Bonequinha de Luxo
33 O que está acontecendo?
Notas iniciais
Eu sempre fui o tipo de garota que assistia filmes clichês românticos por horas. Principalmente aqueles em que todo mundo é apaixonado pela mocinha e fazem de tudo para ficar com ela. E eu sempre ficava sonhando com o dia em que veria dois caras brigando para ficar comigo.
E este dia chegou. E não foi nada a ver com o que eu pensava!
Mike se levanta fuzilando Edward, pronto para atacá-lo. Porém seu advogado e Charlie o seguram, da mesma forma que Emmett e Carlisle seguram Edward. Dois guardas que estavam na porta da sala se colocam entre eles. Eu nem sei o que fazer. Ainda bem que o juiz já havia saído da sala!
— O que está acontecendo aqui? — Um dos guardas pergunta olhando de Edward para Mike.
— Quero prestar uma queixa de agressão! Ele me deu um soco! — Mike exclama e o guarda olha para Edward.
— Então eu quero prestar uma também. Este ser agrediu a minha noiva. — Edward diz se soltando do pai e de Emm. — Podem deixar! — Ele olha para Mike – E aí?
Mike também se solta e toca seu rosto inchado. Ele dá um passo para frente e aponta para Edward.
— Isso não vai ficar assim! — Ele diz e se vira para ir embora e seu advogado o acompanha. Charlie me olha e se aproxima. Os guardas voltam para seu posto.
— Bella, olha o tipo de homem que você está se relacionando. Totalmente agressivo! — Ele diz e eu o encaro com raiva e nojo. Eu não posso acreditar no que estou ouvindo.
Edward se move na direção dele, mas eu o toco e fico cara a cara com Charlie.
— Você tem noção do que você está fazendo Charlie? — Eu pergunto — Você está me acusando enquanto está defendendo um cara que só armou essa palhaçada toda para ficar com a herança do pai. — Eu digo e ele se surpreende – Me diga Charlie, então é com este cara que eu tenho que ficar, a sua candidatura tem que ser o preço da minha felicidade, é isso?
Charlie fica surpreso e até meio pálido com minhas palavras. Como eu posso ser filha dele?
— Ainda bem que eu não dependo do que você quer, e sim do que eu quero. — Eu chego mais perto dele. — Infelizmente, terei que ver Mike ainda. Mas tenha certeza que a sua cara eu não quero ver nunca mais. Faça valer o que você me disse uma vez, Charlie. Eu não sou mais a sua filha!
Minhas palavras ecoam no silêncio do ambiente. Charlie me encara e eu me viro de costas para ele. Ao fazer isso, encontro o mar dourado do olhar de Edward, meu porto seguro. Ele me abraça e eu me permito chorar. Sinto alguns toques em minhas costas e sei que sua família está me dando um pouco de espaço. Afinal, não é fácil tudo isso.
— Esquece isso, Bella. Lembra que você conseguiu. O Theo vai ficar com você e é isso que importa. — Edward diz e eu o olho.
— Nós conseguimos! Se não fosse por você aqui...
— Bella, como você pode dizer isso. Minha vida pregressa quase arruinou o processo. — Ele diz e nesta hora eu me recordo que Edward não viu o depoimento de Kate e nem a acusação absurda que ela fez.
— Edward, se não fosse por todo o seu apoio e carinho eu não conseguiria. Você viu as testemunhas de Mike? — Eu pergunto.
— Não, eram salas diferentes lá atrás. — Ele diz – Por quê?
— Bom, eles trouxeram a Kate. — Eu vejo a cor sumir do rosto de Edward.
— O que ela veio fazer aqui? — Ele pergunta num fio de voz.
— Veio tentar convencer a todos que você não presta para conviver com o Theo. — Eu digo baixo e vejo Edward se surpreender.
— Como ela fez isso? O que ela disse, Bella?
— Mike achou que eu não conhecia a história verdadeira, Edward. Ele queria nos atingir. Ganhar a guarda do Theo e me afastar de você. — Eu digo.
— O que ela disse, Bella? — Ele pergunta alterado.
— Ela o acusou de ter mandado ela fazer o aborto. — Eu digo olhando em seus olhos.
— Eu vou matar aquela mulher! — Ele diz com puro ódio. Eu o abraço.
