Notas iniciais
OLÁ, NINJAS! Olha, o capítulo novo chegando por aqui! Pela primeira vez nessa nova temporada eu estou TOTALMENTE satisfeita com um capítulo ♥ Eu estou completamente apaixonada por todas as cenas desse capítulo (TEM STICK E STONE. TEM PIETRO SENDO NOSSO PIETRO E TEM UM MEGAPOWERHIPERSUPIMPA REVELAÇÃO SOBRE O PASSADO DA WILLA E NINGUÉM TÁ PREPARADO PARA ISSO. NEM EU!) e eu não sei o que dizer. Muitas coisas acontecerão por aqui, por isso, preparem os seus corações. Suas vidas mudarão após esse capítulo. E a vida da Willa também! Até o próximo capítulo ♥ http://msbarbiebelcher.tumblr.com/ P.S: TEM COISINHA NA NOTA FINAL, NINJAS!


Imprecisa. Incompleta. Imprevisível.

Sentoraru Hotel
Tóquio

Pietro não gostou nada da ideia de ficar a espera de Willa no loft do hotel. Ela insistiu. Seria melhor se ela falasse com os mestres a sós. A presença do humano aprimorado apenas desconcertaria o desconfiado Stick e afastaria Stone dela. Ele odiava estranhos, principalmente quando eram jovens e... como Pietro.

Ela estava fazendo um favor a Maximoff.

Pietro assistiu ela entrar no elevador, arrumando os cabelos para cima dos ombros deixando o ar escapar em um suspiro cansado dos seus lábios. E ela acenou em despedida, deixando-o completamente desconfortável. Até que os seus olhos encontraram a loja de presentes e ele zappeou até lá em um estalo.

Stone e Stick reservaram um andar completo do hotel para uso pessoal. Cada um ficou com um quarto e a sala era para uso conjunto. A guarda real de Stone vigiava o perímetro através de um sistema de segurança concedido pelo Hotel em um escritório improvisado. Então, Willa não ser recebida com braços abertos era algo mais do que esperado. Eles sabiam quem ela era. Eles sabiam que ela era a pupila de Stone. Mas, se ela não tinha horário com os Senseis na agenda, ela não tinha porque estar ali. Eles queriam que ela partisse, mas a ninja se atreveu com determinação pedir para um deles avisar a Stone sobre a sua presença ali com horário marcado ou não; ele certamente gostaria de saber da sua presença ali e não ficaria nada contente em saber como ela estava sendo tratada pelos seus subordinados.

Não foi diferente. Ao saber da sua visita, ele foi pessoalmente recebê-la. O hematoma em seu olho e o lábio trincando levou Fairchild ao assombro. Stone estava machucado, isso era tão raro quanto neve no verão dos Estados Unidos. Ela se recompôs do seu desconcerto emocional e preocupado. Ele dispensou a sua guarda e eles retornaram ao seu trabalho, sem questionamentos. Stone gesticulou para ela segui-lo para a sala principal.

— Eu não sei como dizer isso de um modo sutil, mas você está um lixo – Ela disse com jocosidade caminhando atrás dele.

— Já tive dias melhores. – Ele revelou com um aceno e olhou por sobre o ombro, arqueando uma sobrancelha. — E não diga isso ao Stick. Ele vai te tacar janela a fora.

Ele tacaria mesmo e ela resolveu não contra argumentar com a verdade.

Ao chegar à sala, ela encontrou Stick sentado na poltrona com um saco de gelo no lado esquerdo do seu rosto e um crispar nos seus lábios apresentou desgosto pela presença inesperada da americana.

— Isso vai ser difícil – Ela retrucou enfiando as mãos no bolso.

— Tenha respeito, garota – Se a sua bengala estivesse por perto ele tacaria nas pernas dela, só pelo comentário abusado.

Bom, Stone avisou e ela teve sorte.

— Eu não disse nada. Desconfiado – Ela retrucou com as sobrancelhas arqueadas. — Mas posso saber o que aconteceu com vocês?

O silêncio foi a sua resposta.

— Isso, silêncio é uma ótima forma de responder a sua assassina de elite a serviço – Ela debochou cruzando os braços, bem menos comovida pela situação deles.

— O que ela esta fazendo aqui? – Stick precisou respirar fundo para não largar aquela bolsa de gelo e retirar Willa daquele quarto com as suas próprias mãos. — Tentando destruir o seu disfarce? – Ela bateu a cabeça na quina da cama? Só isso explicaria ela ter perdido dois dos seus três neurônios. — Você já foi mais esperta, Yanagi.

— Dê uma chance a ela, mestre. – Stone pediu unindo as suas mãos diante do seu corpo, buscando apaziguar a situação. — E eu gostaria de saber também do motivo por trás da sua visita.

— Ele sabe, da minha missão? – Willa lançou um olhar enigmático para Stone.

— Sim, eu contei. – Ele manteve o seu olhar focado ao chão, equilibrado, centrado nas emoções do mestre e pupila.

— É sobre o Lee – Willa ignorou Stick e o seu revirar de olhos, lançando um olhar sério ao seu mestre.

— Eu pensei ter sido claro na especificação da missão.

— E foi, só que isso não quer dizer que eu concorde e não precise de mais motivos para cumprir com a missão – Ela retrucou inclinando a cabeça com firmeza na sua postura.

— Adivinha quem está dando para trás – Stick cantarolou buscando atingir a consciência de Stone.

Errou a mira e acertou em Fairchild.

— Eu não estou dando para trás! – Ela olhou com dureza para Stick e ele comprimiu um sorriso seco. — Eu só quero entender. – Ela retornou os seus olhos para Stone, com respeito e afeto. — Eu mereço isso.

— Merece. – Stone assentiu com comoção. Ele abaixou o rosto, refletindo como proceder. — Lee é o próximo líder do Tentáculo.

