Borboletário

1 Capítulo Único - Borboletário


Notas iniciais
Oieee pessoal!❤ Aqui estou eu com mais uma repostagem. Originalmente publicada no Spirit, "Borboletário" é uma one-shot SasuSaku. Espero que gostem!❤

Beleza. Elegância. Graciosidade.

Atualmente, quem visitar qualquer um dos três reinos que compõem a região de Takaramono certamente descreverá estes adjetivos como características principais dos mesmos.

Entretanto, em tempos antigos, o que imperavam em tais reinos eram a guerra, a violência, a destruição e a dor. O passado que os formou é composto por tiranos e muitos sacrifícios. Tristeza e sangue foram por muito tempo os maiores símbolos da população dos três grandes reinos. Contudo, um movimento revolucionário liderado por um trio de camponeses trouxe aos tronos as linhagens que perduram até os dias atuais.

Descendentes do líder revolucionário Hashirama Yamanaka, as governantes do reino de Kaki Saibai atuais eram a rainha Ino e sua irmã, a princesa Sakura. Ao atingir a maioridade, Ino foi coroada pelos pais, os reis Tsunade e Jiraiya, que agora acompanhavam os passos das filhas na gestão de seu território.

Da linhagem de Ashina Uzumaki, uma das lideranças da revolta, hoje estavam no trono de Yorokobu o rei Minato e a rainha Kushina, que geraram o príncipe Naruto Uzumaki. Mesmo que o rapaz já possua idade de herdar a coroa, seus pais optaram por se manterem no cargo a fim de poupar o filho de tamanha responsabilidade em sua tenra juventude. Foi uma decisão que contou com o apoio do príncipe, que julgava ainda não estar preparado para reinar sobre Yorokobu.

Do terceiro camponês que chefiou a revolução, Shamon no Sabaku, os sucessores no governo de Kinpun eram a rainha Temari e seus irmãos mais novos, o rei Kankuro e o príncipe Gaara. Tal como ocorrera em Kaki Saibai, os filhos mais velhos dos antigos monarcas assumiram o trono quando alcançaram a idade em que tornariam-se adultos, isto é, assim que completaram dezoito anos. Os antigos reis, Karura e Rasa, assistiam e aconselhavam os filhos em todos os seus passos no governo do reino.

Desde a coração de Ino Yamanaka e dos irmãos Temari e Kankuro, haviam se passado cinco anos. A rainha de Kinpun tinha vinte e quatro primaveras completas, e seu irmão, vinte e três, mesma idade da monarca de Kaki Saibai.

Os príncipes dos três reinos possuíam idades próximas: tanto Gaara quanto Sakura tinham vinte anos, enquanto Naruto estava prestes a comemorar o aniversário que o consagrava dois anos mais velho. A Yamanaka mais nova, por questões econômicas acordadas entre seus pais e os monarcas de Yorokobu, era prometida em casamento ao Uzumaki. O acordo era bastante claro: o casamento ocorreria no mesmo dia em que Naruto fosse coroado rei de Yorokobu.

Sakura sabia da importância que a aproximação comercial dos dois reinos possuía, e por isso aceitava a condição. O mesmo pensamento se aplicava ao jovem príncipe, que estava disposto a casar-se caso isso simbolizasse uma prosperidade ainda maior para o reino que tanto amava.

Não é como se os dois não se conhecessem, na verdade, eram amigos de infância. Em diversas reuniões e visitas entre os governantes os prometidos se encontravam e conversavam bastante. Para os pais, isso simbolizava que o casamento havia sido uma escolha acertada e os dois príncipes tentavam acreditar nisso também. Contudo, por mais que tentassem forçar o sentimento, o amor que sentiam um pelo outro era apenas fraternal. Era apenas uma grande amizade que contava por um limite invisível que nenhum deles era capaz de ultrapassar.

Mas por amor aos seus reinos, aqueles dois amigos iriam se casar. Naruto jurava a si mesmo que seria um bom marido, alguém carinhoso e cuidadoso para a princesa Sakura, ainda que o pensamento de desposá-la lhe causasse estranheza. A jovem Yamanaka, por sua vez, sempre fora uma moça obediente as vontades dos pais e durante toda a sua vida, aprendeu a colocar o reino de Kaki Saibai acima de si mesma. Se casar-se com Naruto era sua obrigação como princesa, era isso que faria, por mais esquisito que lhe parecesse. Com amor ou sem amor, o importante era obedecer as regras e ordens que lhe tinham sido impostas.

Na ocasião do aniversário de vinte e dois anos do príncipe de Yorokobu, Naruto Uzumaki, uma grande festa foi montada por seus pais. A comemoração contou com a presença das famílias reais dos dois reinos vizinhos, além da participação dos habitantes comuns da nação.

Os plebeus acompanharam com bastante admiração os passos das jovens donzelas da realeza, que não tinham problema algum em andar dentre o povo. O velho estereótipo de que monarcas e população não podiam ter contato entre si já havia caído por terra há muito tempo. Afinal, nenhum membro das famílias reais negava que era descendente de camponeses comuns, isto é, tinham consciência que sendo da realeza ou não, eram todos iguais.

Os comentários que corriam sobre a beleza de todas as mulheres que compunham a monarquia eram repletos de admiração e carinho. Mas, sem dúvidas, as irmãs Yamanaka eram o centro das atenções nesse sentido. Afinal, a rainha era uma mulher de longos cabelos louros, curvas voluptuosas e olhos azuis brilhantes. Seu rosto animado também transmitia determinação, principal característica da mulher enquanto liderança. A irmã mais nova tinha cabelos compridos tão rosas como as pétalas de uma cerejeira, ollhos verdes grandes e brilhantes que se assemelhavam a duas esmeraldas e um corpo delicado e proporcional. A beleza incomum de Sakura chamava atenção por onde a doce e educada princesa passava esbanjando sua serenidade e confiança. Definitivamente Kaki Saibai tinha as governantes mais determinadas, educadas e belas possíveis.

Ah! Como era sortudo o jovem príncipe por ser prometido em casamento a tamanha beldade!

Os príncipes também não ficavam atrás; as mulheres suspiravam de admiração pelos rapazes. Naruto, em especial, era um dos mais desejados: dono de olhos azuis cristalinos, cabelos louros e uma personalidade amigável, educada e animada, o rapaz era simplesmente encantador.

Ah! Que sorte tinha a bela princesa por ter aquele homem prometido para se tornar seu esposo!

Os dois escutavam os murmúrios, felicitações e torcidas pelo casamento e pensavam com seus botões acerca da cerimônia que a cada instante lhes parecia mais próxima. Sorriam com educação para todos que declaravam suas bênçãos ao casamento, mas internamente se perguntavam:

"Por que mesmo com tantos comentários felicitando-me pelo futuro casamento com Sakura… ",

"... não consigo me animar verdadeiramente para me unir a Naruto?"

No início da noite, um mero passatempo acabou se tornando uma verdadeira atração: as rainhas Ino Yamanaka e Temari no Sabaku disputavam uma partida de xadrez. Era fato que ambas eram mulheres extremamente inteligentes, o que indicava que aquela partida ainda se desenrolaria por bastante tempo. Mas havia outra característica comum a dupla: competitividade. Nenhuma das monarcas queria perder e por isso, cada movimento realizado era meticulosamente calculado.

As rainhas conversavam enquanto jogavam, e no decorrer da partida, combinaram que a vencedora poderia lançar um desafio para a que fosse derrotada. E assim, após três longas horas, o xeque-mate foi dado pela líder de Kinpun.

— Tenho que dizer… — Ino inicia ao observar seu rei ser derrubado no tabuleiro. — … você é realmente muito boa. Parabéns.

— Obrigada. Você também é! Deveríamos jogar mais vezes.

— Concordo plenamente. — Ino observa Gaara recolher as peças enquanto ria com Naruto pela demora na realização do jogo. Prossegue: — Mas agora, o mais importante… qual desafio você me lançará?

— Estou pensando. — Temari põe um dedo no queixo e sorri. — O que seria bom? Tem que ser algo realmente desafiador!

— Realmente! Nessas horas, sempre prefiro apostas. — Ino, também sorrindo, desvia o olhar para a irmã mais nova, que era com quem sempre apostava.

— Apostas são divertidas! — comenta Sakura.

— Vocês estão certas! — concorda Temari. — Acho que uma aposta seria bem mais interessante que um desafio. Então vamos apostar… vejamos…

A liderança de Kinpun, indecisa, pede ajuda para seu irmão Gaara, que prefere não intervir.

— Faça o que achar melhor, irmã.

— Mas é que… o que eu apostaria? Outra partida de xadrez? Alguma corrida a cavalo?

