Borboleta
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O céu parecia uma tela pintada no mais negro tom de azul, e as estrelas não passavam de pontinhos brilhantes. A lua cheia instigava aos pensamentos mais bizarros e o silêncio era delicioso aos ouvidos.
Os passos da jovem, que não pareciam ter qualquer direção, logo cessaram e ela sentiu a grama macia no rosto, vendo-a balançar à brisa leve da gelada noite de inverno.
Sua respiração estava ofegante, seus pulmões lutavam por um ar que não fazia diferença, e as lagrimas caiam livremente de seus olhos sem que ela se importasse. A ferida em seu peito já não tinha muita significância e a dor havia deixado de ser grande há tempos. Seu corpo não respondia mais a qualquer estimulo.
O vento batia e sutilmente retirava a vida de seu corpo.
Uma borboleta que acabara de sair do casulo pousa perto de seu rosto. A coloração azul e o padrão de desenho das asas formando uma linda imagem.
Ao que parecia, o milagre da vida que agora acabara para ela estava começando para aquele inseto.
Ficou feliz de os rumores serem todos falsos... Odiaria ver sua vida passar diante seus olhos; odiaria ver todos os erros que cometera serem revividos.
Também não havia nenhuma luz brilhante. Ao invés disso tudo a sua volta parecia ficar mais escuro.
Lembrava de poesias e textos que nunca conseguira compreender e agora simplesmente entendia cada uma daquelas palavras. Não estava surpresa, apenas aproveitava aquele momento de esclarecimento. Sentia falta de várias coisas que nem mesmo tinham nome; sentia falta de pessoa que nunca conhecera. Não entendia, mas não se incomodava.
A pagina em branco que sempre fora sua vida parecia, com sua morte, estar sendo preenchida.
Finalmente a borboleta antes parada bateu asas e voou, levando consigo seu ultimo fôlego e sua alma.
A morte, ao que parecia, não era algo tão ruim assim.
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