Born to Die | Exile
34 Exile | Bond
Notas iniciais

BOND
Ligação
SOKOVIA
Maximoff conseguiu convencer Willa a seguirem em viagem. Após a investigação na casa do ex agente da HIDRA em Cleveland, Pietro só conseguiu pensar em um lugar como refúgio para eles, no apartamento de Wanda, em sua cidade natal em Sokovia. Eles estavam ali a alguns dias. Pietro aproveitava as cores, a vida, as pessoas, o cheiro de sua cidade. Willa, por sua vez, estava enfurnada no quarto de hospede desde que chegara. Ela só deixava o cômodo para ir ao banheiro e fazer a refeição com eles. Ora e outra conversava com Wanda e Visão, na sua mais nova forma humana, muito bem criada com auxilio dos poderes de ilusão de Wanda.
Depois das suas últimas descobertas, Willa precisava da companhia dos amigos, segurança e muito, muito apoio. Ao menos era isso que Pietro supôs. Para Willa, ela precisava de mais canetas, papel e espaço na parede para colar os seus mapas e detalhamento na investigação.
O Maximoff conseguiu tirá-la do quarto de hospedes naquela tarde. Wanda estava preocupada. Quem não ficaria? Ela encontrou a parede do seu quarto de hospedes coberto de canto a canto com mapas, fotos de uma criança em uma cama de hospital sendo cuidada, testada, vigiada, viu algumas imagens do Soldado Invernal ao longo dos anos, teorias de conspiração e linhas temporais feitas com linha de tricô coloridas que a americana comprou numa lojinha de tecidos ali perto. A jovem Maximoff achava que a amiga estava enlouquecendo. Visão acreditava que ela estava desvendando-se.
Visão não contou a Wanda sobre a visita de Ross na Mansão dos Vingadores. Tony pediu para ele guardar esse segredo, por ora, até ele conseguir mais informações sobre o que General jogou na sua mesa como uma bomba pronta para estourar. Preocupado com a segurança de Wanda e até, com o futuro da amiga dela, Visão optou ser fiel a Tony, mas ele agora entendia a sensação humana de desconfiar que alguém sabia que ele tinha um segredo, ele sentia isso toda vez que Fairchild o olhava com estranheza. Mal sabia ele que ela estava se acostumando com os cabelos loiros e os olhos azuis brilhantes dele naquele corpo de quase dois metros.
Visão estava ali, a pedido de Tony. Quer dizer, não apenas por isso. Para ele, estar na companhia de Wanda era um privilégio e mantê-la a salvo, era para ele, um dever. O pedido de Stark veio em boa hora. Ele queria visitar a Maximoff, só precisava de um motivo, não queria ser um evasivo. Ele disse que estava ali para averiguar a sua segurança e passar um tempo em sua companhia, mas, existia mais. Tony acreditava que, por conta do envolvimento de Pietro com Willa, eles conseguiriam descobrir o paradeiro dela antes de Ross e isso seria uma boa notícia. Stark ainda não conseguiu desenvolver um sistema de GPS para rastrear a Willa por telepatia. Isso se tornaria muito provavelmente, um projeto de férias.
Para surpresa de Visão, em algumas horas, Willa entrou pela porta do apartamento, acompanhada por Pietro. Olheiras pesadas de quem dormiu pouco, casacos pesados e gorros para o frio do país e as mãos dados passavam a visão de um casal chegando de sua lua de mel ou de um casal buscando apoiar um ao outro, após um conflito.
O androide não acreditava em destino, mas estava curioso para entender as coincidências serpenteando as vidas terrenas.
Na sala, os aprimorados, a ninja e o androide encontravam-se para um chá com biscoitos. O clima era desconfortável. Essa era a definição de relaxamento para Wanda, após passar a tarde pintando a cozinha com Visão. Com manchas de tinta rosa bebê salpicada o seu rosto e braços já Visão parecia muito satisfeito com o seu trabalho. Pietro olhou para o chá e os biscoitos e crispou os lábios. A sua irmã estava testando a sua paciência? Seus olhos caíram em Visão. Ele estava bem felizinho arrumando a mesa de centro na sua companhia. Aquilo era a a forma dela tentar enfiar ele goela abaixo a presença de Visão. Ele tentou afastar o seu ciúme protetor quando os seus olhos encontraram Willa e seu coração murchou. Ela estava olhando para a janela, assistia a vida dos Sokovianos com uma tristeza abalada e pesarosa. Em seus dedos ela apertava as folhas surrupiadas dos arquivos da HIDRA, ela não conseguia abandonar aquelas arquivos que diziam que ela era filha de um pai e uma mãe mortos num acidente de avião no Himalaia e de um irmão desaparecido. Sua vida normal foi uma mentira. Ela não sabia mais se se quer teve uma vida comum. Talvez ela tenha sido uma filha da Casta.
Quando sua cabeça abaixou, Pietro foi compelido por um nó em sua garganta. Seus olhos caíram em Wanda, em um silencioso pedido de ajuda. Ele não sabia como lidar com aquele sentimento, ele não sabia o que fazer para ajudar Fairchild. Sua irmã olhou para ele, a conexão entre eles nunca esteve tão forte e ela compreendeu os sentimentos do irmão e assentiu, discretamente. Ela repousou o chá na mesinha de centro e seguiu a cozinha, dizendo que pegaria guardanapos. Ela precisava melhorar o clima do ambiente e ela podia fazer isso, utilizando um pouco da sua magia. Nesse tempo, distante do seu treinamento, ela precisou se virar aprendendo a dominar e controlar seu dom, sozinha. Ela aprendeu um movimento novo que, ela chamou de magia empática. Com um leve movimento dos seus dedos, ela conseguia dispersar uma briga ou um clima constrangedor e levar a todos a sentirem-se subitamente bem. Quando ela retornou para a sala, Visão e Pietro conversavam. Isso era novo. Willa continuava isolada em sua cadeira, mas abandonou as folhas na mesa e agora, devorava alguns biscoitos típicos de Sokovia, e feitos por Wanda.
