Born To Die
61 Beijando outros lábios: No calor do momento...
Notas iniciais
P.O.V Do Austin
Liguei a Caminhonete e pedi para a Trina colocar o cinto de segurança, fiz o mesmo e dei partida. Nos tirei dalí, deixando a madeireira desabando em chamas, e dirigi pela estreita estrada de terra. De vez em quando algum morto-vivo surgia na estrada, saindo da mata e eu os atropelava, um por um e seguia em frente, deixando uma trilha de cadáveres esmagados e espalhados para trás.
A Vega adormeceu, encolhida ao meu lado. Meu corpo latejava de dor, e meu estômago doía de fome. Estava fazendo muito frio, meus dentes quase batiam, enquanto eu tremia. Meus lábios estavam ressecados, a sede castigava a minha garganta e boca, secas. E meu estômago roncava, revirando de dor.
Passamos horas naquela madeireira, sofrendo nas mãos daqueles malditos, infelizes. Sem uma gota d'água ou pouco de comida, amarrados e jogados naquele chão imundo.
Apanhei mais de uma vez, meu olho direito estava inchado, ficou um pouco fechado e dolorido. Havia um pequeno corte no canto esquerdo da minha boca, meu lábio inferior ainda estava inchado. Meu nariz latejava, machucado por dentro, ainda bem que não quebrou.
Olhei para a Trina, ela estava tremendo de frio. Soltava alguns gemidinhos de vez em quando, pareciam choramingos.
Segui as placas, já estávamos no quilômetro 16. Dobrei para a direita, seguindo para a Rota 20, rumando para o sul. Pegamos outra estrada de terra, e de longe avistei a grande placa verde-musgo, indicando: Bem-vindos a Kansas City.
Ia demorar 1 hora e alguns minutos para chegarmos no interior, na fazenda aonde estávamos com nosso grupo.
Passamos por algumas fazendas abandonadas, e por alguns terrenos de plantação. Continuei indo para o sul, e finalmente conseguimos chegar na fazenda.
Austin: — Trina? — Chamei, tentando acordá-la. — Ei, Trina? — Balancei seus ombros.
Trina: — Hum... — Resmungou, abrindo os olhos.
Austin: — Chegamos! — Avisei.
Ela despertou, abri seu cinto e a ajudei a descer da Caminhonete azul.
Austin: — Eu disse que eu íamos conseguir voltar pra casa! — Passei os braços por seus ombros, abraçando-a.
Trina: — Sim. Você disse... — Falou baixinho, com a voz chorosa.
Comecei a gritar, sacudindo o cadeado. Mesmo sabendo que poderia atrair zumbis com os meus gritos, não me importei. Continuei gritando, chamando por meus amigos.
Vimos as luzes de casa sendo acesas, e dois de nossos amigos saíram com laternas. Vieram abrir os portãos de madeira, que estavam trancados por uma grande e grossa corrente.
Era o Benson e o Dylan, eles soltaram alguns palavrões, alegres e surpresos ao se depararem com a gente.
O Freddie abriu o cadeado, e outros saíram, para ver o que estava rolando.
Freddie: — Porra, o que aconteceu com vocês? — Perguntou quando passamos pelos portões. — Nos deixaram preocupados. — Avisou.
Dylan: — Estávamos imaginando o pior! — Confessou.
Austin: — Nós fomos...
Sam: — AUSTIN! — Ela gritou o meu nome, vindo correndo. Se jogou em cima de mim, abraçando-me com força. Gemi de dor, mas eu não me importei. Apertei a minha irmã em meus braços, erguendo-a e pus no chão. E ela me apertou ainda mais, se desmanchando em lágrimas, soluçando contra o meu peito.
Austin: — Não chora, estou aqui, maninha, estou aqui... — Afaguei suas costas e beijei seu cabelo.
[...]
Sam: — O que aconteceu? — Ela sentou ao lado do Henry, que repousou a mão na coxa esquerda dela.
Esvaziei o copo, o enchi com mais água e sentei na cadeira, perto da pia.
