeza estava humilhado a Thalia novamente. Com esse pensamento eu senti meu sangue esquentar. Eu olhei diretamente nos olhos dela e pude perceber que ela havia se arrepiado com isso.

— O que você está fazendo aqui? — falei frio pouco me importando se estava sendo rude ou não.

Ela me olhou por alguns minutos com se quisesse se situar. Eu ainda a encarava com ódio e quando ela ira me responder eu escuto Thalia falar raivosa.

— Isso não é da sua conta Percy! E melhor você sair daqui. — eu a olhei incrédulo com a reposta e disse.

— Sair? Thalia você está louca? Essa... essa garota fica ai te humilhando e você quer que eu não faça nada?

Thalia estava vermelha e eu nem sabia o por que. Ela parecia com raiva com certeza era devido ao que aquela loira havia falado com...

— Não fala assim da minha amiga Jackson — ela falou me lançando um olhar raivoso.

Aquilo foi um choque. Amiga? Desde quando? Eu olhei para a loira e vi que ela estava com os olhos vermelhos. Parecia que estava prestes a chorar, mas assim como eu olhava para Thalia incrédula com o que ela falou.

— Amiga Thalia? Você esqueceu o que ela fez com você? Ela nem tem coração Tha, olha...

— Chega Percy! Ela não precisa ouvir isso de você.

— Não! Pode deixar Thalia — a loira falou pela primeira vez com voz chorosa e olhando para baixo com os olhos vermelhos — ele está certo, eu sou um monstro sem coração — completou com um fiapo de voz.

Aquilo me doeu. Ela parecia... arrasada. Eu podia ver o sofrimento que ela carregava na alma. Ali ela parecia tão... frágil. Mas eu me lembrei do que ela era capaz, do que ela havia feito então sem medir as palavras eu falei.

— Que bom que você sabe que é um monstro sem coração Chase, ao menos teve a coragem de admitir isso.

Dessa vez ela me olhou nos olhos e o que vi fez o meu coração despedaçar. Os olhos dela transmitiam agonia, como se... ela estivesse aprisionada. Eu podia ver que dentro daquela menina fútil, havia alguém que precisava de ajuda. Eu me arrependi de cada palavra que eu disse, mas não tive tempo de dizer nada, pois ela falou com a voz chorosa.

— Você se acha o certinho né? Mas nem consegue enxergar o que os outros sentem — ela falou chorando e me olhando com aqueles olhos que expressavam dor aquilo me fez sentir a pior pessoa do mundo. — mas vo-você está ce-certo... e-eu so-sou um monstro, eu t-tenho mais é... é q-que morrer.

Eu fiquei estático. Ela saiu dali correndo e chorando muito, e não eram lagrimas falsas, muito pelo contrário, eram lagrimas de dor, rejeição e amargura. Thalia me olhava nervosa, eu quase que podia ver raios saindo dos seus olhos azuis.

— Seu idiota! — ela falou me batendo — você viu o que você fez Perseu? Arrrrrg... que ódio.

Eu nem me importava com os tapas que ela me tava, pois eu ainda estava tentando processar tudo o que havia acontecido ali. Mil e uma perguntas passavam pela minha cabeça que já estava começando a doer.

Eu olhei para Thalia e segurei os seus braços tentando fazê-la ficar quieta, mas ela ainda se retorcia no meu braço.

— Thalia me explica o que foi aquilo. — falei olhando nos seus olhos que estavam vermelhos.

— Olha Percy, eu só vou te falar uma coisa, ela não merecia isso, você nem sabe pelo o que ela passou e fica ai a julgando? Peça desculpa a ela Percy, antes que ela faça alguma besteira. — ela falou com um tom de preocupação na voz.

Depois disso Thalia só virou as costas pra mim e saiu andando na direção contrária. Eu ainda fiquei alguns minutos ali parado. Eu sabia que havia sido rude e grosso sem necessidade, mas... arg! Essa menina está me deixado doido isso sim.

