Both Sides
5 Collins
Só me lembro de tentar abrir os olhos... Eu não conseguia... E então ouvi Aaron falando com alguém... Pensei que fosse meu pai, mas não conseguia abrir os olhos...
- Você não vai se lembrar de nada do que aconteceu esta noite. Vai voltar para casa, se deitar na cama e dormir até o amanhecer. – E era ele... Era o meu pai.
-Papai? Papai? – Eu tentava dizer, mas nenhuma palavra saia da minha boca, minhas pálpebras estavam mais pesadas do que nunca. Mas por fim, consegui abrir os olhos. Não sabia exatamente onde estava, acho que era um quarto. O pouco que conseguir ver foram janelas amplas, cortinas de seda, eu acho. Era bem bonito, divino até. Mas tudo estava borrada, eu só ouvia sussurros, não sabia o que esta acontecendo.
- Se te perguntarem de Savannah apenas diga que ela voltará logo. Quero que esqueça essa conversa e só faça o que eu mandei fazer, agora vá. Sem olha para trás.
''NÃO, PAPAI NÃO OUÇA O QUE ELE DIZ!'' Tentei gritar, mas minha voz falhou e algo me puxava novamente, era o sono mais profundo do que antes.
Sentia o sol fraco do amanhecer bater no meu rosto, a luz do sol era tão forte que me fazia desistir cada vez mais de abrir os olhos. Virei o rosto para o outro lado da cama e lá estava ele. Aaron, com o rosto apoiado e mãos sobres o cotovelos.
- Olha quem acordou. — Sussurrou Aaron. — Bom dia. Bela adormecida... — Disse levando uma das mãos até meu rosto.
- Não se encoste a mim... — Anunciei me afastando de suas mãos.
Ele me olho incrédulo, abriu a boca para dizer algo logo em seguida, mas a fechou e engoliu seco. Arrastei-me até a ponta da cama e fiquei em pé ao lado da mesma. Caminhei até a porta com esperanças de poder sair daquele lugar e ir embora.
-Mas já vai embora? Por favor, fique mais. — Pronunciou Aaron segurando na maçaneta da porta me impedindo de ir embora.
- Me deixa. O que você fez com meu pai? Por que você causou o acidente do Jason? Como pode ser tão mal? Eu não quero mais te ver, eu quero ir embora! — Disse praticamente gritando. E tentei pegar o celular que ficava sempre ficava em meu bolso, mas não estava lá. – Cadê meu celular? Devolva-me agora, eu vou ligar á polícia.
- Eu vou te explicar umas coisas meu amor, mas tenha calma... — Ele estava sendo irônico, eu sabia que por trás desse sorriso, que era maravilhoso, havia algo ruim por vir.
Sentei-me na cama, e ele em uma poltrona o mais longe possível de mim. Começou a falar, mas aquela conversa não havia pé e muito menos cabeça, ele não chegará a lugar nenhum com aquilo. Até que pronuncio que era um vampiro, que retornara à cidade depois de anos. Fiquei incrédula com aquilo que ele havia dito, não queria acreditar. ''Eu bebo sangue'' ''Mato pessoas'' ''É isso o que sou''.
-Vampiros? Por favor, conte mais uma piada, eu não credito em nada do que você está dizendo. – Eu estava me fazendo de forte, mas na verdade eu estava com medo e sabia que aquelas palavras nunca mais sairiam da minha cabeça. Eu queria ir embora, mais do que tudo naquele momento, mas tudo começou a embaçar, a ficar escuro... Era o sono, mais uma vez. NÃO! A minha cabeça doía. Doía muito. Eu precisava me levantar, agora. –Então me diga por que causou o acidente do meu irmão?
-Savannah, eu não é bem como você pensa, eu estava andando por aí, quando ele bateu o carro em mim.
-Ah, por favor. Quer mesmo que eu acredite que o Jason bateu o carro em você? Se ele tivesse mesmo batido, você estaria cheio de machucados.
-Savannah, vampiros não se machucam assim tão fácil.
Quando eu consegui descer da enorme cama coberta com seda. Aaron já não estava mais no quarto, tinha a chance de correr até minha casa e ver se meus pais estavam bem. Minhas pernas se tornaram água e minha cabeça girava como nunca. Finalmente consegui achar a porta dessa casa enorme, ela era tão linda. Mas um monstro a habitava, o que não era nada bom. Eu não sabia exatamente para onde ir. Parecia que eu nunca estive ali antes. E então comecei a correr. Enquanto coisas ruins se passavam pela minha cabeça. Eu só queria acordar de todo esse pesadelo. E perceber que tudo é uma grande mentira. E quando menos percebi, já estava na frente de casa, abri a porta às pressas. Da sala vinha um som doce, não sei o que tocava, mas a música era calma e suave. Relaxante até.
- PAPAI? PAPAI VOCÊ ESTÁ AI? PAPAI?
- Porque toda essa gritaria pelo amor de Deus? — Pronunciou meu pai, saindo da cozinha com um pano de prato em mãos.
