Boukou

7 Capítulo VI: Hanatsu


Notas iniciais
Olá, olá e olá, aqui é a Nariko ;) Último capítulo de Boukou para vocês, pessoal! Eu confesso que quase chorei escrevendo esse capítulo, ele realmente mexeu bastante comigo, mas eu espero que ele agrade! ... Eu gostei muito de participar dessa campanha e à pessoa que me pediu para escrever essa Fanfic, eu espero que você tenha gostado e que eu tenha atendido as suas expectativas :) Muito obrigada a todos que leram e manifestaram suas opiniões nos comentários, estupro é um assunto sério e muito difícil de ser abordado, e eu só posso agradecer à Camille pelas ideias geniais que tornaram Boukou possível! ... Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo VI: Hanatsu

Ato de libertar

2014, outubro.

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Acordei num quarto de hospital com um ruído agudo ao fundo marcando meus batimentos cardíacos. Foi assim que me dei conta de que a minha tentativa de suicídio havia sido um insucesso.

Lambi meus lábios, que estavam secos, mas descobri que minha boca encontrava-se numa situação ainda mais deplorável. Agarrei os lençóis finos sob os meus dedos e me retraí quando uma luz forte se insinuou para debaixo das minhas pálpebras semicerradas.

Ainda assim, forcei-me a abrir os olhos completamente e a primeira coisa que vi me fez ter vontade de chorar: Sasuke-kun estava recostado em uma posição bastante desconfortável numa poltrona ao meu lado e cochilava levemente. Tinha o sobrecenho crispado e a boca curvada para baixo.

Tentei me controlar, eu juro, mas o monitor de frequência cardíaca começou a apitar freneticamente e isso o fez acordar sobressaltado. Seus olhos encontraram os meus, lacrimosos, no mesmo instante e ele se levantou e se debruçou sobre mim.

— Sakura, tudo bem. Você está bem agora. Fique calma — pediu-me, retendo-me pelos ombros de encontro ao colchão fino para impedir que eu me levantasse.

Inspirei e expirei diversas vezes até que o monitor voltasse a apitar metodicamente e Sasuke-kun deslizou exausto de volta para a poltrona. Lágrimas ainda toldavam meus olhos e o nó na minha garganta não afrouxava.

Ele suspirou alto o bastante para que se fizesse notar seu cansaço e frustração, e enterrou a face nas mãos. Encolhi-me sobre a cama, desejando ser pequena ou insignificante para poder desaparecer e não ter que enfrentá-lo. A vergonha me consumia, tal como aquele sentimento de contrição.

Quando enfim levantou os olhos para me fitar, notei pela primeira vez a vermelhidão em torno dos seus olhos e me detestei ainda mais.

— Por que fez isso, Sakura?

Não havia raiva na sua voz, percebi apenas tristeza e foi essa constatação penosa que me fez desabar e chorar por havê-lo feito sofrer (algo que jurei um dia jamais fazer). Não há dor maior do que essa, eu acredito: machucar alguém que você ame tanto, como eu amo o Sasuke-kun.

Mas a verdade inescapável é que eu não estava suportando mais, eu não tinha mais forças para continuar lidando com tudo aquilo e eu tentei erradicar toda a dor da forma mais covarde possível, eu sei. A última lembrança que tenho é deitar na nossa cama e fechar os olhos, esperando pelo sono definitivo que terminaria tudo, depois de haver ingerido tantos, tantos comprimidos...

O arquejo sofrido de Sasuke-kun trouxe-me de volta àquele quarto de hospital e de volta ao presente: eu ainda estava viva e não sabia como me sentir a respeito disso. Ele inspirou fundo tantas vezes antes de se aproximar de mim de novo e, quando o fez, estendeu uma mão para afagar meu cabelo.

— Me perdoa — supliquei num tom alquebrado, quase nulo. — Por favor...

Resfoleguei e aquele sentimento contrito no meu peito se tornou ainda mais insuportável.

Eu estava cansada, queria dizer a ele. Estava farta de sentir nojo de mim mesma, de sentir desprezo pelo meu próprio corpo, de fugir do meu próprio reflexo nos espelhos. Não suportava os olhares condescendentes e tampouco os palpites e os sussurros cruéis.