Sai dali para procurá-la, mas o sinal bateu dando inicio a segunda aula. Nem me preocupei em entrar na sala, eu precisava concertar a merda que eu havia feito. Andei praticamente a escola toda a procura dela e nem percebi que já estava no intervalo.

Tomara que ela não tenha feito nenhuma besteira, pensei. Eu passava pelos corredores em direção ao refeitório quando me lembrei do único lugar em que eu não a havia procurando. Sai correndo em direção a sala de música pouco me importando para os outros alunos que me olhavam torto.

Eu abri a porta de uma vez pensando que e a encontraria ali, mas não havia ninguém. Entrei ali pisando duro e me sentei em uma cadeira observando a sala. Havia vários tipos de instrumentos ali, como violão, guitarra, violoncelo e até uma harpa, mas o que me chamou a atenção foi o piano branco que estava próximo a janela.

Eu nem podia imaginar que eu comecei a gostar daquilo a força. Caminhei devagar até ele e me sentei no banco passando os dedos pelas teclas brancas e pretas. A música me vitalizava. Eu podia ter tudo e ser tudo com ela.

Era com ela que eu podia me libertar, eu podia sentir os meus sentimentos se misturando as composições. Era surreal. Fiz um acorde simples em fá o que me lembrou de uma musica que eu havia escutado com Grover. Qual era o nome mesmo?... a sim, I Won't Give Up do Jason Mraz.

Fiz a pequena introdução. Ali no piano parecia que eu era outra pessoa. Eu não me gabava, mas eu tocava incrivelmente bem. A música parecia perfeita para o momento. Eu me lembrava daqueles olhos cinza que mesmo eu não querendo sempre confundia os meus sentimentos.

Eu ainda podia ver aqueles mesmo olhos me fitando intensamente. Eu podia ver dor, desespero, amargura... era quase como um pedido mudo de ajuda,e... eu não sei. Eu sentia que eu precisava ajudá-la, que era o meu dever. Era quase como se eu fizesse parte dela.

— When I look into your eyes

It's like watching the night sky

Or a beautiful sunrise

Theres so much they hold

And just like them old stars

I see that you've come so far

To be right where you are

How old is your soul?

Eu comecei a cantar e com essas palavras eu senti meu coração apertar. Eu realmente precisava ajudá-la mesmo que ela não quisesse a minha ajuda, eu precisava disso. Eu sentia como se a minha alma estivesse naquela música, eu precisava que ela ouvisse o quanto eu estava arrependido, mesmo que ela não acreditasse.

I won't give up on us

Even if the skies get rough

I'm giving you all my love

I'm still looking up

And when you're needing your space

To do some navigating

I'll be here patiently waiting

To see what you find

Cause even the stars they burn

Some even fall to the earth

We've got a lot to learn

God knows we're worth it

No I won't give up

Eu não duvidava que Deus houvesse me colocado no caminho dela para que eu a ajudasse. Ela era... especial, de um jeito que eu não conseguia entender.

I don't wanna be someone who walks away so easily

I'm here to stay and make the difference that I can make

Our differences they do a lot to teach us how to use

The tools and gifts we got yeah, we got a lot at stake

And in the end, you're still my friend at least we did intend

For us to work we didn't break, we didn't burn

We had to learn how to bend without the world caving in

I had to learn what I've got, and what I'm not

And who I am

Vi um sombra se mexendo no fundo sala e quase parei de tocar devido ao susto. Annabeth me olhava com seus olhos cinza que agora estava inchados de tanto chorar. Aquilo doeu por que eu sabia que o culpado por aquilo era eu. Fiz um sinal com a cabeça para que ela se aproximasse. De inicio ela me olhou hesitante, mas se sentou ao meu lado e me encarou com seus olhos intensos.

