Born To Die

3 Seduction


Notas iniciais
Não esqueçam de comentar o que acharamm

Samantha P.O.V.

A claridade despertou-me de um sono pouco confortável. Levantei de imediato, tentando despertar daquele pesadelo e reaparecer em meu quarto rosa com bichinho de pelúcia que eram frequentemente zoados por Bruna. Mas de nada adiantou, estava no meu pedaço de madeira, no mesmo cubículo incomodo e mofado. Apertei meu pulso com força, me recordando da correntinha que costumava ter ali, uma lágrima involuntária escapou de meus olhos ao lembrar-me de quem havia me dado ela.

— Bom dia. — A mesma mulher de ontem surgiu do meu lado. Gritei de susto e a mesma novamente fez careta — Sempre que nos virmos você vai gritar?

— Perdão. — Falei sentindo meu rosto aquecer-se — Bom não sei para quem. — Suspirei. Meu estômago roncou alto, atraindo sua atenção. Ficamos em um longo silencio. Minhas pernas estavam cobertas por um lençol fino e o “colchão” era tão duro que o chão parecia espuma ao compara-los. Nas mãos da mulher havia uma marmita, fiquei me perguntando em que momento ela iria me entregar.

— Oh. — Riu ao perceber meu olhar — Aqui está, seu café da manhã. — Olhou-me com pena. Outro grito escapou de meus lábios ao abrir a embalagem de alumínio, minhocas. Sim, ovos, presunto, minhocas e larvas!

— Eu não vou comer isso! — Gritei jogando longe a comida deplorável — Ele é louco?

— Faça o que quiser Srta. — Sorriu revelando dentes amarelados — O chefe só pediu para que assim que terminasse de comer eu te guiasse até a sala. — Estendeu a mão. Agarrei-me a mesma e ergui meu corpo — Vamos? — Assenti.

Sem venda nos olhos desta vez, a moça denominada Marie levou-me até o andar superior, passando por dezenas de corredores indecifráveis.

— É só descer. — Assenti ao chegar ao topo das escadas. Agarrei o corrimão com força e desci os degraus cobertos por carpete. A escada dava no hall da mansão, pude ouvir as risadas vindas do que eu julgo ser a sala. Caminhei até elas tendo a visão de Justin, os capangas e mais outros rostos estranhos.

— Olha só quem resolveu dar o ar de sua graça. — Justin gritou rindo.

— Venha docinho. — Um moreno alto gritou junto. Todos pareciam estar bêbados e o medo começava a me dominar. Com passos curtos e demorados fui até o centro da sala, todos se encontravam sentados ao meu redor com sorrisos maliciosos no rosto.

— Dança para a gente. — Ryan, se não me engano, gritou. Como de costume permaneci com os braços grudados ao corpo intactos. Dançar?

Sim anta, dançar! Mexe esse esqueleto aí, se te acharem gostosa não te matam.

— É pra hoje novinha. — Chris gritou. Procurei por um rosto amigável no meio dos tarados e por algum motivo ao encontrar o de Chaz um conforto encheu meu peito. Ele sorriu e fez um joinha, e pela primeira vez naquele inferno, eu sorri...

Comecei a mexer meu quadril de acordo com o ritmo da musica que Bieber havia posto. Após alguns minutos fazendo aquilo me senti mais solta, Chaz sorria de forma confiante e às vezes ria das minhas tentativas falhas de rebolar.

— Assim que é bom. — Justin sussurrou surgindo atrás de mim. Congelei instantaneamente, suas mãos pousaram meu quadril e puxaram meu corpo para mais próximo ao dele. Elas forçavam meu quadril a se movimentar de um lado para o outro, suas mãos eram grandes e pesadas... Mãos de um assassino. Novamente a sensação de estar rodeada por assassinos me causava náuseas e isso me lembrava do meu estômago vazio que teimava em roncar de cinco em cinco minutos.

— E-eu... — Tentei separar meu corpo do dele.

— Você? — Puxou-me novamente — O que quer princesa? — Era a minha chance.

— Um quarto. — Sussurrei. Sua risada preencheu o cômodo, mas logo se cessou, seus dedos gélidos percorreram meu pescoço até região mais delicada, a região marcada por ele.

— Chaz. — Gritou, o moreno de moletom apareceu do seu lado, segurando uma arma em uma mão e cerveja na outra — A leve até quarto de hospedes e avise para Marie que mais tarde irei sair e quero que esteja arrumada. — Falou como se não estivesse ali. Senti as mãos de Chaz rodearem meus braços com força e brutalidade, o mesmo saiu me puxando escada acima, mas a tempo de ouvir os comentários repulsivos deles sobre meu corpo.

— É aqui. — Abriu a porta. O quarto era mais arrumado, claro com a parede bege, lençóis e fronhas brancas e a mobília de madeira clara — Espero que seja do seu agrado. — Riu.

