Boulevard Of Broken Dreams

12 Cap 12 - Na vida nem tudo são perdas


Notas iniciais
Oiiiii,
Bem resolvi postar antes do dia 26.
O capítulo ficou grande, e nem adianta reclamar, apartir de agora todos irão ser assim, rsrsrs.
Bem curtam o capítulo e comentem, no último capitulo bem menos da metade dos leitores comentaram :(
Boa leitura!!!!!!!! E leiam notas finais.

'Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele pode ser realizado'

Roberto Shinyashiki, médico e escritor

Pov. Percy

Quando cheguei na academia Yancy eu praticamente quis sair correndo. Ela era enorme, mas não foi isso que me assustou. Quando desci do ônibus na porta da escola e entrei todos, é isso mesmo, praticamente todos os alunos ali sem exceção pararam seja lá o que estavam fazendo e me olharam como se eu fosse uma aberração ou um E.T DE cueca

Eu não sabia se eles me encaravam por ter chegado de ônibus ou por ser aluno novo, mas pelo olhar da maioria acho que era devido à primeira opção.

À medida que eu passava boa parte daqueles filhinhos de papai viravam o rosto e me olhavam torto. E pensar que a maioria ali era filho ou filha de grandes empresários e tal e eu membro da corte. Eles com certeza iriam surtar quando soubessem. Meu pai com certeza vai rir muito quando eu contar como foi meu primeiro dia.

De longe eu avistei Thalia estacionando seu carro, um Camaro SS preto. Desde o primeiro dia que eu a conheci ela resolveu que me odeia e iria me atormentar. Coisa que ela fazia com freqüência. Eu acho que sabia o motivo, por que desde que eu cheguei todas as atenções se voltaram para mim, não que eu quisesse isso.

Eu me lembro perfeitamente de quando ainda no primeiro mês que passamos a morar na mesma casa Thalia passou a me acordar jogando um balde de água em mim. Cara aquilo era frustrante, ainda bem que ela parou depois das ameaças do meu pai. Foi engraçado ver a cara dela quando meu falou que tiraria seu carro.

Meus pais haviam me contado a historia dela, que com certeza não era melhor do que a minha. Eu graças aos céus ainda tenho pai e mãe, mas ela? Bem, fico pensando se fosse comigo.

Pelo que meu pai falou, ela nem chegou a conhecer a mãe dela que morreu no parto e a família por parte de mãe a odeia por causa disso, fora que depois teve aquele acidente horrível com o pai dela fazendo-o entrar em coma.

Eu acho que meus pais não sabiam, mas Thalia ainda chorava por causa disso. Eu me lembro de que duas vezes a peguei chorando chamando pelo pai. Aquilo não era uma coisa agradável de se ver. Ela sempre se fazia de durona, como se não se importasse com situação.

Nesses meses eu realmente tentei me aproximar dela, mas ela não deixava. Pelo que eu pude perceber ela não tinha amigos e vivia fechada e isolada em um mundo so dela. Era deprimente.

Caminhei durante um tempo tentando achar a sala do diretor. Isso para alguns devia ser uma tarefa fácil, mas para mim não. Eu nunca fui muito sociável e não tinha coragem de perguntar a onde ficava ainda mais com aqueles olhares sobre mim.

Eu estava virando um corredor quando vi uma cena que deixou o meu sangue fervendo. Eu podia ser tímido e calado, mas uma coisa que eu não suportava era covardia contra os outros. Talvez por que sempre me lembrava de tudo pelo qual passei.

Ali bem na minha frente estava Ethan e alguns colegas. Não reconheci nenhum dos outros. Ele como sempre estava se aproveitando de vitimas indefesas. Eles cercaram um garoto que aparentava a minha idade, cabelos castanhos encaracolados, magro e com um olhar que mais parecia um bode acuado.

O garoto parecia ter algum tipo de problema na perna, pois tentava se afastar mancando de um jeito estranho, como se cada passo fosse mais doloroso que os outros. Ethan e seu capangas riam da cara de medo do garoto e toda vez que ele tentava sair era empurrado como um saco de batatas.

