Born To Die And Born To Love (clato)
1 A Ida de um Tributo ao Hades.
Notas iniciais
–Fique comigo Clove, fique comigo! — em meio ao sangue, dos muitos machucados que a arena me dera, eu consegui ver lágrimas caindo. Era a primeira vez que eu o via chorar. "Não chora Cato", eu queria dizer, mas não conseguia, mesmo que eu tentasse. — CLOVE! Por favor...
Ele deitou a cabeça em meu colo, ainda me pedindo para ficar. "Não, Cato... Vá atrás dele. Ele tem a sua vitória. Vença Cato, derrote eles!" meus pensamentos tentavam desesperadamente dizê-lo, mesmo sabendo que não tinha forças para que minha voz saísse.
Então tudo escureceu. Eu consigo ouvir Cato gritar uma última vez meu nome, tentando me ajudar a ficar junto a ele.
E agora tudo que eu vejo é um grande rio e um homem em uma barca.
Sinceramente, o homem me assusta. Muito. Mas eu tenho certeza que nunca estive ali antes, então tenho que pedir informações:
– Ah, com licença, senhor? Você sabe onde eu estou?
–Ahn? Ah, sim... Hm... Tributo?- ele me avalia com os olhos.
–Sim.
–Hm...- o homem pega um cartão de um dos bolsos, e o lê em voz alta -Caro tributo morto. – a ênfase na palavra "morto" era evidente e cruel. — Seja bem vindo ao Hades, ao Submundo, ao Mundo Inferior, como quiser chamá-lo. Eu sou Caronte e a guiarei até ao local reservado para você e seus iguais. Hm... Nome e Distrito?
–Clove. Distrito 2.
–Gostei, direto ao ponto. Bem, Clove, perguntas?
–Só uma... O que é que quis dizer com lugar reservado para mim?
–Sério? Nada de “não, houve um engano senhor Caronte, eu ia ganhar os Jogos” ? Você é diferente do pessoal do 2...
Pessoal do 2. Isso me causou um estranho arrepio, seguido pela última lembrança que tinha de minha casa e família. Tentei ignorar o pensamento, me concentrando na estranha figura a minha frente.
– Vou considerar isso como um elogio. Pode responder a minha pergunta, senhor Caronte? — eu comecei, tentando não me irritar com o sorrisinho maldoso que ele me lançava. Pelo visto eu já estou morta. Agora eu estou morta e confusa.
–Haha, adorei você, garota. Quanto a sua pergunta, eu quis dizer que vou te levar a Aldeia dos Tributos. Isso ajuda?
–Um pouco... Hades, não é? – Caronte assentiu.– Mitologia egípcia? -
–Grega.- corrigiu Caronte. Não me surpreendi com erro, já que nós temos poucas aulas sobre isso na escola, no Distrito 2 o único passado que interessava eram os jogos que tínhamos ganho.
– Mas porque então existe essa tal aldeia?
–Ah, querida! Os deuses estão acabados. Snow controla a esfera de poder deles. Os únicos fora disso são Hades e Nêmesis isso quer dizer que Snow não controla a morte e nem a vingança. Mas nem por isso podemos acabar com esse período das trevas coloridas da Capital tão facilmente.
– Não estou te entendendo...- eu disse, enquanto Caronte me dirigia para a barca.
– Por exemplo, os Jogos Vorazes. A esperança de que um vai voltar destrói quase que por completa a vingança, e os Jogos deixam Hades ocupado, ele tem que decidir o destino das almas! O Elíseo, pelo fato deles heroicamente lutarem, os Campos Asfodélos, por que na verdade vocês não fazem nada de especial, sem ofensas.- ele sorriu mais uma vez, enquanto começávamos a nos mover pelo rio. –Ou... os Campos de Punição, muitos são assassinos. Como você.
– Pra falar a verdade, me chamar de assassina me ofende mais do que falar que eu não faço nada.
Caronte solta uma risada um pouco histérica, que somada ao clima sombrio que pairava pela água, tornavam a cena uma experiência um tanto quanto traumática. Mas por mais assustadora que parecesse, o que me assombrava era o fato de ele ter razão. Só de pensar nas mortes que causei na Cornucópia, de como eu quase matei Katniss... É terrorífico, mas eu realmente desejava matar a maldita Everdeen com todas as minhas forças. Eu sou uma assassina.
– E essa tal aldeia? – eu digo rapidamente, tentando mudar de assunto.