Servindo os chás, Wanda deixou os seus olhos caírem sobre as folhas. Ali, descrevia passo a passo dos procedimentos médicos. A paciente R.R (de acordo com Willa, ela) passou por três cirurgias urgentes: uma, a remoção do seu baço que a levou a uma hemorragia grave. Após alguns dias de recuperação, ela precisou de duas cirurgias no seu pulmão por conta da perfuração de uma costela quebrada. E quando, sua saúde estabilizou, precisaram arrumar a sua ulna quebrada no braço esquerdo (Willa tinha uma pequena cicatriz, similar a uma incisão e ela não lembrava quando fez isso, achava que foi em um dos seus treinamentos na Casta). Ela não foi torturada, ao menos, não naqueles meses. Wanda até ousaria dizer que pelas ordens dadas pelo líder da época, Barão Zemo, ela foi cuidada com carinho.
— Porque Zemo descriptou esse documento? — Wanda questionou a Willa. Adeus, clima tranquilo. Pietro semicerrou os olhos para a irmã. Ela ignorou, pegando as folhas empurradas pelos dedos de unhas descascadas de Fairchild. Por sobre o seu ombro, Visão leu os relatórios com a sua leitura dinâmica.
— Para ter informações, para usar contra a Willa. — Pietro respondeu apontando para os papeis. Wanda duvidou. — Ele tinha uma carta na manga sobre todo mundo, com Willa não seria diferente... Ele sabia coisas sobre o treinamento dela e até o nome dela, antes da casta. — Wanda olhou para Fairchild buscando confirmação e ela assentiu, olhou para Pietro, incentivando-o a prosseguir, mas ela não teve coragem de dizer que não lembrava do próprio nome. — O que nós não entendemos ainda é o que a HIDRA tem haver nisso tudo.
Ou entendiam, só não aceitavam e buscavam por uma solução o mais distante dessa realidade. O pensamento de Visão pareceu ganhar comprovação quando seus olhos azuis encontraram a ninja que, correspondeu o olhar, com culpa.
— Não existe a possibilidade do seu clã ter trabalhado com a HIDRA em algum momento do seu treinamento? — Visão questionou, buscando reviver as memórias de Willa.
— Não me lembro. E a casta, por mais controverso que isso soe, não faria acordos com a HIDRA. Seria ir contra as crenças deles.— Ela explicou dando de ombros.
— É, eu estive lá — Pietro disse, trocando um olhar com a irmão e Visão, então deixou os seus olhos cair em Willa e ponderou. — Quer dizer, eu estive no lugar que os reles humanos são permitidos a ir, não na montanha, mas dá para perceber que eles têm intenções boas.
— Em outra época eu diria que o inferno está cheio de boas intenções, mas Pietro não está se deixando levar por uma experiência boa. — Willa proferiu com respeito. — O Stone nunca permitiria um acordo com a HIDRA. Ele começou guerras com organizações que, fizeram bem menos do que a HIDRA só por tentarem uma aliança com eles...
— Barão Zemo... é um pouco pretensioso, não acha? — Wanda questionou franzindo o nariz com um sorriso torto.
— Seria pretensioso, se fosse o Zemo que conhecemos... — Willa assentiu para Visão e Wanda uniu as sobrancelhas. — Eu acredito que o soldado Zemo precisaria ter o dom do rejuvencimento para ser o Barão em questão e hoje, aparentar estar na casa dos 40 anos.
— Ele estava trabalhando na inteligência sokoviana há 12 anos. — Pietro revelou tacando um biscoito dentro da boca e mastigando. — No período desses relatórios...
— Ele podia estar trabalhando nos dois lugares... — Wanda supôs, recebendo apoio de Visão.
— Eu tenho o álibi dele. Antes de virmos aqui, nós invadimos a base da Sokovia. — Willa revelou recebendo um olhar surpreso de Visão e outro cortado de Wanda, que deu um peteleco na cabeça do irmão.
— Isso pode ter entregue o nosso esconderijo.
— Não se preocupe. Nós treinamos, nos redores. — Willa explicou, recebendo um olhar de aprovação de Visão.— Só entraríamos lá se conseguíssemos fazer tudo em dois segundos. Nossa presença não foi percebida na base, apagamos qualquer interferência visual das câmeras e salvamos os vídeos e dados sobre o Helmut em um pen drive...
— Preciso repetir que saimos de lá em dois segundos? — Pietro brincou gesticulando cheio de si e acabou recebendo um peteleco gratuito da irmã.
— E por que se arriscarem por uns arquivos sobre ele? — ela perguntou, sentando-se ao lado de Visão.
— Eu precisava de respostas. Eu precisava confirmar que esse Zemo, dos arquivos, é outra pessoa. — Wanda uniu as sobrancelhas assentindo as palavras de Willa. — E é. Esse homem é o pai do Helmut Zemo, e ele foi o penultimo líder da HIDRA, conhecido pelos seus seguidores como Barão Zemo.