Austin: — Eu estava ensinando a Trina a matar zumbis, e alguém veio por trás e me golpeou duas vezes, acertando minha nuca. Apaguei e quando acordei vi que estávamos em outro lugar, numa madeireira longe daqui... — Tomei mais um pouco de água, fazendo uma pausa. — Fomos raptados por um grupo de lenhadores, eles estavam armados. Queriam informações sobre a fazenda, sobre nossas armas e mantimentos. Claro que eu me recusei a colaborar, e apanhei por isso. Eles nos amarraram, nos deixando sem água e comida. E dois daqueles infelizes tentaram estuprar a Trina... E eles a molestaram, e só não fizeram mais nada porque ela desmaiou... E depois eles comeram e bebaram até não aguentarem mais, todos caíram no sono. Me arrastei para perto da Vega e percebi que ela estava desamarrada, e ela conseguiu me soltar. Peguei alguns galões de gasolina que tinha lá, joguei naqueles filhos da puta que estavam dormindo. Espalhei pelo chão, joguei nas paredes... Revistei os bolsos de cada um, achei um isqueiro e uma chave, e ateei fogo neles. A chave era de uma Caminhonete, e eu peguei um machado e um Rifle com alguns cartuchos... Assistimos a madeireira incendiar, desabar em chamas. Pegamos a estrada sem saber aonde estávamos, segui as placas até chegarmos aqui... — Resumi, contando o que havia acontecido.
Henry: — Ainda bem que conseguiram escapar dessa.
Austin: — É, cara! — Murmurei.
Freddie: — Que barra, mano. — Lamentou.
Dylan: — Quer uma latinha de feijão? Ou atum enlatado? Sardinha? Sopa de batata? O que quer comer, irmão? Pode falar, eu preparo. — O loiro perguntou abrindo os armários.
Austin: — Tanto faz, com a fome que tô, sou capaz até de devorar um boi! — Respondi.
Sam: — Nos dividimos em duplas e saímos para procurar vocês. Eu sabia que não haviam sido pegos por zumbis. Na verdade, eu não conseguia imaginar o que pudesse ter acontecido... Eu só queria te encontrar sã e salvo. — Ela se levantou e veio me abraçar novamente. — Pobrezinho, está todo machucado. — Tocou perto do meu olho dolorido.
Austin: — Aaii, cuidado! — Afastei sua mão.
Sam: — Foi mal. — Se afastou e foi sentar ficando entre o Benson e o Collemans. O meu amigo havia arrastado a cadeira para o lado dela.
Austin: — Ei, Dylan, prepara uma coisa para a Trina também! — Pedi ao loiro.
Dylan: — Pode deixar.
Olhei para a morena sentada ao meu lado, ela estava quieta, olhando para baixo, ainda abatida com o que havia acontecido...
Austin: — Agora você está segura. — Peguei a mão dela, falando só para ela ouvir. — Nunca mais voltaremos a passar por aquilo! — Prometi.
Alguns minutos depois, às 02h:16min...
Trina: — Me deixa cuidar dele. — Ela pediu para a minha irmã.
Sam: — Não precisa, eu...
Trina: — Por favor! Deixa que eu cuido, me deixa pelo menos fazer isso por ele, como uma forma de agradecimento. — Insistiu e a Sam cedeu.
Sam: — Está bem. — Ela entregou a maleta branca para a morena.
Em seguida subiu com o Henry, nos deixando sozinhos alí na sala.
Trina colocou a maleta aberta em cima do sofá, ao meu lado. Tirou de lá um pacote de algodão e um vidrinho branco de plástico. Umedeceu um pedaço de algodão e começou a limpar o corte no canto da minha boca, fazendo o ferimento arder.
Fechei os punhos, me segurando para não gritar. Eu não queria parecer um fracote.
Limpou o corte na minha testa e outro perto da minha sobrancelha direita, aqueles eu nem sabia que tinha.
Fitei o seu rosto limpo, seus cabelos pretos caíam úmidos por seus ombros. Ela estava usando um moletom lilás e uma calça de pijama com estampa de florzinhas.
Colocou band-aids cor de pele nos dois cortes, após passar um pouco de remédio, com o conteúdo avermelhado que ardeu só um pouquinho.
Jogou os algodões usados num saquinho, guardou os vidrinhos de remédio e a cartela de band-aids na maleta.