— Eu li esse detalhe no arquivo – Willa trincou os dentes. Stone estava seguindo o marasmo de suposições de Stick e considerando ela uma desatenta, desmiolada?

— Ele é filho do Nobu – Stone completou a sua linha de raciocínio e Willa fechou os olhos, sendo acometida pela compreensão.

— Isso tem haver com o que houve em Nova York?

— Em parte – Stick murmurou recebendo a atenção da dupla. — Você acha que não haveria uma represália por conta do que eu fiz com Nobu? – Ele mesclou deboche com a sua questão, recebendo um olhar cortado de Willa. — Então, Lee tem a minha vida em suas mãos e o nosso destino pendendo na sua liderança.

— Entendi – Ela arqueou as sobrancelhas, massageando o ombro. — Ele morre e a sua cabeça não é caçada. De qualquer modo, o próximo líder colocará o destino da Casta em risco.

— Não mais – Stone profere soturnamente.

— Não mais? – Willa inclinou o seu rosto, curiosa com essa colocação. — O que o senhor quer dizer com isso?

— Stone – Stick retirara a bolsa de gelo do rosto, sério e preocupado com as próximas palavras do seu pupilo. — Pense bem nas suas próximas palavras.

— Há anos atrás eu te dei uma aula sobre os clãs místicos, como A Casta e as dimensões existentes no nosso Universo, você se lembra disso? – Ela assentiu e Stone prosseguiu gesticulando para ela, sentar no sofá e aceitando, e cavalheiro, ele também sentou. – Então, você deve se lembrar de que o Tentáculo precisa de um líder destinado para comandar o seu clã.

— Sim, o céu negro – Ela assentiu, escutando Stick resmungar e ela não sabia dizer se tinha relação com a menção daquele nome ou se era por um dos seus tantos hematomas. — Mas... – Ela refletiu aquela questão, chegando a uma bifurcação. — O Lee não é um dos céus negros, Nobu acreditava que era a Elektra.

— E era. – Stick proferiu ríspido.

— E ainda é – Stone completou lançando um olhar preocupado para a sua pupila, ele sabia o que isso significaria para ela. Isso certamente mudaria tudo. — Elektra pode ser trazida a vida, Yanagi.

— Pode? – Ela se surpreendeu e refletiu sobre essa revelação. Ela não poderia ajudar Elektra. Ela estava lá quando Elektra morreu e não escutou o seu chamado. Então, se ela não poderia trazê-la dos mortos, restava apenas uma pessoa. — Você...?

— Eu não – Ele negou prontamente abaixando o seu olhar, consternado. — Eu perdi tal direto há anos.

— Quando ele escolheu salvar você – Stick respondeu entre os dentes recolocando a bolsa de gelo no hematoma do rosto.

— Mestre! – Stone bradou em alerta com um olhar furioso no líder da casta.

Ele não enxergava, mas certamente sentiu a frivolidade daquele lugar ou não estaria sorrindo tão cheio de si.
Era um assunto delicado ao qual Stone não gostava de falar, muito menos discuti-lo na presença de Yanagi. Era a sua perda, era o seu problema. Ele jamais colocaria esse peso sobre as costas dela.

— Stone, você não pensa – Stick rugiu crispando os lábios com insatisfação. — Você sabe muito bem como essa garota não funciona bem.

— E como eu funciono, Stick? – Ela questionou arqueando uma sobrancelha, desafiando Stick a falar o que pensava ou continuar sendo o covarde de habitual. Um cão que apenas ladra com a presença alheia, mas tem medo demais de morder para não quebrar os dentes.

— Errada. – Willa arqueou uma sobrancelha, abafando uma risada. Ele ainda tinha bolas. — Você funciona de maneira errada.

— Yanagi. – Stone atraiu a sua atenção. — Lee autorizou o roubo do tumulo de Elektra para despertá-la.

Se Stone e ela eram incapazes de trazer Elektra dos mortos...

— Como eles fariam isso?

— Eles só precisavam de alguém capaz de trazer os mortos e a mão do demônio, líder daquela maldita praga – Stick grunhiu abandonando a bolsa de gelo no lado da poltrona, aquela porcaria não estava aliviando a sua dor.

Vamos por parte. A mão do demônio é literalmente uma mão putrefata e verde, guardada em uma jarra. E pertenceu a um demônio, o primeiro líder do Tentáculo. Todos os líderes carregavam essa mão como um amuleto para um dia entregar ao Céu Negro. A lenda contada de mestre a pupilo pela Casta o Céu Negro tinha o seu braço substituído por essa mão demoníaco capaz do imaginável. É, é uma lenda perturbadora, nojenta e muito, muito aterrorizante. E real.

Entre o real e a fantasia, Willa escolhia a ignorância.

E agora, ela precisava de uma ajudinha para o que ela desconhecia a resposta.

— Precisavam? – O que diabos isso significava?

— Nós retomamos o corpo dela. – Stone proferiu com orgulho.

Um clique aconteceu no cérebro de Willa.

— E por isso que vocês estão aqui, é por isso que vocês estão feridos.

— Ela tem um cérebro! – Stick exclamou debochado, deixando a sua poltrona comprimindo um sorriso malicioso para a ninja.

— Ela está aqui? – Ela focou em Stone, lançando um olhar cheio de expectativa para ele.

— E ele morreu – Stick anunciou a morte do cérebro dela com ironia, tateando um copo e servindo-se de uísque. Nessas horas, Willa queria ter os dons de Wanda e arrancar as coisas das mãos de gente desagradável como ele.

— Não – Stone reconquistou a atenção da pupila. — Nós a enviamos para um lugar seguro. – Ela assentiu confiando na segurança de Elektra, mas pouco confortável com essa situação. Porque não cremaram ela? Porque esconderam o seu corpo em um lugar seguro? — Eles não conseguirão arrancar isso de nós.

A certeza de Stone por trás disso, apenas mostrou a Willa que havia algo mais por trás dessa história – e não era o momento de arrancar isso dele.