— Não, você não vai. — Eu digo sentindo-o tremer. — Você vai deixá-la para lá e focar no fato de que precisamos comemorar a nossa vitória. Emmett conseguiu provar que ela estava mentindo e deu tudo certo. — Eu digo e o olho.
— Mas podia ter dado tudo errado. Por minha culpa! — Ele diz exasperado. É muita dor que há nele e eu fico me sentindo fraca por não conseguir ajudá-lo. — Vai para casa, Bella. Eu te encontro mais tarde. — Ele diz e se afasta um pouco de mim.
— Como assim? — Eu pergunto triste.
— Eu preciso ficar sozinho, Bella. — Ele diz e sinto como se ele estivesse fugindo de mim.
Ele se afasta mais e eu o beijo com desespero. Ele me corresponde e depois sela o beijo. Ele alisa o meu rosto e sai. Eu fico olhando ele ir naquela sala vazia, sem entender o que aconteceu com ele.
Eu me recomponho e saio da sala encontrando toda a familia Cullen, minhas amigas, Heidi e o meu filho. Todos me parabenizam e ao Emm também. Minhas amigas, junto com Rose e Alice concluem que temos que comemorar e então todos vamos embora após decidirmos por um almoço no próximo domingo na casa dos Cullens.
— Bella – Emmett me chama no canto e o pessoal vai saindo na frente. Rose também vem com a gente. — Edward deixou a chave do carro para você ir para casa.
— Onde ele foi? — Eu pergunto pois sei que ele não foi trabalhar a essa hora. São 18h.
— Ele não me disse, Bella, me desculpe. -- Ele me diz sem graça.
— Bella, não se preocupe. Edward é assim mesmo. Ele precisa de um tempo para organizar as ideias. — Rose diz e se agarra no braço de Emmett. Opa, que novidade foi essa que eu perdi? — Se ele não fizer isso, o cérebro dele frita tudo... ele não aguenta pensar muito. — Ele diz e gargalha. Emmett a acompanha. Eu sorrio de leve.
— E isso aí é o que mesmo? — Eu pergunto apontando a proximidade dos dois. Rose dá de ombros.
— Eu disse para Emm que se ele ganhasse o seu caso, iríamos sair juntos. — Ela diz e pisca para mim.
— Hum... bom saber o verdadeiro motivo da sua garra em me defender, Emm! — Eu digo e todos rimos. Nós vamos andando para a saída quando eu ouço aquela voz. A voz dela!
Eu vejo todo vermelho na minha frente e começo a andar em sua direção. Ouço Rose me chamar, mas prossigo. Era por causa dela que Edward vive mergulhado numa dor sem tamanho, sem se abrir para a felicidade. Eu não sei como tudo aconteceu, só sei que em um minuto eu estava com Rose e Emm, e no minuto seguinte estava descendo um tapa na cara de Kate Denali.
Que sensação maravilhosa, ver a cara daquela vadia com a marca dos meus dedos!
Um minuto depois eu sinto Rose e Leah me tirando de perto de uma Kate transtornada. Pelo menos já estávamos fora do fórum. Angela me oferece uma água e eu procuro por meu filho e Heidi para irmos embora. Ao chegarmos, eu vou cuidar do meu filho e Heidi cuida do nosso jantar. Porém, minha cabeça está em Edward.
Heidi janta comigo e meu filho e depois vai embora. Eu brinco um pouco mais com Theo e depois o coloco para dormir. Eu percebo que até meu filho está agitado com a ausência de Edward. Quando ele enfim dorme, eu tomo um banho e visto minha camisola. Assisto um pouco de tv e fico pensando aonde Edward pode estar. Um arrepio me toma e fico ainda mais preocupada. Resolvo fazer um chá para acalmar meus nervos.
Vou para a cozinha e vejo que já são 22h30 e ele não ligou me mandou uma mensagem. Enquanto esquento a água eu balanço a cabeça.
Afinal, por que ele me avisaria? Nós nem somos um casal de verdade!
Mas ele é sempre tão verdadeiro em suas palavras e em suas ações.
Mas ele nunca disse que tudo o que estamos vivendo é de verdade.
Mas também não assinamos o acordo, então não estamos obrigados a fingir nada.
Então porque estamos fingindo?
Ou não estamos fingindo?
Se não estamos fingindo, o que é tudo isso entre nós então?
Ah que merda! Eu estou apaixonada por ele e não sei o que fazer!