— Seria melhor assim — acabei por dizer e isso o fez se afastar de mim como se eu o houvesse esbofeteado.

— Melhor para quem?! — vociferou de uma forma contida e seus olhos queimavam nos meus devido à raiva.

— Para todos! Principalmente para você, Sasuke-kun.

Agora que eu havia começado, ia até o fim. Eu precisava tirar aqueles sentimentos densos do meu peito. Desviei o olhar para a parede porque não suportava olhá-lo e cerrei os dentes para me forçar a dizer o restante.

— Você merece mais do que isso. Você merece ser feliz e merece... — Doía admitir isso, uma dor quase física. — Sasuke-kun merece uma mulher inteira, alguém que não esteja quebrada como eu.

Esperei por sua reação por quase um minuto e, vencida por minha curiosidade, arrisquei um olhar rápido para ele só para encontrá-lo tão aturdido que pensei que talvez não tivesse sido clara o bastante.

Devagar, então, ele pareceu haver assimilado o que eu disse e, franzindo o cenho, voltou a se aproximar do meu leito de forma muito contida.

— Quem te disse isso?

— Ninguém me disse isso — admiti. — Mas eu sei, Sasuke-kun. Eu sei o que as pessoas dizem a meu respeito, que talvez eu tenha causado tudo o que aconteceu comigo, que talvez a culpa seja minha e, para ser honesta, eu não sei se prefiro a pena ou o desprezo das pessoas. Eu só estou atrasando sua vida, Sasuke-kun.

Dizer a última sentença foi definitivamente mais doloroso do que qualquer dor física que eu pudesse sentir. Eu o amava tanto, tanto, mas talvez ele fosse mais feliz sem a minha presença quebrada por perto.

Sasuke-kun se debruçou sobre mim e falou comigo pausadamente, pontuando cada palavra que dizia a fim de enfatizá-las.

— Sakura, a culpa não é sua. O que houve com você... — ele cerrou os dentes por ter dizer isso: — O que aquele filho da puta fez com você não. Foi. Culpa. Sua. Entendeu? Ele é o único a ser responsabilizado porque é doente e um criminoso nojento. Não importa o que algumas pessoas digam, não importa, entendeu? A culpa nunca foi sua. E por que meteu na cabeça que está atrasando minha vida?!

— Mas... — tentei argumentar, mas ele não deixou e me interrompeu.

— Eu não acredito que estou ouvindo isso de você!

Sasuke-kun segurou meu rosto com delicadeza e roçou seu queixo na minha testa, no meu cabelo.

— Eu estou com você porque eu quero, Sakura. Se alguém algum dia te disser o contrário, não acredite, por favor. Eu não quero nenhuma outra mulher, sua irritante. Eu quero você, ouviu? Só você.

Ouvi-lo dizer isso acendeu em mim uma pequena esperança de que, talvez, algum dia, nós dois pudéssemos ser felizes outra vez, como nós fomos antes que eu... Antes de tudo aquilo acontecer.

— Mas nós não temos um relacionamento comum, Sasuke-kun — lembrei-o com lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. — E se eu nunca mais conseguir deixar você me tocar como antes? — Minha voz tremeu com essa possibilidade.

Ele beijou minha testa e se afastou em seguida para me olhar nos olhos.

— Não importa para mim, Sakura.

Seu tom categórico não me permitiu contestá-lo e suas palavras me deixaram tão aliviada, tão feliz. Assim, dias depois de ter recebido alta, Sasuke-kun e eu acordamos que buscaríamos por ajuda. Pensamos que podíamos lidar com a situação sozinhos, mas nos enganamos.

Nos próximos meses, passei a frequentar um grupo de apoio para mulheres que sofreram abusos de todos os tipos e foi lá que conheci uma mulher maravilhosa, que desde então tem me ajudado a lidar com a minha dor, com o meu medo e com o meu trauma.

2015, junho.

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Apressei-me para chegar em casa o mais rápido possível. Estava ansiosa, especialmente depois da conversa que tive com Tsunade-sama essa tarde. Na verdade estava tão contente que por pouco não me sentia outra mulher.