Trina: — Prontinho. — Abriu um pequeno sorriso, acariciando meus cabelos.
Austin: — Agora é minha vez de te agradecer... — A puxei pela cintura, fazendo-a sentar no meu colo.
Ela não recuou quando segurei sua nuca e a puxei para um beijo. Apenas estremeceu e passou os braços ao redor do meu pescoço quando nossos lábios roçaram de leve, entreabriu a boca me dando passagem. A beijei sem pressa, e ela retribuiu.
Senti o gosto de creme dental de hortelã, com algo a mais, adocicado como bala de cereja ou morango.
E eu sequer havia tomado banho ou escovado os dentes, mas Trina não pareceu se importar com aqueles detalhes. Eu havia apenas chupado duas balinhas de menta e canela que o Dylan havia me dado. Tínhamos um pote cheio de balas e doces, guardado em cima da geladeira velha.
[...]
P.O.V Da Sam
Henry: — Estou sem sono. — Sentou na cama, jogando o cobertor para o lado.
Sam: — Também. — Suspirei, torcendo a pontinha da fronha do travesseiro.
Ele me olhou e abriu um sorrisinho, mostrando as covinhas. Larguei o travesseiro e tentei sentar, e ele me deteve, ficando por cima de mim. Com as pernas separadas, cada uma ao lado de minhas coxas, e apoiou o peso do corpo sobre os cotovelos.
Fitei seus olhos cor de mel e ele desviou o olhar, focando em meus lábios. Deixei que ele se acomodasse entre minhas pernas, depositando seu peso sobre meu corpo. Fechei os olhos, permitindo que ele me beijasse e comecei a acariciar sua nuca.
Deixei que sua língua invadisse minha boca, procurando pela minha com urgência. Suas mãos apertaram minha cintura, fui me entregando e retribuindo com fervor.
A falta de oxigênio nos obrigou a separar nossos lábios, e o Henry passou a beijar meu pescoço, suas mãos desceram para as minhas coxas. Adentrando o meu blusão de mangas compridas, deslizando por minha pele, causando arrepios.
Me remexi abaixo dele, de acordo com suas carícias em minhas coxas. Arranhei sua nuca de leve, ele levantou o meu blusão de dormir e arfei quando ele beijou a parte interna da minha coxa direita, subindo a boca por minha virilha.
Sam: — Henry. — Arfei baixinho.
Seus dedos se encaixaram nas laterais do meu shortinho minúsculo de algodão, ele beijou minha barriga e retirou o meu shortinho bem devagar...
Fiquei com vergonha e tentei fechar as pernas, mas o moreno não permitiu. Segurou minhas pernas, mantendo-as abertas e me deixando toda exposta para ele.
Henry: — Apenas relaxa e curta o momento. — Pediu deslizando os dedos alí, separando meus lábios vaginais.
Retirou os dedos e me beijou, em seguida passou a língua me provando. Gemi alto, estremecendo e aquela foi a deixa para ele continuar...
[...]
Puxei seus cabelos, rebolando contra sua boca. Seus dedos saíam e entravam no mesmo rítmo, enquanto ele sugava o meu clitóres devagar, e eu estava chegando perto, a qualquer instante atingiria o meu climáx.
O prazer se espalhou por meu corpo, como líquido. Minhas coxas tremeram, gemi apertando o travesseiro e ele continuou me estimulando, mordi o lábio inferior, abrindo os olhos.
Henry retirou os dedos e se afastou, chupando-os. Um por um. Fiquei mole, com as pernas abertas, deitada na cama. Ainda sentindo os espasmos, tentei me recompor.
Puxei o cobertor, me cobrindo. E deitei de barriga para baixo, minha respiração ainda estava ofegante.
Henry: — Você é deliciosa. — Me elogiou, se enfiando debaixo do cobertor junto comigo. — Me deixou assim... — Disse baixinho, se acomodando atrás de mim.
O senti roçar entre minhas pernas, tão duro. Choraminguei sonolenta, e o senti novamente, roçando em mim, ele me acariciou e penetrou um dedo.
Sam: — Ah, Henry... — Tentei me afastar. Eu não estava a fim de ir adiante. E ele se acomodou, pronto para me invadir com o seu membro. — Não. Para, eu não tô a fim. — O impedi, ele me soltou e se afastou, saindo de cima de mim.