— Obrigada. — Agradeci sentando-me na cama. Aquele meu destino? Morrer em uma cadeia de luxo?

— Juro que aqui não é tão ruim. — Fechou a porta e sentou-se do meu lado — É normal ter medo...

— Eu não tenho medo dele. — Exaltei-me — Tenho medo da situação. — Encolhi-me. Chaz até podia ser diferente, mas mesmo assim era um assassino. Já matou pessoas e não custaria nada meter uma bala entre meus olhos.

Cruzes! Que pensamento horrível de se ter.

— De mim ao menos não precisa ter. — Sorriu, tentei sorrir de volta, mas a única coisa que saiu da minha boca foi um soluço por conta do choro que eu não controlava — Não chore. —Puxou meu corpo para o dele. Por mais medo que eu tivesse, eu precisava de um colo para chorar e ele aparentemente pensava o mesmo, já que sabia exatamente o que fazer. Ficou mexendo em meus cabelos a apertando mais seus braços ao meu redor a cada soluço.

— O que acha de nos conhecermos? — Segurou meus ombros com um meio sorriso — Nem seu nome sei ainda. – Funguei alto, mas aquilo seria bom. Parar de chorar.

— Samantha. — Respirei fundo — Samantha Jones.

— Jones?! – Gritou se levantando — Céus... — Esfregou o rosto com força — Tenho que ir. Não se esqueça de se arrumar, Justin vai sair com você. — Gritou antes de sair. O que será que aquele monstro iria fazer comigo? Levantei-me e fui até o closet, roupas vulgares o enfeitava junto a um espelho, meu cabelo estava sedoso, minha pele pálida e olheiras envolviam meus olhos. Suspirei ao pegar uma peça das diversas roupas de prostitutas com perfume forte. Coloquei o vestido vermelho de lantejoulas frente ao meu corpo e o encarei no espelho, nada mal. Ele tinha rendas pretas na alça até os seios, justo até a cintura e mais folgado ao chegar na coxa, ele queria que eu vestisse isso, eu podia sentir. O separei na comoda e optei por vestir um vestido preto justo e minha rasteirinha.

— Smanatha? — Marie gritou entrando no quarto. Olhou-me de cima abaixo e sorriu — Ele te aguarda, querida. — Ao falar isso senti-me caminhando para o meu julgamento final já com a resposta nas mãos. Inferno.

Justin P.O.V.

— Mas que vadia gostosa Bieber! — Jaden falou e eu gargalhei.

— O menor tem gosto bom. — Chris concordou — Bem que ela podia ir pro meu quarto né?

— Não viaja. Ela é só minha.

— Egoísta. — Chris murmurou e rimos.

— JUSTIN! – Chaz gritou descendo as escadas arfando — Vocês não sabem.

— Então conte. — Ryan falou nervoso.

— A menina. — Apontou para as escadas ainda arfando — É uma Jones, filha do chefe de polícia de Nova York. — Nos levantamos de imediato — Você sequestrou a filha do homem que quer tua cabeça de presente.

— Mas que diabos! — Gritei.

— O que faremos dude? — Ryan perguntou. Ficamos longos minutos em silencio até que Jaden se pronunciou.

— Vamos aproveitar. Temos a chance de torturar o homem que nos quer mortos. Só temos que saber como... — Sorri. Era perfeito.

– Marie! – Gritei e logo a quarentona de cabelos escuros surgiu usando seu devido uniforme – Traga a garota para o meu escritório. Já!

— Já sabe o que fazer? — Chris perguntou.

— Tenho uma vaga ideia. — Disse pegando a reta até meu escritório sendo seguido pelos meninos. Peguei o telefone e o configurei para não ser rastreado.

— Aqui está ela. — Marie surgiu. Observei a Jones dos pés à cabeça, o cabelo com o encaixe perfeito em seu rosto e o corpo a mostra... E que corpo!

— Temos uma surpresa. — Falei animado assim que Marie saiu e Chris trancou a porta. Ela permaneceu quieta no canto. Porra que raiva que isso me dava — O que acha de se comunicar com seus pais?

— Como assim? — Sorriu se aproximando — Falar com meu pai? Vão me deixar ir embora?

— Ahn... Não. – Jaden falou rindo — Bieber acho que já captei o que vai fazer. — Sorriu. Disquei o número mais conhecido naquele telefone e esperei pelo segundo toque para coloca-lo no viva-voz.

— Fale com seu pai docinho. — Puxei-a pela cintura a forçando a sentar em meu colo. Pousei minha mão em seu colo e com a outra puxei seus cabelos com foça, relevando minha marca. Os meninos apontaram suas armas para seu rosto, perto o suficiente para que a adrenalina do medo subisse até o sangue dela.