— Lembro que quando estávamos passando pelos testes, Strauser comentou com um agente que precisaria viajar para Sokovia para acertar a parceria com a inteligência daqui, para uma missão futura... Ele podia estar falando do filho do Barão. — Wanda disse, trocando um olhar com Pietro.
— É, eu lembro disso, mas não bate com o tempo do vazamento desses arquivos. Se os arquivos da Willa estavam no sistema principal da SHIELD, ele não teria por quê encontrar com Strauser, ele teria tudo que precisava contra ela... — Visão racionalizou e Willa encolheu os ombros, desconfortável com o ressoar do seu nome.
— Zemo conseguiu os seus arquivos separadamente — Wanda comentou, recebendo um olhar de aprovação de Fairchild.
— Com o ex agente morto em Cleveland — Pietro pontuou e Willa assentiu, apoiando os antebraços na mesa.
— Acreditamos que existem mais arquivos sobre a minha estadia com a HIDRA — Willa meneou a cabeça em negativa. — Mas, seria como procurar uma agulha no palheiro.
— Por que acham isso? — Visão questionou trocando um olhar com Pietro e Willa.
— Um ex agente da HIDRA foi eliminado por um sniper fardado. Stone assistiu a tudo e antes de morrer, o cara deu a ele um arquivário da HIDRA. Nele, tinha uma agenda com nomes de vários agentes com localidades espalhadas por todo o mundo...
— E todos eles tinham uma coisa em comum. — Willa completou.
— Você — Visão disse, inclinando a cabeça compreendendo o nó de eventos circundando Willa.
— É uma possibilidade, todos eles trabalharam em Berlim e Sibéria nos períodos dos relatórios envolvendo a mim sob a posse da HIDRA. Existem muitos relatórios incompletos, cadernos completos ou sem finalização. Vídeos com datas espaçadas. — Willa explicou mexendo a colherzinha na sua xícara de chá. — Nós conseguimos coletar uma boa quantidade de informação, mas faltam lacunas importantes que não encontramos em tudo que coletamos.
— E Zemo pode completá-las — Visão disse, pensativo olhando para Willa e ela não conseguiu esconder a sua intenção.
— Talvez. — Willa retrucou olhando Visão com uma atenção e desconfiança. — Isso é uma das coisas que tem remoído em minha memória. Porque a Natalia não vazou esses documentos com os outros?
— Natasha... — Visão corrigiu ao deduzir, recebendo um olhar perdido de Willa. Ao compreender, ela pediu perdão e assentiu.
— Natasha descriptografou todos os arquivos da HIDRA do sistema da SHIELD, após a queda. Ela teve acesso a todos os arquivos deles, cópias das cópias de arquivos originais, inclusive arquivos preliminares dos testes de vocês, do Soldado Invernal, projetos, interrogatórios, listas de pessoas assassinadas por eles e certamente, pelas datas, esses arquivos sobre a R.R estavam lá... Precisavam estar. E se estavam, ela tirou eles e trouxe o resto a verdade ao público.
— Entendi — Wanda disse, sentida.
— Entendeu mesmo, por que eu estou ainda meio perdido — Pietro comentou com jocosidade e um pontinho de verdade.
— O que a Senhorita Maximoff entendeu é que se esses arquivos, pelas datas, pertencem ao arquivo mestre da HIDRA e a senhorita Romanoff não os liberou, ela sabia sobre o que e quem eles se tratavam, e por isso, tirou eles do vazamento.
— Ela sabia que era sobre mim. — Willa completou a linha de raciocínio de Visão. Ela respirou fundo, largando a xícara de mal jeito na mesa, quase despedaçando-a. Suas mãos tremeram e ela abaixou a cabeça, enfiando elas entre as pernas. Wanda também não sabia dizer e trocou um olhar solidário com a amiga, sentando ao seu lado e repousando a sua mão sobre o seu ombro, massageando. Ela trocou um olhar com Pietro e ele cruzou os braços, abaixando um olhar pesaroso. Wanda achava que a amiga estava enlouquecendo, Pietro acreditava que ela estava deteriorando.
Se esses documentos não existiam no sistema on-line da SHIELD, o item R.R vide, Willa era tão valiosa para a HIDRA que eles não queriam que a SHIELD reconhecesse que eles a possuíram um dia. Se Natasha descriptografou esses arquivos, como os outros, ela pode ter somado um mais um e entendido que aquilo tudo falava de Willa e optou por não libera-los para proteger a amiga. O que não batia nisso tudo era...
— Por que ela não me contou? — Wanda uniu as sobrancelhas, abaixando o seu olhar para os papéis. — Ela teve quatro anos para me contar isso, em missões, em festas, na torre, no complexo dos Vingadores, quando estávamos brigando no meio de um aeroporto em Berlim, meios não faltaram. Porque ela não contou?
— Pelo mesmo motivo que Steve não contou a Tony sobre como os pais dele morreram. — Wanda sussurrou sentida.
Ele queria poupá-lo. Natasha queria o mesmo por Willa.