— Que tal pedirmos ajuda ao aniversariante? — sugere Kankuro.

— Perfeito. Príncipe Naruto, eu cedo a você a decisão sobre a aposta que eu e rainha Ino teremos.

— A mim? Bem… vocês podem fazer uma competição de comida. Por exemplo, quem come mais ramen ou algum doce.

— É interessante… — Temari diz devagar, não muito animada com a ideia. Sua companheira de xadrez também não parecia ter se empolgado o suficiente. Subitamente, risadas tranquilas puderam ser escutadas e a rainha-mãe de Kaki Saibai surge ao lado da monarca de Yorokobu.

— Podemos lhes dar uma ideia? — rainha Kushina indaga docemente.

— É claro.

— Alguns anos atrás, eu e rainha Tsunade, que foi quem teve a ideia, apostamos quem teria o reino em melhores condições estéticas, a fim de incentivar o turismo.

— Realizamos medidas de manutenção de pontos históricos e reconstituição de esculturas e pinturas danificadas; além de criarmos grandes campos florais, entre outras ações, para realçarmos a beleza de nossos territórios e assim, aumentar o fluxo turístico. — prossegue Tsunade.

— Fora é claro, a diversão de estarmos em competição. Foi uma experiência bastante positiva. O que vocês acham de fazer uma segunda versão dessa aposta?

— Eu acho simplesmente sensacional! — imediatamente Temari se levanta, animada. — Assim, além de apostarmos, ainda alavancamos o desenvolvimento de nossos reinos. Excelente! Aceita minha aposta, rainha Ino?

— É fantástico! — a loura bate palmas alegremente. — Claro que aceito! Agora só precisamos de alguém para mediar.

— Eu posso fazer isso! — voluntaria-se Naruto. — Imagino que será interessante.

— Como é seu aniversário, seu pedido é uma ordem. Acreditaremos em sua imparcialidade. — afirma Temari e o Uzumaki agradece. — Então, dentro de três meses apresentaremos nossos resultados, certo? Creio que é tempo suficiente.

— Certíssimo! Aposta feita!

E assim, com um aperto de mãos entre as duas rainhas, a competição estava selada. E mal sabiam alguns que aquele desafio iria mudar os rumos de muitas coisas em suas vidas.

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— Eu tenho um lema, ouviram? Para ganhar essa aposta vamos focar nessas três coisas: beleza, elegância e graciosidade. — Ino explicava para alguns de seus colaboradores. — Além disso, precisamos avaliar os impactos no setor hoteleiro, uma vez que a aposta entre as rainhas de Kaki Saibai e Kinpun certamente trará muitos turistas que buscam ver os resultados. Após os três meses que Temari e eu combinamos usar para melhorarmos nossa estrutura turística, certamente receberemos muitos mais visitantes do que estamos acostumados.

— E nossa obrigação é estarmos preparados para tal. Compreendem? — todos os presentes concordam com a cabeça. Sakura observa a irmã e continua: — Ino os chamou aqui porque vocês possuem especialidade nas áreas que precisamos. Verifiquem o que é necessário e o que pode ser melhorado e relatem a nós, para que avaliemos e enviemos recursos para que tudo possa ser executado.

A reunião é finalizada rapidamente e todos põem em prática as orientações das governantes. Sakura é designada pela irmã mais velha para cuidar pessoalmente das dependências do Palácio e arredores, incluindo a floresta, o campo de flores e o borboletário, além, é claro, de ser a responsável junto com a rainha pela fiscalização da execução dos outros itens discutidos mais cedo na reunião.

A princesa aceita tranquilamente sua função e logo segue para verificar no que teria de agir. Ino estava certa em afirmar que o Castelo era o principal símbolo do reino. Portanto, precisava cumprir com louvor os três requisitos de qualidade impostos: beleza, elegância e graciosidade.

Sakura verificou pessoalmente a situação dos diversos aposentos do grandioso Palácio e logo notou irregularidades simples em alguns locais, além de detalhes a serem melhorados no grande salão. Em geral, a estrutura estava em excelente estado, o que significava que as reformas necessárias seriam breves.

Foi então observar a situação dos arredores do castelo, e concluiu que não estavam muito diferentes da parte interna. Nada muito elaborado seria necessário e isso era ótimo. Por fim, Sakura se direcionou ao local que mais amava em todo o reino e que também seria um dos mais importantes naquela aposta: o campo de flores.

Espalhadas por grandes extensões de terras, várias espécies coloridas se prolongavam até onde a vista era capaz de alcançar, o que aliado ao belo céu azul e a luz delicada do sol, trazia um horizonte que se assemelhava a visão do Paraíso. Não era à toa que a jovem princesa amava tanto aquela região: era simplesmente encantadora. E para sua alegria, estava linda como sempre.

— Parece que está tudo certo por aqui. — Sakura murmura em determinado momento, após admirar a vista por horas a fio, sentada em um dos bancos presentes no local. Sorrindo sozinha, completa: — Ainda bem.

— Está do seu agrado, alteza? — uma voz masculina atrás dela a assusta. Levanta-se em um salto e fita o rapaz que perguntara. Não pôde deixar de notar que era um homem muito bonito. Usava uma camisa branca levemente suja e um macacão jeans, além de uma bota preta. Seus cabelos eram negros e seus olhos compartilhavam do mesmo tom, lhe conferindo um ar misterioso e elegante. Sakura paralisa com a visão alguns segundos antes de respondê-lo.

— Oh, sim… — Desconcertada, ela confirma. — Sem dúvidas está do meu agrado.

— Que bom. — ele faz uma pequena reverência e começa a se afastar. — Com sua licença.

Sakura observa o rapaz andar até as orquídeas e se assusta ao vê-lo entrar no meio das plantas. Receosa que alguma se danificasse, alertou-o:

— Tome cuidado! São delicadas! Você pode matá-las!

O homem se vira na direção dela com um sorriso de canto. De alguma forma, isso irritou-a um pouco. Afinal, ela só estava tentando ajudar, não precisava dar uma de convencido.

— Não as matarei, não se preocupe.

Contudo, embora ele tenha dito para ela não se preocupar, foi exatamente isso que ela fez. Ora, ele apenas entrava cada vez mais no campo, andando entre as flores sem sequer olhar para o chão. Sakura tinha certeza de que aquele homem estava matando as plantas enquanto caminhava e isso era justamente o que ela tinha que impedir. Se levantou do banco e correu por uma das estradas de terra batida existente entre as flores, parando em uma extremidade do campo próxima a de onde ele se encontrava.

— Com licença, senhor, mas não posso permitir que continue destruindo as flores!

— Alteza… — ele sai do campo e se aproxima dela, sem tirar o sorriso 'convencido' do rosto. — Eu jamais faria mal a essas plantas. Estou tomando cuidado.

Sakura levanta uma sobrancelha e cruza os braços. Ele não parecia estar tomando cuidado algum. Na verdade, aparentava não ser alguém delicado o suficiente para tomar cuidado com qualquer coisa.

— Tem certeza?

— Total. Pode verificar se quiser. — o homem aponta para o local onde estava anteriormente e ela aproxima-se. Realmente, as plantas pareciam intactas. Mas como?

— Eu tinha certeza de que o senhor estava andando entre elas…

— E estava. Mas conheço essas flores como a palma de minha mão, princesa.

Ela observa a expressão do rapaz por alguns segundos, e então compreende.

— Você é o jardineiro responsável? — Sakura indaga ao perceber e se envergonha. — Ah, me desculpe, senhor, eu não sabia…

— Eu é que peço desculpas, alteza. Deveria ter me apresentado.

— Ora, não se preocupe. — ela abre um sorriso. — Vamos fazer direito, então. Prazer, sou a princesa Sakura Yamanaka do reino de Kaki Saibai.

— É um grande prazer, alteza. — o homem curva-se, aceitando a encenação. — Sou o jardineiro Sasuke Uchiha, plebeu do reino de Kaki Saibai.

— Eu estava precisando mesmo falar com o senhor! — Sakura exclama e dá uma risada. Sasuke esboça uma careta e ela prossegue: — Já deve ter conhecimento da aposta que minha irmã e a majestade de Kinpun estão disputando.

Ele simplesmente concorda com a cabeça e a princesa prossegue, enquanto andavam pela estrada do campo floral:

— Um dos pontos mais importantes a serem observados é, sem dúvidas, o campo de flores. Aparentemente, está tudo bem, mas o senhor pode me informar se precisar de algo. Quem é seu ajudante?

— Não tenho ajudante.

— O quê? Não, isso é impossível! Isso aqui é imenso! — Sakura fala, espantada, mas ele não diz nada em resposta. — O senhor é incrível!