– Ah, é um espaço relativamente novo. Antes os tributos só ficavam andando por aqui sem ter o que fazer, uma total perda de espaço. Finalmente tivemos tempo para montar algo desse tamanho, afinal, contando com você nos temos... –Caronte ergue os olhos, provavelmente fazendo uma conta mental.– Hm, se não me engano, 1720 tributos mortos. Foi um trabalho árduo, mas ficou pronto a tempo, graças a muito esforço. E acho que incluímos tudo o que vocês, tributos, precisavam.
Do jeito que ele fala, parece que tudo foi construído por suas próprias mãos. O que eu duvido muito, se quer saber.
Seguimos o resto da viagem em silêncio. Ou ao menos eu fiquei quieta, tentando apreciar a vista um tanto perturbadora que era o Mundo Inferior, enquanto Caronte ainda ficou tagarelando de como eram melhores os tempos antigos, quando existiam os estúdios MAC, os ternos italianos, até finalmente chegarmos a outra margem do rio.
Ele me guiou por um lugar estranho. Eu conseguia ver almas, monstros (vou pular a parte do gigantesco cão de três cabeças, porque tenho amor próprio o suficiente para não dizer o quanto fiquei aterrorizada) e até guerreiros esqueletos. Até conseguir avistar a aldeia dos tributos, que ficava a apenas alguns metros de um grande palácio. Era como a Aldeia dos vitoriosos, mas prédios de seis andares em vez de casas. O lugar parecia muito bonito, considerando que era o lar de centenas de adolescentes. Mortos, mas ainda assim, adolescentes.
–Ehr... Obrigada, Caronte.– eu disse, tentando me despedir.
– Por nada, Clove, de uma passada no Estige de vez em quando! — ele gritou enquanto se afastava.
Nunca.
Começo a caminhar, percebendo o quanto sou idiota por não pedir instruções diretas, já que não fazia ideia do que deveria fazer. Pois é, estou perdida! Consigo perceber que cada casa tem um número, tudo é mais organizado do que pensava, e então eu paro perto de uma garota que estava próxima da porta do prédio 50. O lugar é maior, ao menos do que os outros ao redor, deve ter doze andares. Ela me explica que a casa recebe os tributos do 2° Massacre Quartenário, que teve 48 tributos. A menina tem cabelos loiros, e possui o numero “12” bordado nas roupas, e se apresenta como Maysilee. Ela me explica onde devo ir:
– Você tem que procurar a casa 74 e depois o quarto 2-a. Se precisar de alguma coisa é só falar comigo, Clove.– Maysilee diz, com o sorriso mais acolhedor que recebi desde minha chegada.
–Obrigada!
Eu continuo meu caminho até chegar ao número 74. Quando entro, eu vejo todos os tributos que estavam mortos antes de mim. Novamente o estranho arrepio seguido de uma lembrança, dessa vez lembro dos segundos que antecederam o início dos Jogos. Todas aquelas pessoas estavam vivas naquele momento, assim como eu. E agora não estávamos mais, simples assim. A morte é realmente assustadora.
Ninguém percebe a minha presença, então eu digo:
– Oi.
Todos se viram, surpresos. Alguns soltam sorrisinhos maldosos, que me fazem sentir falta de Maysilee, provavelmente querendo jogar em minha cara que Karma é real. Alguns, por outro lado, parecem aterrorizados com minha presença. Eu avisto Rue, a pequena tributo do distrito 11, que tem uma expressão de alívio no rosto. Ela deve ter ficado feliz que não é o Thresh, ou a Katniss, eu penso. Mal sinto quando alguém se aproxima de mim e quando percebo quem é, já é tarde demais, pois sou esmagada contra o corpo da garota que me abraça.
– Clove! Finalmente! Eu estava começando a achar que ia ter que ficar aqui sozinha com nossos aliados. Os outros simplesmente me odeiam! — ela diz, enquanto ri, sem perceber que acabava de ter dito que ansiava por minha morte. Glimmer 0, falta total de noção e sutileza 1.
–Ei! – exclama Marvel, visivelmente deprimido.
–Ah, você sabe que eu amo você né? – diz ela naquele jeito, como aquelas garotas que dizem que amam todo mundo depois de ofendê-los. – E o Cato?
–Acho que vai bem... Não tenho certeza, eu morri.– respondo, e a loira ri.
– Depois que você veio pra cá o garoto do seu distrito enlouqueceu.- Rue entra na conversa de repente. Eu a miro, desconfiada.
–Como você sabe?