Willa sentiu os seus olhos encherem de lágrimas. O seu olhar caiu e os dedos de Wanda fincaram na pele do seu ombro. Agora, isso tudo parecia tão real que ela conseguia acreditar. Ela não precisava das memórias para saber que isso acontecera com ela. Essa pequena pecinha explicava tudo. Natasha deve ter entregue o que tinha desses documentos para Steve, como entregou os documentos de Bucky e após a leitura, ele deve ter aconselhando a Romanoff a não dizer nada a Willa. Tudo fazia sentido agora. O cuidado de Steve com a aproximação de Bucky e ela, Sam aconselhando ela a tomar cuidado com as suas emoções e até mesmo Clint e o seu pedido naquela madrugada; ela lia os documentos na sala daquele esconderijo no meio do nada e Barton a encontrou ali, estudando o passado de Bucky e naquele momento, ela pensou que ele estava sendo super protetor, como ele era com Natasha, mas tudo não passava de uma tentativa de impedi-la de puxar aquela linha, ela revelaria verdades que talvez Willa não poderia sustentar.
A verdade doía.
— Pietro, confere se as paredes estão secando na cozinha, o Visão ficará muito grato por isso. — Visão assentiu levantando da mesa e prontamente seguindo para cozinha, mas antes, trocou um olhar cúmplice com Willa.
— Ele não terá tempo para gratidão. — Pietro proferiu cheio de si. — Ele nem vai me ver passando por lá.
— Deixe-o ver. — Wanda proferiu lentamente olhando de Willa para ele, arqueando as sobrancelhas. Pietro levantou o queixo, entendendo. Ela queria privacidade com Willa, mas conhecendo o irmão, ele poderia aquecer aquele momento com a sua energia impulsiva. Willa precisava de equilíbrio. Wanda não podia controlar o seu medo, nem solucionar as suas dúvidas, mas podia dar a ela apoio e as suas palavras.
Pietro abanou a cabeça e deixou a sala passo ante passo, o que só não era mais torturoso do que ver Willa chorando silenciosamente. Os seus olhos se encontraram e ele conhecia aquela dissociação. Ele se sentiu assim quando se olhou no espelho pela primeira vez após a morte dos pais, após retornar dos mortos e se ver sozinho. Ele estava ali, mas era como uma parte de si não existisse mais e ele precisava dessa parte. Só não sabia se essa parte ainda precisava dele.
Willa precisava da sua parte, no entanto.
Sozinhas, Wanda segurou o rosto da amiga com um carinho afetuoso e recebeu um olhar amendrotado e pesaroso. Fairchild a abraçou e chorou em seu ombro. Sem pressa, sem barreiras. Wanda entendia o seu sofrimento, mas não compreendia o que era saber que algo era verdade, mas não ter essa verdade em você.
— Wanda, eu não me lembro de nada disso. Se eu vivi isso, alguém mexeu na minha mente.
Willa aproveitou o seu tempo em Sokovia. Se Zemo estudou sobre ela, agora era a sua vez de estar a sua altura, com um pouco de sorte, alguns passos a sua frente. Ele trabalhou no exército de elite de Sokovia, de acordo com as fichas surrupiadas por ela do sistema governamental, ele vivia na região, em uma casa do interior com a esposa, o filho de cinco anos e o pai. A esposa tinha um brechó na zona central, o menino estudava em um colégio pequeno e próximo da loja. Não havia muito sobre o pai dele. Ao que tudo indicava, eles eram cuidadosos e discretos, ao que tudo indicava, buscavam estar fora do radar das pessoas. O que não funcionou... Ela só precisou de uma peruca Chanel morena, um óculos grande, um terno feminino e um dos seus crachás falsos da casta para fingir ser da CIA e conseguiu arrancar alguns detalhes sobre a família Zemo dos vendedores e moradores da região próxima à loja e a casa deles. Era um comentário geral o quanto eles eram discretos. Muitos deles também concordavam que Helmut Zemo era um homem educado e falava pouco, mas estranho. Certamente, ele tinha algo de perturbador. Willa se questionava se esses adjetivos mudariam se eles não soubessem que Zemo era um terrorista. A esposa dele era uma mulher igualmente distante, mas simpática e parecia ter um coração bom. O garotinho era esperto é muito falante e não houve uma pessoa que não tenha demonstrado sentimento pela morte dele. Já o pai de Zemo, ninguém na cidade sabia algo sobre ele e os vizinhos o descreviam como igualmente estranho, e que a maçã não caia muito longe da árvore. A família Zemo se mudou para a região a menos de cinco anos e foi uma chegada estranha. Muitos dos vizinhos disseram que demoraram para se acostumar com os vizinhos que, mais pereciam ser fugitivos do que outra coisa. O menino só começou a estudar a um ano e só deixava a casa acompanhado da mãe.. Ele não tinha amigos e vicia brincando sozinho, na varanda. Os fofoqueiros de plantão desconfiavam que Zemo não amava a esposa, pois raramente era visto na companhia da esposa ou divindindo carícias. A esposa se matava um pouquinho todos dias naquele emprego e cuidando do pai dele e do filho e ele parecia viver em outro mundo. Uma das vizinhas até acusou ele de talvez ter uma amante na cidade, como muito dos homens por ali. Zemo só aparecia em casa nas liberações do exército e nos feriados. O pai de Zemo vivia na janela ou enfurnado em casa. Um dos vizinhos contou a Fairchild que a esposa de Zemo confidenciou que o sogro sofria de esclerose, mal lembrava do próprio nome e precisava de ajuda constante até para as coisas mais simples ele foi o motivo para a família se mudar para Sokovia. Os ares do ambiente ajudariam na saúde dele. Willa não deixou nenhuma informação escapar. Anotou tudo.
Quando tirou a sua peruca e aguardou no compartimento da moto, ela respirou fundo se sentindo subitamente desapontada. Era como se ela tivesse fracassado em seu propósito. Ele sabia o seu nome, sua vida na casta e como vingadora e ela sabia que ele não saia com sua família e achavam que ele traia a esposa. O que isso podia te servir contra ele?