Sentei na cama, meu coração estava disparado. Por algum momento, pensei que ele fosse forçar a barra. Henry saiu da cama, murmurando, avisando que ia ao banheiro. Não falei nada, e ele saiu do quarto vestindo somente a calça de moletom.
Desci da cama, peguei o shortinho e o vesti depressa. Fiz um coque no cabelo e saí do quarto, indo para a cozinha, tomar água.
Minutos depois...
Henry: — Me desculpe, eu não deveria ter...
Sam: — Esquece! Tá tudo bem, só não quero que fique chateado comigo! — Deitei ao seu lado.
Henry: — Não estou chateado... — Murmurou, acariciando meu cabelo.
Sam: — Curti aquele momento. — Falei baixinho.
Henry: — Percebi por seus gemidos. — Disse me aninhando em seus braços.
Sam: — Fui muito barulhenta? — Perguntei envergonhada.
Henry: — Não. — Beijou minha cabeça. — Vamos dormir agora, está bem? — Sugeriu com a voz sonolenta.
Sam: — Humhum... — Fechei os olhos, me entregando ao sono.
[...]
No dia seguinte, às 07:16 da manhã...
P.O.V Do Beck
Kristen: — O café está pronto. — Avisou pondo a garrafa térmica sobre a mesa.
O café lembrava ela. Totalmente ela, o seu hálito e o sabor de seus lábios. Me amaldiçoei por estar pensando nela... Malditos! Fechei os punhos com raiva. E eu pensando que o Benson era meu amigo...
Me levantei, indo procurar uma panelinha para ferver água e preparar um pouco de chá.
Kristen: — Algum problema? — A ruiva perguntou se aproximando.
Não respondi. Continuei vasculhando o armário, cada compartimento. Achei uma pequena chaleira.
Beck: — Ainda temos chá? — Perguntei pondo a água para ferver.
Kristen: — Temos. Chá preto, ervas verdes com gengibre e camomila. O que você prefere? — Indagou mostrando as três caixinhas.
Beck: — Chá preto. — Respondi.
Kristen: — Enjoou de tomar café? — Perguntou pegando alguns ovos de uma cesta de vime.
Beck: — É, você nem imagina. — Peguei uma caneca vermelha.
Kristen: — A Jade ainda está dormindo? — Perguntou fritando alguns ovos.
Bufei, ignorando sua pergunta. Despejei a água fervente na caneca, e mergulhei dois sachês.
Kristen: — Desculpe, eu não sabia que vocês estavam brigados. — Ela percebeu o incômodo quando perguntou pela West e eu havia ignorado, torcendo a boca.
Beck: — Na verdade, a gente terminou. — Falei retirando os sachês, os descartei na lixeira.
Kristen: — Poxa! — Lamentou. — Gosta de ovos mexidos? — Tentou mudar de assunto, agradeci metalmente por aquilo.
Beck: — Gosto. — Respondi.
A ruiva me serviu, e se juntou a mim após se servir. Comemos em silêncio, num silêncio agradável.
Minutos depois...
Carly: — Bom dia! — A morena e o Gibby entraram na cozinha.
Kristen: — Bom dia. — Sorriu para o casal.
Carly: — Quer omelete, fofinho? — Perguntou para o namorado.
Ele assentiu, sorrindo tímido. Terminei de comer, me levantei e levei a louça que sujei para a pia.
Kristen: — Eu lavo. — Se levantou, recolhendo o que ela havia sujado.
Beck: — Sério, não precisa... — Balancei a cabeça.
Kristen: — Eu insisto. Deixa comigo! — Se adiantou, ligando a torneira.
Beck: — Tá. — Me afastei e deixei ela lavar a louça.
Dylan: — Caraca! Tô faminto. — O loiro entrou na cozinha puxando a Melanie.
Melanie: — Nos diga uma novidade! — A namorada dele revirou os olhos.
O pessoal estava acordando, sentei ao lado do Dylan, enquanto Melanie se juntava a Carly, indo para a beira do fogão.
Dylan: — Daria tudo por algumas fatias de bacon e por torradas com geléia, panquecas, bolinhos de queijo e bolo de chocolate... — Sorriu, sonhador.
