Born To Die
54 Malditos cabeças ocas: Teimosia, grosserias e amigos?
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Já estava anoitecendo quando paramos num posto de gasolina, o lugar estava aparentemente desértico. Precisávamos abastecer e encher os galões que tínhamos nos porta-malas, essa tarefa ficaria por conta dos rapazes. Nenhum errante estava à vista, nenhum gemido mórbido ou grunido, olhamos ao nosso redor procurando algum vestígio de perigo e nada. Jade e eu seguimos para a lojinha/comércio que havia ali, deixando nossas mochilas no carro e Kristen decidiu ficar nos esperando, fazendo companhia ao Austin.
Tirei minha Katana da bainha me preparando para enfrentar qualquer ser humano com má índole ou criatura que estivesse ali dentro, naquele estabelecimento. Jade abriu a larga porta de vidro e nós entramos com cautela, pé ante pé, nos deparando com a grande bagunça em cada canto daquele local.
Prateleiras metálicas jaziam no chão junto com algumas mercadorias, as lâmpadas estavam ligadas, sinal que a rede de energia ainda não havia parado de funcionar. O lugar havia sido vasculhado e saqueado, aquilo era tão evidente pela bagunça que fizeram.
Jade: — Olhe o que nos restou! — Sorriu, apontando para as duas grandes máquinas encostadas na parede, uma máquina de bebidas e outra de doces.
Refrigerantes, achocolatados, energéticos, garrafinhas de suco, barras de chocolate e uma grande variedades de guloseimas/doces gelados estavam ao nosso dispor.
Aquilo sim era um luxo, tive água na boca de forma imediata.
A West pegou o machadinho preso à parede, para o caso de emergência, usado para quebrar a caixa de vidro onde se guarda extintores e rapidamente fez um bom uso dele.
O barulho dos estilhaços de vidro soou alto, e Jade fez o mesmo com a outra máquina quebrando todo o vidro, deixando aquelas delícias à nossa disposição.
Corri para trás do balção de atendimento, pegando uma boa quantidade de sacolas. E tratamos de encher cada uma, como se fôssemos duas crianças travessas furtando uma geladeira durante à noite.
Sam: — Fizemos um belo saque. — Batemos nossas latinhas de Coca, fazendo um brinde, as duas satisfeitas com o nosso feito.
Jade: — Yeah, baby. — Virou a latinha, bebendo um grande e refrescante gole.
Fiz o mesmo, sentindo o líquido delicioso e geladinho descer por minha garganta seca, me refrescando. Refrigerante, fazia tempo que eu não tinha o luxo de saborear.
Deixamos o estabelecimento, ambas carregando umas seis sacolas lotadas, minha Katana estava dentro da bainha, com as alças transpassadas pela lateral do meu corpo, encostada nas minhas costas, assim como a da morena, que prendeu o machado na bainha junto com a Katana.
Beck: — Eu quero! — O moreno se aproximou de nós, fitando as sacolas nas mãos da namorada.
Jade: — Depois... Agora leve para o meu porta-malas. — Mandou passando as sacolas para ele.
Henry: — Quer ajuda? — Como sempre cavalheiro e gentil, o moreno fez questão de pegar as sacolas de minhas mãos.
Sorri agradecida, e ele carregou todas até o porta-malas do Mustang, aonde o Oliver estava guardando as outras. O Benson estava à poucos metros de nós, ocupado enchendo um galão, já havia mais dois galões cheios ali no chão.
O forte cheiro de combustível era o único que predominava aquele local, nada do horrível odor de putrefação intensa e quase palpável vindo dos corpos de infectados, em estado de decomposição poluíndo os ares.
Dylan e Melanie estavam próximos ao carro do Benson, concentrados demais engulindo a língua um do outro, com suas mãos bobas agitadas, sem nenhum pudor.
Jade: — VÃO PARA UM MOTEL! — Gritou me fazendo rir do casal apaixonado e excitado.
E Melanie encerrou o beijo apenas para mostrar o dedo do meio para a West e depois voltou a agarrar o loiro.
