Born to Die
15 Capítulo 14 - Desculpas Aceites
Notas iniciais
Capítulo 14 – Desculpas Aceites
–Eu não te culpo – disse ele, expectante.
–Oh.
–Eu não te culpo, eu percebo que não fui correto contigo.
–Certo.
–Contudo, eu ainda quero ouvir um pedido de desculpas.
–Desculpa – foi algo mecânico, já que esta única palavra estava trancada na sua garganta e tirá-la de lá foi um alívio.
–Só isso? – Kol enrugou a testa. – E eu a pensar que me irias oferecer um soufflé como desculpa. Estou muito triste, Liliana.
Ela sabia que Kol estava apenas a brincar com ela, com os seus sentimentos de culpa.
–Eu já pedi desculpa, está bem? – não era o tom ideal, mas quando as palavras saíram elas não puderam voltar atrás.
–E eu já disse que estás desculpada – Kol sorriu aquele sorriso que era tudo para ela. Ele era o seu Sol, Liliana apercebeu-se disso.
A dor de cabeça alastrou-se na sua mente, como se algo estivesse a querer lembrá-la de algo que ela não se recordava. O que era aquilo? Liliana não sabia, então decidiu mudar de rumo, procurando eliminar aquele bloqueio.
–Estamos a ir numa direção muito interessante – Kol encostou-se à ombreira da porta, cruzando os braços. – Queres dizer-me mais alguma coisa?
Liliana acenou.
Não, não, não! Eu não posso!
–Na verdade, é mais fácil se eu fizer uma coisa.
–Que é?
–Espero que não fiques zangado comigo. De novo.
Não, não, não!
Todas as suas células gritavam para ela não dar mais um passo que fosse, gritavam para ela afastar-se daquele quarto, imploravam para ela se afastar dele.
Liliana deu um passo em frente.
E beijou-o.
Kol deu um passo atrás, arrastando-a consigo. Os seus braços cruzados desfizeram-se facilmente, e as suas mãos pousaram na cintura da vampira. Liliana sorriu, separando-se levemente do Original.
Por momentos, fitaram-se. A surpresa estava estampada no rosto de Kol, mas isso não o impediu de acabar com o espaço que existia entre eles. Liliana ficou radiante. Ela não sabia o que era aquilo, sabia apenas que era bom.
Mas todo o seu corpo pedia para ela não corresponder ao beijo, para ela se afastar dele, para não entrar no seu quarto.
–Kol… — separou-se dele, ofegante. Fitou-o, confusa.
–O que foi?
–Eu… eu não sei – era como se fosse um murro no estômago. A sua bílis subiu e sentiu que ia vomitar, mas isso jamais aconteceria. Era como se estivesse a trair. – Desculpa.
–Lili…
Liliana fechou a porta, assim que saiu. Lágrimas caíam do seu rosto e a dor de cabeça voltou, mais forte que nunca. Ela sabia que aquilo não era normal: como é que algo tão bom podia ser tão mau?
E aquelas dores de cabeça só podiam estar relacionadas com aquele sentimento horrível que se tinha abatido sobre si quando o beijou.
Os humanos podem ser compelidos a esquecerem-se de algumas coisas.
Já estiveste apaixonada.
A dor de cabeça era uma memória.
©AnaTheresaC
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