A campainha toca e me assusta. Meu coração salta pensando em Edward. Mas peraê, ele tem a chave da sua própria casa, né? Mas se não é ele, então quem é? O porteiro avisaria caso alguém diferente chegasse. Só pode ser alguém da família ou Edward perdeu suas chaves. A campainha toca pela segunda vez e eu amarro o robe antes de abrir. Dou um passo involuntário para trás pelo susto.
Mike Newton!
Meu reflexo fica prejudicado pelo susto e ele me impede de bater a porta em sua cara.
— O que faz aqui? Como chegou aqui? — Eu exclamo. Mike tem um olhar faminto sobre o meu corpo e me sinto completamente exposta e insegura. Tento disfarçar. — Vou chamar o Edward!
Ele gargalha.
— Eu sei que ele não está aqui, Bella! — Ele diz e sinto meu corpo tremer. Ele atravessa o hall e eu me mantenho o mais afastada dele, próxima à escada. — Precisamos conversar!
— Vai embora! — Eu digo tentando disfarçar o medo.
— Depois que você e eu resolvermos tudo, eu vou embora. E você vai comigo. — Ele diz calmo e se senta. — Vem, senta aqui Bella!
— Diga de uma vez o que quer falar, Mike! Esse não é um horário apropriado, você não acha?
— Bella... cadê o seu cão de guarda? — Ele ironiza – Eu jamais te deixaria sozinha assim Bella!
— Mike, vai embora!
— Case-se comigo, Bella. — Ele diz me olhando em meus olhos.
— Por que eu deveria? — Eu digo cruzando os braços.
— Temos um filho juntos. Não é justo que ele sofra, crescendo com pais separados. — Ele levanta e começa a andar na minha direção. — Fora que eu fui o seu primeiro amor, gatinha. Você sabe o que dizem, o primeiro amor a gente nunca esquece.
Foi a minha vez de gargalhar. Ele fecha a cara.
— Aquilo nunca foi amor, Mike. Foi carência, no máximo, uma paixonite adolescente. — Eu digo azeda – E o Theo está muito bem por aqui, ele tem uma boa mãe. Para quê ter um pai tipo você?
— Tipo eu? — Ele pergunta
— É, do tipo que só quer ficar com ele para enriquecer. — Eu digo irônica e vejo ele vacilar. — Eu sei do seu pai e do testamento. Só não entendo o que seu pai pretendia com isso.
— Como você sabe disso?
— Forks inteira já sabe, Mike. Uma hora eu ia saber, eu nasci lá e ainda tenho amigos por lá. — Eu digo – Agora me diga a verdade ao menos uma vez e me esclareça o que está acontecendo.
— Meu pai condicionou a minha herança. Ele permitiu que eu tivesse acesso se eu fosse um bom pai. Isso seria verificado, ou tendo a guarda do menino ou me casando com você. — Ele suspira – A herança é de Theo, e não minha. — Suas palavras me deixam atordoada.
— Como é? Ele deixou tudo para o Theo? — Eu pergunto chocada.
— Metade de tudo. A outra metade é da minha mãe. — Ele diz contrariado.
Silêncio.
— Eu tenho nojo de você, Mike. — Eu digo. — Você nunca amou o Theo. Você não o merece! — Eu vou até o interfone. — Sai daqui agora ou eu chamo a polícia.
— Eu não vou ficar sem a minha herança, Bella! — Ele diz.
— Você pode ficar com este dinheiro. O meu filho não precisa dele.
— Eu só posso ter a herança se eu tiver o Theo e for o representante dele. — Ele grita.
— Isso nunca acontecerá. — Eu grito por cima – O Theo é meu, só meu. E você nunca será o pai dele. Você não presta para isso!
Mike fica furioso e avança até mim. Eu aperto o botão da portaria e grito um socorro ao mesmo tempo que Edward abre a porta num ímpeto junto com Tom, o porteiro. Mike agarra meu braço.
— Que merda é essa? — Edward grita visivelmente alterado. Ele parece estar bêbado.
Mike me solta e fica cara a cara com Edward.
— Bella e eu estávamos relembrando os velhos tempos, nada demais. — Mike diz rindo e Edward voa sobre ele e começa a socá-lo.
Eu começo a gritar para Edward parar de bater nele, principalmente quando vejo sangue saindo do nariz de Mike. Mike chega a bater em Edward, mas é pouco perto da surra que levou. Tom consegue conter Edward e Mike foge.