— Você me disse uma vez que sem querer entrou na mente do Bucky... — Willa sussurrou para Wanda e ela assentiu fraco, lembrando bem de tal conversa com a amiga no furgão, no estacionamento naquele aeroporto na Alemanha. A ninja prosseguiu, tencionando refrescar a sua mente. — Você não conseguiu encontrar as pontas que conectavam a esses gatilhos, aí você disse que, não poderia ajudá-lo a desconectá-lo deles, por medo de acabar mexendo com algo que não deveria.
Como a personalidade dele, a funcionalidade natural de seu corpo humano, ou até mesmo, matando-o com um aneurisma.
— Sim, eu até poderia ter tentado, mas eu corria o risco de danificar quem o Bucky era. — E ela não podia correr esse risco, ela não podia carregar mais uma morte sobre os seus ombros. Ela se deu as mãos, buscando concentrar sua atenção em Willa acalmando afastando aqueles sentimentos negativos de sua mente. — Depois de tudo o que eu fiz, ser cuidadosa ao extremo era a minha única escolha. Ainda é.
— Não discordo, só que, eu me pergunto se você já viu algum gatilho na minha mente... — Wanda meneou a cabeça em negativa. — Você está vendo algum agora?
— Eu teria que entrar na sua mente... — Ela abaixou a cabeça com uma ruguinha entre as sobrancelhas.
— Tudo bem. — Willa passou uma das mãos nos cabelos, gesticulando em negativa. Era só uma ideia. Um atalho que a levaria mais rápido para as respostas que ela buscava.
— Eu não veria só os gatilhos, Willa. — Quando Wanda olhou a amiga, ela encontrou pesar em seus olhos esverdeados. Ela não queria que elas passassem por isso. — Eu veria tudo.
— Wanda, você sabe tudo sobre mim. — Isso não era problema algum para ela. Ela era a sua amiga era natural que ela soubesse sobre a sua vida, uma leitura mental facilitaria algumas horas de papo.
— Quando digo tudo, é tudo o que você viveu até hoje. Do seu nascimento até agora.Tudo o que você sentiu, viveu, viu... Sofreu. — Willa comprimiu os lábios. Ela entendeu. A questão não era por ver e invadir sua privacidade, era sentir todas as suas experiências da alegria, a dor. Ela não podia pedir que a sua amiga passasse por isso por ela. Era demais. — Quando eu faço isso é sem querer, e normalmente não passa mais do que dois segundos e é o suficiente para eu sentir uma dor que nem sou capaz de descrever. Com você, eu vou precisar de mais de dois segundos...
— Entendi.
Notando a desilusão dominando Willa, a sokoviana refletiu e ponderou. E se em vez dela entrar em uma ligação duradoura de leitura, ela tentasse conectar-se a mente dela de dois em dois segundos? Levaria tempo, mas era um plano seguro para as duas.
— Eu preciso de tempo para me adaptar a dor e você para se sentir confortável com o processo.
— Não, esquece. — A ninja negou prontamente.
— Eu posso fazer isso, Willa. — A sokoviana proferiu com segurança.
— Eu não quero te causar dor. — Ela revelou com sinceridade. — Era uma ideia. Só rolaria se fosse viável para nós duas. Sendo assim nada feito.
— Já está me causando por vê-la assim. — Wanda tocou a mão de Willa, acarinhando. — Além do mais, o seu sofrimento não aflige só a mim. — Ela comprimiu um sorriso torto. — Meu irmão está preocupado com você.
— Ele te disse isso?
— Ele não precisa usar das palavras para me dizer o que sente. — Ela sorriu com um olhar comovido. A ligação dos gêmeos. Algo de benéfico no ônus dos seus dons. — Quando ele não estava infernizando a cabeça do Visão por causa de nosso relacionamento, ele encostava na parede daquele corredor e ficava encarando a porta do quarto de vocês, e eu conseguia ver pela ruguinha na testa dele que ele sabia exatamente o que você estava sentindo por trás daquela porta e não poder te ajudar estava consumindo a alma dele. Matando-o lentamente.
— Você me acha uma tola por continuar essa saga?
— Por que eu acharia isso da minha melhor amiga? — Wanda demonstrou choque.
— Eu tenho quase tudo que eu desejava nessa vida e cá estou aqui me afundando em uma investigação sobre o meu passado que vai me levar a lugar algum. Minha família está morta, vale a pena eu perder os meus dias para colocar ponto final em algo que já teve fim.
— Ou vai te levar exatamente para onde você deve estar. — Wanda apertou a mão dela em afirmação. — Willa você tem o direito de ter tudo o que quer e descobrir a sua essência no processo. Você quer desvendar seus dons, conhecer o seu passado, quem sabe você não acabe descobrindo que sei lá, seu irmão está vivo e procurando por você também?
— Mesmo que isso aconteça... Nós somos dois estranhos.
— E são irmãos. — Wanda completou e ela ponderou, refletindo suas palavras. Era um jeito doce de pensar.
— Eu sinto que não estou sendo justa com o Pietro. — Ela confessou repousando a cabeça no seu ombro.
— Ele te ama. — Willa comprimiu um sorriso sentindo seu coração acelerar. — Eu sei que ele tem um jeito torto de demonstrar isso, mas ele a ama e ele vai estar com você seja investigando as suas origens, seja fazendo tai chi em uma mansão no meio da China ou de pernas para o ar na minha casa. Eu ainda não acredito que você conseguiu fazer ele aquietar...