— Princesa… — o Uchiha abaixa a cabeça. — Desculpe se eu estiver parecendo chato, mas poderia não me chamar de 'senhor'?

— Ah, claro, claro. — ela dá uma risada sem graça. — Afinal, devemos ter a mesma idade, não? Desculpe, é a força do hábito. Mas então, por favor, me chame só de Sakura também.

— Mas vossa alteza é a princesa…

— Não importa. Eu te chamarei só de Sasuke, então peço que me chame apenas pelo nome também.

O rapaz abre a boca para rebater, mas ela levanta uma sobrancelha indicando que iria insistir o quanto fosse necessário. Sorrindo de canto, ele se dá por vencido.

— E então, falta algo por aqui? — a rosada pergunta novamente.

— Creio que poucas coisas. Posso fazer uma lista.

— Excelente!

Os dois seguem andando pelo campo em uma conversa longa, rapidamente tirando o foco do trabalho e passando por assuntos aleatórios. Sakura não precisou de muito para entender que o jardineiro era um homem de poucas palavras, mas gostava de vê-lo analisando as flores ao passar. Sasuke, mesmo sendo um plebeu, possuía uma elegância ímpar ao andar e mesmo no seu jeito de se expressar. Seu olhar era penetrante, e nas poucas vezes que trocaram olhares, Sakura sentiu como se algo esquentasse seu peito e lhe desconcertasse. Sempre que se encaravam, ela sentia um ímpeto de permanecer observando o belo rosto do rapaz, mas suas bochechas coravam e a jovem se sentia envergonhada, o que a fazia desviar o olhar em seguida.

Sasuke, por sua vez, sempre gostou de acompanhar ao longe as visitas da princesa ao campo de flores, mesmo quando ela estava acompanhada da irmã. Trabalhava com afinco nas flores e nas borboletas que sua mãe o havia ensinado a cuidar com uma delicadeza que ele demorou a desenvolver. Sempre se alegrava ao assistir as pessoas visitarem o fruto de seu esforço, mas, sem dúvidas, a visita que mais ansiava era a da belíssima princesa Sakura. Dona dos olhos verdes mais puros e cristalinos do reino e de cabelos cor-de-rosa compridos e delicados como as flores que tanto cuidava, a moça era uma verdadeira beldade. Sasuke duvidava que houvesse mulher mais linda em todo o mundo. Contudo, sua personalidade fechada sempre o limitou a somente observá-la à distância, alegrando-se internamente por acreditar que ela estivesse satisfeita com suas plantas. A verdade é que não se aproximava também por ter um certo receio da Yamanaka mais nova ser alguém mimada e irritante. Itachi, seu irmão mais velho, costumava brincar dizendo que ele "tem uma queda pela princesa". E ainda acrescentava que "o pessoal da realeza não morde, são todos bastante legais, deveria falar com ela".

Sasuke negava sempre a afirmação do irmão, argumentando que era impossível ter "uma queda" por uma pessoa com quem nunca conversara. Ele apenas a achava extremamente bonita e delicada, só isso. E outra, não é porque Itachi trabalhava como mercador e de vez em quando ia ao castelo, o que tinha lhe dado a chance de conhecer pessoalmente a família real que ele poderia dizer alguma coisa sobre a princesa, não é? Talvez ela fosse somente educada com ele, mas na verdade, detestava falar com plebeus.

Tais pensamentos nervosos rondavam sua mente sempre que assistia escondido a princesa andar pelas estradas presentes entre suas flores, mas sempre que a via dançar ou cantar, esquecia completamente seus receios e apreciava a maravilha que era assistir aquela mulher se divertir.

A aposta entre as majestades de Kinpun e Kaki Saibai correu pelo povo como eletricidade em água. Quando soube, Sasuke tratou de verificar seu campo de flores e seu borboletário para se certificar de que ao menos no que dependesse dele, o reino estaria em vantagem na disputa. Quando viu a princesa se aproximar e andar observando as flores, se posicionou em seu esconderijo costumeiro e ficou observando-a.

Itachi passou no mesmo dia para conversar com a rainha acerca de alguns itens que seriam adquiridos para o castelo e aproveitou para conversar com o irmão caçula, tirando-o de onde estava escondido e o incentivando a falar com a princesa.

E a partir dessa conversa com o irmão, Sasuke conseguiu reunir coragem e perguntar a jovem se o campo estava do seu agrado, obtendo uma resposta positiva. Após isso, rapidamente seguiu para suas flores, sorrindo ao ver a preocupação que a princesa demonstrou possuir com as belas plantas, tentando impedi-lo de assassiná-las, como se ele fosse capaz de tal ato. E diferente do que temia, a moça realmente era doce e gentil, até havia pedido que as formalidades entre eles fossem extintas. E de perto, Sasuke teve certeza de que ela era infinitamente mais bela e encantadora do que ele já havia detectado.

E agora, quem diria, estava caminhando ao lado dela, admirando-a em segredo. Às vezes o rosto delicado da princesa corava e isso lhe deixava tão absurdamente mais linda, na opinião de Sasuke. Sempre que fitava as esmeraldas brilhantes que eram os olhos de Sakura, ele sentia um calor em seu coração e um forte desejo de tocar-lhe o rosto, acariciá-lo…

Agora que já trocara palavras com ela, podia pensar sobre a afirmação de Itachi. É, talvez ele estivesse certo. Mas só talvez.

— Você trabalha aqui há muito tempo? — a doce voz da princesa tomou-lhe subitamente, o fazendo acordar de seus devaneios.

— Sim. Minha mãe sempre trabalhou nesse campo de flores e eu aprendi tudo com ela. Agora que está aposentada daqui, ela vende doces para festas e eu assumi as flores e borboletas.

— Borboletas? — os olhos verdes se iluminam. — Você também cuida do borboletário?

— Sim.

— Eu só fui lá uma vez, quando era pequena. Nem me lembro como é.

— Sério?

— Sim. Eu achava que tinha sido desativado…

— Uma parte foi mesmo, depois de um acidente que ocorreu há alguns anos. Mas a outra está intacta. Quer ver?

— Oh, sim, mas tenho que voltar para o castelo…

— Vai ser rápido, garanto. — Sasuke prometeu e um momento de coragem, estendeu a mão para Sakura. Sorrindo, ela segura a palma dele e corre pelos campos a segui-lo.

E então encontram um local belíssimo: árvores imensas de folhas verdes escuras e frutos brilhantes moldavam o entorno de uma casa imensa construída em vidro. Entraram lentamente, ainda com Sasuke segurando a mão da princesa, que observava o interior da estrutura boquiaberta.

Borboletas de asas em diferentes formatos e cores voavam graciosamente por toda a casa, que filtrava a luz do sol que se punha e trazia um ar quase mágico aos belíssimos animais. Algumas saíam e voavam entre as árvores, outras se contentavam com flores que exisitam ao pé da casa. Sakura assistia tudo com alegria e animação e Sasuke sorriu de canto ao ver a reação da princesa.

— Gostou?

— Eu amei. É tão… lindo! — exclamou a moça, que virou-se para encarar o homem que a havia guiado até lá. — Obrigada.

— Não precisa me agradecer. — Sasuke solta a mão dela e posiciona a sua própria no ar até que uma borboleta pousa sobre sua mão.

— Como fez isso? — Sakura indaga sorrindo, encantada com o animal.

— Eu acho que elas me conhecem. — ele responde com sinceridade. — Mas podemos tentar com vossa altez.. — ela o fita seriamente. — … com você.

Cuidadosamente, Sasuke segura a mão da rosada e a estende no ar, aguardando alguns instantes. Surpreendentemente, uma borboleta pousa na mão da princesa, que se anima.

— Não chacoalhe ou ela irá embora.

— É linda! — Sakura exclama, hipnotizada com as asas do animal em sua mão, que tinham uma mistura de tons de rosa e preto elegantes e belos. Alguns instantes depois, a borboleta levanta voo e a princesa assiste sua trajetória.

— Ela gostou de você. — comenta Sasuke com seu costumeiro sorriso de canto.

— Que ótimo! — após dizer isso, Sakura abaixa sua mão que ainda estava sendo segurada pelo jardineiro. Sorri para ele, mesmo sabendo que estava corada, e sente o rosto queimar ainda mais quando ele dá um passo em sua direção. Ainda assim, qualquer desejo de se afastar havia sumido de seu corpo, levantado voo tal qual aquela borboleta. Jamais havia sentido algo parecido antes, mas queria que aquela sensação não acabasse.

— Posso lhe explicar mais sobre as espécies, se desejar. — ele oferece com sua voz forte e ela simplesmente concorda com a cabeça.