Melanie: — Daria tudo, é? — Riu debochada. Também ri e ele não entendeu.
Dylan: — Ih, por quê estão rindo? — Perguntou, confuso.
Melanie: — Daria tudo mesmo, bebê? — Se virou, sorrindo maliciosa.
Cochichei no ouvido dele, explicando o que ela queria dizer com aquela pergunta.
Dylan: — Nem fodendo! — Ele socou a mesa, ofendido.
A loira gargalhou e eu ri também.
Dylan: — Não sou frutinha... — Resmungou baixinho, emburrado.
Henry e Sam surgiram de mãos dadas e se juntaram à nós.
Sam: — Que fome da porra! Eu daria TUDO por uma peça de presunto e algumas fatias de bacon. Minha boca até saliva, só de imaginar aqui... — Esfregou a barriga e lambeu o lábio inferior.
Melanie explodiu em risadas, e sem querer queimou o Dylan, encostando a frigideira no braço dele. O loiro gritou e ela se desculpou.
Sam: — Que foi? — Perguntou, confusa.
Beck: — Nem queira saber! — Garanti.
Carly: — Acredite, tô até agora boiando aqui, amiga.
Gibby: — Eu também não tô entendendo nada... — Admitiu.
Henry: — Senta, minha linda, vou preparar algo para a gente! — Puxou a cadeira pra ela.
Sam: — Campartilhe comigo, também quero rir da piada! — Pediu me cutucando.
Dylan: — Nem tenta Beck, ela é loira e não vai entender a piada! — Deu tapinhas no meu ombro.
Sam: — Vai se foder. Você também é loiro, sua anta! — Mostrou língua pra ele.
Austin: — Que coisa feia, maninha. Tsc, tcs... — Bom dia, pessoal! — Trina e ele também entraram juntinhos.
A West e o Benson ainda não haviam dado as caras. Com certeza, estavam fazendo sexo matinal. Aqueles traídores, infelizes... Entortei uma colher, só de raiva.
Larguei a colher e me levantei, me retirei em silêncio. Eles estavam distraídos, tomando café e conversando. Fui para os estábulos, alimentar os animais e trocar a água deles.
[...]
P.O.V Da Jade
Fiquei com tanta raiva do Oliver, muito ressentida, magoada. Como ele consegue ser tão idiota? Desconfiar de mim, levantar a mão para me bater. Nunca dei motivos para ele duvidar da minha fidelidade, e por quê ele foi colocar na cabeça que eu o traía, tendo um caso com o Benson?
Aquele imbecil, mil vezes imbecil. Nos evitamos o dia todo, eu sequer estava com vontade de olhar na cara dele. De ficar no mesmo cômodo com ele, nunca me senti assim em toda a minha vida. E eu o evitei o dia todo, por alguns motivos. Minha vontade era de usar a minha tesoura, detonar aquele cabelinho idiota que ele tanto ama e cuida com carinho.
Sim, eu teria coragem de cortar mechas por mechas, até não sobrar nenhum fio. E ainda passaria barbeador, deixando-o careta. E socaria seu rosto até ficar irreconhecível... E mesmo assim, eu não iria conseguir descontar toda a minha raiva.
Me isolei, trancando-me no quarto. Abasteci uma pequena garrafa térmica, enchendo-a de café. Tomei até a última gota de cafeína, e nem isso me fez ficar melhor. E o vazio em meu peito apenas crescia, junto com o gosto amargo em minha boca. Minha cabeça doía, sentia o constante latejar em minhas têmporas. Maldita enxaqueca.
Peguei minha tesoura e comecei a picotar uma camiseta dele, tinha o cheiro dele. Detonei com a camiseta, estraçalhando-a, cortando em tirinhas e depois em pedacinhos.
Arranquei o colar com o pingente improvisado, em formato de anel. Era algo simbólico, representava nosso compromisso. O joguei em um canto qualquer do quarto, e deitei na cama, lutando contra as lágrimas.
Horas depois, às 22h:09min...
Terminei meu banho, me arrumei alí mesmo no banheiro. Vesti uma roupa para dormir, uma blusa de mangas compridas que ficava como um vestido e um short curto de pijama.