Corri para atravessar a rua, agarrando-me à minha bolsa. Um sorriso bobo aflorava nos meus lábios de minuto em minuto e, quando enfim alcancei o prédio, não pude mais escondê-lo. Encaixei as chaves na fechadura quase cantarolando e tirei os sapatos ao entrar. Sabia que Sasuke-kun estaria em casa àquela hora.

Fui até o nosso quarto e joguei a bolsa sobre a cama. Com um suspiro, desfiz-me do casaco e analisei minha mão como fazia de costume toda vez que o anel de noivado esbarrava numa peça de roupa minha. Continuava impecável e reluzente, como estivera desde o dia em que comecei a usá-lo.

Nas últimas semanas, tenho conseguido fazer grandes progressos e tudo isso graças ao grupo de apoio que frequento, graças às conversas com outras mulheres e principalmente com Tsunade-sama. Ela me fez perceber que a chance que eu tinha não podia ser desperdiçada e me incentivou a tentar reconstruir a minha vida. Com Sasuke-kun, é claro.

Tudo isso teve início naquele dia em que fomos à sorveteria. Fazia tanto tempo que não saíamos juntos! De certa forma, foi como reviver o nosso primeiro encontro tantos anos atrás. Sasuke-kun foi muito paciente comigo e foi amável de uma forma que eu nunca vou poder agradecer o bastante. Se algum dia eu duvidei da veracidade dos seus sentimentos por mim, essa dúvida pereceu há muito tempo.

Aos poucos, seguindo o conselho de Tsunade-sama, reacendi a nossa vida como casal e virei uma página sombria. Pode parecer bobo para alguns, mas para mim era importante, muito importante. Poder abraçá-lo sem sentir receio, deixar que ele me beijasse e me tocasse e não mais associar seus toques àquele dia, àquele homem.

Aos poucos, voltei a ser a garota que era antes e acho que Sasuke-kun também notou isso.

Por falar nele, notei que se encontrava no banho — ouvi o som do chuveiro ligado — e foi para lá que segui. Testei a maçaneta primeiro e, uma vez que a encontrei destrancada, empurrei-a para baixo. Talvez eu devesse esperar que ele terminasse, mas estava ansiosa demais e precisa contar a ele o que havia decidido o mais depressa possível.

Corei quando o encontrei saindo do banho, envolto numa nuvem de vapor quente. Ele pareceu um pouco confuso ao me encontrar ali.

— Sakura?

Desviei o olhar quando ele procurou pelo roupão e o vestiu, ocultando sua nudez. Só depois de ter certeza que ele havia se vestido — e por ainda estar com as bochechas vermelhas — voltei a encará-lo.

— Você voltou mais cedo — ele observou enquanto secava o cabelo com uma toalha e eu assenti; de fato, minhas reuniões com o grupo ou com Tsunade-sama costumavam durar mais tempo. — Devia ter me ligado, eu ia te buscar.

— Não é necessário, Sasuke-kun — aleguei, pois foi com muito custo que reconquistei a minha independência para as menores e mais insignificantes coisas, como andar na rua. — Eu tenho algo importante para te dizer.

Ele parou de secar o cabelo e me olhou com uma sobrancelha arqueada, esperando que eu me manifestasse. Depois de haver tomado coragem, enfim lhe contei o que havia decidido:

— Quero marcar a data do nosso casamento.

Sasuke-kun estagnou por um momento e me encarou em silêncio, absorvendo devagar o que eu havia dito, com certeza. Então ele se aproximou comedidamente de mim, mas não iniciou qualquer tentativa de contato físico.

— Sakura, você tem certeza?

Eu sabia que era um grande passo, era uma decisão muito importante e não podia ser tomada às pressas ou de forma impensada. Mas eu estava convicta quanto ao que eu queria. Nas últimas semanas, Sasuke-kun e eu havíamos conversado bastante sobre o futuro, sobre planos, talvez fizéssemos uma viagem para o exterior, mas o casamento não havia sido um dos tópicos que abordamos. Eu sabia que ele estava respeitando a minha opinião, o meu espaço, ele não me pressionaria de forma alguma.