Kristen estava fazendo companhia ao Austin que ainda se queixava de dor e fome. Só o que trouxemos da fazenda foi água potável dentro de uma garrafa de 2 litros, um cantil e duas garrafinhas plásticas. Mas a água já havia acabado, foi então que eu lembrei dos sucos, refrigerantes e dos doces saqueados, também ainda havia os mantimentos nos outros porta-malas.
Decidi matar a fome e a sede do meu irmão que estava ali enfurnado dentro de um carro, ouvindo sua namorada tagarelar.
[...]
P.O.V Da Jade
Estava nos braços do meu Aladim, encostada na lateral do meu Mustang, apreciando os seus lábios, o seu corpo colado ao meu e suas mãos em minha cintura. E logo me afastei dele quando ouvi um zumbido, com os olhos atentos e a audição aguçada, comecei a procurar qualquer sinal de algum futricado.
Beck: — O que foi, Jay? — Perguntou confuso.
Jade: — Eu ouvi um zumbido. — Comecei a caminhar devagar para longe dele, olhando para todos os lados.
Olhei para a grande e bela lua no céu escurecido e sem estrelas. As luzes dos poucos postes piscavam como se fossem apagar a qualquer momento, ainda estávamos ali, no posto de gasolina, jogando conversa fora ou fazendo uma boquinha, degustando de um pacote de salgadinhos ou de uma guloseima.
Freddie: — Algum problema? — Se aproximou com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, com certeza aquela camiseta branca colada ao seu corpo não o protegia do frio.
Jade: — Você por acaso não ouviu algum zumbido? — Perguntei próxima o bastante, olhando para o seu rosto.
Freddie: — Não... — Respondeu entortando a boca e cruzando os braços, praticamente abraçando o próprio corpo.
Jade: — Tá te fazendo falta, né? A camisa xadrez que usou para amarrar no braço do Puckett... Está frio. — Afirmei me encolhendo toda dentro de minha jaqueta.
Toquei num de seus braços musculosos, sentindo sua pele gélida, seus pêlos estavam eriçados por causa do frio...
E quase discretamente ele olhou para os lados e logo voltou a fitar o meu rosto. Sorriu de lado, com os olhos escuros fixos nos meus.
Freddie: — Muito frio. — Admitiu roçando de leve seus dedos da mão esquerda nos meus que ainda o tocavam, estavam gelados e eu me arrepiei com aquele simples toque.
Melanie: — Atrapalho? — A loira surgiu do nada e eu acabei dando um pulo com o susto que levei.
Freddie: — Não. — Se afastou quase de imediato, voltando a enfiar as mãos nos bolsos.
Melanie: — Ei, acabei de ver uma daquelas coisas nojentas saindo de trás daquele poste e sumindo por ali. — Apontou para a beira da pista, do outro lado só havia margens de mato e pequenos arbustos mal iluminados pela luz do poste.
E então, eu novamente ouvi um zumbido. Foi só ela ter se calado, o zumbindo soou mais alto, seguido de um grunido vindo do outro lado da estrada, vindo lá de trás dos arbustos, às margens da pista.
Era alto e estava se intensificando num som horrendo e gutural. E de repente, um coro de gemidos mórbidos se fez audível, misturados aos grunidos grotescos pareciam um enxame de abelhas raivosas saindo de uma monstruosa colmeia, vindo daquela área cercada de mato.
Jade: — Merda! — Exclamei quando uma horda surgiu dali.
E eles nos avistaram, e famintos por carne fresca, os monstrengos começaram a vir em nossa direção. Com passos lentos, trôpegos e desajeitados, alguns mancavam estupidamente soltando seus ruídos altos e irritantes.
Tirei minha Katana da bainha,me preparando para decepar cabeças ocas e decapitar alguns monstrengos idiotas. Estavam se aproximando, quase atravessando a estrada, exalando podridão.
Freddie: — ENTREM NO CARRO, TEMOS QUE PARTIR! — Gritou nos dando uma ordem.
Ignorei e corri para cima daquelas coisas feias, atacando o mais próximo. A lâmina afiada da Katana atravessou o pescoço de uma criatura horrenda que um dia foi um homem, a cabeça recém-decepada rolou pela pista deixando alguns rastro de líquido escurecido, sangue infectado e pútrido.