— Por cinco segundos.
— Para ele isso equivale à uma hora, mas você fez isso com ele. O que ele sente por você fez isso com ele. — Willa olhou para Wanda com um sorriso bobo. — Você o centra, e eu sinto que, ele de algum modo te liberta. O que são duas forças opostas, mas juntas, poderosas. Você não quer mais continuar com essa investigação?
— Eu quero, mas... Eu estou com medo do que eu vou descobrir, por isso eu queria a sua ajuda, eu queria que você me prepara-se, me dissesse que viu os gatilhos aqui dentro ou viu, sei lá, que meus pais eram soldados da HYDRA e por isso meu passado está entrelaçado com ela. — Ela confessou com um olhar marejado. — Eu estou com medo.
— Mesmo lendo tudo isso que vocês conseguiram coletar, você não se lembra de nada? — Willa negou com a cabeça. Suas lembranças eram turvas, como se ela fosse míope e quando ela não enxergava, ela tinha sonhos confusos com seu irmão. — Nem do Bucky?
— Não. O que é estranho. Eu achava que depois de termos nos reencontrado, naturalmente a nossa história juntas viria a tona, talvez só a presença dele fosse reviver mais as minhas memórias, mas nada. Nem meu nome me ajudou muito nisso. — Ela suspirou, arrumando os cabelos de lado. — Eu vou continuar, mas eu e Pietro não podemos continuar fazendo isso, sozinhos.
— Vai trazer os Vingadores Secretos a tona? — Ela abafou uma risada.
— É um bom nome. — Ela empurrou o ombro da amiga que não abafou mais a risada. — E sim, eu acho que está na hora. Eu preciso de vocês nisso, do Steve...
— Você tem uma ideia de onde ele está?
— Ele deixou uma mensagem... Jakku. — Wanda arqueou as sobrancelhas, pensativa. — Eu acho que ele leu a minha carta e foi para a China. Ele dizia que eu parecia com a Rey... — Ela levantou o queixo, cheia de si. Wanda uniu os lábios, negando com a cabeça.
— Ou talvez seja um código para algo alienígena...
— Isso faz... — Ela abriu os lábios, refletindo. — muito mais sentido.
— Eu vi algo no jornal sobre armas em algum lugar na Africa. — Willa sentiu o cheiro forte de uma colônia e ela olhou para entrada arregalando os olhos por surpresa e saudosismo, o salto tilintou firme no chão e ela levantou, seguida de Wanda que seguiu o olhar dela e encontrou na entrada da sala, Natasha vestindo várias camadas de roupas e um cachecol marrom, seus cabelos loiros encontravam-se em um corte curto e ela tinha um corte pequeno sobre o nariz. — Nat!
— Ah, Natestáaqui! — Pietro disse rapidamente, freando a poucos passos a frente de Natasha e bufou, quando viu que as duas jovens tinham descoberto isso antes dele conseguir anunciar. — Que droga!
— Posso oferecer um café para a senhorita? — Visão ofereceu vindo da cozinha comprimindo um sorriso.
Natasha olhou do homem de olhos azuis e cabelos loiros curtos para o trio diante dela. Wanda comprimiu um sorriso, adorando ver a russa confusa por desconhecê-lo.
— Me perdoe, sou eu, Visão... — Ele se apresentou, deixando a pedra infinita em sua testa brilhar e Natasha piscou comprimindo um sorriso e repousando sua mão no ombro dele em cumprimento.
— É bom ver você, Visão. É bom ver todos vocês. — Ela disse lançando um olhar a cada um dos três, fixando seus olhos em Pietro. — Principalmente no Walking Dead ali.
— Vai dizer que não viu isso acontecendo?
— Eu torcia para isso acontecer. — Ela disse com o seu sorriso charmoso.
— Seu cabelo está um lixo. — Willa comentou negando com a cabeça. — Seu cabelereiro não acerta nunca.
— Sua cara está um lixo, mas sabemos que isso não é obra sua... — Nat retrucou e Willa só crispou os lábios. — Eu ouvi vocês falando sobre as armas alienigenas na Africa... — Ela olhou para as jovens. — Estavamos tomando conta disso. Boa percepção, Wan! — Wanda sorriu, cheia de si, cutucando o ombro de Willa que franziu a testa. — Você não checa para onde envia o seu dinheiro?
— Não tenho tido muita cabeça para isso.
— E nem para sobreviver não é? O que você fez? — Natasha demandou a questão agressiva, passando por Willa. Desconcertada com a sua presença, ela fechou a porta para nenhum vizinho escutá-la no corredor. — Você sabia que Thadeus Ross está na minha cola por causa de você?
Visão congelou cada movimento do seu corpo. Wanda olhou lentamente para ele e como uma felina semicerrou os seus olhos para o androide. A noite seria pesada.
— O que ele quer? – Willa questionou com pouco interesse, apoiando o corpo no umbral do corredor. O que ele poderia querer com ela?
— Ele quer que você seja entregue as autoridades e como eu tenho o rabo preso por conta daquela palhaçada de acordo de Sokovia, ele conseguiu me contactar e quer que encontre você e a entregue, assim limpando a sujeira que o Tony causou para mim. – Definitivamente esse não era o lado ao qual Willa pretendia irritar na russa. Talvez, ela tenha colocado a nova loira cedo demais na lista de pessoas confiáveis e amigas. – Eu estou cansada de ser a babá por aqui, Willa. Eu tenho limpado os seus traços e do Pietro por meses.
