Bonequinha de Luxo
21 Em família
Notas iniciais
O quarto de solteiro de Edward é curioso. Esme o mantem com a mesma decoração, acredito eu, de quando ele saiu de casa para a faculdade. Há muitos pôsteres de bandas de jazz e do time de basquete da cidade colados numa parede. Há também uma estante enorme cheia de livros, HQ’s, cd’s e prêmios escolares. Apesar de ter sido um adolescente típico, parece que ele sempre foi muito organizado. Há um quadro de fotos da época do colegial e eu fico muito tentada a olhar, mas Theo resmunga e eu saio da minha postura observacional. Edward senta na lateral da cama com o meu filho nos braços. Eu coloco a bolsa na cama, retiro de lá o trocador e o abro sobre a cama.
— Eu posso me virar daqui, obrigada! — Eu digo para ele esticando os braços para pegar o menino, mas ele nega e deita Theo sobre o trocador.
— Eu gostaria de ajudar. — Ele diz e eu sorrio para ele.
— Ok! — Eu digo e começo a instruí-lo devagar – Primeiro você organiza as coisas que vamos precisar – Eu pego dentro da bolsa um porta-fralda e lenços umedecidos e o coloco próximo ao menino – E também precisamos de algo para distrair Theo... — Eu pego então um mordedor e entrego para meu filho – Agora sim, abrimos sua roupinha. — Eu digo e olho para Edward que começa a despir o Theo com cuidado. Quando Theo está somente de fralda da cintura para baixo, Edward me encara.
— E agora? — Ele pergunta meio receoso.
— Bom, pegue uma fralda limpa e a deixe aberta bem ao lado do Theo. — Ele faz exatamente o que eu digo – Agora você abre a fralda que está nele bem devagar. — Ele começa a abrir e eu toco sua mão. Ele me fita – Todo cuidado é pouco, ao se sentir livre, às vezes, ele pode sentir vontade de fazer xixi. Então no menor indício você cobre ele com a fralda novamente. — Eu digo e ele assente um pouco apreensivo.
Edward, então, abre a fralda que tem somente uma boa quantidade de xixi. Ele levanta as perninhas de Theo e eu o ajudo dobrando a fralda suja. Ele limpa a pele do Theo com um lenço e posiciona a fralda limpa embaixo do corpinho de meu filho.
— Edward! Está ao contrário — Eu lhe informo e ele levanta as pernas de Theo novamente para consertar o engano. Quando ele abaixa as perninhas novamente, Theo resolve fazer uma graça e um pequeno chafariz aparece molhando um pouco a cama e a mão de Edward que fica sem reação. Eu simplesmente começo a rir. Pego outro lenço e entrego a Edward para que ele limpe a mão e com outro lenço, eu enxugo meu filho.
Edward termina então de fechar a nova fralda e vai ao banheiro lavar as mãos enquanto eu visto a roupinha do Theo novamente.
— Para uma primeira vez, você se saiu bem. — Eu digo quando Edward retorna ao meu lado e arruma as coisas de volta na bolsa.
— É, bem... mal. — Ele resmunga. — Quando vejo você fazendo parece tão fácil.
— Eu tenho quase 10 meses de prática na sua frente Edward, é claro que vai parecer mais fácil para mim ou qualquer outra mãe. — Eu digo e aliso o seu rosto — É sério, você foi bem. É só praticar mais. – Eu digo e pisco para ele que sorri.
— Está tudo bem... em relação a tudo? — Ele pergunta apontando o andar de baixo.
— Hum... acho que está tudo sobre controle... por enquanto. — Eu digo apreensiva e ele me abraça pela cintura. Theo se vira e engatinha até nós. Ele me beija na testa de forma carinhosa. E eu me aqueço inteira.
— Fique tranquila, eles te adoraram. Adoraram vocês dois. — Ele diz e eu assinto – Principalmente a minha mãe. — Ele se afasta um pouco para nos olharmos. — A muito tempo que eu não via o sorriso de minha mãe se espalhar pelo seu rosto daquela forma. — Ele me olha profundamente – Obrigada por me ajudar a fazer isso.
