Bonecos de Papel
7 Capítulo 7- O Fim?
Notas iniciais
1 ano depois
Dentro do carro, saindo da delegacia, ela relembrava cada detalhe daquela noite.
Depois de descobrir toda a verdade com o livro, ela o deixou na porta da biblioteca ás 3h da manhã.
“E aquela gente idiota nem desconfiou” pensou.
Ligou para casa de um telefone público tentando parecer desesperada e foi encontrada. Não que precisasse disso para voltar para casa- já conhecia o caminho-, mas aquilo ia deixar tudo bem mais fácil de acreditar. Investigaram o caso até onde podiam e todas as pistas apontaram para Ema. As duas começaram a ser ouvidas por policiais constantemente, e ela conseguia se manter tão impassível e inocente, que seria impossível de desconfiar.
E agora, um ano depois, ela não poderia estar mais feliz. Com seus 18 anos recém-completos, Gabriela Wooder assistia a prisão da ex-colega de classe, fingindo não acreditar que Emília seria capaz de matar tanta gente e colocar a culpa nela.
O caso apareceu em todos os jornais do local, e Gabriela se tornou famosa por ser a única sobrevivente, sendo chamada de “A Menina Que Sobreviveu”, em comparação ao protagonista da série de livros “Harry Potter”. Deu inúmeras entrevistas, e aos poucos foram se esquecendo do caso.
Depois, durante os outros anos, relembrando o dia que escapou de ser presa, Gabriela ia visitar a “amiga” na cadeia, contando novidades do mundo lá fora com uma inocência incrível.
Apenas ela conhecia o segredo, a verdade por trás da prisão de Ema. Foi o crime perfeito, pois nada poderia ser melhor que se livrar de 5 garotas idiotas, terminando com 4 mortas e uma presa, sem levantar suspeitas para si.
O pai dela se sentia ainda mais feliz, já tinha sido promovido várias vezes, e quando o dono da firma onde trabalhava morreu, tomou seu lugar e fez questão de arranjar um emprego para a filha lá dentro, afinal a menina já estava com 24 anos e não trabalhava.
Enquanto isso, Ema cumpria seus anos na cadeia. Tendo muito mais tempo para pensar, começou a desconfiar de Gabi, mas as visitas que ela fazia deixavam ela cada vez mais inocente.
Conforme os anos se passavam, Gabriela ficava mais preocupada: logo Emília sairia da cadeia e poderia muito bem tentar provar a todos que a real culpada não era ela, e Gabi não teria escapatória: Se Ema provasse que ela era culpada, ela iria presa, e se ela matasse Ema antes, ela também iria presa.
“Essa devia ser uma daquelas horas que nos arrependemos de que fizemos no passado e nos entregamos a polícia, mas isso aqui não é um filme bonitinho da Sessão da Tarde. Ela nunca vai poder provar que fui eu quem matou todas elas, incluindo Marina.” Ela sorriu ao se lembrar da vadia falsa que um dia estudou com ela, e que ela teve o prazer de matar com suas próprias mãos.
E a vida seguiu para as duas: com 28 anos, Emília Rodrigues saiu da cadeia, e como Gabriela previu, tentou culpar a outra que estava livre, sem sucesso. Com a mesma idade, a atual Gabriela Silva Wooder, comemorava seus 3 anos de casado com Daniel Silva, que conheceu na firma de seu pai. A vida da ex-presidiária não seguiu bem, não conseguiu emprego, estudo, amigos... O caso já era suficientemente conhecido para que cada pessoa do estado não querer chegar 3 metros perto da mulher. Já para Gabriela, foi melhor que imaginava, teve dois filhos e, depois da morte de seu pai, tomou a presidência da empresa, ganhando cada vez mais dinheiro a cada dia.
O ano agora é 2014, cada uma delas com 33 anos. Gabi era uma empresária conhecida mundialmente, constantemente dava entrevistas, aparecia nos jornais na comemoração de 16 anos da solução do caso, dando uma entrevista sobre como ela sempre desconfiou de Emília Rodrigues, de como ela tinha um comportamento estranho na sala de aula, e como parecia não ligar para a morte das amigas.
Ema via a entrevista, aproveitando a televisão de um restaurante, assistia a grande quantidade de mentiras que a “amiga” contava para os jornalistas.
A Rodrigues começou a pensar. Aquilo só poderia ser loucura, mas ela estava seriamente pensando em finalmente ser presa sem ser inocente. Era realmente um pensamento maluco, ela não poderia simplesmente se vingar da garota. Seria presa novamente e sua vida seria pior que já era. Tinha um pouco de lógica no que Emília pensava.
“Ninguém é tão inocente. Eu estava certa em pensar que ela havia matado todas elas e apontado todas as pistas para mim, e eu não posso tentar nada contra ela. Só posso continuar como estou, sentada na calçada do outro lado de um restaurante, aproveitando a TV chiada dessa gente que não sabe nem arrumar uma antena de televisão direito, morando na casa da minha mãe. Quer dizer, ALUGANDO meu quarto na casa de minha mãe, pois nem ela mesma acredita em mim, mesmo sabendo que eu estava em casa quando aconteceu tudo aquilo, agora tenho que pagar com o dinheiro que não tenho, para poder dormir no meu velho quarto de adolescente.” Pensava a mulher.
“QUE ÓDIO!” Gritou para quem quisesse ouvir por ali, deixando as pessoas dos arredores com medo.
Um dia, para se promover, Gabriela chamou toda a imprensa para filmar e transmitir, ao vivo, ela perdoando Ema por tudo o que ela fez e lhe dando dinheiro para continuar a vida. Ela não poderia ter feito coisa pior.
No dia daquela gravação, a Rodrigues apenas fingiu estar muito agradecida, mas o que ela pensava mesmo, era causar a milionária a mesma dor que ela sofreu.
Fale com o autor