Sasuke adorou assistir a animação de Sakura, mas quando a mão dela se separou da sua e o belo rosto tingiu-se de vermelho, ele quis prolongar aquele momento ao lado da princesa. O que ele estava sentindo, não sabia e nem procurava entender. Era apenas… especial.

— Então… Eu vou te explicar. — Sasuke murmura após ela concordar em aprender mais sobre as espécies das borboletas. Contudo, a verdade é que um desejo súbito subiu pelo corpo do Uchiha e ele nem estava conseguindo pensar muito no que diria: só queria olhar para ela, seu rosto perfeito, seus cabelos belíssimos, seus olhos encantadores e beijá-la. Mas não podia fazer isso, não podia, ela era prometida em casamento ao príncipe de Yorokobu, todo mundo sabia disso. Então por que ele simplesmente não conseguia interromper aquele momento?

Sakura, com o coração acelerado, escutou as últimas palavras sussurradas pela boca do Uchiha e mordeu os lábios inferiores. Sim, ela queria entender mais sobre as borboletas, mas a visão daquele homem sob a luz alaranjada do sol do entardecer que entrava pelas paredes envidraçadas a estava fazendo perder a sanidade. A companhia dele durante a conversa que tiveram durante toda a tarde lhe despertara sentimentos inéditos e deliciosos. Tinha consciência do quanto estavam próximos e das vontades incontroláveis que estavam tomando conta de si. Era algo completamente novo, Sakura jamais havia sentido nada parecido em toda a sua vida, mas um calor a consumia e a parecia que o mundo havia parado para que aquele instante se tornase maior ao lado de Sasuke. Mas ela tinha que interromper aquilo, afinal, seja lá o que estivesse acontecendo, com certeza não deveria. Contudo… por que ela não conseguia?

Os olhares dos dois cruzaram-se, o verde e o ônix criaram uma conexão profunda e inexplicável, promovendo um misto de sensações que se propagavam como eletricidade ao longo dos corpos de ambos.

A respiração já se misturava e estava cada vez mais próxima.

As testas dos dois colaram-se e aqueles desejos finalmente os fizeram abandonar a racionalidade.

Com a luz do entardecer do sol e borboletas esvoaçantes enfeitando-lhes, os lábios dos dois se encontraram em um beijo quente, desejoso e enlouquecido. As línguas de ambos se cruzavam em sincronia, tal como a dança que as borboletas ao redor deles realizavam, e aquela conexão parecia apenas tornar-se maior e mais forte. As mãos da princesa invadiram o macacão do homem e ele envolveu sua cintura com uma mão, abraçando-a, e trazendo a outra para sua nuca, entrelaçando os dedos aos cabelos róseos que tanto o encantavam. Beijaram-se intensamente, e quando terminaram, selaram os lábios novamente o mais rápido que puderam. Aos poucos o abraço se tornou ainda mais apertado, os beijos despertaram mais e mais sensações e as roupas que vestiam subitamente pareceram desnecessárias.

E assim, aquele antigo borboletário ganhou outro significado, tornando-se o templo sagrado dos dois.

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Itachi já havia notado em casa que o irmão aparentava estar mais feliz, mas sabia que ele jamais revelaria o verdadeiro motivo daquilo e esquivaria-se de sua perguntas. A rainha Ino, em seu castelo, também notara a mudança de atitude da irmã, que parecia cada vez mais animada mesmo nas ações mais simples. A monarca se convencera de que aquilo era apenas a ansiedade causada pela proximidade da finalização da aposta e não procurou saber mais.

Contudo, a realidade era que todos os dias, religiosamente ao final da tarde, a princesa do reino de Kaki Saibai e o jardineiro do grandioso campo de flores se encontravam e conheciam um pouco mais um ao outro. Ao longo de três meses, ele explicou a ela tudo sobre as diferentes flores que compunham o grandioso campo floral e até ensinou-a técnicas de jardinagem. Também expôs a diversidade de espécies de borboletas existentes e suas funções para a polinização.

Mas não só de aulas eram formados esses encontros diários: brincadeiras entre as flores e borboletas, conversas, correrias, apostas, diversão e muito romance tornavam as tardes dos dois simplesmente imperdíveis e maravilhosas. Entendiam mais sobre a essência um do outro, suas dificuldades, seus medos, seus sonhos. Tornaram-se verdadeiros confidentes, amigos e amantes.

E no decorrer desses três meses, Sakura e Sasuke somente confirmavam o que já haviam percebido desde o primeiro olhar que trocaram: o que havia entre eles transcendia a mera paixão, era amor, o mais puro amor. O borboletário tornou-se o palco de inúmeros beijos, abraços, e também foi o local onde se deram conta do que sentiam um pelo outro e trocaram juras de amor pela primeira vez.

E lá estavam, sentados em um dos cantos reconstruídos do local, abraçados, acariciando um ao outro. Anos antes, uma das árvores que rodeavam a casa de vidro caíra e destruíra parte do belo borboletário, mas Sakura havia mandado consertá-lo. Todas as manhãs, antes de se encontrarem, um grupo de trabalhadores realizava a reconstituição do ambiente, e finalmente tudo estava pronto. O borboletário de Kaki Saibai era um dos trunfos de Ino na aposta contra Temari, mesmo sem saber o quanto ele também significava para a irmã mais nova.

Quando a noite começou a se tornar presente, Sakura apertou o abraço contra Sasuke, sabendo que aquilo significava que tinha que ir embora. Ao fitá-lo, ela notou que ele parecia distante e se preocupou.

— Sasuke… você está bem? — o homem encarou-a seriamente e respirou fundo, deixando-a ainda mais assustada.

— Sabe, no começo, eu tinha medo de você ser mimada e irritante. Demorei muito até conseguir ter coragem de falar com você...

— Sim, você já me contou essa história…

— … e acabei descobrindo que você é mesmo irritante, sempre pulando de animação com tudo e sorrindo sem motivo para as coisas. Mas sabe? É isso que eu gosto em você. Você é a irritante que eu amo.

— Sasuke… — Sakura estava sem palavras diante do que ele havia lhe dito. A sós, o Uchiha costumava ser mais aberto, mas ela nunca se acostumava por completo com aquilo. Ela passa a mão carinhosamente pelos cabelos negros do rapaz, sorrindo, e ele interrompe seus pensamentos:

— Mas, Sakura… você é uma princesa.

— De novo com isso, Sasuke? — ela se senta direito e cruza os braços com um sorrisinho de canto, mas ele permanecia sério. — Já falei a você que ser da realeza não significa nada! Eu não sou melhor do que ning…

— É claro que significa, Sakura! Nós podemos até fingir que não isso existe, mas uma hora ou outra não vai dar mais! — Sasuke levanta as mãos e as passa pelo rosto, respirando fundo. — Por ser da realeza é que você tem um contrato de casamento! — ele retira as costas da parede, ainda sentado, se ajeita e foca no rosto dela. A princesa volve os olhos para baixo, entristecida. Ela sabia disso e se lembrava desse contrato todas as noites. E tentava enterrar aquilo, enrolando até quando fosse possível para viver o seu amor sem preocupações. Mas não adiantava; a sombra daquele problema sempre estava lá, gritando que ela não podia fazer o que fazia todas as tardes.

— Eu… sei, Sasuke. — levantando o olhar, a mulher foca nas íris do companheiro. — E também sei o motivo de você estar dizendo isso.

— Para mim, enquanto plebeu, podem ser somente boatos, mas você sabe se é verdade ou não! Ele vai mesmo ser coroado, Sakura?

— Não há certeza. Rainha Kushina e rei Minato estão em reunião com o filho para verificar se já é possível…

— Mas o que é mais provável? — ao escutar a indagação, Sakura sente o coração se partir. Com sinceridade, responde:

— É mais provável que a data da coroação seja anunciada no dia da finalização da aposta.

— Que será daqui a três dias. E ele está vindo até aqui para analisar o trabalho de vocês na competição amanhã, não é?

— Sim.

— E não é preciso ser um gênio para saber que a visita dele não será somente para julgar o trabalho da rainha na aposta.

Pela primeira vez, Sasuke tinha mais o que dizer do que Sakura. Ela escutava em silêncio, cada vez mais triste. O jardineiro dizia devagar, mas o coração dela se agitava a cada palavra. Ele estava certo: ela não poderia simplesmente fingir para sempre que aquilo não existia. Mas assumir aquela realidade também significava…

— Talvez ele não seja coroado, amanhã ele me dirá…

— Ainda que não seja agora, Sakura — Sasuke pega na mão da princesa, que desvia o olhar do chão e encara o rapaz. — Uma hora ou outra o príncipe será coroado. E ao se tornar rei, ele irá…

— … se casar. — ela completa em um murmuro.