— Edward... você não se sente mal por estar enganando a sua família dessa forma? — Eu pergunto baixo ainda com nossos olhares conectados.
— Eu... — Ele hesita e engole seco – Eu sinto vergonha por não conseguir ser o que eles queriam que eu fosse. Eu queria ser melhor para eles, Bella. Mas não consigo. Esta foi a forma que encontrei de fazer eles felizes comigo por um tempo, para que vivam sua vida. Não quero mais ser o centro dos problemas dessa família. — Ele fala consternado.
— Edward... por quê? O que houve com você? — Eu pergunto afagando seu rosto enquanto Theo dá leves puxadinhas no meu vestido. Edward suspira e desvia o olhar do meu.
— Não acho uma conversa agradável para se ter num jantar alegre como esse. — Ele diz e dá um meio sorriso para mim. Entendo o recado e sorrio de volta. — Acho melhor descermos, se não virão nos buscar. — Eu assinto e pego a bolsa enquanto Edward carrega Theo e nós voltamos ao andar de baixo. Todos estão na sala, exceto Esme.
— Opaa, pensei que tinham esquecido de nós. — Carlisle diz descontraído.
— Ah pai, Edward deve ter atrapalhado tanto a Bella que ela deve ter tido trabalho em dobro – Jasper diz e todos riem, menos Edward.
— Na verdade, foi Edward quem trocou Theo, eu só orientei. — Eu digo tentando amenizar a situação de Edward, que sorri em agradecimento.
— Olha só! Temos um Cullen que sabe trocar fralda então? — Esme diz chegando na sala.
— Parece que eu superei até mesmo meu pai neste quesito – Edward diz presunçoso.
— Ah, me dêem um crédito. Na época de vocês eram aquelas fradas de pano... davam muito mais trabalho. Se fosse hoje em dia, eu tirava de letra. — Carlisle diz na defensiva
— Esperem só até o nosso bebê chegar, eu vou ser um arraso na troca de fralda – Jasper diz se defendendo também.
— Acho que isso tudo é conversa. Quero ver meter as caras... — Edward diz – Meu pai, na próxima troca do Theo, quero ver se o senhor prova a sua teoria. — Edward olha para Theo e fala – Na vez do seu avô, você faz um chafariz maior que aquele, ta certo campeão? — Theo ri da graça dele, todos se entreolham e eu o olho boquiaberta. — Pode ser pai? — Ele pergunta e volta a olhar para o pai que assente.
Todos tentam disfarçar o espanto, mas eu consigo perceber. Até eu estou espantada. E o pior é que Edward não parece notar o que falou. Esme tem um olhar marejado, mas disfarça.
— E então mãe, tudo pronto? — Rosalie quebra o silêncio.
— Ah sim, podemos ir para a mesa. — Esme diz se recuperando.
— Mãe, a Bella trouxe o jantar do Theo... — Edward diz para Esme enquanto todos vão para a sala de jantar logo ao lado.
— Oh sim, você quer esquentar um pouco? — Esme pergunta e eu assinto.
— Edward, você poderia pegar a cadeirinha no carro? Vai ser melhor se ele estiver preso nela. — Eu digo e ele assente me entregando o Theo.
— Certo, já volto. — Ele diz e vai para o hall. Esme me fita.
— Obrigada Bella! Nunca vi o meu filho tão envolvido com alguém como ele está com você. — ela diz agradecida. Eu coro de vergonha sem saber ao certo de quê. — Venha, vamos ver o jantar deste mocinho.
Ela me encaminha para a cozinha e ela se oferece para carregar o Theo para mim. O Theo fica meio receoso, mas depois vai para ela sorrindo. Eu aqueço a comida do meu filho e logo vamos para a sala de jantar onde todos já estão sentados e a mesa já está posta. Na ponta, está Carlisle. Na sua esquerda estão Rose, Jasper e Alice. E do lado esquerdo, Edward está sentado na primeira cadeira, em frente a Jasper. A cadeirinha de Theo está na cadeira ao lado dele, onde Esme vai e coloca o meu menino, e me indica a cadeira ao lado para sentar. Esme senta na outra ponta, o último lugar faltando.
