Born To Die
11 Habits
Notas iniciais

Corri o mais rapido que consegui, havia um tumulto na piscina e uma pequena rodinha, Chris e Ryan atiravam para o alto pedindo calma e Jaden carregava Bieber nos ombros, corri até eles sentindo meu peito queimar.
— O que houve? — Perguntei tentando os acompanhar, Chris e Ryan os escoltava e Chaz pedia calma lá embaixo.
— Tem um quarto aqui, venham! — Renna gritou tomando a dianteira, nos guiando. Entramos em um quarto no fim das escadas, ainda na área externa da casa. Jaden jogou o corpo desacordado do Bieber na cama. Ele estava pálido, com os lábios roxos.
— Merda, merda, merda... — Chris falava enquanto passava as mãos pelos cabelos.
— O que aconteceu? — Perguntei me ajoelhando ao seu lado, toquei sua testa e ela estava gelada assim como todo o seu corpo.
— Sei lá porra! — Jaden gritou me empurrando — Quando eu vi o viado já tava boiando na piscina.
— Ele se afogou? — Arrisquei.
— Ele nada desde pequeno. — Ryan respondeu — Alguém o envenenou?
— Ta, mas quem? — Chaz entrou na conversa, ele chacoalhou e deu pequenos tapas nas bochechas de Bieber — Porra ele tá igual defunto!
— Ele tá respirando. — Jaden falou posicionando os dedos em frente ao seu nariz — Renna, você já fez curso de enfermagem né?
— Eu larguei na primeira semana! — Falou exasperada — Eu acho que posso ligar para alguém, mas... Vão denuncia-lo, ninguém quer salvar a vida de Justin Bieber!
O silencio se instalou, todos pareciam aflitos e preocupados com a falta de solução. Eu não mantinha meu pensamento em nada, estava flutuando em outra realidade, pelas suas caras todos já contavam com sua morte, Chris murmurava sobre enterros e de como ele ficava nauseado.
— Por que não pensamos positivo? — Falei chamando a atenção deles — Justin pode ter tomado um porre, cheirado todas e então foi nadar, bateu a cabeça e desmaiou. Ninguém o viu, ninguém estava perto, daqui a algumas horas ele pode acordar. — Dei de ombros.
— Alguém tira essa pirralha daqui?! — Jaden gritou nervoso — Chamem a puta que ele estava fudendo antes de ir para a piscina.
— Eu vi quem era. — Falei me levantando. Fui seguida por Chris até a área da piscina, eu me lembrava do rosto de prostituta carregado de maquiagem daquela mulher. A avistei poucos metros de distancia gargalhando com um homem — Ali. — Apontei para ela.
Chris correu até a mesma e a puxou pelos cabelos, ela começou a gritar e ele colocou arma em sua cabeça e murmurar coisas em seu ouvido. Eles passaram por mim feito uma bala e seguiram até o quarto onde Justin estava.
— E então? — Perguntei à Renna que ouvia tudo do lado de fora. A mulher gritava e gemia piedosamente lá dentro.
— Quando eles começaram a espanca-la eu saí. — Suspirou — Tem certeza que era ela? — Assenti.
Ficamos mais alguns minutos quietas, apoiadas nas extremidades da porta aguardando qualquer movimento, até que Chaz e Chris saíram do quarto, arrastando a mulher pelos cabelos. Ela estava destruída, com os cabelos bagunçados, rosto ensanguentado e suas roupas viraram trapos, não aguentei encara-la por muito tempo então entrei no quarto.
Jaden e Ryan estavam em pé com Justin nos ombros, meio desacordado, com os olhos entreabertos e conseguindo ao menos manter-se em pé.
— Ele acordou? — Perguntei um tanto desapontada.
— Sim. — Ryan respondeu — A filha da puta sedou ele, mas já pegamos de volta tudo o que ela roubou.
— Uma pena, era tão bonitinha, agora só vai servir para probretões bêbados. — Jaden falou com um meio sorriso — Abre a porta. — Indicou para a mesma.
— Para onde iremos? — Perguntei abrindo caminho para eles, Renna veio atrás nos bombardeando de perguntas.
— Leva-lo para casa. — Ryan falou como se fosse óbvio.