— Se casar com você. — o Uchiha finaliza a frase com tristeza. — Sakura, por favor, me diga… você quer se casar com ele?

— Não. — a princesa responde sem pestanejar. Ao menos disso ela tinha certeza.

— Então, se você não quer… Será que…

— Há muitas coisas envolvidas, Sasuke.

— Você será feliz ao lado dele? — o jardineiro dispara, ansioso pela resposta. Se ela dissesse que sim, por mais difícil que fosse, ele não iria mais insistir. Afinal, para ver Sakura feliz, ele seria capaz de qualquer coisa, mesmo que isso significasse vê-la se casar com outro homem. A moça inspira profundamente com os olhos fechados, pois falar sobre aquilo lhe doía muito.

— Se o reino poderá viver em melhores condições, eu estarei feliz.

— Você está se esquivando. Não perguntei sobre Kaki Saibai, perguntei sobre você. — ele insiste, desejando a resposta sincera e direta, seja ela qual fosse.

— Tenho deveres como princesa…

— Não perguntei para a princesa, perguntei para a Sakura…

— Acontece que a Sakura é a princesa de Kaki… — a moça rebate novamente, cada vez mais perto de explodir.

— Você será feliz?

— Será benéfico para…

— Você, Sakura, será feliz?

— É claro que não, Sasuke! — a jovem praticamente grita, soltando a mão dele. — É claro que não.

Internamente, o Uchiha comemora a resposta ao passo em que se preocupa. Indaga finalmente o que estava entalado em sua garganta:

— Realmente não há nenhuma outra opção?

— Não… — Sakura meneia a cabeça lenta e negativamente, mais uma vez fitando o chão ao sentir a tristeza subir pelo seu corpo. — Eu não posso. São acordos comerciais muito importantes que serão realizados com o casamento. E além disso, tem outras coisas envolvidas…

— Acordos comerciais valem mais que a sua felicidade?

Sakura não responde a pergunta de Sasuke e reprime o choro que ameaçava vir. Ele suspira, fitando o teto envidraçado que estampava o céu estrelado. O coração dele se apertava cada vez mais, sabia que não deveria ter sequer começado aquela relação, mas ele simplesmente não conseguiu impedir que os sentimentos fluíssem.

Era um idiota! Quando foi que pensou que poderia viver feliz com a princesa? Sempre soube que ela era prometida ao futuro rei de Yorokobu, por que seu coração tinha de ser tão imprudente? Ingênuo, acreditou que aqueles três meses seriam infinitos, mas não eram e a realidade tinha que surgir em algum momento! Agora amava e teria que assistir a mulher de sua vida se casar com outra pessoa. Havia se apaixonado por alguém que jamais poderia ter. Idiota!

— Se eu pedisse a sua mão em casamento… — se levantando, determinado, ele toma coragem para perguntar o que mais desejava. — … você aceitaria, se pudesse?

As bochechas de Sakura, ainda sentada, tingem-se de vermelho e seu olhar brilha novamente. Com um sorriso, ela responde sem rodeios:

— É claro que sim. Você é o homem que eu amo.

Ao escutar a resposta, o coração de Sasuke dispara e ele é tomado por uma felicidade inexplicável. Mas poucos segundos depois, a realidade cai sobre sua mente e o acorda de seu devaneio. Ele abaixa-se e encara as esmeraldas da amada.

— Sakura… — sussurra.

— Não diga mais nada, por favor. Eu não posso quebrar as regras. — ela põe delicadamente um dedo sobre a boca do rapaz, que prossegue:

— Nós não poderemos mais nos ver. — a moça arregala os olhos, espantada.

— Mas… amanhã ele só virá verificar a aposta, Sasuke…

— Ainda assim. De uma forma ou de outra, vocês se casarão em breve, Sakura. — cada palavra doía no peito do homem ao ser dita, mas ele sabia que precisava dizê-las. — Temos que parar com isso, antes que seja… inevitável.

A Yamanaka sente lágrimas se formarem e dessa vez, ela não as segura. No fundo, sabia disso, mas escutar tão claramente lhe deu um baque profundo e dolorido. Ela não queria se afastar de Sasuke, queria mantê-lo ao lado dela e nunca mais soltá-lo. Ela o amava!

— Entendo… — sussurra com a voz embargada pelas lágrimas.

— Não posso ser o seu amante, Sakura, isso seria…

— … terrível, eu sei. Eu sei. — as lágrimas rolavam incessantes, a despedida que estava sendo feita era o pior pesadelo que ela poderia imaginar. — Poderia causar uma série de problemas… E além do mais, você merece coisa melhor, Sasuke. Não quero atrapalhar sua vida com esse tipo de coisa, você é uma pessoa honrada…

— Ei, não chore. — o peito do rapaz apertava-se ao ver a amada chorar por sua causa. Aproximou-se, pela última vez, e encostou seus lábios nos dela, em um beijo terno, calmo e carregado de tristeza. Era o beijo da despedida.

Ao final, ele passou a mão por aqueles fios róseos tão belos e esboçou a tentativa de um sorriso para Sakura, que o abraçou com força.

— Apesar de tudo, os nossos mundos são muito diferentes. Você é uma princesa e eu sou um plebeu. — Sasuke murmura ao se levantar com ela. — Mas saiba, Sakura, que eu sempre vou te amar.

— Eu te amo, Sasuke. E isso nunca, jamais, irá mudar.

Trocaram um último olhar e sentiram o cheiro um do outro pela última vez, até que as mãos se separaram e Sasuke começou a se afastar.

E assim, ele seguiu seu caminho por aquele campo de flores onde tantas vezes brincaram, se divertiram e se beijaram. Preciosas lembranças que estavam eternamente gravadas nos corações de ambos. Sasuke caminhava decidido, pois sabia que se olhasse para trás e fitasse mais uma vez aquelas orbes verdes, poderia acabar mudando de ideia. Além disso, não queria que ela visse suas lágrimas que escorriam, pois tinha medo que ela sofresse ainda mais por conta delas.

Sakura desabou na porta do borboletário enquanto assistia o Uchiha se afastar, chorando compulsivamente em silêncio, tendo somente as borboletas que voavam ao seu redor e o céu noturno como testemunhas de sua dor.

No dia seguinte, ela tentou fingir que estava tudo bem e seguir sua rotina normal, mas isso era simplesmente impossível. Passara a noite inteira acordada com o coração em pedaços e a cada segundo que decorria, sentia-se mais deprimida. Pela primeira vez em seus vinte anos de vida havia sentido algo tão forte e profundo por alguém. Estava apaixonada por um homem que também a amava, mas por estar condenada a um casamento com um amigo, não podia viver aquele amor. Tentava se convencer de que ao menos os três meses maravilhosos que pôde passar ao lado de Sasuke jamais sairiam de seu coração, como se isso fosse capaz de lhe consolar.

Ino rapidamente percebeu a irmã mais cabisbaixa, mas Sakura esquivou-se de suas perguntas repetidas vezes e a rainha acabou se convencendo de que ela estava apenas em um dia ruim. Afinal, o que mais poderia ser?

Sakura se esforçou o máximo que pôde para cumprir com suas obrigações, mas quando se viu organizando e preparando a recepção para a chegada do príncipe Naruto, não conseguiu mais continuar. Pediu licença aos presentes e se retirou educadamente, tentando manter a compostura que havia sido treinada a ter em qualquer situação.

Respirava fundo, tomou calmantes, tentou se recompor, mas aquela angústia que apertava seu peito e crescia indiscriminadamente a estava matando, ela não podia mais suportar aquilo! E então, deixou suas pernas a guiarem para onde verdadeiramente sentia que podia libertar seus sentimentos, longe de todos aqueles protocolos que a cercavam no Castelo.

Correu até o campo de flores.

A brisa da manhã beijava carinhosamente as pétalas das flores e ajustava o ritmo de voo das borboletas que brincavam entre o misto de cores, tal como um dia ela trocou beijos com o homem que era responsável por cuidar daqueles seres vivos a sua frente.

Andou pelas estradas entre as flores e depois entrou entre elas, sem medo de matá-las, pois ele a havia ensinado como adentrar o campo sem riscos. Sorriu sozinha com as lembranças; mas seu coração dolorido rapidamente a lembrou que aquilo estava acabado.

Talvez estar lá não fosse o melhor para ela, pois embora soubesse que Sasuke só trabalhava no campo de flores pelo final da tarde, aquele lugar só a fazia reviver momentos que agora ela precisava aprender a manter na memória apenas. Contudo, só o campo floral, com sua beleza e delicadeza, era capaz de ajudá-la a se sentir melhor.