Avancei no segundo ser que estava mais próximo, ignorando os meus amigos que gritavam meu nome, querendo que eu voltasse e entrasse no carro. Era uma mulher, com o vestido coberto de sangue seco, possuía um buraco nojento no lugar do olho direito, era uma caolha que mancava, dava de ver os ossos de seus joelhos expostos.
Uma criatura cadavérica, imunda e sem cabelos, seu couro cabeludo estava coberto de feridas. Era baixinha, muito baixa mesmo, apenas desci a lâmina por sua cabeça, partindo-a em duas bandas...
E foi então, que eu me vi cercada. Acabei sendo encurralada por sete zumbis, um mais desfigurado que o outro, a sorte não estava ao meu favor quando tentei me livrar do maldito mordedor fedorento que chegou muito perto de mim.
A lâmina acabou ficando cravada em seu crânio e eu comecei a me desesperar. Seis infectados estavam prestes a me atacar, e eu estava vulnerável, como se tivesse presa numa jaula com seis feras famintas, já que a sétima havia sido líquidada, mas minha Katana estava presa em seu crânio.
Henry: — SE ABAIXE! — O Collemans gritou e eu obedeci,ficando de joelhos no chão, protegendo a cabeça.
Alguns disparos foram dados, os zumbis atingidos foram caindo no chão junto com respingos de sangue podre e pedacinhos esponjosos e úmidos de tecido cerebral, tudo se acumulando ao meu redor, como uma poça pegajosa, acabou sujando a minha jaqueta já que eu estava debruçada no chão.
Henry: — Vem logo, Jade! — Me chamou irritado, me levantei atordoada, com os ouvidos zumbindo, as pernas um pouco trêmulas.
Cambaleei até o zumbi tombado no chão com a lâmina da Katana presa em seu crânio. E com esforço consegui tirá-la, guardando-a na bainha.
Olhei para o Henry que continuava atirando nos errantes que ainda tentavam se aproximar do posto, mas estes eram derrubados antes de conseguir atravessar a estrada, muitos ainda surgiam por trás dos arbustos.
O meu namorado veio correndo em minha direção e agarrou o meu pulso direito, sua mão se fechou ao redor dele, me apertando.
Beck: — Vem comigo, porra! — Ordenou rude, puxando-me para o posto.
Corri tonta sendo quase arrastada, minha cabeça latejava, meus ouvidos zumbiam por conta dos barulhos dos disparos. Aqueles disparos me deixaram assim, desnorteada, tonta e com a cabeça latejante...
Beck: — Que merda você têm na cabeça? — Esbravejou abrindo a porta do Volvo, me empurrando para dentro do carro, cai sentada no banco de passageiro.
Meu Mustang e o Audi do Benson não estavam mais ali. Beck, eu e Henry ficamos para trás, por minha culpa...
Me encolhi no banco, fiquei calada, sentindo a Katana encaixada na bainha me incomodar, pressionando minhas costas. Beck estava puto da vida,nem era pra tanto,mas eu não queria simplesmente partir sem antes matar nenhum futricado.
Olhei para ele que apertava o volante com força, a chave já estava na ignição, o motor ligado. Ele só estava esperando o Henry entrar no carro, pra cairmos na estrada e voltarmos para a casa.
E não demorou para o Collemans aparecer ofegante, entrou no Volvo apressado e o Oliver deu partida, gradecendo o Henry por ter me salvado, e ao longo da viagem sequer trocou alguma palavra comigo, apenas dirigiu calado e carrancudo.
Aquilo me chateou, poxa, eu não tive intenção de me jogar numa horda faminta querendo ser devorada, eu apenas queria me divertir matando alguns mortos-vivos.
[...]
P.O.V Do Freddie
Chegamos na fazenda, alguns zumbis estavam aglomerados, quase pendurados nas cercas, tentando passar por elas. O Dylan saiu do carro para acabar com eles e eu comecei a buzinar, querendo que o Gibby ouvisse e que viesse abrir as portelas. Demorou um pouco, mas o gordinho apareceu, abriu as portelas e entrei com o carro no terreno, seguido pela Sam que trazia a Melanie, Kristen e o Austin no Mustang da West.