Mas depois do que conversei com Tsunade-sama, eu percebi que estava pronta, para ser feliz outra vez, para reconstruir a minha vida em todos os sentidos.

Sasuke-kun tocou meu ombro e dispersou todos os meus pensamentos. Seus olhos eram suaves, mas ardiam fugazes com o prospecto que eu havia sugerido.

— Sakura, se achar que ainda é cedo, eu vou entender — ele garantiu, mas eu o interrompi antes que seguisse por essa linha de raciocínio.

— Eu estou pronta, Sasuke-kun — assegurei e minha voz não tremeu ou meu olhar se perdeu do dele. — Acredite em mim, por favor — pedi a ele num sussurro.

E não recuei quando ele decidiu testar a veracidade da minha declaração. Seus braços passaram dos meus ombros para a minha cintura e me trouxeram para perto do seu corpo, ainda úmido do banho quente. Deixei que me abraçasse, que respirasse uniformemente no meu pescoço e eu mesma terminei me apertando contra ele.

Eu havia me esquecido do quanto era bom estar assim com ele, do quanto eu me sentia protegida e amada perto dele. Sem querer, acabei me lembrando da nossa primeira noite juntos. Eu só havia pertencido ao Sasuke-kun e ele, a mim. Talvez tenhamos sido um pouco desajeitados no começo e uma lembrança em particular me fez rir baixinho.

Sasuke-kun enrijeceu e me segurou pelos ombros para afastar-me do seu corpo, desfazendo nosso abraço. Seus olhos sondaram meu rosto, procurando pela razão do meu riso repentino, acredito.

— O que houve?

Um pouco encabulada, admiti a verdade para ele.

— Eu só me lembrei de uma coisa... Algo que fizemos.

Corei em seguida e acredito que foi o bastante para Sasuke-kun entender ao que eu estava me referindo... Eu acho. Bom, de qualquer forma, isso perdeu a importância no momento em que ele encostou seus lábios nos meus. Apenas um toque breve, a princípio. Ele tinha se tornado tão cuidadoso comigo desde aquele dia...

Fechei os olhos e, como não me opus ao seu beijo, Sasuke-kun voltou a me puxar para perto, mas seu abraço nunca era forte demais que eu não pudesse recuar quando quisesse e seus toques eram os mais delicados possíveis.

Suspirei, eu sentia tanta, tanta falta de tê-lo assim. Sentia saudade de ser amada por ele, de me sentir desejada como mulher e de compartilhar essa espécie de intimidade com ele. Sasuke-kun fez menção de se afastar, como sempre fazia quando achava que estávamos indo longe demais, mas eu não permiti e atirei meus braços ao redor do seu pescoço, erguendo-me na ponta dos pés.

— Não, dessa vez não. Faça amor comigo — pedi sem fôlego e ele hesitou assustado.

— Sakura...

— Confio em você — disse-lhe. — Você é o Sasuke-kun, o homem que eu amo, e eu sei que nunca me machucaria.

Suas mãos descansaram nos meus quadris, um pouco incertas. Tinha sido há tanto tempo, a última vez em que fizemos amor. Vi transparecer no seu rosto uma seriedade que jamais tinha visto até então.

— Se mudar de ideia — ele me disse —, se sentir que está com medo ou que não está pronta, é só me dizer, Sakura, e eu vou parar.

— Eu acredito — sussurrei, comovida, e deixei que ele me pegasse nos seus braços e me levasse para o nosso quarto, para a nossa cama.

O que posso dizer além de que foi doce, terno e maravilhoso? Sasuke-kun foi amável comigo até o fim e era justamente por ser ele, ali, que eu não senti receio. Pareceu que minha... Ou melhor, que as nossas vidas finalmente entrariam nos eixos.

Eu não deixei de frequentar o grupo de apoio e, talvez, o único período sombrio do qual eu possa me recordar dessa fase foi quando o julgamento do meu agressor foi marcado.