Ryan e Jaden jogaram Justin no banco de traseiro do seu carro, espremi-me com ele enquanto os dois iam na frente. Renna havia me passado seu contato antes de sairmos, Chaz ficou lá para dar uma “varrida” em tudo e todos lá.
Chegamos à mansão e Marie nos ajudou à subir com Bieber, ele vez ou outra apagava no meio das escadas ou nos corredores, nos obrigando a carrega-lo por inteiro.
— E agora? — Perguntei após o colocarmos na cama.
— Vocês cuidam dele. — Ryan falou dando de ombros, Chris chegou em seguida com sangue respingado em sua blusa branca.
— Nós temos que cuidar dos negócios. — Jaden falou respondendo à minha cara de indignação — Não é tão fácil quanto imagina, sweet.
xXx
Já haviam se passado algumas horas desde o acontecimento de Bieber e eu fui encarregada de vigia-lo a noite toda junto à Marie. Seu quarto era o cúmulo da luxuosidade, lembro-me de quando ele comparou os itens vermelhos com o sangue que foi derrubado para conseguir os dourados, que no caso era o ouro. Seu quarto era inteiramente vermelho e dourado, ele tinha um arsenal inteiro de armas no closet e uma gaveta só de camisinhas. Havia diversos pacotes de cocaína de baseados já enrolados de maconha, tinha cerca de dez celulares empilhados na estante que não paravam de apitar.
— Ele acordou? — Marie perguntou entrando no quarto equilibrando uma bandeja preenchida por uma cafeteira e xícaras, neguei enquanto continuava a mexer e bisbilhotar suas coisas — Como foi o... Assalto? — Sussurrou para mim.
— Horrível. — Suspirei — Tenho a nítida impressão de que este não será o ultimo. — Dei de ombros. Não queria aprofundar o assunto, era como cutucar uma ferida aberta sempre que perguntavam. Renna por mais bêbada que estivesse estava certa, só me falta aceitar a verdade. Eu faço parte dessa gangue agora, eu não passo de uma criminosa a partir de hoje...
— Lamento. — Suspirou — Tem uísque no café, do jeito que o patrão gosta. — Falou e eu assenti agradecendo — Vou descer, aparentemente chegará um carregamento em pouco tempo e tenho que estar ao dispor de todos lá embaixo.
— Faça isso. — Concordei — Qualquer coisa eu aviso. — Ela saiu e fechou à porta, a única coisa que iluminava aquele quarto era a lua imensa lá fora. Virei-me para Justin que permanecia desmaiado na cama, ele soltava leves suspiros quando se mexia, mas nenhum sinal de consciência.
— Até parece um anjinho quando dorme. — Murmurei ajoelhando-me do seu lado — Nem parece que tirou a vida de dezenas de pessoas e estragou a de outras centenas. Tudo seria tão mais fácil se você nunca tivesse esbarrado em mim. — Suspirei.
— Você esbarrou em mim. — Gemeu sem abrir os olhos.
— Você tá acordado?! — Gritei o esmurrando no peito, ele gemeu de dor e se contorceu na cama — Ai desculpa! — Me curvei sobre ele, mas assim que ele se virou seus dedos puxaram minha nuca aproximando nossos rostos ao máximo — Se você tentar me beijar...
— Apenas admita que um dia você será minha, Jones. — Sussurrou roçando seu nariz no meu — Admita que você se contorce de tesão quando eu vou embora.
— Eu tenho nojo de você. — Sussurrei — Eu nunca irei me rebaixar ao nível dessas vadias que... — Antes que eu terminasse a frase Justin acabou com a distancia que havia entre nós, tentei empurra-lo, mas suas mãos puxavam minha nuca e minha cintura, seus dentes mordiscavam meus lábios e o cheiro de menta e licor invadia minhas narinas bambeando minhas pernas.
Enrolei meus dedos em seu cabelo e deixei o beijo selvagem me dominar, seus mãos puxavam minha cintura dando a impressão que arrancaria minha pele, arranhei suas costas nuas, Bieber desceu seus beijos até meu pescoço, senti o local onde seus lábios se mantinham queimar, o empurrei e toquei o local dolorido. Ele me deu um chupão!
— Minha marca.
— Não sou vaca pra ser marcada.
Bieber puxou-me para debaixo dele e me prendeu entre suas pernas — Você estava gostosa pra porra hoje. — Falou beijando meu pescoço.