— Alô? — Atendeu. Seu corpo tremeu em cima de minha intimidade, fazendo com que eu a desejasse ainda mais.

— P-pai.

— Samantha? Céus! Onde você está? Está bem? Ferida? O que fizeram com você? — revirei os olhos. Sempre o mesmo interrogatório.

— Eu não sei pai. — Chorou. Apertei sua coxa com força fazendo-a soltar um soluço — Me tire daqui, por favor.

— Nem que seja a última coisa que eu faça meu amor. Foi o Bieber, não foi? — Peguei o telefone de sua mão e a empurrei do meu colo.

— E aí Leo? Sua filha é uma gostosa! — Falei gargalhando — Por que não a conheci antes?

— Filho da puta! Essa briga é minha e sua, deixe minha filha fora disso!

— Olha como fala comigo Jonnes, sua filha que causou tudo isso. — Sorri maliciosamente a encarando no chão, sentada, intácta, minha. — Ela quase arrancou minhas calças só para poder vir.

— Deixe minha filha em paz, Bieber! Ela não merece isso. — Suspirou. Aquilo só melhorava — Eu imploro, deixe a Samantha vir para casa, por favor.

— Tarde demais para implorar alguma coisa, policial Jones. Falamos-nos mais tarde. — Disse desligando antes que pudesse falar qualquer coisa.

— Então... Samantha. — Ofereci minha mão para ajuda-la a levantar-se, a mesma recusou, se levantando sozinha. Pressionei minha mão em seu quadril enquanto a outra segurava minha arma contra suas costas — Vamos... Sair. Tomem conta da casa seus virgens. — Gritei para os meninos enquanto saía do escritório.

— P-para onde tá me levando? — Gaguejou. Aquilo já tava me irritando. Assim que saímos da mansão, joguei o corpo dela dentro do carro do lado de passageiro, tirei minha venda do bolso e joguei nela.

— Coloca isso. — Ela permaneceu parada, olhando o nada — Coloca essa merda! E se a porra da maquiagem borrar eu te jogo no meio de um valão, vadia. — Grito. Garota irritante pra caralho. Liguei o carro e saí cantando pneu, ela já havia colocado a venda e parecia ter relaxado. Liguei o rádio e tocava dangerous do David Guetta, abri a janela do seu lado e o vento entrou, jogando seus cabelos em cima de mim, um sorriso surgiu em seu rosto — Tá sorrindo gracinha? — Perguntei colocando minha mão sobre sua coxa exposta.

— Com a venda eu me esqueço de tudo o que está acontecendo. — Respondeu segura.

— Que fofura, decidiu me responder? — Tirei minha mão de sua coxa a apertei suas bochechas. Parei o carro assim que percebi o quão afastados estávamos da cidade. — Tira a venda e desce do carro. — Falei fazendo o mesmo. Estávamos no meio de uma estrada de terra, onde ninguém escutaria nada.

— Porque me trouxe aqui? — A voz dela soou alta ao se aproximar. Puxei-a pela cintura para mais perto, a chocando contra mim. Botei uma de minhas mãos em sua bunda enquanto a outra estava em seu peito, começei a beija-la enquanto ela tentava me repelir.

— Me solta!

— Cala a boca ou morre. — Voltei a beija-la. Senti o gosto de sangue e minha boca latejar. A cachorra me mordeu. — Filha da puta! — Gritei enquanto pegava minha arma.

— Me deixa em paz! — Gritou enquanto se afastava correndo.

— Volta aqui! — Gritei correndo atrás dela. A poeira subia entra nós, esclarecendo nossa distancia, apertei o gatilho fazendo o som do primeiro tiro ecoar junto ao seu grito, mas a mesma continuou correndo.

—Eu alivio sua barra se parar com esse jogo de Tom e Jerry. — Gritei já arfando.

— Promete? — Gritou também desacelerando, virando-se para mim. Eu poderia ter atirado na cara dela naquele momento, teria me vingado de seu pai, teria acabado com o choro dessa vadia mimada, então... Porque eu não atirei.

— Prometo. — Murmurei contrariado — Mas nunca confie em um bandido, docinho.

— Não confio. — Se aproximou erguendo a mão — Passa a arma. — Desengatilhei a mesma e a entreguei.

— Satisfeita?

— Já ouviu falar que bandido bom é bandido morto? — Engueu a arma como se fosse atirar. Gargalhei de imediato.

— Você acha mesmo que consegue me matar? — Me aproximei, segurando sua cintura. Ergui seu rosto e a beijei. A arma caiu no chão e suas mãos tocaram meu peito, de inicio tentando me repelir. Separei-me do beijo e peguei a arma, ela continuava intácta — Vou te ensinar uma coisa docinho. — Segurei sua cintura — Nesse jogo de policia e ladrão, seduzir o oponente vale muito mais do que conseguir sua arma.