Por que ela estava sofrendo tanto, se ela o amava e era um sentimento recíproco?

As indagações que fazia a si mesma somente lhe diziam que estava sofrendo à toa. Não era necessário tudo aquilo, bastava recusar o casamento! Sabia que sua família jamais discriminaria Sasuke por ser um plebeu; seu próprio pai originalmente era um plebeu que entrou para a realeza ao se casar com sua mãe. Parecia tão fácil…

Mas não era, Sakura repetia e se recordava de tudo. Foi um acordo conjunto com Yorokobu em que grandes sistemas econômicos jamais vistos antes poderiam ter suas pontes formadas com o casamento, já que muitos investidores de reinos longínquos só aceitariam depositar seus recursos se tivessem certeza de uma proximidade insolúvel entre Yorokobu e Kaki Saibai, ambos territórios de fronteira com os limites de outras macrorregiões.

Originalmente, o acordo seria para que Ino, a futura sucessora de Tsunade no trono, se unisse a Naruto. Mas ela era algum tempo mais velha, e a ideia principal não era uma união total de dois reinos, e sim, uma garantia de que a ponte econômica não seria desfeita jamais. Assim, a Yamanaka caçula poderia se casar e se tornar a rainha de Yorokobu ao lado do descendente direto de Ashina Uzumaki; e com o reinado separado de Ino, Kaki Saibai permaneceria tendo um núcleo próprio.

Era algo há muitos anos decidido e preparado, afinal, tais relações econômicas trariam inúmeros benefícios para as nações. Só dependia dela e de Naruto: todos esperavam pelo casamento. Era um modelo que já havia dado certo anteriormente — rainha Kushina e rei Minato também se casaram dessa forma, por promessa, e se amavam tanto! Era notório para qualquer um que o amor deles era verdadeiro e forte. Parecia tão fácil! Bastava que ela se apaixonasse por Naruto, só isso… Por que seu coração não ajudava?

Com tais pensamentos em mente e consciente de que ninguém estava lhe vendo, Sakura permitiu externar seu sofrimento por meio de lágrimas que não suportavam mais ficar retidas. Correu sem pensar pelos campos, com seu vestido longo azulado de tecido fino acariciando as delicadas flores que escutavam suas lamúrias. As borboletas mais uma vez eram as únicas testemunhas do sofrimento da princesa, mas não a julgavam; acompanhavam-na em sua corrida na tentativa de apaziguar, ao menos um pouco, sua tristeza.

Em sua corrida descompassada acompanhada de suas salgadas lágrimas, Sakura acaba chegando ao borboletário. Tão belo, tão perfeito, tão mágico… aquele local onde sentiu o sabor do amor pela primeira vez. O choro veio mais forte e ao entrar, a jovem cai sobre seus joelhos, enfraquecida pela dor. Observa com seus olhos esverdeados as borboletas que voavam ao seu redor e até levanta a mão para que uma, obedientemente, repouse sobre a pele alva. Quando o animal o faz, ela fita as asas tingidas de vermelho e branco e pensa que aquelas borboletas haviam assistido tudo — desde o começo até o fim. Eram as espectadoras que Sasuke e Sakura haviam permitido assistir todos os acontecimentos sem receios. Só e apenas elas sabiam o que significava o borboletário sagrado para a princesa. Só e apenas elas entendiam o amargor de suas lágrimas.

A jovem assiste a borboleta que estava em sua mão levantar vôo e se aproximar de uma de asas verdes e rosas, a mesma que havia pousado em sua mão pela primeira vez. Sakura abraça-se contra as próprias pernas, sem interromper o choro.

Ela nunca fora de quebrar regras. Jamais. Desde pequena, sempre obedeceu cegamente todos os protocolos e ordens que lhe eram impostos, para cumprir com sua função enquanto princesa. Tinha consciência que qualquer ação sua poderia ter impacto direto em relação ao reino, e ela era um nome forte em Kaki Saibai por natureza e precisava fazer jus àquele fato. Ino, sua irmã mais velha, tinha mais responsabilidade que ela nesse sentido, mas também sempre dizia que Sakura era muito "cheia de neura com essas coisas". A loura chegou a dar um pouco de trabalho para os pais em sua adolescência e mesmo depois de coroada, ainda se permitia viver a juventude como uma pessoa comum de vez em quando.

A rosada, ao contrário da irmã, tinha uma preocupação grande com sua posição no governo. Havia intrínseco nela um medo de ser inútil e decepcionar todos. Queria ser uma boa princesa para seu povo, honrar o passado e história que seu sobrenome carregava. Só isso… então por que doía tanto cumprir seu dever?

As borboletas ao seu redor começavam a fazer-lhe cócegas nos braços e pescoço de tão próximas que estavam. Levantando a cabeça para observá-las, ela foca novamente nas duas que havia encarado um pouco antes. A de asas verdes e rosas girava em torno de um casulo junto com a de asas vermelhas e brancas.

Como se tivessem notado o olhar de Sakura, os animais se afastam do casulo em que estavam e se juntam às outras borboletas em seu passeio pelos ares. A princesa, ainda chorosa, fita o invólucro. Sasuke, naquele mesmo local, havia ensinado-a mais a fundo sobre a dinâmica das espécies de borboletas.

Ela se levanta e se aproxima mais do casulo branco, notando que sobre as prateleiras haviam algumas lagartas. Quando viu os animais rastejantes pela primeira vez, Sakura realmente se enojou; mas o jardineiro que tanto amava a ensinou sobre aqueles bichos e hoje ela já estava acostumada.

Sabia que toda bela borboleta, antes de tudo, era uma lagarta.

Pensou no que a sua vida estava prestes a se tornar. Ao que tudo indicava, em breve seria coroada rainha de Yorokobu ao lado de Naruto. Aparentemente, era algo belo. Por fora, parecia que ela estava em paz com aquilo. Mas não estava, definitivamente não estava! Como aquela lagarta, ela estaria se arrastando pelo caminho mais confortável e seguro, sem mudanças. Antes, ela não se importava com o amor, mas depois de experimentá-lo, ela só queria viver com ele para sempre. O que a impedia?

Subitamente, a voz de Sasuke surgiu em sua mente:

" — Acordos comerciais valem mais que a sua felicidade? "

A economia do reino não dizia somente a ela, como também a milhares de plebeus que dependiam de sua gestão. A jovem pensou imediatamente isso em resposta, mas volveu os olhos para o casulo a sua frente. E sentiu que precisava travar uma conversa consigo mesma.

Sakura, até quando você irá se esquivar?

Tem certa razão no que diz, mas não é só isso que a preocupa. A verdade é está com medo de ir contra as ordens em que é tão apegada.

Ino sempre lhe disse que você é exagerada! É impossível agradar a todos.

Não pode se colocar sequer uma vez em primeiro lugar?

Será mesmo que não há outro jeito?

Aos poucos, as linhas brancas do casulo começam a se mexer e se desfazer. A metamorfose — a mudança. — daquela borboleta está em sua fase final.

Você pode simplesmente aceitar um destino pré-programado e viver para sempre como uma lagarta, Sakura.

Mas se deixar guiar pelo coração uma única vez não acabará com sua capacidade enquanto governante.

As asas da borboleta começam a sair do invólucro, pouco a pouco, e sem perceber, as lágrimas que varriam o belo rosto de Sakura começam a se desvanecer.

Na verdade… só a fará feliz.

Você não quer ser feliz?

A borboleta recém formada abre suas grandiosas asas em tons de rosa e dourado e levanta voo, passando pela cabeça de Sakura. E observando a batida das jovens asas em liberdade, ela finalmente toma coragem para assumir uma decisão baseada nos gritos de seu coração.

Eu vou ser feliz.

Parou de falar consigo mesma em terceira pessoa e saiu correndo do borboletário, decidida. Tal como aquela borboleta que se metamorfoseou a sua frente, ela iria mudar. Ao menos uma vez na vida, a escolha seria dela. Iria ser livre. As borboletas voavam em piruetas ao seu redor, como se comemorassem a decisão da princesa.

" — Se eu pedisse a sua mão em casamento… você aceitaria, se pudesse? "

É claro que aceitaria! É claro que podia!

E estava mais determinada do que nunca a fazer aquele sonho se tornar real ao lado do seu amor.

Atravessou o campo florido a uma velocidade impressionante para alguém tão delicada. Seus cabelos róseos esvoaçavam com o vento e grudavam-se em seu rosto suado, mas agora o que estava estampado em seu rosto era um sorriso imenso e um olhar brilhante.

Surpreendeu-se — não se sabe se positiva ou negativamente. — quando enxergou, ao final do campo de flores, uma figura loira, alta e de olhos azuis.