— Matar Lee a manterá protegida do mal desse clã maldito – Stick murmurou como um anjo diabólico, após bebericar um gole do delicioso e antigo uísque.

— Eu entendi isso – Ela respondeu entre os dentes.

— Matar o Lee levará o Tentáculo para as profundezas de sua existência – Stick disse mexendo em círculos no copo do seu uísque para encorpar o liquido. — Sem um líder por direto, o filho de Nobu e sem o líder destinado, Elektra, o Tentáculo extinguirá sem comando.

O sonho secular de Stick. Sem o Tentáculo como pareô, a Casta seria o clã regente por dinastias.
Se Stone fosse o líder, ela ficaria muito feliz por isso, mas com a liderança de Stick? Só em pensar nessa pequena possibilidade os pelos da sua nuca eriçavam.

Não, essa não era uma possibilidade válida.

— O que te garante isso? – Ela questionou diretamente ao líder da Casta.

— Não seria a primeira vez.

— Me perdoe à discordância, mas são novos tempos – Ela meneou a cabeça negativamente. — Lee não é o pai dele.

— Eu não vou apostar a minha cabeça em uma possibilidade – Stick apontou para a cabeça, arqueando as sobrancelhas desgostoso com essa tagarelice da americana. — E não me venha com esse papo de advogada dos pobres e oprimidos, já basta o Matthew com essa ladainha.

— Porque você acha isso? – Stone buscou manter a diplomacia daquela conversa.

— Porque ela é boa – Stick disse com desdém.

— E isso só é um problema para quem não conhece bondade ou a rejeita, como você. – Ela respondeu secamente, retornando os seus olhos para Stone, buscando a sua compreensão. Era por isso que ela estava ali. Ela entendia a sua missão. O relatório era claro: ela precisava matar Lee Yoshioka, o próximo líder do Tentáculo. No entanto, haviam tantos pormenores, tantas pessoas envolvidas, tantos problemas para longo prazo. — Stone... Você conhece ele, já teve a chance de conversar com Lee?

Stick bufou, sacando a jogada de Yanagi.

— Uma vez.

— Qual foi a sua impressão sobre ele?

— Ele é astuto – Stone respondeu com seriedade.

— É como falar que alguém tem um cérebro – Ela debochou comprimindo um sorriso. — O que você sentiu no cerne dele, Stone?

— Perdido – Não muito diferente de como Stone se sentia quando ele recordava que o manto da Casta pertenceria a ele, quando a hora chegasse – se chegasse...

— Ele tem um filho, não é? – Willa murmurou a questão e o olhar de Stone caiu com pesar. – Eu estava seguindo o Lee e ele visitou um menino no colégio, ficou assistindo ele na distância.

— Ah, a mártir retorna – Stick debochou e isso foi o suficiente para Fairchild.

Ela levantou do sofá mantendo uma distância segura de Stick, mas por um instante, bem pequeno, ela pensou em tacar a mesa na cara dele, só pela apatia do Mestre. Então, ela lembrou com quem estava lidando e a sua empatia seria desperdiçada com ele. Sem contar que Stone impediria que a mesa levantasse do chão...

Seria um desperdiço de energia.

— Eu não estou dizendo que não vou matá-lo – Ela certificou com firmeza na sua voz e determinação na sua postura. — Eu só quero saber o que acontecerá com a criança depois disso. Vocês querem a cabeça do Lee e eu entendo os seus motivos, mas como isso vai afetar a criança?

— Você dentre todos aqui deveria saber o que acontecerá – Stick murmurou com preguiça adornando o seu semblante, largando o seu corpo na poltrona confortável. — Ele vai ser um órfão.

— Ele é cuidado por uma tutora – Ela comentou, após revirar os seus olhos para Stick.

Stone ouvia a pupila com atenção e reflexão.
O que ela falava era importante, não era a postura de uma mártir, era estratégia, era empatia, era humanidade.
E se a Casta era melhor do que o Tentáculo era por ainda existir humanidade por trás da sua dinastia, por conta de shinobis como ele, como Yanagi.

— Talvez continue com ela. Lee é esperto, pode ter dado direitos legais a ela e reservado uma quantia para o garoto sobreviver ao longo dos anos – Stone supôs e ela não mostrou divergência a sua opinião. Stone mesmo tinha feito algo similar com ela. Lee poderia ter sido aconselhado pelo pai a proteger o legado do filho, para um eventual atentado. Só que havia algo desconcertante nisso tudo... — Nosso foco é no Lee.

Willa não conseguia deixar de pensar na possibilidade de Lee não ser quem os mestres pregavam que ele era.

— Mas não somos os únicos atrás dele.

— Como? – Stick e Stone questionaram em uníssono.

— Eu estava vigiando ele ao longo do dia e eu percebi que ele estava sendo seguido – Ela relatou com rigor de detalhes a situação. — Eram dois carros SVU, anotei as placas e procurei no sistema, mas não existem no banco de dados japonês. São forjadas.

— Conseguiu olhar os homens? – Stone questionou, refletindo a situação.

— Rapidamente, eram ocidentais. Um dos carros tinham dois homens e uma mulher. Eles vestiam preto e não conversaram entre si. Não notei armas e eles estavam calmos. Tinham um foco, equilíbrio e sabiam o que estavam fazendo. E não me notaram, ou as coisas teriam terminado diferente para eles.

— Cara disputado – Stick comentou com jocosidade. — Já peguei simpatia por ele.

— Eu não gosto disso, Stone – Willa comentou com preocupação.

— Não gosta de disputar o holofote? – Stick cutucou a onça com vara curta.

— Você não é obrigada a nada. – Stone retificou a pupila. O coração dela chegou a vacilar em seu peito.

— Que? – E os olhos de Stick saltaram de seu rosto.