Ao ver aquilo o sangue subiu na a cabeça e avancei. Quem visse a cena com certeza pensaria que eu sou louco ou algo assim em ir em direção ao cara que quase me matou uma vez, mas pra falar a verdade eu pouco me importava. Eu não queria que ninguém passasse pelo que passei.

— Largue ele Ethan — falei me colocando a frente do garoto.

Ele e seus colegas pararam de rir e me encararam. Eu não sabia se ele se lembrava de mim, mas torcia para que não, caso contrário eu tenho certeza que dessa vez que não vou ter tanta sorte.

— Quem é você imprestável? Quer apanhar também junto com o alejado aqui? — Ethan perguntou avançado.

Olhei para o garoto ao meu lado que me encarava com espanto e até admiração. Reparei mais atentamente nele e vi que ele se esforçava para não cair, só nesse momento que reparei que um dos grandalhões segurava um par de muletas.

— Não é da sua conta Ethan, deixe ele em paz.

Nem sei de onde tirei coragem pra falar aquilo. O garoto ao lado me olhou com espanto como se eu fosse louco e fez um som estranho. Ethan? Bom ele me olhou com uma cara assassina que até o diabo correria e caminhou a passos lentos me encarando, mas parou. Agora ele me analisava como se quisesse ver a minha alma. Meu sangue gelou na hora.

— Eu te conheço piralho — ele falou e isso não foi uma pergunta.

Nesse últimos quatro meses eu pouco havia mudado. Meus cabelos estavam mais curtos, mas ainda sim era inimigo do pente, também estava me alimentando melhor e conseqüentemente havia ganhado mais corpo, o medico havia recomendado que eu praticasse algum tipo de esporte já que minha coordenação motora ainda não estava cem por cento e funcionamento, com isso meu corpo ficou mais atlético. Fora isso eu não havia mudado mais nada.

Ele continuou a me analisar como se quisesse lembrar-se de onde me conhecia, mas graças aos deuses ele não se lembrou

— Que seja garoto, você também vai ter o que merece.

Ele junto com aqueles caras que eu contei serem cinco brutamontes que mais pareciam um guarda roupa avançaram na minha direção. Eu pensei nos meus pais, eles com certeza sentiriam minha falta.

Quando o mais próximo que tinha a cara deformada pela acne me empurrou a minha salvação apareceu.

— Posso saber o que esta acontecendo aqui? — uma voz feminina falou

Os brutamontes pararam e olharam na direção da voz e eu fiz o mesmo. Parada do outro lado do corredor, uma senhora muito bonita dos cabelos vermelhos e olhos azuis intensos quase brancos nos encarava, ou melhor, encarava Ethan e seus amigos e não parecia feliz.

— Vamos me respondam, o que esta acontecendo aqui?

— Foi esse garoto diretora — Ethan falou apontado para mim — ele começou a nos provocar

A diretora olhou de mim para Ethan, e fiquei apreensivo. Não é possível que eu seja expulso logo no primeiro dia. O outro garoto já comia a alça da mochila, parecia que estava mais nervoso que eu que levei a culpa.

— Não tente me enganar Ethan — ela voltou a falar — eu te conheço e sei muito bem que ele não fez nada, então eu acho melhor você ir para sala antes que eu ligue para os seus pais e o mesmo vale para todos vocês, menos você — falou apontando para mim — e você Sr. Underwood

Ethan e seus colegas saíram pisando duro, não sem antes de me lançar um olhar mortal. O garoto franzino se abaixou para pegar a muletas. A diretora nos olhou e disse.

— Grover, eu sei que esta sendo difícil pra você, mas não pode perder a paciência assim. E nem adianta falar que você ficou calado que eu sei que é mentira — ela falou quando o garoto fez menção de abria à boca — você sabe muito bem que eu não posso fazer quase nada em relação a isso, muito menos sendo o pai dele quem é — completou olhando com pena para o garoto que somente assentiu.

Eu não estava entendo nada daquela conversa. Se ela que era diretora ali não podia fazer nada eu ficava com medo só de pensar quem era o pai daquele demônio, vai ver era o próprio diabo.

— Agora vá para sala Grover, você já esta atrasado.

Antes de ele sair se virou para mim e falou.