— Desgraçado! — Edward diz apertando a sobrancelha esquerda que está ferida. Ele joga o paletó na mesa de centro e se joga no sofá. Eu nunca vi Edward assim tão arrasado. — Como ele veio parar aqui? Você o chamou?
— Claro que não Edward! — Eu digo chocada e com raiva. Como ele pode pensar isso? — Ele apareceu aqui na porta, também não entendi como.
— Ele não passou por mim na portaria. — Tom diz – Eu vou verificar como ele entrou aqui pelas câmeras de segurança. Com licença! — Ele diz e vai embora. Eu olho para Edward que tenta abrir a camisa sem sucesso.
— Eu te ajudo... — Eu digo e me aproximo dele. Seu cheiro que eu tanto gosto estava mascarado pelo forte odor de bebida. Uísque, eu acho. Eu abro sua camisa e o ajudo a tirar. Ele se levantar com grande esforço e cambaleia. Sua cabeça tomba em meu ombro.
— Você não precisa fazer isso. Não está no acordo cuidar dos meus porres. — Ele diz tonto. Eu o ajudo a tirar seu cinto enquanto ele chuta os seus sapatos.
— Achei que este acordo tinha sido esquecido. — Eu digo sentando-o novamente para lhe tirar a meia, — Fique aqui, vou preparar um café e depois vamos ao banho.
Eu vou para cozinha e programo a cafeteira. Quando retorno, Edward está na mesma posição, de olhos fechados. Apesar de completamente bêbado, eu consigo observar seu abatimento. Ele está com um pesar quase palpável e isso me corta o coração. Meu instinto me diz que isso tem a ver com o aparecimento de Kate na audiência.
Nesta hora meu coração perde uma batida.
Se ele sofre tanto por ela, é porque apesar de tudo ainda a ama. E se ele a ama, não pode me amar. Lagrimas enchem meus olhos enquanto me aproximo dele. Porque eu alimentei esperanças? Eu sou uma tola mesmo.
— Vem Edward, vamos tomar um banho. — Eu digo o acordando – Vem, vamos subir.
Eu o ajudo a subir as escadas e o levo até o banheiro. Lá retiro sua calça e sua boxer. Eu o levo para o box e ele se escora na parede, escorregando até o chão.
— Pode deixar... eu consigo ao menos tomar um banho sozinho. — Ele diz num tom amargurado. Eu o deixo lá e vou pegar o café para ele.
Quando eu retorno para o quarto, ele está parado na porta do banheiro, escorado na soleira pensativo. Ele veste um roupão e me olha perdido quando eu entro. Eu entrego a caneca a ele que a encara em suas mãos. Deus, o que está acontecendo?
Ele toma um gole e faz uma careta de leve. Depois de um segundo ele me olha. O que há com ele?
— Obrigada Bella, por tudo. — Ele diz sincero. — E me desculpe também. — Ele diz e se encaminha para a porta do quarto – Eu acho melhor dormir em outro quarto hoje, ainda estou cheirando a uísque. — Eu o olho confusa e ele desvia o olhar para baixo. — Boa noite.
Ele sai e eu fico ali parada, sem entender e nem fazer nada. Ele está sofrendo e isso me faz sofrer. As lágrimas descem e um soluço me escapa. Eu queria correr até ele e fazer ele me contar tudo o que está sentindo. Fazer ele voltar para o quarto e fazer amor com ele. Fazer amor, e não sexo. Porque é isso que eu sinto. Eu o amo.
Eu olho para cama e um nó se forma na minha garganta. Não vou conseguir dormir aqui sozinha. Eu engulo em seco, pego um cobertor no armário e vou para o quarto do Theo, pensando em dormir na poltrona. Porém, o lugar já está ocupado. Edward está ali, ainda tomando o café, com os olhos voltados para o meu filho que dorme sereno.
— O que eu faço, campeão? — Edward diz – Eu não quero ter que me afastar de vocês. — Ele coloca a caneca no chão, ao lado da poltrona e passa a mão pelos cabelos suspirando – Queria tanto ser como você, filho, dormir sereno sem nada para me preocupar.
Peraê, Edward chamou o Theo de filho?