— Eu sei que não sou, mas se matar ele pode proteger a Elektra, isso é algo que eu preciso considerar – Ela respondeu sem duvidas da sua importância ali, no entanto, não escondeu a sua preocupação com tal decisão delicada. — Como também devo considerar a minha outra opção.

— Não matá-lo? – Stick levantou o seu queixo, altivo.

— Eu acredito em chance, Stick. – Willa proferiu com paixão nas suas palavras. — E você acima de qualquer pessoa deveria me apoiar nisso.

— Eu acredito no seu discernimento – Stone revelou recebendo um olhar afetuoso de Yanagi.

Stick fechou os nós dos seus dedos, grunhindo de desagrado. Era isso que acontecia quando essa garota era encarregada de algo tão importante... Merda. Isso era uma perda de tempo.

— Amanhã eu terei uma resposta – Willa proferiu diante de Stone.

Esse era o seu plano. Ela analisaria melhor a situação e seguiria para a boate onde haveria a festa, lá, ela decidiria o que faria e no dia seguinte, informaria a conclusão ou não da missão ao mestre.

— Eu te encontro no Lugar – Ela disfarçou a estranheza do comentário de Stone.

Lugar era como eles chamavam a casa do Japão, onde ela passou a maior parte da sua adolescência. Stick conhecia a casa, mas não sabia que eles a chamavam por um código, por segurança e proteção. Stone estava protegendo ela de alguma mudança de plano de Stick ou outra coisa, algo escondido nas sombras?

— Eu estarei lá quando eu conseguir a resposta – Ela assentiu e curvou as costas cortês e respeitosa ao seu mestre.

— O destino do nosso mundo pode esperar – Stick não deixou de pesar o mundo sobre os ombros de Yanagi.

Willa revirou os olhos e também, respeitosamente, curvou diante de Stick, recebendo um aceno para ela deixar isso para lá. Ela dividiu um último olhar afetuoso com Stone e partiu, seguindo para o loft do hotel para reencontrar Pietro.

— Ela não vai matar ele. Quer apostar? – Stick murmurou em escárnio.

— Ela vai fazer o que tiver que ser feito. – Após a partida de Yanagi, Stone seguiu para servir-se de um pouco de uísque, refletindo sobre as últimas descobertas sobre essa missão, como também na decisão pesando sobre as costas de sua pupila.

Teria sido demais ou o que ela precisava para o seu presente, o seu futuro?

— Você confia demais no julgamento dessa menina – Stick resmungou com desagrado.

— Como você confia no meu. – Stick não deixou de entortar uma careta, ele tinha razão nisso, mas não quer dizer que ele estava muito satisfeito com a dominância emocional que Stone ainda tinha sobre ele. — Eu já te decepcionei alguma vez?

— Ah, por favor. – Stick escarneceu meneando a cabeça em descrença. — Você sabe o que acho sobre sentimentalismo barato, Stone.

— Ela pode ter razão, pode existir uma outra opção – Stone entregou um copo de uísque ao mestre, era um convite para apaziguarem as coisas e darem tempo ao tempo. No caso, darem esse tempo a Willa, inclusive os seus futuros. – Se não pode confiar em Yanagi, confie em mim.

— Se ela conseguir poupar a vida dele, não fazer com que eu perca a cabeça e nem percamos a Casta, eu mudo o meu jeito de vê-la de garota tola para garota tola, mas capaz de fazer o impossível.

— Se acostume com essa ideia – Stone sorriu com um discreto orgulho permeando o seu sorriso que logo desapareceu em seus lábios, quando ele bebeu uma só vez o seu copo de uísque.

Era hora dele também se acostumar com a ideia de que Yanagi era muito mais do que ele via com seus olhos, sentia com seu coração e previa em seu futuro.

Yanagi era o futuro e não era só do seu povo e ele desvendaria uma desconfiança de uma parcela da sua vida, em algumas horas.

UNIQLO
Tóquio, Japão

UNIQLO era uma das lojas de departamento de maior venda e movimento do país. E também mais frequentada pelos turistas por conta dos seus preços convidativos. Willa relatou para Pietro toda a sua conversa com Stick e Stone cruzando as ruas apinhadas de Tóquio. Era curioso como as ruas eram abarrotadas de pessoas de um jeito claustrofóbico e conseguiam mesmo assim funcionar com organização e simetria, nas suas travessias de avenidas e procissão nas calçadas.Era o cerne cultural dos japoneses presente em seu cotidiano. Era um organismo.

Pietro estava impaciente por não poder usar o seu poder livremente na desconhecida cidade, mas não podia negar o seu encanto pela cultura japonesa, as lojas, as luzes, as conversas e gestos contidos, as hanbaiki e as maquinas de brinquedinhos em cápsulas arredondadas? Ele entendia o deslumbre de muitos por essa cidade e compreendia a paixão de Willa por aquela cidade. Ela não confidenciara isso, só era perceptível no seu olhar para as marquises e arquiteturas modernas e o seu sorriso espontâneo por cruzarem com um trio de crianças retornando da escola ou por assistir os galhos de uma árvore de flor de cerejeira dançar. Era lindo como ela se agarrava a essa felicidade ínfima, ela era linda quando feliz.

O vestido vermelho parecia ter a intenção de impedi-la de respirar. Os japoneses tinham um problema com numeração. Como ela conseguia vestir um número 4 nos Estados Unidos com conforto e o número 4 no Japão parecia que tinha a intenção de espremê-la como um presunto? A sociedade mundial precisava entender o significado de tudo bem em ter um corpinho com curvas ou sem elas ou com músculos ou só magrela.

— Eu preciso de um número maior. – Ela deixou o provador com uma careta desgostosa para o vestido exposto em seu corpo, arrumando o decote quadrado e Pietro apoiado contra a parede lançou um olhar medido em seu corpo.
Ele deu graças a Deus que não tinha mais ninguém no provador.

— E de mais tecido.