–Tem uma televisão no centro da Aldeia.- diz Glimmer, enrolando com um dedo uma mecha de seu cabelo.
– Eu acabei de ver, depois que você pulou em cima da Katniss eu saí de lá, mas eu só ouvi o canhão. -continua Rue — Eu vi ele sozinho, gritando e correndo. Hm... Como você morreu?
–Eu mencionei você e o Thresh me atacou.- eu disse constrangida. Acabo também percebendo que minha burrice foi enorme. O que estava pensando ao debochar de Rue? Mal consigo lembrar o que se passava em minha mente naquele momento. Afasto o pensamento e tento mudar de assunto — Glimmer, será que você pode me levar pro centro? Eu quero ver como andam os Jogos.
–Claro!
Eu saí com Glimmer enquanto ela falava que dera a sorte de não manter a forma de sua morte quando veio ao submundo, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
–Chegamos.
O centro da aldeia, um nome simbólico, já que ele se localizava ao fim do lugar, era incrível, com grandes monumentos em homenagem a cada distrito. E no meio de cada um havia uma gigantesca tela, com as imagens dos jogos ao vivo. No momento, passavam Katniss e Peeta em uma caverna. Ela estava inconsciente, e ele cuidando dos ferimentos nela. Me parecia patético.
– Você fez aquele corte? — pergunta Glimmer, erguendo uma sobrancelha em minha direção, com o vestígio de um sorriso nos lábios.
–Sim.- eu disse sem muita emoção, olhando fixamente para a tela.
–Bom trabalho.– ela disse, piscando. Logo depois, ela suspira. – Ainda bem que você era minha aliada! Imagino como eu sairia horrível se tivesse que lutar contra você. É óbvio, no entanto, que eu venceria.
Eu não pude deixar de sorrir, a acompanhando. Apesar de toda a história de alianças entre Distritos Carreiristas, havia também uma grande rivalidade. Mesmo fora dos jogos, os vitoriosos carreiristas soltavam indiretas e brincadeirinhas para os outros sobre qual distrito é melhor quando eram pegos reunidos pelas câmeras na Capital. Mas naquele momento, decidi não responder à altura a provocação, pois algo me incomodava. Na arena, eu não passava de uma aliada para Glimmer. Aqui até parece que somos... Amigas?
Então nós saímos do centro. O silêncio é constrangedor, mas eu não tenho absolutamente nada para falar com Glimmer. Não precisei, a garota era cheia de idéias contra o absoluto tédio e o silêncio.
–Hm, e aí Clove? Que tal um tour pelo Hades? — diz ela, esperançosa.
– Eu não sei...
–Ah vamos! Aproveite que somos os únicos que podem passear por aí.
– Só os tributos podem sair?– pergunto.
– A gente só pode sair da Aldeia e ir visitar alguns outros outros lugares por perto...
–Ah. Certo, então vamos.
O Mundo Inferior era incrivelmente bonito, um pouco caótico, mas sem dúvidas bonito. Apesar da aura sombria e os gritos de vez em quando ouvidos ao longe, o lugar parecia bem ordenado, quase um tapa irônico naqueles que se esforçavam para evitar a morte. Quase, pois fora a paisagem, era cruel e desolador.
Enquanto passávamos por vários espaços, ela ia explicando, como uma das guias turísticas desnecessárias que eu via nas excursões as montanhas do Distrito 2.
–Ali é os Campos de Punição. Proibido. Aqui é o palácio de Hades...
– Hum, Glimmer? Me explica direito, então ele é o..
–O senhor da Morte. E também do Distrito 13.
–O que o Distrito 13 tem a ver com isso?
–Tudo!Antes dos Dias Escuros, o Distrito 13 pertencia a Hades e Nêmesis. Por isso eles são os únicos livres, se se pode dizer isso. Olha, aquele é o Elíseo.- ela apontou para um lugar cheio de pessoas felizes. Festa pra todo lado, comidas, bebidas e... Eu nem quis me aproximar. Mas Glimmer me empurrou para as portas. Então eu vejo um casal de adolescentes dançando. Ele tem olhos verdes e cabelos castanhos e ela cabelos louros e olhos cinzentos. Em seguida eu olho para Glimmer, cuja aparência parece uma mistura dos dois.
–Quem são eles Glimmer?
–Percy Jackson e Annabeth Chase. Grandes heróis. Não faça contato visual. Vamos...- ela me empurra de novo, me encaminhando para a Aldeia, mas eu a impeço. Eu queria ficar lá mais um pouco. Os Campos Elíseos são até interessantes de observar.