Estacionei meu carro à poucos metros da cerca, com a ajuda do Gibby e do Dylan, começamos a esvaziar os porta-malas, retirando as sacolas com mantimentos.
Gibby: — Cadê o resto do pessoal? — Perguntou caminhando ao meu lado, quando íamos para o casarão, levando a maior quantidade de sacolas.
Freddie: — Ficaram para trás... — Respondi. — Culpa da West que decidiu se arriscar indo enfrentar uma horda sozinha. — Falei apressando os passos, a porta estava aberta, estávamos quase chegando.
Dylan: O Beck ficou uma fera com a maluca da namorada... — Riu nasalado quase tropeçando nos três degraus.
Subimos aqueles pequenos degraus e entramos, o assoalho rangeu abaixo de nós, a luz da sala estava fraca.
Gibby: — Acho que a lâmpada vai queimar. — Avisou.
Freddie: — Droga! — Resmunguei caminhando rumo à cozinha com eles.
Tori: — Chegaram! — Exclamou animada entrando naquele cômodo, sua voz irritante soando estridente. — Eu estava preocupada e com muito medo!
A morena se aproximou de mim fazendo biquinho, ela usava apenas uma camisola branca longa com mangas, o tecido sedoso largo em seu corpo.
Desviei o olhar, tratando de ignorá-la, coloquei as sacolas em cima da mesa e sai da cozinha deixando a magrela tagarela falando sozinha já que nem o Dylan deu bola pra ela.
Assim que cheguei no quarto, lembrei da minha mochila que havia ficado no carro e voltei para buscá-la. Quando eu estava tirando a camiseta, a Sam apareceu, a loira jogou a mochila em cima da cama e tirou a bainha que estava presa ao seu corpo, guardando sua Katana.
Ela caminhou até a porta trancando-a e sem se importar com a minha presença começou a se despir. Tirando os Coturnos, a jaqueta vermelha, blusa e a calça, ficando apenas de lingerie preta. Tive vontade de agarrá-la, mas me segurei, fiquei a observando tirar uma toalha da gaveta de uma cômoda e foi para o banheiro se trancando ali.
Ri com seus gritos, a loira praguejou durante o banho, xingando a água fria. Demorou um pouco para sair dali, dando pulinhos pelo piso gelado, descalça, usando um moletom cinza grande.
Freddie: — Eu poderia esquentar o banho se você me deixasse tê-la acompanhado... — Falei vendo-a se encolher na cama, debaixo das duas cobertas.
Sam: — Vai sonhando, jdiota. Nada de gracinhas, se tentar me tocar durante a madrugada, eu decepo o seu "amiguinho". — Ameaçou raivosa.
Freddie: — Sei... — Ri duvidoso, jogando minha toalha no ombro, me preparando para o banho gelado.
[...]
O jantar foi tranquilo, sem briga ou implicância das meninas com as irmãs Vega. Todos nós fizemos nossa refeição na cozinha, o Austin já estava melhor, havia parado com o drama. Notei que a West estava quieta demais e havia comido só um pouco, não ouvi a voz dela durante o jantar, nem a voz do Oliver, aquilo era estranho. Carly e Gibby acabaram assumindo que estavam juntos, finalmente, foi a Shay quem revelou. Percebi um clima pesado entre Kristen e Sam, a ruiva estava fria com a amiga e aquilo estava irritando a loira. Enfim, a sopa que a Shay fez estava deliciosa,todos gostaram e ficaram satisfeitos, exceto a West que não aproveitou o jantar, logo foi para o quarto sem falar nada, ela também era minha amiga, claro que eu me importava, mas percebi que ela queria ficar sozinha, em paz, sem alguém para importuná-la...
Fui o primeiro a terminar de comer, rumei para o andar superior, indo para o quarto. Depois de escovar os dentes, me joguei na cama me enfiando por baixo das cobertas macias, me aconchegando...
Depois de alguns longos minutos, a Sam chegou no quarto e foi para o banheiro, escovar os dentes. E hesitante, deitou o mais longe de mim, evitando qualquer contato.
Freddie: — Pode ficar perto, du não mordo. — Sorri sacana, ficando de lado, de frente para ela. — Só se você pedir... — Pisquei.