O jantar transcorre tranquilamente. Edward me ajuda com a comida de Theo e depois o distrai para que eu possa comer tranquila. Todos conversam comigo naturalmente e depois de um tempo eu começo a me sentir mais confortável com eles. De fato, Heidi tinha razão. Todos são muito simples apesar do luxo que os cerca. E sem me dar conta, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti em casa. Não que eu tivesse tido uma família grande, mas o aconchego me lembrou a minha mãe.
Depois da sobremesa, nós voltamos para a sala para um café. Eu recuso, pois logo devo dar de mamar a Theo. Todos estamos sentados, Theo está no colo de Esme, e a conversa é sobre um novo livro que será lançado pela editora de Edward. Jasper e Alice trabalham com ele na editora, Jasper na área de design e Alice como revisora.
— Ah Bella eu soube que você se inscreveu na Mostra de Talentos com um romance. É verdade? — Esme comenta e eu baixo o olhar envergonhada.
— É sim, estou correndo para finalizar ainda esta semana. — Eu digo.
— Até porque, você precisa mandar um rascunho para a Cullen. — Edward diz. Ele, assim como o pai e o irmão, está bebendo uísque enquanto as mulheres bebem o café.
— Edward... eu não acho que...
— Bella, eu sou um editor profissional. Sei reconhecer um bom livro quando vejo um. — Ele me corta — Mãe, Alice, esperem até ler o manuscrito. Vocês vão me dar razão. Eu pedi para a Bella enviar para nosa equipe para o editorial de novos autores.
— Ah eu não duvido que esteja bom. Eu conheço a escrita da Bella, é muito boa. — Esme diz.
— Bom, se Edward tá falando que gostou, eu acredito. A maioria dos livros desse editorial ele não gosta. — Alice diz. — Nos mande Bella, fiquei curiosa. — Eu assinto encabulada. — Só espero que meu cunhadinho não esteja só cumprindo o ditado e esteja cego de paixão.
Todos riem e Edward me fita.
— Por isso pedir para ela mandar para revisão, afinal, eu corro o risco de estar sofrendo deste mal realmente. — ele diz sedutor e me dá um selinho carinho que faz todas as mulheres da sala suspirar.
— Ah meu Deus! — Rosalie exclama – Eu vivi para ver meu irmão ser brega por amor!
Todos nós rimos agora. Até que Theo choraminga e pede meu colo. Eu o pego e peço licença para ir ao quarto de Edward novamente e amamentá-lo. Desta vez, Rosalie que se oferece para me acompanhar com a desculpa de que precisa ir lá em cima. Rosalie é uma mulher muito bonita. Ela tem os cabelos loiros escuros e longos, caindo em camadas. O vestido preto lhe cai perfeitamente no corpo acentuado pelas curvas perfeitas. É de fato uma mulher de parar o trânsito.
Vamos subindo em silêncio e eu fico me perguntando o que ela pode querer falar a sós comigo. Será que ela é daquele tipo de irmão protetora que vai me dizer para jamais machucar o irmão dela se não ela vai arrancar minhas unhas dos dedos com um alicate? Tá, viajei. Mas vai que né!?
— Sabe Bella, adorei te conhecer. — Ela começa quando eu já estou sentada na cama com o Theo no peito. — Mesmo com o pouco tempo do relacionamento de vocês, é notável o bem que você faz a Edward. Não só você como o seu filho. — Ela se senta ao pé da cama. — Você parece ser alguém legal e que já deve ter sofrido um pouco na vida. — Ela suspira – Meu irmão é complicado. Ele não é de se abrir dessa forma, e apesar de isso me deixar feliz, também me deixa apreensiva. Por você. — Eu a encaro confusa. — Edward te contou que já esteve num relacionamento sério, que pensou em casar e tudo?
— Não... — Eu digo com nó na garganta. Seria a tal da Kate que li num artigo uma vez?