Mas eu enfrentei isso de cabeça erguida, não estava sozinha. Tinha meus familiares, meus amigos e tinha Sasuke-kun, e eles me deram todo o apoio de que eu precisava. Compareci ao julgamento, enfrentei aquele monstro e ainda lidei com a mídia que não respeitava a minha privacidade. Felizmente, com a nova legislação em vigor, era líquido e certo que ele receberia uma pena mais severa por seu crime e com as provas e testemunhos que Itachi, meu cunhado, reuniu, Zaku Abumi não escaparia impune.

Não minto que quando o vi ser condenado não me senti vingada, não minto que saber que teríamos menos um maníaco à solta pelas ruas não me deixou um pouco mais aliviada — embora ainda houvesse muitos monstros como ele.

Foi um pouco depois do julgamento que eu e Sasuke-kun nos casamos e dentro de algumas semanas eu recebi uma dádiva: descobri-me grávida. Sarada, nossa filha, nasceu perfeita e saudável.

É quando olho para o rosto angelical da minha filha que concluo que tive sorte. Muitas mulheres não tiveram o que eu tive, muitas mulheres ainda são oprimidas pelos seus agressores ou estão sozinhas e não sabem a quem recorrer por ajuda.

Eu quase abri mão da minha vida, mas agradeço à entidade que for que decidiu me poupar. Vivi com medo e nutri desprezo por mim mesma por tempo demais até perceber que a culpa nunca havia sido minha. Ouvi relatos e histórias de mulheres que sofreram o triplo ou o quádruplo do que eu sofri durante anos a fio e eu as chamo de corajosas. Por ainda terem vontade de viver, por ainda estarem tentando.

A própria Tsunade-sama, a mulher que se tornou a minha grande inspiração e confidente, é uma mulher muito forte, que aos poucos está conseguindo se libertar do alcoolismo e retomar sua carreira brilhante como médica.

Quanto a mim, decidi que voltarei a trabalhar assim que Sarada estiver um pouco maior. Não vou permitir que minha vida pare outra vez, não vou permitir que o medo me domine outra vez. Afinal, eu tenho Sasuke-kun e tenho Sarada e os amo demais. Esse amor é o que mais me motiva, é o que mais me dá força para continuar tentando e vivendo.

Tenho planos de, algum dia, fundar uma ONG em apoio a mulheres agredidas e abusadas. Quando contei à Tsunade-sama sobre essa ideia, ela adorou e me garantiu que me apoiaria no que eu precisasse.

Se eu tiver de me tornar um símbolo na luta contra a violência à mulher, bem, que seja.

Ajudarei outras mulheres a se libertarem dos seus medos e dos seus traumas como eu fui ajudada e como eu me libertei.

Fim.

Notas finais
Olá, pessoal! Aqui é a Srta Pezzino e este é o último - e divino - capítulo de Boukou escrito pela excelentíssima Deusa Nariko. Vocês gostaram de como terminou? Embora nada tenha começado bem, tudo terminou absolutamente bem e vimos como Sakura superou os traumas e as mazelas, mas nada de maneira fácil, nada de maneira romântica. Por mais, aqui vai um apelo tanto meu quanto da nossa querida Deusa: não romantizem algo tão nefasto, não deixem essa cultura do estupro - algo que parece tão banal, colocado na literatura ou não - parecer que não é nada, que está tudo bem, que é algo corriqueiro e que devemos aceitar. Não deixem. Nós sabemos que todos possuímos liberdade poética para trabalharmos como e quando quisermos, falar sobre o que queremos. Contudo, nós pedimos aos leitores que curtem esse tipo de literatura refletirem o quanto é verossímil ou justo tratar desse tema sem aprofundá-lo ou mostrá-lo como é? É certo dizer que uma mulher gosta ou gostou de ser estuprada? É justo dizer que outra foi estuprada por que mereceu? E não vamos só falar de mulheres, porque existem casos de homens estuprados também, mas calados pelo machismo de terem de ser dominantes ao ponto de serem envergonhados, linchados se admitirem que foram abusados. Reflita e, se possível, diga não a tudo isso. A essa cultura opressora e machista que impõe o pior possível, a sua liberdade de ser, vir e fazer o que quiser. Liberte-se também.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!