— Ei! — Ele levantou as mãos em defesa. — Eu só estava treinando umas corridinhas.
— Eu estou tentando te ajudar aqui.
— O que o Ross quer com ela exatamente? – Wanda questionou defensivamente.
— Zemo não está falando. Ele confessou ter enquadrado o Barnes, mas foi aí que ele se calou. Ele disse ao General que ele só vai falar com você, e ele não tem falado desde então, o que faz uma semana. – Natasha explicou trocando um olhar significativo com o trio. – Então, o que eu quero saber é o que você fez, Willa? O que você disse ao Zemo quando esteve sozinha com ele no RAFT? Por que aparentemente, ele só confia em você.
Wanda olhou para Willa com uma mistura de confusão e preocupação em seu olhar.
— Não acha que é coincidência demais?
— Coincidência? Do que vocês estão falando?
— Eu descobri algumas coisas sobre o meu passado e o Zemo, como o pai dele estão envolvido diretamente com a minha história. E a HYDRA.
— E quando você estava pensando em me contar isso? Steve vai te dar um esporro daqueles!
— É melhor eu deixá-los a sós, não quero causar uma indisposição com minha presença.
— Não, Visão. Fique. Eu estava conversando com a Wanda sobre isso agora. Não deixaria de contactar vocês hoje. Eu e Pietro estamos aqui a poucos dias e eu estou colocando a minha cabeça no lugar depois de tudo... Olha, o Zemo tentou me manipular no RAFT. – Natasha bufou cruzando os braços, claramente desgostosa dessa resposta padrão. — Nat, é isso. Eu juro. Eu não tenho lembrança de conhecê-lo antes desse caos. — Willa puxou as suas memórias passando os dedos nos cabelos. — Ele disse que estava a espera de mim e Steve resgatar os nossos amigos. Ele sabia que iríamos lá e…
Compreensão atingiu o seu semblante e o ar escapou pesadamente dos seus lábios, tocado pelas pontas dos seus dedos.
— E? – Natasha insistiu com os seus olhos verdes perfurando a presença de Willa.
— Ele disse que de todos, eu era a última pessoa a quem ele queria afetar. Isso faz muito sentido depois de tudo que li. Ele me conhece, Nat.
— Acredito que pela reação de Wanda, ninguém sabe disso. Nem Steve?
— E você sabia disso tudo e não me contou quando escondeu os meus arquivos do sistema da SHIELD.
— Tudo é importante em uma situação como essa, Willa.
— Não fuja do fato que você também me escondeu coisas. Sem direito a isso. Eu achei que ele estava me manipulando, Nat! Ele disse que iamos nos encontrar de novo. Ele claramente estava tentando me sensibilizar, tentando encontrar um link fraco... Mas agora me questiono se era isso mesmo. Ross está me procurando, justamente quando eu tenho em mãos boa parte do meu passado e Zemo tem as respostas para completar as lacunas...
— E lá fora tem pessoas prontas para te matar por causa desse passado... Não duvido que o Zemo tem o dedo nisso.
— Sam vai surtar! Ross tem filmagens de você e Zemo conversando e você eletrocutando Zemo. Ele está assim para revelar isso na mídia, para te encontrar mais rápido, fazer uma caçada as bruxas com seu nome. Ele só não fez porque o Tony conseguiu convencê-lo de que não é assim que ele vai te alcançar. — Natasha olhou para Visão. — Você não sabia de nada disso?
— O Senhor Stark não me conta muito sobre as suas reuniões.
— Se o Zemo quer falar comigo, eu vou escutá-lo. — Natasha suspirou em frustração com uma mão cobrindo o seu rosto. — Até porque, eu ia fazer isso de qualquer modo.
— Você ia invadir o RAFT para bater um papo com o maluquinho?
— Eu fiz isso para salvar os meus amigos, eu faria novamente de olhos vendados.
— Eu não vou deixar você ir. E se vocês tem o mínimo de responsabilidade, vão concordar comigo. — Natasha proferiu, com o poder de congelar Willa no mesmo lugar com apenas um olhar. Wanda abaixou os olhos, pensativa. Pietro, por sua vez aproximou-se de Willa cruzando os seus braços. —– Eu não vou permitir que aquele monstro terrorista fique perto de você novamente. E duvido muito que o Steve concorde com isso.
— Natasha... – Willa tentou começar.
— Willa vai fazer o que ela quiser fazer, entendeu? — Pietro proferiu olhando sério para Natasha. — Seu aviso e ajuda é bem vinda, mas a decisão final é dela. Se quiser nos ajudar vamos adorar ter a sua companhia e a sua vodca, caso contrário... Você sabe onde a porta está.
— Não. — Natasha retrucou em aviso. — Ele é perigoso, e manipulativo. Eu não duvido da sua capacidade, Willa. Se tem alguém capaz de sobreviver a qualquer adversidade aqui sabemos que é você, mas eu estou cruzando uma linha aqui. — A voz dela estava no abismo entre a calma e a fúria. — Eu vi isso acontecendo antes. Ele está obcecado por você, Willa.
— Eu concordo. — Wanda completou. — É muito arriscado, Willa.
— Obrigada, Wanda.
— Mas concordo com meu irmão também. A escolha final é da Willa.