Eu percebo que estou em uma luta com Glimmer, que não consegue me mover. Um garoto nos observa, rindo.
–Não tem nada para ver aqui! – grita ela.
–Foi mal! – ele grita de volta.
Ele tem olhos castanhos escuro, cabelos encaracolados negros e parece segurar algo pegando fogo. Não, as mãos dele estão pegando fogo, e parece que isso não o afeta nem um pouco. Ele percebe que eu ainda estou olhando e aumenta as chamas de uma mão, e acena para mim com a outra.
Uma outra garota se aproxima e dá um tapa no braço dele. Ela diz algo como "dá pra parar de se exibir Leo?". Esse é o nome dele, Leo... Katniss a garota em chamas e Leo o garoto em chamas. Esse pensamento me abala um pouco, dando a vitória Glimmer, que ainda me puxava.
–Vamos Clove!
–––––––
Alguns dias se passaram. O clima na arena se torna bem pesado. Rue tinha razão, Cato ficou louco. Ele corre, grita, sem se preocupar com as consequências de seus atos. Ele acabou por achar Thresh, provavelmente Nêmesis o concedeu uma benção da vingança, por que ele mata o até então inimigo em potencial rapidamente.
Encontramos Rue de novo na casa 74, triste.
–Eu não acredito. — ela diz.
–Não se preocupe Rue. Thresh vai vir pra cá não é mesmo?- Glimmer tenta anima-la.
–Sim, mas o vitorioso ganha comida extra para o distrito. — ela responde tristemente.
Eu havia me esquecido que os outros distritos eram mais pobres que o 2, lá nós não nadamos em dinheiro, mas temos o suficiente para comer.
– Sinto muito Rue...
–Não, tudo bem, eu só achava que esse ano o 11 tivesse chance.
Nós ficamos em silêncio, enquanto voltávamos para a casa 74. E agora eu penso o que vou fazer quando encontrar Thresh, afinal, ele me matou(é incrível como um par de dias no submundo te deixam a vontade para comentar sobre a morte). Será que devo agir como minhas "vítimas" em relação a mim? Simplesmente ignorá-lo. Mas deve ser difícil ignorar uma pessoa do tamanho dele, ele deve dar duas Cloves e meia. Eu resolvo então discutir a questão com Maysilee, que é a única pessoa das outras casas que eu conheço.
– Olha Clove, eu não sei o que fazer em relação a ele, por que na verdade eu não estou aqui por causa de um tributo. Mas eu matei alguns. E a primeira coisa que eu fiz foi pedir desculpas a eles.
– Então eu tenho que me desculpar. Bem, parece um bom começo. Obrigada de novo Maysilee.
Eu me dirigi a parede principal da casa, que contém o nome e a causa da morte de cada tributo. É ainda mais aterrorizante a forma de como quem está aqui a mais tempo trata desse assunto com tanta naturalidade, todos dos 74° Jogos evitavam aquela parede, como eu havia percebido. Eu passei por meu nome, apenas por curiosidade e li: hipótese de traumatismo craniano. Valeu Thresh! Então eu procurei todos cujas causa da morte foi algo relacionado as minhas facas. Não eram tantos assim, apenas quatro pessoas.
Bom, já tenho o que fazer. A primeira da lista era a garota do Distrito 3. Ela se surpreende com minhas desculpas, mas as aceita. O próximo era o garoto do 5. Ele também se surpreende, mas não com as desculpas, com o fato de eu dar de cara com ele no corredor e ambos caírem no chão. Depois de algumas risadas ele aceita as desculpas e vai embora, ainda rindo. Quando eu procurei o garoto do 9, ele me disse que nem sabia que tinha sido eu, ele estava batalhando por uma mochila com " a Garota em chamas" de costas para mim. Então eu procuro a última pessoa, a garota do 10, antes de encontrar com Thresh. Ele aparece, e eu tento não sair correndo, eu ainda lembrava o modo que ele me segurou no ar antes de me atingir com a pedra.
– Hm... Você sabe onde é o quarto 11?- pergunta Thresh.
– Er... Eu acho que é no último andar.
Mais um período de silêncio constrangedor. Aparentemente, ele está mais sem reação do que eu.
–THRESH!- Rue surge de repente, aquilo era um dos dons dela, e corre para abraça-lo.
Eles conversam um pouco, enquanto eu ainda estou paralisada no mesmo lugar e depois ela o guia até o quarto 11.
Então nós ouvimos um canhão.