Fui para a cozinha preparar um lanchinho noturno, esquentei um pouco de café. Abri uma lata de carne em conversa e lanchei alí, sozinha. Todos já estavam em seus devidos quartos, talvez dormindo. E quando passei pela sala vi o Oliver deitado no sofá, embrulhado e quieto demais. Supus que ele já estava dormindo, assim como o resto do pessoal.
Terminei de comer, larguei a caneca e o prato vazio na pia. Saí da cozinha, indo para a sala. Abri a porta sem fazer barulho, e apaguei a luz antes de sair. Respirei o ar puro e gélido da noite, caminhei sem pressa, indo para o celeiro, mastigando dois chicletes de hortelã que peguei do pote de doces.
Cheguei ao celeiro, abri as grandes portas-duplas e entrei.
Jade: — Benson? — Chamei por meu amigo.
Ele passou a dormir alí depois que terminou com a Sam, ele havia arrumado um cantinho para passar a noite. Lá em cima, no compartimento suspenso.
Freddie: — Já tô descendo. — Avisou.
Esperei ele descer pela escada de madeira, sentei num caixote.
Freddie: — Não te vi o dia todo. Por quê se isolou no quarto? — Arrastou um caixote e sentou ao meu lado.
Jade: — Oliver e eu terminamos. — Desabafei.
Freddie: — Sério? Mas por quê? — Perguntou.
Jade: — Não quero falar sobre isso... — Fiz uma bola, soprando o chiclete.
Freddie: — Ah, okay... Sei muito bem como se sente. Fiquei péssimo quando Sam e eu terminamos. — Comentou.
Jade: — Pois é, é uma merda. Quero fumar, mas não tem nenhum cigarro. Acabou! — Me levantei, caminhei para um canto e cuspi o chiclete que não tinha mais gosto. Me virei pra ele. — Posso passar a noite aqui? — Perguntei.
Freddie: — Pode sim. Não tem problema nenhum. — Se levantou. — Vou pegar um cobertor pra você. — Avisou indo pegar uma mochila que estava pendurada num gancho.
Me aproximei e parei ao lado dele que estava abrindo a mochila, tirou um cobertor cinza, grosso.
Jade: — Não quero dormir lá em cima. Não acho seguro, sabe? — Ele concordou.
Freddie: — Tenho uma ideia. — Sorriu.
Minutos depois...
Jade: — Legal. Mas e você? Vai dormir aonde? — Indaguei, ficando descalça.
Olhei para o chão forrado, ele havia me cedido os dois cobertores e o travesseiro que ele tinha.
Freddie: — Posso dormir sentado alí. — Apontou para o caixote encostado na parede. — Não se preocupe, estou bem agasalhado! — Pegou no casaco marrom com forro de lã.
Jade: — Tem certeza? — Toquei no seu ombro.
Freddie: — Sim. — Assentiu.
Jade: — Valeu! — Me aproximei o bastante e depositei um beijo na sua bochecha direita.
Deixei meus lábios escorregarem devagar para o canto de sua boca, ele acabou virando o rosto. Nossos lábios se roçaram de leve, suas mãos agarraram minha cintura.
E me deixei levar, me permiti deixando-me aproveitar o momento. Toquei seu peito, seus ombros e passei os braços ao redor de seu pescoço. Abri os lábios lhe dando passagem, sua língua invadiu a minha boca e eu me deliciei, sentindo o gosto do seu beijo. Suas mãos apertaram minha cintura, fazendo carícias.
Encerramos o beijo, abri seu casaco com pressa e o escorreguei por seus ombros e braços, ele mesmo se livrou daquela peça. Desabotoei sua camisa, impaciente, quase fazendo os botões pularem.
Ele se despiu daquela outra peça, ficando apenas de camiseta branca.
Escorreguei as mãos por baixo de sua camiseta, tocando sua pele. Arranhando suas costas de leve, enquanto nos beijávamos de novo com mais intensidade.
O Benson suspendeu minha blusa e apertou minhas nádegas, gemi contra seus lábios.
Paramos o beijo, ambos ofegantes.
Jade: — Me foda! — Pedi, acariciando seu volume por cima de sua calça de moletom.
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