— Você acha? Eu acho que não – Ela deixou a sua mão correr pelas curvas do seu corpo, insinuante. — Na realidade, toda vez que você reclamar do tamanho de qualquer roupa minha eu vou ô... — Ela puxou alguns centímetros do tecido revelando um pouco mais das suas coxas. Pietro mordiscou o canto dos lábios, medindo o seu olhar com malicia no corpo dela.

Os seus dedos alisaram a pele exposta. A respiração de Willa desnivelou e o prazer adornou o semblante de Pietro. A pele da coxa de Willa eriçou com o contato quente da mão, subindo delicada e maliciosamente até alcançar a barra do vestido e os seus dedos adentraram no vão entre o tecido e pele delicada da lateral da coxa dela. Willa fechou os olhos antecipando o contato dos dedos de Pietro e o calor queimando em suas entranhas era capaz de irradiar em suas bochechas. Eles se olharam e ele buscou a autorização para prosseguir, inclinando o seu rosto com os seus lábios a centímetros de contato, como os seus dedos ansiosos para atiçarem Willa para levá-la a loucura. Ela sentiu o seu dedo tocar a aba da sua calcinha e um trio de meninas entrou no provador entre risadas e Pietro afastou a sua mão do centro de Willa, repousando em sua cintura. E ela precisou respirar fundo, afastando o suor abrasante em sua nuca. As garotas olharam a situação entre o casal e não deixaram de comentar entre si o ultraje de ter um homem no corredor dos provadores, se ele não estava experimentando nada.

Willa passou os dedos nos cabelos e arrastou os pés ganhando distância do Maximoff. Ele podia muito bem alcançá-la, mas entendeu o significado por trás da sua postura e respeitou.

— Eu vou experimentar o outro vestido – Ela apontou para o provador. – Você deveria escolher algo, sabe, para a boate.

— Não gosta das minhas roupas? – Ele levantou a aba do casaco de couro comprimindo um sorriso diabólico.

— Gosto – Ela mordiscou o canto do lábio. — Mas, não me incomodaria de vê-lo em outras roupas ou sem elas... – Ela sorriu maliciosamente lançando um olhar intencional por sobre o ombro.

Pietro abriu e fechou os lábios, incapaz de proferir uma resposta a altura. Ele entendeu a reclamação dela quanto a sua roupa apertada, o seu jeans subitamente pareceu não caber mais em seu corpo. E a porta do provador cerrou suavemente, como em uma contagem regressiva para aceitação de um convite. Ao qual Pietro rejeitou deixando sua mão trilhar impaciente um caminho em seus cabelos negros salpicados de branco.

Não era momento. Ele estava se habituando às impulsões da vida incerta e selvagem de Willa e descobriu um desejo latente de não almejar ser mais uma impulsão em sua vida.

Prédio domiciliar.
Região sudeste do Tóquio, Japão.

Stone tinha uma pendência com Yanagi. As suas desconfianças quanto ao serviço feito pelo investigador de confiança da Casta, a revelação da sua fraude deixou o mestre perturbado. Se ele omitira sobre a história de Yanagi, qual seria o motivo e quais outras histórias ele manipulara ao seu bel prazer?
Era por isso que ele fizera uma visita ao seu apartamento simples em uma região da classe média japonesa. O homem, um russo na casa dos quarenta anos morava com um parceiro e o seu filho. Stone não pretendia traumatizar a criança. Por isso, ele chegou com intenções amigáveis. Mesmo com os seus dois metros de altura e três de largura apenas de músculos, o parceiro do antigo investigador russo Mikael Bieliekov não desconfiou que aquele homem não fosse o seu colega de trabalho. Bieliekov trabalhava em uma fábrica. Se Stone trabalhasse na fábrica, com aquela força, ele destruiria qualquer maquina, mas o esposo de Mikael não pensou nisso. Eles conversaram. Jantaram. E na primeira chance, Bieliekov sugeriu para o esposo contar uma história ao filho e colocá-lo para dormir, o dia seguinte seria longo. Ele trocou um olhar cuidadoso com o esposo. Ele assentiu, guiando o filho para o quarto. Ele entendeu a dica por trás das suas palavras: havia algo errado ali e ele precisava proteger o filho. Ele não ousou desrespeitar o seu pedido.

— Você não veio aqui para reatar laços de amizade – Mikael não precisou questionar as intenções de Stone.

Se ele o quisesse morto, ele estaria. Stone não brincava com os seus alvos, nem era medido por empatia. Ele o teria matado diante do filho e do marido sem pestanejar. Ele queria algo dele e ele precisava dele vivo para isso. Então, enquanto ele dispunha de vida, optou por servi-los com o seu melhor saquê no seu escritório. Sentaram sobre as pernas, no tatame, um frente ao outro diante da mesinha quadrada onde a garrafa de bebida estava servida e eles podiam repousar os seus copos.

— O que pertence ao passado não deve atrever corromper o meu presente – Stone proferiu em russo, como proposto por Mikael com a sua perturbadora calma desconcertante para o ex investigador. — Pontas soltas, por outro lado, precisam ser resolvidos para o bem do meu futuro.

— Eu não faço mais aqueles trabalhos, Stone – Incerto das palavras do seu antigo cliente, ele resolveu acabar com a sua confusão.

— Eu não vim conversar sobre o presente – Stone declarou levantando o seu olhar contemplando o homem confuso diante dele. — Eu preciso de respostas sobre um caso antigo.

— Qual? – O seu coração vacilou e ele reconquistou o equilíbrio, após um suspiro discreto. Stone semicerrou os olhos.

Ele sabia. Ele era impecável nos seus serviços, só em um ele deslizou, o mais importante deles.

— Da minha filha adotiva, Yanagi. – O homem gelou e o seu coração desestabilizou. Stone não mostrou surpresa, inclinando a sua cabeça analisando o homem, com frieza. – O seu coração está acelerado. Sua pele está exalando medo. A sua pupila está dilatando pelo nervosismo e ansiedade. Você conseguiu mentir para mim uma vez, não o fará novamente.