Eu corro para o centro da aldeia, para ver quem é. Ah não, Cato, não é você, eu penso. Quando chego lá, encontro com Glimmer, ela estava sozinha por lá.
–Quem foi Glimmer?
– A garota do 5.
Uma sensação de alívio toma meu coração, e acho que Glimmer percebe, porque ela solta um sorrisinho.
–Pensou que fosse ele não é?
– Lógico, Cato é a única pessoa pra honrar meu distrito lá. -tecnicamente eu não estou mentindo.
–Sei, distritos, honra... Nada de amor, nem romance, muito menos uma garota desesperada para manter seu amor secreto vivo mesmo a distância entre a vida e a morte.
–Calada Glimmer.Não é hora de filosofar.
Ela ri e nós continuamos assistindo aos Jogos.
Então algo acontece na arena. Tudo escurece e se torna sombrio, ainda mais sombrio do que antes pelo menos. Bestantes aparecem e começam a perseguir os tributos restantes. Eu observo aterrorizada quando as bestas encontram Cato e ele é atacado. “Não Cato!” eu penso. Eu olho atentamente a tela do Distrito 4, que está mostrando um dos bestantes, com os olhos verdes e o pelo dourado, um dourado quase louro, parecido com o tom de cabelo da...
–GLIMMER! OLHA É VOCÊ! – eu grito, apontando para a tela.
Ela solta um grito de terror, mas eu apenas fecho os olhos, me ajoelho no chão e tampo os ouvidos com as mãos, pedindo em silêncio para Cato ficar bem. Fico assim um bom tempo, antes de ser obrigada a levantar por uma multidão que se forma para assistir os últimos momentos dos Jogos.Quando abro os olhos, eu vejo que Cato e os “amantes desafortunados do distrito 12” estão em cima da Cornucópia, e ele imobilizou Peeta, enquanto Katniss tem uma flecha apontada diretamente para eles. Cato está totalmente acabado, o rosto está sangrando, com marcas de garras e mordidas, mas apenas o rosto.
Tento achar alguma hipótese de que ele vença, quando Cato caí. Em um plano bem articulado, a flecha de Katniss acerta a mão dele, Peeta é solto e o distrito 2 perde suas chances de vitórias esse ano. Mas Cato continua lá, gritando, sofrendo. Aquilo me dói por dentro, eu tenho que ajudá-lo, mas como?! Então algo me ocorre, talvez seja um pensamento egoísta, mas parece a melhor hipótese, julgando o estado dele.
–Eu já volto Glimmer. – eu saio correndo do centro, deixando uma Glimmer paralisada de terror e confusa para trás.
Consigo chegar até a margem do Estige, onde encontro Caronte descarregando a barca com alguns mortos. Ele percebe minha presença e sorri.
–Clove, eu esperava uma visita sua em... Alguns milênios?
–Eu preciso ir para o outro lado do rio.
Ele me olha como se eu estivesse maluca, eu reconheço esse olhar, já foi muito usado quando se dirigem a mim.
–Sinto muito, querida, mas quem já está aqui nunca volta.
–Mas eu não quero voltar!
–Você não é só diferente do povo de seu distrito pelo visto, também é diferente do resto dos humanos...
–Vai me deixar passar ou não? — o que deu nesse pessoal, realmente não é hora de filosofar!
–Okay, pode vir.
Ele me leva até a outra margem do Estige, e quando chegamos, ficamos simplesmente esperando, enquanto ele ainda comenta sobre os as diferenças de conforto entre ternos italianos e as roupas da Capital que ele é obrigado a usar as vezes. Estou quase falando que isso não me interessa nem um pouco e desistindo do plano, quando Cato aparece.
Eu consigo vê-lo.Parte de Cato está morta. Mesmo assim, ele ainda está sofrendo.
–Cato!
–Clove... O que você ta fazendo aqui? – ele olha para longe e solta um grito de dor.
–Escute Cato, você tem que pedir pra ela te matar!
–O que?
–Você está sofrendo. Por favor, Cato... Olha pra você.
Ele pensa um pouco, mas faz uma careta devido a dor.Ele grita novamente.
–Cato! Por favor...
Os olhos dele se tornam distantes, e ele repete em um sussurro:
–Por favor,...
Então eu escuto um canhão ao longe, e sorrio. Cato está totalmente aqui agora.
–Clove?
–Oi.
–Onde eu estou?
Eu ofereço minha mão e ele a aperta.
–Venha comigo Cato, conheço alguém que vai te explicar tudo.
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