— Obrigado cara, eu nem sei o que seria de mim se você não tivesse chegado, mas se eu fosse você teria mais cuidado o Ethan com certeza não vai deixar barato

Sorri com a preocupação dele, ele com certeza seria um ótimo amigo

— Não foi nada até por que amigo são para essas coisas mesmo não é

Ele sorriu abertamente ao ouvir a menção da palavra amigo, ele com certeza nunca teve um assim como eu ou se teve foi há muito tempo. Quando ele se afastava eu me lembrei de todas as vezes que estive em apuros. Nunca ninguém sequer me ajudou, mas eu quero fazer diferente. Fazer pelos outros tudo o que nunca fizeram por mim.

— Então senhor Perseu — a diretora falou

De onde ela me conhecia? Tudo bem que ela era a diretora e tudo mais, mas até onde eu me lembre eu nunca a vi em toda minha vida. Ela me olhava com um sorriso ao ver a minha cara de confusão.

— Não precisa se assustar, seu pai já havia me falado de você.

— Ah... ta... — falei de um jeito inteligente o que somente a fez sorrir mais

— Não precisa ficar nervoso querido eu e o seu pai nos conhecemos há muito tempo, você com certeza é uma copia melhorada dele — falou rindo

Minha mãe e os empregados sempre falavam a mesma coisa, mas ouvir isso de uma pessoa totalmente desconhecida é constrangedor.

— Que falta de modos eu nem me apresentei — falou me estendo à mão — meu nome é Ártemis e como você já ouviu eu sou a diretora daqui.

— Ah, prazer diretora — falei, mas eu ainda tinha varias duvidas.

— Vem querido, vamos a minha sala, espero que você não seja igual ao seu pai, pois se não até imagino — falou rindo.

Ela era legal com certeza, mas o jeito que falava do meu pai percebia-se claramente que eles foram mais que amigos.

A sala era espaçosa e bem moderna para uma escola ao menos eu achava, pois eu ainda me lembrava claramente da sala do diretor do orfanato, que mais parecia um lugar abandonado cheio de teias de aranha e rachaduras por toda parede causada pela infiltração. Sentei-me em frente a sua mesa e aguardei.

— Então Perseu...

— Err... pode me chamar de Percy diretora.

— Tudo bem então Percy, você deve estar curioso de como eu conheci o seu pai não é — eu somente assenti — então foi alguns anos de você nascer e vir toda aquela confusão.

Meu pai já havia me esclarecido como tudo aconteceu, mas até hoje eu não consigo assimilar o porquê disso tudo. Mesmo que meu avô não gostasse do casamento do meu pai com minha mãe, ele não deveria colocar alguém inocente, que no caso era eu nisso tudo. Por causa disso eu nunca tive um infância.

Ártemis me olhou com pena e deve ter percebido meu desconforto.

— Me desculpe querido, ainda deve ser difícil pra você não é — eu não falei nada, por mais que eu quisesse sempre haveria um vazio preenchido de tristeza no meu coração. O que eu mais queria naquele momento era sair daquela sala — bem outro dia eu te conto como conheci seu pai, tome aqui esta o seu horário

Pequei o papel e já ia me levantado quando ela voltou a falar

— Escute Percy, o time de futebol desse ano ainda esta sendo formado e você parece ter porte para esse tipo de esporte, o que me diz de fazer o teste? Se quiser pode passar aqui mai tarde.

— Eu não sei... e que bom... eu gosto mais de musica e essas coisas — falei envergonhado.

Eu realmente gostava de musica, mas foi por insistência da minha mãe que comecei a fazer aulas de piano há dois meses. Eu preferia algo menos clássico, como uma guitarra ou até bateria, mas quando eu falei isso à cara que ela fez foi de dar medo. Até tentei fazer o meu pai me ajudar, mas parecia que ele estava com mais medo que eu. Ela apesar de não ter o sangue azul da corte britânica era de uma família clássica da Grécia.

— Ah, mas isso e muito bom, nos vamos ter um novo professor de arte, e ele com certeza vai procurar novos talentos aqui — falou animada — e você toca o que? Guitarra, violão...

— Err... na verdade eu estou aprendendo piano.

Depois disso ela me olhou cética, também não era pra menos, se o que eles falavam era verdade, de que eu era a clone do meu pai, eu com certeza estaria mais pra guitarrista louco do que pianista clássico, não que eu seja contra. Eu gostava e muito, alias o professor sempre ficava espantado com a minha afinidade com o instrumento, mas eu tinha certeza que aquilo não era minha cara.