O que Naruto estava fazendo por lá?

— Princesa Sakura. — ele a sauda, mas ela estava tão ofegante que nem retribuiu o gesto. — Cheguei há algum tempo e a rainha me informou que você gosta de andar por esse campo…

— Há quanto tempo está em Kaki Saibai?

— Cerca de cinco ou seis horas. Creio que sejam umas duas da tarde.

— Passei tanto tempo assim aqui? — Sakura murmura para si mesma, surpresa.

— Perdão, princesa, não a escutei…

— Não, não é nada. Naruto... — ela pousa suas mãos nos ombros do príncipe. — Era com você mesmo que eu queria falar.

— Também preciso falar com você, e é um assunto…

— Eu tenho algo muito sério a dizer sobre o casamento. — a princesa anuncia e se surpreende quando ele retira as mãos dela de seus ombros e responde:

— Acredite, eu também preciso falar sobre o casamento com urgência. Na verdade…

—--------------

Dois dias depois

Reino de Yorokobu

— Creio que príncipe Naruto ficou bastante encantado com as evoluções estéticas dos reinos, não?

— Sem dúvidas, rei Kankuro. Ao lado de minha equipe de apoio, foi uma experiência bastante positiva.

— E agora, aqui estamos. Novamente em Yorokobu, onde tudo começou, para que o príncipe anuncie a vencedora. — diz Temari, ao lado de Ino, e ambas riem.

— Seja lá qual de nós vencer, temos que admitir que foi uma experiência bastante diferente e divertida. Acho que nunca antes uma aposta minha movimentou o reino inteiro! — comenta a loura, e a rainha de Kinpun concorda.

— Aliás, rainha Kushina, foi graças a sua sugestão que chegamos até aqui. No passado, quem foi a vencedora da aposta? — indaga a Sabaku.

— Fui eu. — assume rainha Tsunade e a ruiva confirma com a cabeça.

— Príncipe Naruto, estamos ansiosas por seu anúncio! — afirma Ino e todas as outras mulheres se unem a ela na torcida para que o Uzumaki divulgasse logo o resultado. Sorridente, Rei Minato se levanta e inicia um pequeno discurso:

— Antes de finalizarmos essa bela aposta, eu gostaria de anunciar que eu e minha esposa, a rainha Kushina Uzumaki, iremos nos aposentar. — muitos dos presentes se surpreendem, outros simplesmente meneiam a cabeça enquanto sorriem, demonstrando que já tinham conhecimento do fato. — Nosso herdeiro poderia ter assumido a coroa há quatro anos, quando completou dezoito anos de idade, mas decidimos que aquele não era o momento correto. Contudo, Naruto tem acompanhado todos os acontecimentos do reino conosco e já se tornou uma afronta a sua capacidade e determinação não coroá-lo.

Naruto se levanta de sua cadeira segurando uma taça, com um sorriso para o pai e agradece as palavras. Em seguida, prossegue o discurso:

— Sendo assim, em reunião com meus pais, decidimos que me tornarei rei de Yorokobu dentro de seis meses! — todos os presentes batem palmas em comemoração ao novo monarca, que com um sorriso cada vez mais largo, continua: — E como sabem, no mesmo dia de minha coroação, me casarei.

Chegou a vez de Sakura, que estava a frente de Naruto, se levantar com uma taça na mão.

— Senhores, tenho o prazer de anunciar que estou noiva! — a princesa diz com alegria e todos batem palmas fervorosamente.

— Só que o casamento dela não será comigo. — o Uzumaki anuncia em alto e bom som com a mesma empolgação da rosada, fazendo com que o ambiente outrora barulhento se tornasse absolutamente silencioso. Ino e Temari, uma ao lado da outra, deixam os queixos caírem de tão assustadas que estavam, deixando suas bocas no formato de perfeitas letras "O". Gaara desvia o olhar incessantemente entre Naruto e Sakura, tentando detectar alguma pegadinha, mas eles realmente estavam falando sério. Tsunade, Minato, Jiraiya e Kushina se entreolhavam confusos e honestamente surpresos.

— E obviamente, o casamento dele não será comigo. — Sakura completa a afirmação de Naruto para que ficasse bem claro.

— Na verdade, convidei a princesa Sakura para ser madrinha do meu casamento.

— E príncipe Naruto será o padrinho do meu.

— Imagino que devam estar se perguntando "mas eles não eram prometidos?" — Quando Naruto fala isso, praticamente todos os presentes mexem a cabeça automaticamente de forma positiva, quase como se tivessem sido treinados. O Uzumaki e Yamanaka andavam, cada um de um lado da mesa, sem largar a taça de vinho e estampando sorrisos marotos.

— Acontece que o amor não escolhe necessariamente aqueles a quem você é prometido.

— Às vezes acontece, como mamãe e papai… — Naruto aponta para os monarcas ao falar.

— … ou não acontece, como Naruto e eu. Nós somos apenas bons amigos.

— E nada mais.

— Mas isso não significa que não encontramos o amor! Na verdade, tivemos a sorte de acharmos as pessoas que amamos.

— Eu irei me casar com a mulher que realmente amo.

— E eu, com o homem que amo de todo o coração. — Sakura leva a mão desocupada ao peito e sorri alegremente. Naruto, do outro lado da mesa, estava prestes a sair pulando de felicidade. Os presentes continuavam assombrados, assistindo a tudo.

— E sabemos que nosso casamento tinha muito mais coisas envolvidas. — prossegue o louro.

— E por isso, chegamos a um acordo.

— Um acordo vantajoso para as duas partes. — quando Naruto finaliza a frase, os dois se encontram no final da grande mesa, um ao lado do outro. Sakura inicia a explicação, trocando sorrisos com o Uzumaki:

— Como o proprio Naruto anunciou há pouco, ele será coroado em seis meses. Todos os presentes conhecem a força dos acordos comerciais que seriam formados com o nosso casamento. Relações econômicas inéditas com regiões externas aos nossos três reinos seriam construídas.

— E não pensem que esquecemos disso. Mas formulamos uma solução para tal situação. Sakura e eu não iremos nos casar, maa garantiremos a força da aliança entre Yorokobu e Kaki Saibai. Como?

— Eu sou uma das principais gestoras do reino, ao lado da rainha Ino Yamanaka, minha irmã. Logo, como representante de Kaki Saibai, me reuni com o futuro rei para discutir as relações comerciais em questão.

— E eu garanto que após a minha coroação, meu acordo de estabilidade política firmado com a princesa será mantido sem oscilações. — Naruto diz seriamente. — O nosso casamento seria uma garantia disso, mas trazemos outra com o mesmo impacto, ou até maior.

— Juramos diante dos senhores que caso algum de nós descumpra o acordo e traga insegurança aos investidores, tanto eu quanto o futuro rei Naruto renunciamos aos nossos títulos de realeza e consequentemente, aos nossos cargos no governo.

— É isso mesmo. Nós garantimos que a proximidade entre Kaki Saibai e Yorokobu é da mais alta veracidade, portanto.

Após a declaração da sorridente Sakura e a confirmação do animado Naruto, absolutamente todos os presentes — desde os nobres até os plebeus. — arregalam os olhos ou prendem a respiração. Alguns começam a se abanar assustados e os primeiros sussurros podem ser escutados. Principalmente, Minato, Kushina, Tsunade e Jiraiya, os reis responsáveis pelo arranjo do casamento, começavam a esboçar sorrisos orgulhosos em meio a surpresa.

— Mais tarde me reunirei com minha irmã para expor melhor os detalhes de nossa decisão e nosso plano de execução, para que o acordo seja ainda mais lapidado e assim, possa ser aprovado por ela.

A cada afirmação, Ino ficava mais surpresa, sorridente e emocionada. Sua irmã, pela primeira vez desde que ela se lembrava, estava se dando uma chance! E Sakura já havia planejado todas as consequências com tanta responsabilidade, e a loura confiava tanto nela, que nem pensou duas vezes antes de levantar-se e dizer:

— Estou orgulhosa da decisão de vocês. E não precisam se preocupar, tenho confiança na competência de vocês no plano econômico. Meu apoio já está declarado. E acrescento que, se essa ponte entre nossos reinos de alguma forma se mostre enfraquecida e inspire insegurança, eu renunciarei ao meu título e ao meu cargo ao lado de príncipe Naruto e minha irmã.

Sakura e o Uzumaki só faltaram explodir de alegria com as palavras de Ino. Não esperavam um apoio tão imediato e estavam muito gratos à loura. Afinal, aquela confirmação tinha um peso enorme! A rainha acrescenta ao final:

— Para colocarem tantas coisas em jogo, realmente estão apaixonados.