Que merda você tá fazendo Samantha? Vai acabar com o pouco de dignidade que te sobra?
Eu não conseguia escutar minha consciência, o nojo que sempre senti do Bieber estava começando a sentir por mim mesma. Eu não era mais Samantha Jones, a filha perfeita, orgulho do pai, uma menina boa, aluna nota 10... Agora eu era apenas Jones, uma criminosa, uma assassina, o desgosto da sociedade... Eu não tinha nada a perder. Minha dignidade foi rebaixada a 0.
Você ainda tem sua virgindade.
— Para! — Gritei sentindo seus dedos deslizarem até minha calcinha — Para, para, para. — Pulei da cama e andei em círculos pelo quarto.
— Qual foi Jones. — Indagou levantando-se com dificuldade — Não aja como se não quisesse gemer alto meu nome a noite inteira.
— Eu te odeio Justin! — Gritei o empurrando — Odeio! — Dei um ultimo empurrão e saí do quarto as pressas. Os locais por onde seus lábios passaram ardiam, queimavam como agua benta na pele de um demônio. A casa estava cheia de homens desconhecidos por mim, todos de preto com caixas nas mãos e maletas.
— O que é isso? — Perguntei aproximando-me de Milles.
— O carregamento chegou. — Encarei-o confusa — Drogas, armas... Como pode ser filha de um policial e não saber nada disso?
— Sou filha não colega. — Falei rindo — E o que acontece com tudo isso? — Indiquei com a cabeça para as caixas.
— Vendemos e ficamos com as que valem a pena. — Deu de ombros — Você vai aprender tudo na hora certa.
— OLHA ELEEE! — Chris gritou apontando para o topo das escadas onde Justin estava em pé.
— E aí irmão? — Ryan subiu as escadas para o ajudar a desce-las.
Procurei por Chaz, mas nem sinal dele. Sentamo-nos nos sofás em torno de Justin, Milles entregou para ele um cigarro.
— A puta me drogou? — Perguntou após dar uma longa tragada — Espero que vocês tenham dado a porrada que ela merecia.
— Aquela lá agora so vai dar de quatro, por que em pé não fica mais. — Jaden falou arrancando gargalhadas dos garotos.
— Acho que essa é a deixa, certo? — Milles perguntou dar um gole em sua cerveja, todos concordaram.
— Deixa? Do que estão falando? — Perguntei sentando-me ao lado de Chris.
— Sweet, você não acha que moramos aqui, né?
— Temos que nos mandar por um tempo, expandir negócios. — Ryan completou Jaden.
— Eu não quero ir! — Levantei-me em protesto — Eu quero ficar! Minha vida é aqui, meu pai mora aqui e...
— Sam aqui você não tem que querer nada. — Justin levantou-se ainda grogue e mancou até a mim — Todos saiam daqui. — Falou para os garotos que permaneceram imóveis — Agora! — Quando pisquei estava apenas eu e Bieber naquela sala, todos correram pelas escadas.
— Nada do que diga me fará mudar de ideia. — Falei cruzando os braços, senti seus dedos gélidos levantarem a bainha da minha blusa e pousarem em minha cintura enquanto sua outra mão acariciava minha bochecha — Quando vai perceber que eu nunca cairei na sua lábia, Bieber?
— Você sabe que um dia será minha Samantha, por que nega tanto isso? — Sussurrou. Seus olhos brilhavam.
— Eu não vou pra lugar nenhum. — Mantive-me firme, sem mudar de assunto.
— Você vai e sabe disso. — Riu, sua mão continuava em minha bochecha, seus lábios a cada piscada estavam mais próximos dos meus e, por mais que eu quisesse, meus pés se recusavam a recuar.
— Sr. Bieber a... — Marie entrou na sala acompanhada por uma mulher de trajes vulgares. Prostituta. — Você ligou a chamando?
— Sim. — Concordou. A analisei de cima a baixo e soltei um meio riso.
— Peça para ela deixa os sapatos. — Dei dois toques em seu ombro antes de subir.
— Amanhã começam suas aulas! — Gritou la debaixo.
— Que aulas? — Perguntei me escorando no corrimão para poder vê-lo. Ele estava sentado no sofá com a prostituta em seu colo.
— De como ser Justin Bieber!
Era só o que me faltava
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