— Piano? Bom para um filho de Poseidon isso é... novidade. Idéia dele?

— Bem é que não foi o meu pai e sim a minha mãe

— Claro, claro querido, mas isso não importa você vale ouro com certeza, nunca tivemos um pianista nessa escola, você vai derreter o coração das meninas — falou me dando uma piscadela.

— Err... obrigado.

— Agora pode ir Percy, você já esta atrasado para a próxima aula que se não me engano é matemática com a Sra. Doods e ela não é muito fã de alunos que chegam atrasados.

Sai dali e fui em direção a próxima aula. Como a diretora disse a Sra. Doods realmente não gosta que cheguem alunos atrasados na sua aula. Nem adiantou eu tentar explicar o motivo dos cinco minutos de atraso e quase fico de detenção logo no primeiro se não fosse aluno novo.

Quando ela me chamou para me apresentar eu travei. O que você queira? Eu nunca havia falado em publico antes, fora que era tímido e não podia falar quem eu era. Eu com certeza não era um bom mentiroso então fiz o que pude.

— Err... o-o-olá — gaguejei o que fez todos rirem, isso foi como uma onda de energia pra mim, ninguém nunca mais iria riria de mim, respirei fundo e por incrível que pareça eu fiquei calmo e falei como se já houvesse feito aquilo varias vezes.

— Bem, meu nome é Percy Jackson, tenho 16 anos, até pouco tempo eu não morava com meus pais apesar de viver aqui em Nova York, mas há alguns meses estou morando com eles. Eu não sei o que vocês esperam quem seu seja, ou que eu fale muito sobre mim, mas eu não tenho o que falar, a minha vida não dá para ser simplesmente contada com palavras como a maioria de vocês, mas sim só ira ser entendida com atos. Bem, esse sou.

Falei e voltei a sentar. Todos me encaravam com espanto talvez por que nunca acreditavam que pudesse falar algo tão cheio de significados tremendo do jeito que estava no inicio. Isso pareceu até assustar a Sra. Doods que no inicio me olhou com escárnio, mas agora parecia ter certo tipo de admiração pelo que falei.

A aula foi entediante. Primeiro por que tudo o que ela explicava eu já havia visto com o Sr. Baiacu, segundo que eu ganhava olhares estranhos dos outros alunos. Alguns garotos me olhavam com nojo, outros com interesse, esses alias viam mais das meninas e de alguns meninos que prefiro esquecer, também tinha aqueles que me olhavam como que procurando o melhor jeito de afanar os meus bolsos.

Quando o sinal bateu, eu praticamente corri para fora. Graças aos deuses que já era intervalo. Já não agüentava mais aqueles olhares sobre mim, e olha que eles nem sequer sabiam de quem eu sou filho. Fico imaginado quando souberem. Eu estava tão entretido com esses pensamentos que quase pulei quando senti alguém tocando o meu ombro.

— Cara ta tudo bem — o garoto de muleta, Grover falou me balançando

-Nossa cara você quase mata- falei colocando a mão sobre o peito

— Err, desculpa ai, é que eu, err... eu...

— Vamos cara fala

Grover já estava vermelho como um tomate parecia com vergonha de falar algo, nisso vários outros alunos já tinha parado para observar a cena.

— É que, é que... — ele respirou fundo e falou tão rápido que quase não entendi — é que eu queria saber se você não quer sentar comigo.

Depois de falar isso ela baixou a cabeça como se já esperasse um não como resposta. Eu sorri com isso, ele com certeza devia ser um cara muito legal, mas estava mais que na cara que todos o excluíam devido ao seu problema.

— Puxa cara — comecei — pensei que não ia perguntar.

Ele levantou a cabeça e meu um sorriso de incredulidade, como se pensasse que eu nunca faria isso. Ele ficou tanto tempo com aquela cara que já estava assustando.

— Ei cara... cara... Grover acorde — gritei

Mesmo assim ele quase não se mexeu, so piscou os olhou e me olhou com assombro.

— Vo-você sabe o meu nome...