— Meu filho... – Mikael embargou levando a mão ao coração. — Stone, por favor. Não envolva meu filho nisso.

— Você não teve a mesma piedade ao esconder de mim o passado da minha filha – A apatia de Stone levou Mikael a desesperar, lançando um olhar para a porta do escritório e novamente para Stone.

Ele não podia...
Ele... Se ele fizesse isso, ele acabaria com a vida dele, da garota, da Casta.

— Você não entenderia – Ele meneou a cabeça em negativa, dominado por horror.

— Talvez – Stone abaixou o seu olhar, refletindo as emoções instáveis de Mikael. O seu desespero demonstrava que ele temia Stone e ele tinha o que perder – e não era só o filho. — Talvez eu compreenda agora.

— Ser um investigador particular era uma escapatória para o que fiz. Eu era um agente para o mal, eu assisti coisas horríveis... Guerras, homicídios, acordos com pessoas perigosas, pessoas sequestradas para testes sendo mutiladas, torturadas, destruídas de dentro para fora continuamente e eu fiz coisas piores e a sua filha... – Ele engoliu em seco, embargado por comoção, pela vergonha das lembranças, horror por reviver aquilo, com ódio das coisas que ele fez e não disse ‘não’ a quem o comandava. Stone raramente demonstrava emoções. No entanto, ao mencionar Yanagi, o seu rosto tornou-se pedra. — Eu conheci a sua filha antes dela ser a sua filha. A sua filha foi um dos motivos para eu escapar dessa antiga vida e eu sou grato por ela ter entrado na minha vida, se não fosse por ela, eu teria morrido naquele poço de perversidade. Eu rezei para o Deus que estivesse olhando por mim para aqueles monstros nunca encontrá-la. O que eles fizeram com ela... Era desumano.

Stone não demonstrou o seu horror, muito menos demonstrou crer nele.
O coração de Mikael confirmava o seu relato, mas Stone precisava de mais para ser convencido daquele pérfido passado de Yanagi.

— E o que eles faziam nesse lugar, de onde você veio?

— Treinavam ela para ser uma deles – Ele revelou unindo as sobrancelhas, cavando na sua mente aquelas lembranças. Ele não trabalhou com Yanagi, ele acompanhou ela a distância e se só assim ele sofreu calado, imagina se ele estivesse no dia a dia com ela? — Eles acreditavam que ela era uma espécie de divindade, capaz de trazer qualquer pessoa de volta dos mortos. Ela era tratada como filha do líder, um tal de...

— Você forjou esse arquivo porque eles te encontraram? – Stone supôs e Mikael negou com a cabeça abafando uma risada irônica.

Se eles tivessem o encontrado, ele estaria morto e apagado da história da humanidade.

— Eu forjei esse arquivo porque você a encontrou – Ele revelou com pesar. – Você salvou a vida dessa garotinha e eu ouso dizer, ela salvou a sua vida. – O mestre da Casta abaixou a cabeça, refletindo aquelas palavras com um desconforto crescente em seu coração. Isso era pior do que ele imaginara, era pior do que ele poderia imaginar nos seus piores pesadelos. — Stone, você salvou a minha vida. Eu tenho uma família, por causa de você. – Stone levantou o seu rosto, surpreso com essa revelação. Ele nunca se imaginou capaz de mover uma vida positivamente. A sua, a de Yanagi, de Mikael... São coisas que Stick não ensinou a ele, são coisas que ele nunca acreditou ser capaz de criar com as suas palavras. — Eu nunca o vi feliz em dez anos de amizade até eu vê-lo cuidando daquela menininha de cabelos dourados e sorriso triste – Ele deixou uma lágrima escapar do canto dos seus olhos, comovido por reviver aquelas lembranças. — Eu deveria ter reportado tudo a você, mas eu tive medo deles reencontrarem ela e decidirem tomá-la de você – Stone arqueou uma sobrancelha. Mikael conhecia os seus talentos, ele não dizia isso para diminuir o seu ego, era um alerto. Eles que tentassem tocar em um fio de cabelo dela! — Você é invencível, mas eles são imortais.

— Já encarei alguns ao longo da minha vida – Ele exasperou com um olhar frio adornando o ex-investigador.

— Não como eles – Mikael proferiu com desespero consumindo as suas palavras. — Você corta uma cabeça deles e outra nasce no lugar – Stone desconfiou não ser a primeira vez que essa frase descrevia uma organização. — Eles a venderam por conta de um incidente. Ela se tornou posse dos traficantes chineses e o resto você já sabe... Só que agora, as coisas mudaram por lá. Pessoas morreram, lideres caíram.

— Você tem qualquer coisa que comprove o que você falou para mim agora?

— Stone, eu não estou mentindo. – Ele proferiu exaltando a sua verdade. Não sabendo como ajudá-lo mais.

— Eu sei – Stone assentiu com um olhar compadecido, por ele, por Yanagi, pelo que aguardava a eles no futuro. — Confio no seu coração, mas a Yanagi precisará de mais do que as palavras de um homem arrependido.

— Ela vai atrás deles? – Mikael questionou com temor.

— O que ela vai fazer não cabe a mim saber, Mikael – Ele proferiu com pesar. Sua opinião contava muito para Yanagi, mas a sua decisão nascia em seu coração e não partia dele.

— Eu conheço um cara, ele mora nos Estados Unidos. Ele se esconde lá desde que escapou daquele lugar... – Ele calou-se concentrando nas suas lembranças. Stone distanciou a sua atenção dele por um instante, olhando para a paisagem através da janela. Um prédio residencial com luzes iluminando os lares familiares. — Ele tem alguns arquivos escondidos sobre o tempo em que trabalhou nesse lugar, para barganhar com o governo, se o momento chegasse. Esses arquivos se completam com o que eu tenho escondido, nos meus arquivos mortos. Ele era um dos cientistas da organização. Testou a Yanagi e trabalhou diretamente com aquele assassino, o tal Soldado Invernal que está na mídia o tempo todo... – Um batimento cardíaco vacilou quando os olhos de Stone cruzaram a sacada da cobertura do prédio. Aquele vacilo não era do coração de Mikael. Não vinha da casa. O esposo e a criança estavam no quarto; o homem um pouco nervoso por desconfiar o que acontecia no escritório e a criança com batimentos calmos e tranquilos, adormecendo. Stone ficou preocupado. Isso não era um bom sinal. — Eu posso ligar para ele agora e pedir tudo.