I won't give up on us

Even if the skies get rough

I'm giving you all my love

I'm still looking up

I'm still looking up

I won't give up on us

God knows I'm tough, he knows

We got a lot to learn

God knows we're worth it

Ela tinha um sorriso tímido no rosto o que a deixava ainda mais linda. Fiz um sinal para que ela me acompanhasse, mas ela somente corou e abaixou a cabeça. Eu não pude deixar de sorrir com a atitude dela.

I won't give up on us

Even if the skies get rough

I'm giving you all my love

I'm still looking up

Toquei os últimos acordes e com isso eu me sentia mais leve. Não sei se era a música ou devido à presença dela ali, mas a sensação era tão boa que se dependesse de mim eu ficaria ali pra sempre.

Assim que terminei nos ficamos em silêncio. Não era um silêncio desconfortável, parecia que somente a presença um do outro ali completava tudo. Eu podia sentir o olhar penetrante dela sobre mim, o que me lembrou que eu devia me desculpar.

— Olha Annabeth... err... m-me desculpe p-pelo o q-que eu falei — droga eu gaguejei! Ela já estar me achando um idiota.

Eu olhei para ela a vi corar ainda mais do que a primeira vez. Eu confesso que eu fiquei meio perdido com isso, mas não liguei. Ela abaixou o rosto e falou num sussurro.

— O que você está fazendo aqui? — quando ela perguntou isso eu senti meu rosto esquentar involuntariamente. Cara isso não é bom.

— Err... bom... eu estava te procurando — respondi e se possível ela corou ainda mais.

— Ah... — ela respondeu mudou de assunto — e por que estava tocando essa música — perguntou me olhando nos olhos.

Aquilo foi a minha perdição literalmente. O que aquela garota estava fazendo comigo? Eu olhei naqueles olhos que me lembravam dias de tempestades e foi como se o tempo tivesse parado. Eu não estava pensado direito e respondi a primeira coisa que me veio à cabeça.

— Eu estava tocando pra você — so depois que eu já tinha falado que eu realmente prestei atenção nas palavras que eu disse.

Meu rosto queimava e devia estar mais vermelho que um tomate. Eu a olhei e o que vi me surpreendeu. Ela me encarava com os olhos brilhando e tinha um discreto sorriso nos lábios e aquilo fez tudo valer à pena.

Ali naquele momento eu o quanto ela era frágil. Eu não sabia o motivo dela estar daquele jeito, mas eu faria de tudo para que ela desse um sorriso verdadeiro algum dia. Num impulso ela me abraçou e começou a chorar no meu peito. Vê-la daquele jeito era de cortar o coração. Eu a abracei e por instantes senti que havia chegado ao paraíso. Eu podia sentir o quanto ela era especial, ao menos pra mim.

Ela chorava e soluçava alto no meu peito. Eu não tinha palavras para aclamá-la então somente a abracei mais forte. Deixei que ela se acalmasse e ao poucos o choro foi se transformando em pequenas fungadas tristes. Eu me sentia impotente ali. Eu queria fazê-la se sentir alegre, mas eu não sabia como.

Ele se afastou do abraço e me olhou corada. Eu não podia negar. Ela era linda. Os cabelos loiros faziam contraste com a pele branca lhe fazendo parecer uma princesa. Eu ainda a encarava, mas foi desperto quanto ela falou com aquela voz doce.

— Cante pra mim — ela falou sorrindo, e eu sabia que apartir daquele momento eu não conseguiria negar nada a ela.

Notas finais
Comentem, please, please, please, please.
Principalmente os leitores fantasmas. Se eu não cobrar vocês sem sequer deixam um oi :( isso é triste sabia???
Bem eu estou com um nova fic: Beije-me antes que adormeça.
Ela foi baseada no livro o Diário de Annie Frank, ah, muito obrigado por que opinou viu *-*
Bem depois você passa lá dê uma olhada ok?
http://fanfiction.com.br/historia/267723/Beije-me_Antes_Que_Adormeca
Bjs e Abcs F d'Queiroz