Notas iniciais
A vida é uma viagem, os caminhos somos nós quem fazemos mas o final, o real destino disso tudo ainda é o mesmo, a morte.

Não que, não esteja acostumada com uma vida de luxo, com tudo o que quero ou mesmo que esteja reclamando à toa por ter tudo o que quero, mas as vezes – principalmente nas sextas a noite – me sinto tão sozinha. Ver ele me fazia bem, mesmo que me sucumbisse caminho ao meu próprio fim.

Me pergunto se o amor realmente é o suficiente, ainda quando o caminho se torna difícil. Ou onde poderia me levar, esse tal caminho, para uma nova dimensão? Uma nova vida, longe daquilo que mesmo me faltando, ainda me conforta? Seja lá por onde este caminho de curvas tortas esteja me levando, que você esteja lá, mesmo que no fim do caminho.

Diga que você é meu.

Como quando nos encontramos em frente a grande muralha que se forma entre meus pensamentos e meu coração. Correndo em sua direção, deixando para traz tudo o que me impedia de respirar, me libertando. Você com seu jeans surrado combinando com a camiseta regata, deixando à mostra suas tatuagens. Um pé apoiado no para-lamas do opala branco e preto, ofuscando a luz, o cigarro no canto da boca.

E então me agarrou em seus braços. Seus olhos me prendendo em um tipo de transe, me prendendo a você, enquanto me virava apoiando-me de costas no capo do carro, como uma criança posta em um berço depois de adormecer nos braços confortáveis de sua mãe. Em seguida escorregando para os bancos de couro preto.

Minhas pernas entrelaçadas com seu abdômen, batendo meus pés contra a lateral da porta do motorista. O olhar hipnótico me condenando a uma sentença de amar você, e um beijo me convidando para o requinte de outra dimensão. Seu mundo. Mais um cigarro, a brasa ardendo em chamas como a intensa realidade de como é estar com você.

A estrada selvagem se perdendo na escuridão ao seu redor. Como antes, onde eu podia ver, enxergava o que queria mas me tornava cega quando se tratava do resto. A luz do farol abrindo caminho entre a muralha de galhos secos e relva, nos dando uma única direção, a morte.

De repente eu não precise mais das respostas das tantas perguntas que me fazia enquanto deitada sob a camada rosada, a cabeça apoiada na almofada que já não se parecia tanto com seus braços calorosos. Não me deixar triste ou não me fazer chorar, eram coisas que definitivamente ocorriam quando você não estava por perto, mas que agora acontecem ainda quando estou na sua presença.

Ficamos loucos, perdemos a cabeça, mas a única certeza que podemos colocar sob a mesa é a realidade de que vamos morrer. Nós nascemos para morrer.

Um último beijo. Talvez tenhamos marcado nosso amor pelo pecado da luxuria de não ser o bastante. A luz no fim, só nos mostra o que já se torna cada vez mais evidente a cada quilometro que avançamos. Gostaria de ter te beijado na chuva, ter me divertido mais, afinal o caminho é longo, mas não inalcançável. E então chegamos ao ponto de dizer as últimas palavras, você gosta de garotas insanas, e está é a última vez, porque você e eu,

nós nascemos para morrer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.