Ele queria unir aquela ponta solta. Queria se encontrar livre daquele peso em suas costas. Ele devia isso ao seu filho dormindo no quarto ao fim do corredor, ele devia isso à memória daquela garotinha que ele conheceu naqueles corredores soturnos.

— Peça – Stone proferiu em um sussurrou, colocando-se de pé sem pressa e Mikael imitou um pouco nervoso. Isso deixou Stone desgostoso. Todo cuidado era pouco naquele instante delicado. – Eu posso esperar.

— Eu ainda tenho uns contatos com ex-agentes, agora eles são foragidos, escaparam para ter uma vida, como eu... Nós protegemos uns aos outros. – Ele explicou abrindo uma gaveta e retirando um dispositivo. Digitou uma senha e uma caixa prateada embutida na madeira da gaveta abriu. Na frente da caixa há uma caveira com seis tentáculos em relevo. Dali, Mikael retirou uma agenda vermelha, folheando o seu conteúdo. Stone aproximou da escrivaninha, o que acuou Mikael. Essa não era a sua intenção. Ele estava testando o coração vacilante ainda presente na sacada. Ouviu um estalo, como uma capsula metálica tocando o chão. — A notícia em voga é que o novo líder busca por ela, mas ele está preso em algum lugar do pacífico por algum motivo que não chegou ao meu conhecimento... – Mikael despertou a atenção de Stone, entregando a ele uma foto tirada a quatro anos de um grupo de militares armados e fardados e Stone não reconheceu nenhum deles na foto. – Esse é o cara. – Mikael apontou para um homem de olhar negro, penetrante com barba para fazer, um pouco de sujeira em seu rosto e uma sniper em mãos. Stone dobrou e guardou a foto no seu paletó. — Se isso é acerto de contas, eu não sei, mas eu aconselharia que ela se mantivesse distante dessa organização. Eu não desejo que ela se reencontre com esses animais. Eles destruíram com ela naquele lugar quando criança, agora, eles não pouparão a sua vida por simpatia.

— Eu acredito nas suas palavras, meu amigo – Stone proferiu repousando afetuosamente a sua mão sobre o seu ombro. – Eu só desejava que você tivesse me contado a verdade antes. Mas, tudo acontece no seu tempo e eu confiarei inteiramente nele.

— Stone, você deve saber que a sua menina, Yanagi, ela é muito valiosa para essa gente e se você soubesse o que ela pode verdadeiramente fazer temeria pela vida dela – Ele fechou o caderno, repousando na escrivaninha com um menear negativo da sua cabeça. – Você não tem ideia do que o mundo poderá fazer se encostar no dom dela... – Ele empurrou o caderno vermelho ao mestre de artes marciais com dureza e preocupação transpassando no seu olhar. — Não dê a ela esses arquivos, se ela pretende fazer disso uma vendetta. Ela vai acabar com o mundo dela e o que conhecemos de humanidade, se as pessoas erradas descobrirem o que ela pode fazer. Se esse homem encontrar ela.

Stone nunca se sentiu tão humano quanto naquele momento entre o antes e o que virá depois.
Ele nunca se sentiu tão desconectado de quem era e quem ele queria ser para Yanagi. Um pai, um protetor, um mestre.

— Você não disse o nome desse grupo.

— É a... – Primeiro, a janela estilhaçou. Então, Bieliekov ficou falando ‘é a...’ por umas três, quatro vezes, até Stone perceber que ele fora impedido pela eternidade para completar aquela sentença. Um tiro acertou a cabeça de Bieliekov, oco e friamente. A parede é dominada pelo seu sangue e pedaços do seu cérebro. Os seus olhos giram dentro do seu crânio e ele cai no chão, morto.

Por milésimos, Stone ficou completamente sem reação. Um olhar assombroso dominava o mestre frio e distante da Casta observando o querido amigo imóvel e morto com uma poça de sangue escuro abandonando a sua cabeça e formando uma poça no seu tapete japonês delicado e familiar.
Ele estava morto.
Por conta de um segredo.
Um segredo sobre Yanagi.

Uma mira vermelha destacou na camisa preta de Stone e um tiro acertou o seu peito. O semblante de Stone modifica: de horror para fúria. Ele dá um passo para trás, lançando um olhar certeiro para aquele coração vacilante e o tal assassino assiste a bala despedaçar ao tocar na pele impenetrável. Stone bufa pela dor do impacto da bala e pesadamente caminha até a janela, buscando uma visão mais ampla e clara do atirador, recebendo outro tiro no ombro e um de raspão no rosto. Isso não desconectou o seu foco do seu propósito ali. O homem queria eliminá-lo. Ele teria trabalho. O tal assassino era um homem vestindo preto e uma máscara de assalto, utilizava uma sniper apoiada em um tripé com a sua mira em Stone. Ao perceber que Stone o encontrou na escuridão, ele recarrega a arma e fala algo pelo seu intercomunicador, algo em alemão.

Continuo? Stone traduziu as palavras semicerrando um olhar furioso.

Ele poderia represar pela morte de Mikael ou honrar a sua memória, ao proteger a sua família daqueles assassinos treinados.