Certo, agora assim isso tá me assustando, mas... será? Não pode ser, afinal ele parece que estuda aqui à muito tempo.

— Claro que sei o seu nome cara, ou você acha que eu ia esquecer a diretora falando que o Grover deu piti.

— Bééé — ele falou despertando de vez — eu não dei piti.

— Cara — falei rindo — o quê que foi isso? Isso foi tão... bode.

Certo eu não agüentei eu já quase caia no chão de tanto rir. Os outros alunos me olhavam com incredulidade como se eu fosse algum tipo de louco, não sei se por estar rindo como um ou por estar conversando com Grover já que muito lançavam olhares de desprezo sobre ele.

— Haha, muito engraçado oh cara de peixe

Se por acaso alguém pensou que eu parei de rir depois disso esta certo. Eu não tinha cara de peixe, na verdade eu era mais esperto que um.

— Tá bom — falei depois de me acalmar — vamos lá nos sentar garoto bode — falei lembrando do ocorrido.

— Tá cara agora chega — ele falou mas não parecia nem um pouco magoado, mais parecia feliz por ter alguém como amigo — vamos nos sentar, mas antes eu nem sei o seu nome.

— Há isso, bem prazer Sr. Grover Underwood — falei fazendo o revirar o olhos — meu nome é Perseu Jackson, mas para os amigos como você pode me chamar de Percy.

Ao ouvir a menção da palavra amigo o olhos dele brilharam com uma criança que estivesse acabado de ganhar um presente. Ele iria falar alguma coisa mas parou o quando olhou por cima do meu ombro. Acompanhei o olhar dele e o que vi fez o meu sangue ferver.

Thalia estava caída no chão. Com certeza havia sido empurrada pela garoto loira que a encarava com desprezo. Eu já a havia visto antes. Jamais esqueceria aquele cabelo loiro encaracolado. Da primeira vez que a vi pensei que ela seria diferente. Não mesquinha como todas as aquelas garotas ricas e mimadas. Mas ao ver aquilo, percebi o quanto estava enganado.

A loira pegou Thalia pela blusa e isso foi o limite. Corri até elas e a afastei. Aquilo pareceu pegar a loira de surpresa pois ela me encaravam com seus intensos olhos acinzentados. Se não fosse a situação eu poderia me perder naqueles olhos, mas a raiva já tinha tomado conta de mim. Abracei Thalia que na mesma hora correspondeu, sinal claro que ela não estava bem, fora que tremia muito.

Ela não podia gostar de mim, mas eu a tratava como um irmão, mesmo ela não gostando. Às vezes eu percebia como ela se sentia deslocada, distante. Seu pai estava em coma, mas pelo que a minha mãe falou, ela nunca foi visitá-lo.

— Thalia, meu Deus você se machucou? — perguntei aflito

Ele me olhou nos olhos e pude ver gratidão e alegria por me ver ali. Por mais que ela não admitisse, eu era a única pessoa próxima a ela que a entendia e tentava ajudar, mesmo diante de tantas patadas.

— E-eu e-estou b-bem P-percy, o-brigada — ela falou fazendo um enorme esforço para não chorar.

Aquela voz embargada pelo choro fez meu coração afundar. Thalia não era de chorar, aliás nesses últimos meses eu nunca a vi chorar, mas quando uma lagrima solitária caiu dos seus olhos ali eu prometi a mim mesmo que a faria ser feliz mesmo ela não querendo minha companhia.

A garoto de olhos acinzentados ainda me encarava com um olhar estranho, nem parecia ligar para situação da menina que ela havia empurrado. Aquilo fez o meu sangue arder de ódio pelo descaso dela.

Nunca mais, escute bem, nunca mais encoste um dedo nela — até eu me assustei pelo meu tom da voz, sempre eu tentava me manter calmo mas agora cada palavra saiu carregada de ódio.

E quem você pensa que é garoto? Você nem sequer sabe quem eu sou. Vai-me dizer que é o namorado dessa ai, pois se for eu tenho pena de você — ela falou como com a voz áspera cheia de desprezo como se ela fosse dona de alguma coisa.