— Bom, acredito que ele esteja esperando um momento para lhe contar. Não é algo fácil e não é tão simples. — Ela levanta e vem até o meu lado. — Não quero te desanimar Bella, ao contrário. Eu vejo o quão apaixonada você está por ele. E é por isso que quero que vocês consigam vencer os medos dele. — Ela pega minha mão. — Lute por ele. Meu irmão é um homem bom, só tem uma história difícil. Nada que um amor forte não resolva. — Ela diz e pisca para mim.
Meu estômago embrulha com o misto de emoções que sinto. Rosalie fala de sentimentos com tanta certeza que eu quase acredito que estamos apaixonados de verdade. Eu simplesmente assinto.
Ela sorri e então começamos a falar sobre a firma. E sobre Emmett. Ela acaba me contando que gosta dele, mas que ele é muito galinha e ela tem medo de se machucar. Não tiro a razão dela, afinal a fama de Emmett não é muito boa mesmo, mas eu lhe informo que a atração é recíproca e que talvez fosse ela a mulher que fosse dar um jeito nele. Theo acaba dormindo e Edward vem ver se está tudo bem. Eu digo que sim e ele pega o meu menino no colo para descermos.
Depois de mais meia hora de conversa, nós nos despedimos de todos. Recebo elogios e agradecimentos de cada um deles. Todos me intimam a vir amanhã, inclusive a aniversariante.
— Na verdade, já combinamos com Heidi e ela virá conosco para ajudar com o Theo. — Edward fala – Vou precisar que a Bella fique um pouco livre para conhecer todo mundo. — Esme abre um sorriso.
— Você vai anunciar à imprensa? — Ela pergunta devagar.
— Sim, não vejo como esconder mais. Aliás, muito me admira não terem descoberto antes. — Ele responde dando de ombros. — Eles vivem querendo saber da minha vida.
— Ah como se você não tivesse dado motivo para isso nos últimos tempos né cunhadinho? — Alice diz e recebe um cutucão de Rosalie. — Oh... desculpe Bella! — Eu fico encabulada e apenas faço um gesto de que está tudo bem.
— Se bem que na semana passada comentaram que você estava quieto demais nas últimas semanas, que nunca mais tinha sido visto nas baladas... — Jasper diz.
— Pois é, agora a minha balada é em Pilsen. — Edward conclui – Bom, família, nós já vamos... esse menininho aqui tá bem pesadinho. — Edward fala e todos riem.
Nós vamos então para o carro e depois de reinstalar a cadeirinha e colocar Theo nela, nós fomos embora. Já estava tarde e eu estava cansada. Acabei cochilando um pouco e nem senti o carro parar. Nossa, já chegamos? Eu olho em volta e ao invés de ver a entrada da minha casa, eu vejo a garagem do apartamento de Edward.
— Achei melhor virmos para cá. Você me parece muito cansada e o Theo está capotado. — Ele diz tirando meu filho da cadeirinha. Eu tranco o carro e assinto. Eu o acompanho levando a bolsa de Theo.
Ao chegarmos no apartamento, eu o admiro mais uma vez. Ele é de fato muito bonito e aconchegante. Eu me viro para Edward.
— Acho que posso me ajeitar num quarto de hóspedes com o Theo... — Eu começo a dizer quando ele sobe as escadas com meu filho e eu o acompanho.
— Não será necessário. — Ele diz e se encaminha para o seu quarto. Tá, ele vai querer colocar meu filho na cama dele?
Porém ao entrar naquele quarto já conhecido para mim eu me deparo com um mini berço oval próximo à poltrona num canto do quarto. Eu paralizo e o encaro sem saber o que dizer.
— Eu comprei antes de viajar pensando que algum dia vocês poderiam precisar passar a noite aqui em casa. — Edward fala e deposita meu filho naquele lindo berço já equipado com roupa de cama, almofadas e brinquedos. Eu me aproximo dele quando ele conserta a sua postura e o olho nos olhos.
E então, pela primeira vez desde que este acordo começou, eu o beijo com toda a confusão de sentimentos em meu peito. Eu o beijo avassaladoramente e com toda força em meu ser.
Se ele estava entrando de cabeça nisso, eu também entraria. E seja o que Deus quiser!
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