— Eu sei que ele mexeu com os seus botões, por isso você fez o que fez com ele no RAFT e longe de mim em dizer que você foi longe demais. Eu teria feito pior. O ponto é, ele está manipulando o Ross a acreditar que você e ele talvez, tenham uma conexão. Isso vai colocar você em uma hora e lugar marcado...
— Como com Bucky. — Willa compreendeu o raciocínio de Natasha.
— Exato. E olha o que ele fez. Não podemos cometer o mesmo erro duas vezes. — Natasha argumentou seguindo para a porta. — Eu vou dizer a Ross que eu não pude te encontrar, e vou tentar guiá-lo para longe da possibilidade de que você está escondida com uma criminosa procurada, um suposto morto e um androide.
— Obrigado pela menção. -— Visão murmurou com uma animosidade anticlimática.
— Eu preciso falar com o Steve e o Sam.
— Eu imaginei que você ia falar isso. Vamos dar nosso jeito. Vá para o festival na cidade, hoje a noite. — Willa assentiu e Natasha olhou para o grupo. — Fiquem separados. Não podemos atrair atenção.
— Tá, mãe russa! — Pietro resmungou recebendo um olhar semicerrado de Natasha.
Natasha olhou por sobre ombro de Wanda a Willa.
— E coloque sua cabeça no lugar, Willa. Fique longe disso. Eu já tenho crianças teimosas o bastante para lidar agora.
A porta fechou pesada atrás de Natasha e Willa se deixou respirar. Ela podia sentir os olhos de Wanda frios em sua forma e Pietro repousou a sua mão em seu ombro e rosto. Willa não tinha coragem de encará-los.
— Se eu posso dar a minha opinião, a Senhorita Romanoff está certa, o Coronel Helmut é perigoso e manipulativo. Ele deve ter um plano envolvendo a sua presença, como ele teve esse tempo todo contra nós. — A diplomacia de Visão levou Willa dar um passo para trás, escapando das mãos de Pietro. — Por outro lado, acredito que o General Ross tenha também as suas intenções também tão escusas quanto a do Coronel. É uma decisão de veras complicada.
O que estava acontecendo?
— Eu acredito que a senhorita Fairchild precise de um tempo a sós com o seu irmão. — Visão proferiu discretamente e Wanda parecia incerta em deixar a amiga.
— Tem certeza desse encontro? — Wanda proferiu crispando os lábios por conta da sua duvida.
— Está feito. — Willa assentiu confiante. — Vamos juntar o grupo.
Wanda concordou e partiu com o androide para o seu quarto.
— Qual é o plano? — Pietro questionou, cruzando os braços. Willa caminhou até a janela, repousando a sua mão no parapeito com um olhar melancólico na paisagem, acompanhando Natasha caminhar por entre as pessoas, lançando um olhar por sobre o ombro encontrando Willa admirando-a, colocando por fim o lenço sobre a cabeça e rapidamente desaparecendo por entre as pessoas.
— Visão tem razão. O General Ross tem uma armadilha com o meu nome e Zemo não falou de mim agora por saudosismo, ele tenciona algo. — Willa refletiu lançando um olhar por sobre o ombro para Pietro, atrás de si. — Eu tenho esse instinto de sobrevivência que pinica em minha nuca. — Ela abraçou o corpo, massageando com a mão livre o ombro esquerdo sentindo ele repuxar por tensão. — Eu sinto isso agora.
— Nós podemos dar um jeito nisso. — Pietro aproximou-se, repousando carinhosamente a sua mão sobre a dela. — Podemos continuar o que estávamos fazendo. Nós não precisamos mexer nesse vespeiro. Nós podemos resolver isso. Só eu e você.
— Não, não dá mais, Pietro. — Ela negou comprimindo um sorriso grato pela luta de Pietro pela sua história. — Lembra aquilo que você me disse sobre eu estar me afundando em buscar uma resposta para algo que fugia da minha alçada?
— Eu estava com ciúmes quando disse aquilo. — Ele negou com a cabeça.
— Sim, mas havia sensatez nas suas palavras. — Ela argumentou, deixando o seu braço encontrar morada na cintura de Maximoff o que aproximou os seus corpos. — Eu não podia ajudar o Bucky. — Ela negou com a cabeça, comprimindo um sorriso maroto. Não era uma questão de não poder, ela não era capacitada para isso. — Eu não posso ajudá-lo. Eu ainda estou processando isso, aceitando pouco a pouco, e consequentemente isso me ajudou a descobrir algo que faltava em mim. Eu passei tanto tempo me preocupando em salvar minha amiga, meus amigos, os civis, uma cidade inteira, um país, o mundo que, eu precisei aceitar que eu não posso vencer todas. E está tudo bem. — Ela riu solto e sentiu as mãos de Pietro ampararem a sua cintura em um carinho caloroso. Ela o olhou derretida por ele, e deixou seu indicador batucar sob o coração dele com um sorriso. — Você me ajudou a ver isso. A condição do Bucky me humanizou. Às vezes os vilões acabam ganhando uma ou outra e tudo bem. Eu preciso de ajuda. Eu não posso ser sempre a heroína no final do dia. Nem do mundo, nem dos meus amigos, nem mesmo de mim. E hoje, eu aceito essa ajuda e ela não virá dos heróis.
Após escutar aquela declaração Pietro não sentiu necessidade de argumentar nada e nem reafirmar os seus sentimentos e seu companheirismo por ela. Isso se encontrava claro no modo em que ele a segurava, com proteção e carinho em seus braços, em como os seus olhos estavam conectados com paixão e uma compreensão emocional silenciosa.
— Conta comigo.
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