- Ai meu Deus Papai! O que ele fez com você?- Corri e o abracei, mais forte do que nunca. Um abraço apertado, que dizia ''Que bom que está bem!''. Acho que ele não estava a entender nada, mas eu tinha que ter certeza de que ele estava bem, seguro.
- O que aconteceu minha filha? Ele quem?
- Nada pai, não aconteceu nada, eu só... — Não terminei a frase, por algo de estranho que tinha em seu pescoço. Era um curativo, recente.
- Papai, o que aconteceu? — Perguntei preocupada tirando o curativo. — AI MEU DEUS! — Pronunciei incrédula. Eram marcas de mordidas. DE VAMPIRO! Será que tudo o que Aaron me disse era verdade? Eu precisava fugir, minha família precisava sair daquela cidade...
- Ah não foi nada meu amor, só umas picadas de pernilongo. — Queria que eu acreditasse em tamanha mentira.
- Ah, Savannah, eu não me lembro, mas não foi nada. Acho que são só picadas de pernilongos... – Quando me virei, ele estava aqui. Aaron estava aqui. Então agora eu sabia que era real...
-OH NÃO, NÃO, NÃO PODE SER! PAI NÃO OUÇA O QUE ELE DIZ! –Eu senti medo novamente. – EU QUERO VOCÊ FORA DA MINHA CASA, AGORA! — Comecei a gritar, as lágrimas brotaram em meus olhos, e lá estava eu chorando.
- Filha, não é assim que se trata uma visita. Aaron só quer fazer amigos. – O que ele fez para o meu pai pensar assim?
- NÃO PAPAI, ELE NÃO É BEM VINDO AQUI, ELE NÃO É UMA BOA PESSOA! NÃO VÊ QUE ELE ESTÁ MENTINDO? – Virei para Aaron e gritei: — FORA DA MINHA CASA AARON, AGORA FORA. NUNCA MAIS VOLTE AQUI! DEIXE A MINHA FAMÍLIA EM PAZ.
E lá estava ele, Aaron com uma cara de quem acabou de cair do caminhão de mudança.
- Filha, porque está tratando ele assim? Ele está esperando Jason chegar, eles são amigos, Aaron o conheceu na casa dos seus tios... – Papai queria me fazer acreditar que ele era bom, mas aquelas palavras de hoje cedo não saíam da minha cabeça.
- Papai, porque não acredita em mim? Você sabe onde eu estava? Na casa dele, ele me levou para lá á força...
- Savannah, você estava na casa de Ella, porque está inventando essas coisas agora? Você mentiu para mim Savannah? Se não dormiu na casa de Ella dormiu onde?
- Já chega, está bem. Eu estou cansada. Se você prefere acreditar em um estranho à sua própria filha, o problema é seu... – Subi a escada depressa e papai falou:
- Savannah, desça já aqui e peça desculpas ao amigo de seu irmão. E á mim também, você está se esquecendo de quem sou eu? Você me deve respeito!
-DESCULPAS! – Gritei do último degrau da escada.
Entrei em meu quarto e bati a porta com toda força que eu tinha...
-Savannah, volte aqui. Agora. Vamos conversar muito sério.
-A deixa sozinha um pouco. Adolescentes são assim. Eu já fui adolescente um dia, sei como é. Você também foi Mrs. Johnson. Bem, eu vou embora. Outro dia venho visitar Jason. Até mais senhor e senhora Johnson.
-Mais você já vai? Por que não espera mais um pouco? Jason já deve estar a caminho de casa!
-Eu preciso mesmo ir! Não diga ao Jason que eu vim! Quero fazer uma surpresa pra ele! Até mais.
-Está bem, até mais.
Ele foi embora e, em seguida mamãe e papai vieram ao meu quarto...
-Savannah, precisamos conversar com você! – Mamãe estava muito brava, mas eu não podia fazer nada se eles não acreditavam em mim.
-Conversar o que? Não tenho nada pra falar...
-Por favor, filha me respeite e respeite sua mãe. Temos muito que conversar...
-Eu não quero conversar, vocês não me entendem? –O celular do papai tocou ele teve que descer para atender e, então ficamos eu e mamãe no quarto.
-Eu e seu pai não estamos gostando desse seu comportamento Savannah... Você nunca foi assim minha filha! O que esta acontecendo?
-O que está acontecendo mamãe? A única coisa que esta acontecendo aqui, é que você e o papai acreditam mais em estranhos do que em mim. Este é o problema, eu estou tentando prevenir vocês de perigos e vocês ficam achando que é mentira. Porque vocês não entendem que foi ele quem causou o acidente de Jason? –Neste momento eu alterei a voz, nunca tinha fala com minha mãe de tal jeito...
-Savannah, não grite comigo, eu sou a sua mãe! –O papai estava de novo em meu quarto.
-Ok, agora que vai dar as regras sou eu... –Eu não acredito nisso, eles vão impor mais regras? Eles nunca exigiam nada antes.
-Calma Filip você esta nervoso...
-Antes que sua mãe me interrompa, vou citar as regras que serão seguidas de hoje em diante... –Eu virei às costas e sai andando para o primeiro andar...
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