— Sabe, Theo, desde que você entrou na minha vida eu consegui dormir melhor. Antes, quando eu dormia solitário, eu sempre tinha pesadelo com o meu filho onde ele chorava por socorro e eu não conseguia salvá-lo. Mas aí, você e sua mãe espantaram estes sonhos ruins e nunca mais eles voltaram. — Edward suspira – Agora, quando sonho com ele, sempre o imagino parecido com você, e sempre estamos os quatro brincando num parque ou numa praia. Eu, você, ele e a sua mãe.
Ele diz e percebo sua voz baixando. Acho que ele está caindo no sono. Dito e certo. Eu entro no quarto e ponho a coberta sobre o corpo dele. Dou um beijo leve em sua testa e faço um carinho em meu filho. Depois eu retorno para o quarto e deito abraçada ao travesseiro dele.
A quarta feira amanhece chuvosa, uma prova de que o outono está chegando com tudo. Eu me remexo na cama a procura do relógio. São 6h13. Eu levanto e faço minha higiene pessoal e vou para o quarto do Theo somente de roupão. Edward não está mais ali, o cobertor está dobrado. E Theo está começando a acordar. Onde ele está? Eu penso, porém me ocupo de meu filho primeiro.
Depois de cuidar de Theo e amamentá-lo, ele adormece novamente e eu decido ver onde Edward está. Passo pelos outros dois quartos de hóspedes e nada. Também não o encontro na sala e nem na cozinha. Ele deve estar no seu escritório! Eu me encaminho para lá com certo nervosismo. Encontro Edward sentado em sua mesa, já arrumado e concentrado em algo no computador. Ele me olha quando eu entro no local.
— Bom dia! — Eu digo levemente nervosa.
— Bom dia, Bella. — Ele diz e volta a olha para o computador.
— Você está bem? — Eu pergunto percebendo uma careta nele.
— Dor de cabeça, nada demais. Bebi o mundo todo ontem, é o meu castigo. — Ele diz contrariado. Ele está arredio e diferente. Eu engulo seco, não sei como começar uma conversa com ele. Ainda ontem estávamos tão bem. Eu me viro para sair quando uma tontura me atinge e eu cambaleio. — Bella! — Ouço sua voz antes de tudo escurecer.
— Bella, me responda, por favor! — Ele me chama e eu me desperto aos poucos. — Ah graças a Deus!
Sinto que estou deitada em seu colo e ele está andando. Depois sinto meu corpo repousar sobre algo macio. O sofá do escritório. Ele sai por um tempo e retorna com um copo de água.
— Aqui, beba um pouco. — Ele diz me entregando e sentando ao meu lado – Bella, o que está sentindo?
— Foi uma tontura, já passou. — Eu digo meio fraca. — Talvez porque eu não comi nada ainda.
— Bella, você tem se sentido mal várias vezes. Estou preocupado. — Ele diz e alisa meu rosto. Sinto meu coração se aquecer, mas ele logo recolhe a mão e eu fico confusa. — Não é melhor ir ao médico?
— Estou bem, Edward, não é necessário. — Eu digo.
Um silêncio se forma por um breve momento.
— Precisamos conversar! — Ambos dizemos ao mesmo tempo. Nossos olhares se cruzam.
— Você primeiro. — Ele diz.
— O que aconteceu ontem Edward? — Eu pergunto sem me conter – Porque você chegou naquele estado e onde você estava? Eu te liguei, fiquei preocupada!
— Bella, eu... precisava extravasar. Me desculpe por te preocupar, não foi minha intenção. — Ele diz olhando para o chão.
— Por quê? — Eu insisto.
— Foi muita coisa ontem, Bella. Não quero falar disso. — Ele diz seco.
— Você não vai me explicar porque sumiu daquele jeito, justo quando conseguimos o que mais queríamos? Você lembra que foi por isso que chegamos até aqui, para conseguir a guarda do Theo? — Eu digo com raiva e me levanto. Ele também se levanta.
— Claro que eu lembro! E agora que você conseguiu o seu objetivo, está livre para seguir sua vida! — Edward exclama.
— Do que você está falando Edward? — Eu exclamo – Nosso acordo e que eu fique por um ano ao seu lado em trocar disso.
— Que acordo, Bella? Não assinamos nada! — Ele diz e nos encaramos.
De fato, desde aquele dia, não voltamos a falar do acordo e nunca conversamos sobre a ‘nossa situação’ sem ele.
E essa era a hora.
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