Born to Die | Exile
24 Exile | Interlúdio II - China | Japão, 20 de agosto de 2016
Notas iniciais


Carta enviada para Grant Rogers, Sir para uma caixa postal em Boston, E.U.A.
Em algum lugar entre a China e o Japão, 20 de agosto de 2016
Oi.
Nesses dias eu vi um grafite em uma rua de Hong Kong. Era uma garota amarrada a cordas finas de balões coloridos, elevados no ar. E ela flutuava entre o céu e a terra. Ela não parecia em paz com a sua escolha, mas também não parecia apavorada com a sua decisão.
Eu sempre me senti no meio. Entre o céu e o inferno. Entre o certo e o errado. Entre o antes e agora. Entre o passado e o futuro. Entre o que eu sei e o que eu preciso descobrir. E agora... Eu me vejo como essa garotinha amarrada nas cordas. Flutuando aterrada pelas minhas escolhas, mas sem temor pelas consequências.
É engraçado como eu precisei me distanciar de tudo aquilo que eu tinha como segurança e retornar para aquilo que mais me apavorava para entender o que eu preciso. Você sempre me disse que eu era como um biscoito da sorte e eu sempre achei que era o seu jeito de dizer que eu tinha algo de sábio guardado dentro de mim. Entendo agora. Você sempre viu que existia algo dentro de mim, algo escondido, protegido, ou talvez, nunca revelado. Nem a mim. Podem ser os meus dons. Eles são um mistério para mim. Pode ser o meu próprio passado na casta. Eu tenho tantas histórias mal resolvidas aqui... Ou, só o que eu jamais poderei ser. Livre. Eu preciso de resposta, mas acima de tudo, nesses últimos dias descobri que preciso de mim.
Jessica não é a minha prima. Longa história curta, eu descobri que ela não é após uma última conversa entre nós lá em Nova York e ela me disse que sempre achava que era uma brincadeira nossa, eu chamá-la de prima. Eu fiz um teste com um cara de confiança na Alemanha e deu negativo. Não temos o mesmo DNA. Eu passei anos da minha vida acreditando que ela era a minha única família para descobrir que não. Eu estou sozinha. Sozinha e com a mente danificada.
Como uma folha de papel escrita por um investigador pode ter sido capaz de me fazer acreditar que eu tinha alguém?
Agora você deve estar se perguntando sobre como isso aconteceu. Eu acreditei nas palavras de um desconhecido, um investigador de confiança do Stone. Me agarrei em uma esperança vã. Fui atrás dessa possibilidade e me enganei. Enganei com a Jessica sem nem saber. E agora, me sinto vazia. Não consigo me lembrar das lembranças com minha família, para me trazer força. Riddle. Eu só lembro dela. Aquela menininha... Eu Eu devo ser uma decepção para as expectativas dela. Bom, eu estou indo para o Japão. Eu tenho um trabalho.
Eu não quero fazer esse trabalho, tem algo no meu estômago incomodado com isso. Eu não sou mais essa pessoa que pega um arquivo e aceita o serviço sem questionamentos. Eu... Eu honestamente não sei mais quem eu sou e Piet é quem fica inconscientemente me lembrando de quem sou, aos seus olhos. Ele está comigo. É bom ter a companhia dele.
E tem também o meu irmão. Eu sonhei com ele. Agorinha mesmo. Piet disse que deve ser saudosismo, por conta de tudo isso que está acontecendo comigo envolvendo a Jess e o retorno a Casta, mas não consigo deixar de pensar nele me chamando, chamando pela Riddle... É horrível essa ser a única lembrança constante que tenho dele.
Eu não consegui nada de interessante nas minhas pesquisas sobre o James. E temo que as coisas não melhorem por aqui.
Eu até temo perguntar se você conseguiu algo, por isso não me diga se conseguiu algo. Prefiro acreditar que você se esqueceu de comentar sobre isso na sua próxima carta.
Aliás, eu não recebi a resposta da sua carta anterior e talvez, só leia quando retornar.
Espero não descobrir com atraso do seu casamento de última hora com Sharon em alguma igrejinha de Boston.
Tá, brincadeirinha. Eu sei que você é tradicional.
Mas, se eu descobrir que você se casou e não me esperou, eu chuto essa sua bunda americana honrada até o Chipre.
Pietro está acordando. O avião está para pousar e eu vou enviar essa carta assim que pisar em solo.
Espero que esteja tudo bem por aí.
Da sua amiga,
Willa.
P.s: Eu terminei a terceira temporada de I Love Lucy e ainda não vi as tais semelhanças minhas com a Lucy. Só com o fato de que somos muito independentes e modernas, é claro. E lindas. E amantes de chocolate. Agora não entendi. Você disse que somos parecidas porque nunca escutamos ninguém. Não vi isso nela. Nem em mim. Sinceramente não entendi.
Brincadeirinha.
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