Boneca Humana
15 Epílogo
Notas iniciais
— Já estava na hora, Kaplan! — Lucia disse quando sentei-me na poltrona do avião. Tive que me sentar ao lado de Debrah, pois meus pais já ocupavam poltronas um ao lado do outro. Felizmente, ela estava cansada demais para ter uma conversa. Com pouco tempo de voo, dormiu como um bebê.
O avião não iria demorar muito tempo para chegar aos Estados Unidos. Ainda mais com a evolução do motor dos aviões, que fazia viagens longas em um período de tempo curtíssimo. Apesar disso, decidi aproveitar meu tempo lendo um pouco. O livro que Nathaniel havia me dado.
Para minha surpresa, quando abri o livro, um envelope caiu lá de dentro. Nele, estava escrito “Para Kaplan”. Olhei para o lado e Debrah ainda estava dormindo. Não havia como ela dar uma de curiosa e resolver ler a carta comigo.
Abri-a e comecei a ler.
Cara Kaplan,
Desculpe a formalidade, mas não sei outro jeito de começar esta carta. “Querida” seria íntimo demais. Espero que esteja tendo um ótimo voo, mesmo com Debrah no mesmo avião. Sinto muito pelo presente de última hora, mas achei que gostaria de ter uma boa recordação de nós, já que é um tanto improvável que iremos nos ver tão cedo.
No momento em que você esteve na França, parece que nossa vida em Sweet Amoris virou de ponta cabeça, especialmente a minha — mas no bom sentido, claro. Você chegou com seu jeito espontâneo, independente, até um pouco impaciente e eu me perguntei se você não seria uma versão feminina de Castiel Dumont. E realmente foi! Mas, ao contrário dele, você conseguiu conquistar a minha atenção sem muito esforço e tenho muito o que agradecer.
Você despertou a coragem escondida em mim para que eu pudesse enfrentar meu pai e parar de ser um fantoche. Me mostrou que, enquanto eu me preocupo apenas com a reputação, existe um mundo lá fora gritando meu nome e esperando que eu vá aproveitá-lo.
De todas as coisas que poderiam ter acontecido esse ano, você, Kaplan Foxy, foi a melhor delas. E eu nunca me esquecerei de você.
Atenciosamente,
Nathaniel Armitage.
Abracei a carta, emocionada, e depois guardei-a no envelope novamente. “Também nunca me esquecerei de você, meu loirinho CDF”, pensei.
— Atenção, passageiros. Estaremos prontos para aterrissar em dez minutos. — Ouvi a voz do co-piloto pelo alto-falante.
Daqui a 10 minutos, eu estaria entrando em solo americano. Passaria os próximos meses na minha antiga escola, além de ter que conviver com uma pessoa que já tentou acabar com minha vida. Mas não era um fim; apenas um novo começo. Nem tudo sai como o planejado, mas isso não quer dizer que não possa ser divertido.
Afinal, eu sou Kaplan Foxy.
E não preciso ter a vida perfeita para me sentir feliz.
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