Ambos confirmam com a cabeça e viram-se um para o outro, sorridentes. Erguendo as taças, gritam:

— E assim, a aliança entre Yorokobu…

— … e Kaki Saibai está oficialmente construída! — e então, a dupla brinda em homenagem aos seus reinos. A voz de Ino toma os ouvidos de todos quando ela quebra o silêncio dizendo:

— Viva os noivos!

E finalmente, todos batem palmas e gritam felicitações pelos casamentos e pela coragem dos jovens príncipes. Seus pais, orgulhosos pelo posicionamento e responsabilidade, os parabenizam. Mesmo que tivessem criado o arranjo do casamento, a felicidade dos filhos de longe era o que mais importava. E a felicidade estava estampada no rosto de ambos.

Naruto some de vista em determinado momento e quando reaparece, pede para todos novamente a atenção para si.

Mas na prática, a atenção das pessoas passou longe do príncipe — o foco, sem dúvidas, era a bela jovem que o acompanhava timidamente. Corada, com os braços retesados ao lado do voluptuoso corpo, ela aparentava ser alguém que estava envergonhada e de personalidade tímida, mas o louro a conduzia com uma imensa alegria transbordante, algo que claramente a contagiava e lhe deixava mais relaxada para andar dentre tantas pessoas.

De cabelos preto-azulados compridos e lisos, pele alva e delicada e olhos de um tom incrivelmente perolado e belo, a beleza daquela moça rapidamente encantou a todos, que já entendiam o encanto do futuro rei por aquela beldade. Além de sua beleza física, a jovem plebeia era dona de um sorriso gentil e presença amável impressionantes, que rapidamente foram captadas pelos monarcas e plebeus que a fitaram.

— Senhores, gostaria de apresentar à vocês a minha noiva! — Naruto anunciou com alegria e passou a palavra para a doce jovem.

— Bom dia, senhores… muito prazer, meu nome é Hinata Hyuuga. É uma honra estar aqui na presença de todos vocês para anunciar… — o Uzumaki ao lado dela encosta em sua mão e as orbes peroladas se encontram com as azuis cristalinas. Um sorriso toma o rosto da moça, que finaliza a frase com a voz ainda mais animada: — … meu casamento com o amor de minha vida.

— Hinata e eu nos conhecemos graças a aposta do meu aniversário. Ela é arquiteta e graças aos céus foi designada para compor a equipe que me ajudaria a julgar. — Naruto explica com um sorriso bobo enfeitando-lhe o rosto. — Assim como ocorreu com Sakura, graças à aposta conheci o amor da minha vida.

— Hinata é uma mulher simplesmente incrível. Eu não tenho a menor dúvida da felicidade de vocês e da responsabilidade como gestores. Felicidade aos futuros reis! — Sakura comemora e todoa batem palmas, felizes. Kushina e Minato abençoam o casamento do filho e Naruto dá um selinho na noiva, deixando-a ainda mais vermelha do que já estava.

— E o meu cunhado? Quero conhecê-lo! — anuncia Ino. Uma torcida para que Sakura trouxesse o noivo surgiu e ela riu um pouco ao pensar que Sasuke não fazia a menor ideia do que acontecia.

— Ele não está aqui, está em Kaki Saibai… na verdade, ele nem sabe que eu aceitei. Mas não se preocupem, logo o conhecerão.

A festa se desenrola animada em torno principalmente de Naruto e Hinata, que se divertiam intensamente. Mas um pouco antes da comemoração findar, a princesa de cabelos róseos já não pôde mais ser vista, pois estava preparando o retorno para seu reino, a fim de que fosse o mais breve possível. Afinal, Sakura tinha algo muito importante para tratar em Kaki Saibai.

— Ei… — ainda no evento, subitamente Temari parece se lembrar de algo. — Mas qual de nós venceu a aposta?

—----------

O borboletário.

Tão lindo.

Tão cheio de vida.

Tão mágico.

— Nem sei por que ainda insisto… — Sasuke resmungou, olhando para a frente sem focar realmente em nada.

Já faziam quatro dias desde que esteve lá pela última vez ao lado do amor da sua vida. Quatro dias desde que o final entre eles foi escrito, graças a um maldito contrato de casamento.

Por mais que grandes preconceitos entre realeza e plebe tivessem caído por terra há tempos, ele sentiu na pele o peso dos mundos diferentes.

Tinha que aceitar: ele era um plebeu, e ela, uma princesa. Ela tinha responsabilidades que ele seria incapaz de entender.

Mas ele faria qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, para poder viver ao lado de Sakura. Era tudo que ele mais queria na vida.

As borboletas que voavam ao seu redor lhe faziam pensar no quanto a dona dos cabelos mais exóticos do reino era apaixonada naqueles animais e delicada como eles. As paredes de vidro do borboletário envoltas pelas árvores grandiosas lhe traziam tantas lembranças… doces, amáveis, divertidas e também algumas pervertidas. Sorriu sozinho ao pensar no quanto aqueles três meses foram perfeitos, em todos os sentidos. Ele conheceu o amor. O verdadeiro amor.

Mas agora ele teria que assistir Sakura se casar com o príncipe do país vizinho.

Teria que somente observar o amor de sua vida ir embora.

— Eu sabia que te encontraria aqui.

Agora era tudo o que faltava, ficar tendo alucinações. Jurou que tinha escutado a voz de Sakura…

— Você não sabe o quanto eu estou feliz em te ver!

"Não é possível", pensou. Ele se vira lentamente e lá estava Sakura, em carne, osso e beleza, com lágrimas nos olhos e um grandioso sorriso.

— Sakura… É você?

— É claro que sou eu, meu amor! — ela corre e pula nos braços dele, que envolve sua cintura com força. As pernas da mulher se cruzam em volta do corpo de Sasuke, que abre a boca para sanar suas dúvidas, mas não as faz a tempo, pois sente seus lábios sendo tomados pelos da princesa. Retribui o beijo sem pensar duas vezes, envolto pela loucura da saudade e do medo de pensar que nunca mais sentiria o sabor dos lábios de sua amada. Uma de suas mãos desce até a coxa de Sakura e a outra para em suas costas, apertando ainda mais o abraço entre eles, repleto de desejo e amor.

Com os lábios inchados, se separam momentaneamente. A Yamanaka se prepara para explicar tudo, mas somente sua ação já era capaz de fazer Sasuke entender.

— Eles ficaram chateados? — pergunta, se referindo à realeza, pois sabia que o cancelamento do casório significava uma quebra de acordos muito grande.

— De jeito nenhum. — sorrindo, ela responde. — Inclusive, estamos convidados para o casamento de Naruto e Hinata.

— Sério? Mas… Como assim?

— Não éramos só nós. Deu tudo certo, Sasuke.

O Uchiha não podia acreditar. Aos poucos, a constatação do acontecimento tomava sua mente e uma felicidade inexplicável o envolve.

— Sakura… — novamente o rosto dele se aproxima do dela, agora com um sorriso muito maior. — Se eu te pedisse em casamento, você aceitaria?

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— Só respondo se você tentar.

— Princesa Sakura Yamanaka… — fazendo uma voz cerimonial, Sasuke diz alto, arrancando risadas da moça. — … vossa alteza me daria a honra de ter-te como esposa? — ela arqueia uma sobrancelha, como se fosse pensar. — Lembrando, é claro, que eu não vivo sem você.

— Nesse caso… É claro que sim! Sim, sim, sim! — com uma risada profunda, ela abraça o pescoço do moreno, ainda suspensa pelo braço dele e com as pernas envolvendo o tronco do corpo masculino. — Eu te amo!

— Eu também te amo.

Os lábios novamente se encontram, dessa vez com uma voracidade inigualável, a mesma força com que os corações se encontraram.

— Princesa Sakura Uchiha… — ela murmura, sorrindo ainda com a testa colada na dele. — Eu gostei. E o que acha, príncipe Sasuke?

— Príncipe… É estranho… — ele franze a testa e a mulher ri.

— Com o tempo você acostuma.

— Contanto que eu esteja ao seu lado, nada mais me importa.

Nesse instante, a borboleta de asas rosas e douradas passa entre eles e Sakura se recorda de quando a viu sair do casulo. Sasuke, seguindo o olhar de sua noiva, acabou alcançando uma das partes reconstruídas do borboletário e lembrou-se de algo.

— Quem venceu a aposta?

Sakura sorri e passa a mão pelo rosto do Uchiha, trazendo-o para si enquanto respondia:

— Quem venceu? A liberdade nas asas dessas borboletas que viram tudo está de prova. O nosso amor venceu.

Notas finais
Gostaram? Me digam o que acharam! Estou curiosa para saber a opinião de vocês❤ Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!