O esposo correu até escritório, encontrando Mikael morto e desesperado ele busca alcançar o seu corpo, para buscar por seus sinais vitais, para confortá-lo uma última vez. Rapidamente, o atirador mirou a sniper para além de Stone e o mestre da Casta escutou os batimentos acelerados e instáveis atrás dele e ele somou um mais um, entendendo bem o que aconteceria. Ele atirou o corpo contra a mira do assassino. Correu, jogando o seu corpo por sobre o homem, protegendo ele de uma morte por uma rajada de tiros.

O homem chorava e Stone pegou ele pela cintura, levantando-o com enorme facilidade. Agarrou o caderno de capa vermelha e retirou o homem do escritório. Carregando para uma região protegida do corredor, concentrando a sua atenção nas proximidades. O choro do homem atrapalhava a sua percepção, mas ele tinha quase certeza que um grupo de seis, sete virava a esquina da rua naquele momento carregados por armas.

Aquilo se tornaria em uma guerra e ele foi preparado para uma conversa.
Eles não podiam perder mais tempo. Segurou o rosto do homem, conectando os seus olhos.

— Eu preciso que você se concentre na minha voz – O homem ficou confuso com a tranquilidade de Stone. — Pegue o seu filho -...

— O que? – Ele questionou em japonês, meneando a cabeça negativamente desesperado. Ele não podia ouvir aquele assassino! — O que você fez com Mikael? O que está acontecendo?

— Quando eu tiver essas respostas, eu te darei. – Ele afirmou, retornando a sua atenção para a entrada da sala. Ele jurava ter visto uma espada de esgrima em exposição na sala, como decoração. Poderia ser útil. Pela sua breve análise, o prédio tinha apenas uma saída de emergência. Com uma criança envolvida, ele precisa pensar em meios de protegê-la e tirá-la dali por segurança. Um confronto seria inevitável. — Por ora, pegue o seu filho e venha comigo – Ele repousou delicadamente a mão no ombro do viúvo. — Eu protegerei vocês, enquanto me for permitido.

— Pai, o que aconteceu? – O menininho surgiu no corredor, coçando os olhos. — Cadê o papai?

Se ele desse mais três passos, encontraria sozinho o pai morto no escritório.
Antes de uma tragédia irromper, o homem correu e pegou o filho nos braços, escondendo a sua visão do escritório.

— Ele está dormindo, meu amor – Ele sussurrou abraçando o filho com todo o seu amor. Trocou um olhar significativo com Stone. — Nós vamos precisar sair com o amigo dele agora.

— Será um passeio – Stone proferiu com leveza, recebendo um olhar reflexivo do garotinho sonolento. — Você já foi a um hotel antes?

— Não – Ele murmurou unindo as sobrancelhas. – Papai irá conosco?

— Agora não, meu amor.

— Hoje você vai poder ir a um e conhecer o meu pai, ele é um homem espirituoso, ele vai adorar você. – Stone não apenas sugeriu que Stick era seu pai, como que ele gostava de crianças. Seria uma noite sem fim. Ele afagou os cabelos do menino, com afeto e olhou sério para o homem. — Eu preciso dos arquivos mortos do Mikael. Onde eles os escondia?

Stone se pôs a caminhar, guiando eles protetoramente.

— O que?

— Nós não temos mais do que dois minutos – Ele proferiu firme, recebendo um olhar assustado do garotinho. Então, ele abaixou o seu tom de voz, apenas para o homem escutar. — O sniper está vindo para cá... Eu preciso dos arquivos.

— Pai... – O menino choramingou confuso e temeroso.

— Parede da cozinha, dois metros acima da pia... – Ele sussurrou com as tremulas, protegendo o filho em seus braços e pegando a sua pasta com os seus itens básicos ali.

Ele não teria tempo para pegar nada.

— Ótimo. – Ele concordou e continuou a guiá-los, agora para a cozinha. — Me sigam. Rápido.

— Vai ficar tudo bem. – O homem sussurrou para o filho, arrumando a alça da pasta no ombro. Assistiu Stone retirar o paletó e largar na bancada metálica. Ele palpou a parede, buscando o ponto oco entre o gesso e o vazio. — O que vocês está...?

Stone enfiou sem aviso o punho contra o concreto despedaçando parte da parede e encanamento por completo. A água espirrou do concreto e sem se ater a minúcias, ele arrancou os pedaços de reboco com a sua mão, até encontrar uma pequena caixa metálica esverdeada. O garotinho estava boquiaberto e admirado. Stone era um super herói? Ele retira a caixa metálica com um puxão trazendo assim pedaços e lascas da madeira junto. Na frente da caixa tinha outra caveira com seis tentáculos. Dentro da caixa, alguns papéis soltos, VHS’s, fotos soltas e arquivos em pastas. Tudo muito envelhecido, mas bem conservado por Mikael. O resto Yanagi conseguiria se fosse do seu desejo... Uma agenda vermelha com um círculo preto e vazado ao centro.
Ele puxou a pasta de couro do homem e enfiou tudo ali dentro, guardando no bolso do seu paletó a agenda vermelha, o item aparentemente mais valioso daquela caixa.

— Venham – Ele ordenou seguindo para sair pela porta principal.

— O que é você? – O homem questionou em total choque e perplexidade.

— Me chamam de Stone – Ele proferiu lançando um olhar por sobre o ombro, terminando de vestir o seu paletó. — E hoje eu sou a única pessoa a quem vocês podem confiar – Ele concluiu retirando a espada de esgrima soldada na parede com apenas um puxão de sua mão. O garotinho abriu a boca, chocado com a demonstração do poder daquele homem. — Me siga se quiser ter uma chance de ter um amanhã com o seu filho.

O homem não era louco de não obedecê-lo e o garotinho queria, de agora em diante ser como o Stone quando crescesse.

Notas finais
E aí, como vocês estão após esse capítulo? #Chocados ou #COMPLETAMENTEPERDIDOSNOMELHORESTILOTHEOA TEVE MENÇÃO AO SOLDADO INVERNAL ou só eu peguem esse MEGAPOWER HINT? ♥ Até breve :)