Fui me aproximando bem devagar, mas loira se virou para o outro lado e se cobriu inteiramente. Então, decidi ficar longe, deixá-la quieta, em paz.
Resolvi sair um pouco, caminhar pelos arredores da fazenda ou apenas ir para o celeiro e ficar por lá mesmo...
Minutos depois...
Encontrei a porta do celeiro entreaberta e terminei de abrí-la, entrando devagar e uma certa morena estava ali.
Freddie: — Beck te expulsou da cama? — Brinquei com a Jade, ela estava sentada num amontoado de feno,fumando.
Ela deu uma baforada, deixando a densa e fina fumaça escapar por entre seus lábios e se virou para mim.
Jade: — E a Sam te expulsou também? — Rebateu no mesmo tom, brincando comigo.
Rimos e eu sentei ao seu lado, querendo lhe fazer campanhia. Havia um maço de cigarro e um isqueiro em cima de suas coxas cobertas pela calça preta de moletom.
Jade: — Quer dá uma tragada? — Ofereceu o cigarro aceso entre seus dedos.
Freddie: — Não, valeu. — Recusei.
Jade: — Okay. — Voltou a dar suas tragadas antes de desatar a falar, se desabafando comigo. — O Oliver está com raiva de mim, mas foda-se. O que aconteceu lá no posto foi um incidente, sabe? A porra da lâmina ficou presa num crânio e eu acabei sendo encurralada, mas o Henry deu uma de herói e salvou minha pele... — Riu sem humor. — E o idiota do Oliver pirou, teve a grosseria de me arrastar até o carro e me jogar no banco de passageiro como se eu fosse um saco de batatas, acredita? Eu só gosto de certa brutalidade na cama. E ele veio a viagem toda carrancudo sem falar comigo, agora vai dormir sozinho hoje, não sou obrigada a aturar seu humor azedume e insuportável. — Bufou e deu mais uma tragada.
Freddie: — Beck tem razão de estar chateado com você. Você praticamente se jogou para os zumbis, se arriscou demais hoje, quase foi atacada. Mas ele não tem o direito de ser grosseiro contigo por mais que esteja com raiva, que tal você voltar para o quarto? Tentar conversar ou apenas ficar ao lado dele, aqui está frio, não acha? — Olhei para ela que jogou o toquinho de cigarro no chão, pisando nele.
Jade: — Eu trouxe um cobertor grosso e quentinho, está decidido. Vou passar a noite aqui no celeiro, vou dormir ali em cima! — Apontou para um comprido compartimento todo feito de madeira, lá no alto, preso à parede e apoiado sobre duas grandes e grossas toras de madeiras, servindo como pilastras cravadas no chão, também havia uma escada logo embaixo, apoiada ali.
Freddie: — Hum, você quem sabe...
Jade: — E você? O que aconteceu? Por quê veio pra cá? Está sem sono? — Me fitou curiosa.
Freddie: — Não aconteceu nada... Eu apenas decidi sair do quarto, dar uma caminhada e vi a porta entreaberta, então entrei e encontrei você aqui. E sim, estou sem sono... — Respondi.
Jade: — Também estou sem sono. Tem certeza que não quer me acompanhar? — Balançou o maço de cigarro.
Freddie: — Eu não fumo. — Avisei.
Jade: — Então, vamos continuar conversando. — Disse enquanto acendia outro cigarro.
E a conversa entre nós foi fluindo e se alongando, falando sobre coisas banais, qualquer besteira. Entre risadas vindo de mim e tragadas ou baforadas da morena que fumou uns sete ou dez cigarros,um atrás do outro.
Jade: — Vai dormir aqui? — Perguntou quando eu estava trancando o celeiro.
Freddie: — Uhum. — Confirmei assentindo.
Jade: — Em cima do feno ou naquele cantinho comigo? Sabe, está frio. Deixei o cobertor lá em cima, ele é grande e cabe nós dois... — Se levantou caminhando em direção à escada. — Você vem ou não? — Começou a escalar a escada devagar.
Freddie: — Já que você insiste. — Brinquei indo atrás dela, observando-a terminar de subir, para eu fazer o mesmo.
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