Aquilo me fez lembrar todas as humilhações que passei por ser quem eu era, um garoto de rua, sujo, sem pai, sem mãe, sem ninguém. Ela era como todas aquelas pessoas que eu encontrei, mesquinhas, se achando donas de deus e o mundo, esquecendo de tudo e de todos, apenas pensando em si próprio. Eu tomei fôlego e falei tudo aquilo que sempre quis falar para esse tipo de gente.

O que eu sou dela ou deixo de ser não é da sua conta — eu ouvi um monte de ais, uis, toma, vindo de todos os lados — e quanto a você? Bem eu realmente não sei quem você é mais tenho certeza que você não passa de um hipócrita, uma menina mimada que acha que todos tem que te obedecer, quando na verdade você não tem nada, não tem ninguém que goste de você. Tem mais é inveja dos outros que tem amigos de verdade. Hoje você pode estar assim humilhando, pisando nos outros, mas vai acabar ficando sem ninguém se já não esta.

Aquilo pareceu abalá-la, ela me olhou mais uma vez e piscou forte como se quisesse segurar o choro. Thalia por outro lado não agüentou mais e começou a chorar compulsivamente. Aquilo fez meu coração ser cortado. Raiva, preocupação, ódio e vários outros sentimentos transbordavam dentro de mim.

Peguei a mochila dela e sai abraçando Thalia que chorava no meu peito. Pelo que pude ver antes de sair, da loira também saíram algumas lagrimas, so não sabia se eram reais ou fingidas, já que ela parecia não ter coração pelo seu olhar gelado.

Caminhei até um local mais afastado dali e sentei debaixo de um arvore ainda abraçado a Thalia que chorava como uma criança.

— Ei Tha, não fique assim — falei tentando acalmá-la — agora aquela loira de botequim não vai mais mexer como você.

Isso fez com ela se acalmasse um pouco e desse um sorriso tímido.

— Percy? — ela falou

— Sim.

— Por que você me protegeu lá? Eu sempre te tratei mal e tudo.

— Hora Thalia, você é minha irmãzinha — falei o que a fez revirar os olhos e sorrir — e afinal irmãs mais novas sempre ficam atazanando a vida dos mais velhos, mas eu te perdôo pequena, mas não volte a fazer isso — falei serio mas depois sorrindo.

Com isso consegui arrancar algumas risadas dela. Ela se afastou do abraço e me olhou sorrindo.

— Pode deixar irmãozão, não foi te atazanar mais.

Ela falou rindo, mas eu pude perceber ela cruzando o dedos. Aquilo com certeza seria um recomeço. Um recomeço não so para ela, mas para mim também.

Notas finais
E então? Gostaram?
Eu quero mandar mil beijos e abraços em encomenda especial para a Hermione pela idéia de colocar o Ethan na mesma escola que o Percy, por que se fosse por mim ele nem apareceria mais, rsrsrsrsrs. Obrigado viu linda ;)
Eu também quero sua opinião viu, não somente os 'oi', 'ficou bom', entre outros de sempre ok?
Eu não vou falar quando irei postar o próximo capítulo.
E aviso especial:
No próximo mês, ou seja, setembro, não poderei postar, mas farei o possível para responder os rewieis.
Motivo? Bem vou viajar para SC, não pra comer churrasco e tomar chimarão infelizmente, mas sim a trabalho :(
Bem, mas em outubro ou no final de setembro eu posto um capitulo para compensar os dias ;)
Bjs e Abcs e não esqueçam de comentar.
Ps.: Pra você que é leitor ou não da minha outra fic Percy Jackson e o Caminho de Orfeu,
Bem como eu havia falado alguns dias atrás eu estava pensando em um coautor, para me ajudar com a fic e como o tempo para escrever a fic ficou realmente curto eu vou precisar.
Então se você tem interesse, pode me mandar uma M.P ou um rewiei.
Eu so peço que você tenha ao menos uma fic escrita, terminada ou não, e que possa postar ao menos de 15 em 15 dias ok? Ah, e também que tenha paciência em pesquisar na net, por que eu já tenho boa parte dos próximos personagens em mente e não pretendo mudar, até por que se não perde o rumo da historia.
Bem no mais é isso, vou esperar até o próximo sábado, eu não pretendo deletar a fic, mas infelizmente, não vou poder postar mais, ao menos não por agora :(
Bjs e Abcs (de novo)