Boredom: Let me have you
1 Capítulo 1 - " Tachibana Tamaki"
Meu nome é Tachibana Tamaki, 18, tenho 1,85 cm, peso 78 kg, tipo AB, e meu passatempo é jogar videogames. Eu não tenho uma comida preferida, mas não gosto muito de doces. E eu... Gosto muito de uma pessoa.
Eu estudo junto com ela, eu falo com ela o tempo todo, eu almoço com ela, e janto com ela, e eu moro com ela. Seu nome é Ootsuka Osayuki, meu irmão mais novo.
Minha paixão por ele começou quando estávamos no final do 9° ano. Ele sempre foi quieto, recluso, nunca falava com ninguém, mas todos gostavam dele. Ele era inteligente, e ainda é, e por isso todos queriam ficar perto dele. Ele poderia parecer malvado, ou frio, mas se alguém falasse com ele, ele seria um pão de mel. Doce, gentil, e carinhoso. Mas, no final do ensino fundamental, ele mudou.
Ele não me contou na época, mas algumas pessoas se aproximaram dele, e tiraram proveito dele, de sua inteligência, mas também de sua ingenuidade. Essas pessoas o magoaram profundamente, o traíram, e ele se sentiu quebrado por dentro. E então, seu lado de pão de mel apodreceu, e ele parou de sorrir.
E então, apenas sua face inicial, quieta, aparecia. Quando as pessoas chegavam perto dele, ele as encarava, e não as respondia. Não tinha mais a satisfação de antes de ajudar as pessoas, de ser gentil com elas. E por isso, as pessoas deixaram de falar com ele, e no final, ele acabou totalmente sozinho, e sem amigos.
Ele virou uma pessoa fria, dura, irritada, e desconfiada. Não sorria mais, não ria, e nem expressava afeto por nada ou ninguém.
Eu percebi sua mudança de comportamento na época, e aquilo me deixou entristecido, porém, quando fui de encontro com ele, ele sorriu, — falsamente, eu sei, porque ele não estava nada bem, estava traumatizado – e começou a conversar comigo, como se tudo estivesse bem. E eu acabei por me despreocupar com sua situação.
Entramos no Ensino Médio. Osayuki continuou o mesmo. As pessoas começaram a ter medo dele, e continuaram por se afastar dele.
No segundo ano, isso também se repetiu.
E no terceiro também.
E tudo isso, me deixava muito triste.
No entanto, essa tristeza se transformou em amor, um amor forte, que fazia meu coração doer. Eu queria protege-lo. Queria abraça-lo e fugir com ele para bem longe de tudo e todos que podiam o machucar, e o fazer chorar. Eu queria o fazer sorrir de novo, rir de novo.
Eu sempre fui o irmão popular depois daquilo, e isso não me deixava feliz porque eu sabia, e eu sei que Osayuki é melhor que eu.
Eu não sinto inveja, eu sinto orgulho por isso na verdade. Mas eu só queria que ele visse como eu me sinto.
O amor que arde em meu peito é perigoso, é inflamável, mas não o suficiente para acender uma chama no coração dele.
Eu queria poder muda-lo, e torna-lo na pessoa doce que ele era antes.
Seu sorriso de amor se transformou em uma seriedade cheia de ódio, e isso angustia meu coração.
Porém, eu não tenho todo o tempo do mundo para fazê-lo meu...
Há um limite, há sempre um limite. Nenhum final feliz é dado de graça, assim como nenhum conto de fada não possui um vilão. Há sempre algo em qualquer coisa que vai impedir alguém de ser feliz.
E esse alguém que está no meu caminho se chama Hibi Fleur. A garota que tem uma paixão – fútil, a meu ver – pelo meu precioso irmão.
Ela não vai me deter de conseguir o que eu quero, e vou fazer com que Osayuki também pense igual.
Meu primeiro objetivo obviamente será por fim, fazer Osayuki odiar Hibi Fleur.
— Yuki, você vai se atrasar se não levantar logo. – disse, batendo a sua porta levemente, para acordá-lo.
Ele sempre fazia isso, ficava acordado até tarde, lendo ou escrevendo, e então demorava a acordar na manhã seguinte. Eu sempre tinha que acordá-lo, mas, eu não me importo.
Finalmente, ele abre a porta; com o cabelo bagunçado, mas ainda bonito, com uma cara de sono, e a roupa bagunçada. Esse era meu irmão.
— Bom dia... – murmurou com sua voz baixa.
— Bom dia, agora vá logo escovar seus dentes e tomar seu café se não vamos estar encrencados.
— Ok... – ele lentamente foi para o banheiro, ainda bocejando.
— Bom dia, Tamaki! – Um de meus sobrinhos, Henji disse, com sua voz alegre.
Ele está no ensino médio, no primeiro ano, é a segunda semana de aula dele.
— Bom dia. – sorri. – Oh, Onde Yuu se escondeu hoje?
— Em lugar nenhum. Aquele chato disse que iria mais cedo hoje, para se encontrar com os amigos dele. – resmungou Henji.
Yuu é irmão de Henji, um pouco mais novo, mas nem tanto. Eu percebi que Henji gosta dele bastante, assim como eu gosto de Yuki, mas isso não me incomoda.
— Ah, entendi. – dizendo isso, vejo Osayuki saindo do banheiro, e indo se sentar a mesa, para tomar sua caneca de café.
— Vamos logo, Yuki!!
— Tio Osa parece tão cansado hoje, você devia estar feliz tio, é sexta! – riu Henji.
— Eu... – começou, com sua voz calma e baixa. — ... não gosto muito de sextas...
— Quêêê?? Como assim você não gosta de sextas??
— ... – eu apenas ri, com a indignação de Henji. – Vamos Yuki, ande logo com isso...
— Ok... – ele se levantou e pegou seu lanche, e então saímos para irmos para o colégio.
Ao chegarmos lá, Osayuki puxou meu moletom, me chamando. Eu virei para olhá-lo, e quase que imediatamente senti minhas bochechas esquentarem.
— Tamakii... – disse em uma voz estranhamente manhosa. — ... eu... eu esqueci meu almoço em casa...
Sua voz derreteu meu coração. Era tão inocente e adorável. Parecia um gatinho pedindo comida. Mesmo avisando-o de conferir tudo antes de fechar a bolsa, não teria como eu ficar bravo com uma coisa tão preciosa quanto ele.
— ... – depois de um tempo, acalmando meu coração acelerado, eu sorri gentilmente. – Não se preocupe... Eu divido meu almoço com você, e depois podemos ir em alguma cafeteria para bebermos alguma coisa... Ok?
Eu baguncei o cabelo já bagunçado dele, e ele fechou os olhos com o ato. Tão fofo!
Ele olhou para mim com seus olhos castanhos amarelados de cachorro, e sorriu. E pude sentir que aquele sorriso não era nada falso.
— Ok... – murmurou, com sua voz calma... e baixa.
Notas finais
Eu sei que de início pode parecer confuso ( e é ) mas é assim que é sua relação.
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