Boneca Humana
10 Capítulo 9 — Luvas não escondem decepção
Notas iniciais
Fiquei pensando naquela discussão com Debrah que tive ontem à tarde. Já era ruim ter que aturá-la todos os dias na minha casa, gravando no estúdio com meu pai. Ainda mais falando comigo daquela maneira, como se eu fosse uma vadia como ela. Ela está tentando me provocar, eu tenho certeza! Só não consigo entender o motivo.
Pensando nisso, acabei me conectando ao carregador um pouco mais tarde que o costume. Resultado: Acordei atrasada. Argh! Maldita Debrah! Tive que sair correndo para não me atrasar para a escola e, na pressa, acabei fazendo um corte na pele-falsa, logo abaixo do pulso esquerdo. Eu não tinha tempo de consertar, então acabei pegando uma luva para cobrir. Ela era tão desconfortável! Desde o momento em que a coloquei, tive vontade de tirá-la a cada minuto porque ficavam pinicando. Mas eu não podia. O corte havia sido profundo o suficiente para mostrar o plástico que me revestia.
Mesmo com toda a correria, cheguei atrasada e não pude assistir à primeira aula. Quando os alunos saíram para trocarem seus livros nos armários, fui até Wendy (o armário dela ficava bem perto do meu) e perguntei:
— Eu perdi muita coisa? — Era realmente ruim perder aula. Depois eu teria problemas sérios para acompanhar a matéria.
— Sim. — Ela respondeu de forma gélida. — Seus amigos, por exemplo.
E, sem falar mais nada, ela bateu a porta de seu armário e saiu pelo corredor sem olhar pra mim. “O que deu nela?”, pensei. Alexy estava passando por perto, então resolvi perguntar para ele.
— O que houve com a Wendy? Ela parece tão distante!
— Não se preocupe, não é culpa dela. — Alexy respondeu. — Ela apenas não gosta de falar com pessoas cretinas.
— Cretinas? — Indaguei. — Como assim?
— Acho que você mentiu por muito tempo, mas, finalmente, conseguimos descobrir a verdade. — Ele direcionou o olhar para minhas mãos. — Arranjou uma luva? Por que não arranja uma máscara também, pra ver se consegue esconder essa sua cara falsa? Assim nós não teremos que olhar pra ela todos os dias.
E, então, ele também se distanciou. Que diabos estava acontecendo com todo mundo? O que eu havia feito?
— Nathaniel, eu quero que você me explique essa história direito! Por que todo mundo está agindo estranho comigo? — Falei, entrando no Grêmio Estudantil de uma vez.
— Nunca lhe ensinaram que é educado bater na porta antes? — Ele perguntou, sem olhar para mim.
— Nem vem! Wendy disse que eu perdi meus amigos e Alexy me chamou de cretina. Alguma coisa está acontecendo e eu não sei o que é!
— Tem certeza? — Ele se virou para mim. Seus olhos estavam um pouco vermelhos, sinal de que havia chorado. — "Sabia que eles são um bando de estúpidos?" "Eles são fantoches que você pode controlar!" — Nathaniel imitou uma voz fina. — Isso faz algum sentido pra você?
Eu já havia ouvido isso em algum lugar… Mas onde?
E foi aí que lembrei: Isso foi o que eu disse para Debrah ontem, quando ela começou a falar dos meus amigos. Será que Debrah havia gravado a conversa? Como? E com o quê?
Mas, espere! Eu disse “Eles não são fantoches que você pode controlar”, e não “Eles são”.
— Eu… Eu não entendo! — Falei. Mesmo por uma mísera palavra como “não”, dava para entender o resto da gravação perfeitamente. E eu defendi meus amigos o tempo todo. Como eles poderiam estar com raiva de mim?
— E eu, muito menos! — Nathaniel disse. — Você era uma pessoa boa, amigável, eu até pensei que eu estava… — Ele parou, dando um suspiro de decepção. — Mas parece que estava brincando conosco o tempo todo!
— Eu ainda não estou entendendo! — Falei. — Se você ouviu bem a gravação, eu defendi meus amigos quando Debrah estava falando deles!
— Então você deve estar falando de outra gravação. Porque, a que eu ouvi, mostrava o quanto você é fingida. E que fica assediando a mim e ao Castiel ao mesmo tempo para conseguir as coisas.
Aquilo fazia um sentido ainda menor para mim. Eu havia negado fazer isso ontem à tarde.
— Se quiser ouvir pra ver se você se lembra melhor, o áudio já está nos celulares de todo mundo da escola. — Nathaniel disse, me mostrando seu celular e apertando o “play”. Então pude ouvir minha voz e a de Debrah, exatamente como ontem. Ou, era o que parecia antes de eu ouvir a gravação completa.
Kaplan: O que você quer, Debrah?
Debrah: Saber como você aguenta ser tão piranha assim.
Kaplan: Piranha??
Debrah: Qual é! Eu conheço seus truques, Kaplan. Acha que eu não sei que você vive dando em cima do Castiel e do Nathaniel ao mesmo tempo para conseguir o que quer? Primeiro você praticamente implora para o Castiel não ir na turnê comigo e depois se aproveita do Nathaniel quando ele te consola? Acha isso bonito?
Kaplan: É, eu acho. Algum problema?
Debrah: Problema nenhum. Só fico pensando… E se algum dia o Nathaniel e o Castiel se tocarem de que você está fazendo-os de trouxas e resolverem se voltar contra você?
Kaplan: Sabia que eles são um bando de estúpidos?
Debrah: Isso é o que você diz. E só porque você diz, não quer dizer que seja verdade.
Kaplan: Mas é a verdade. E todos sabem disso.
Debrah: Tudo bem. Vou fingir que acredito. Eles são pessoas muito especiais para mim. E os seus amigos? Wendy, Alexy, Kentin…
Kaplan: Eles são fantoches que você pode controlar! Você pode encher a cabeça deles de merda e esperar que eles acreditem.
Debrah: Nossa, que crueldade! Está bravinha hoje, hein?
Kaplan: Escuta aqui: Você não é minha dona pra se importar tanto com a minha vida. O que eu faço ou deixo de fazer só diz respeito a mim!
Quando acabei de ouvir, eu não sabia o que dizer. A voz era minha! Mas eu não havia dito nada daquilo no dia anterior! Quer dizer… Não daquele jeito. Não naquele sentido! A não ser que…
— Foi a Debrah! Ela alterou a gravação! — Falei. — Ela alterou a gravação pra fazer vocês acreditarem que eu estou contra todo mundo!
— Desculpe, mas nada do que você disser irá adiantar. Acho que ninguém aqui acredita mais em você. — Ele disse.
— Você conhece a Debrah, Nathaniel! Ela já manipulou a escola inteira pra ficar contra você. E agora ela está fazendo o mesmo comigo! Por favor, você tem que acreditar em mim!
— Sinceramente? Eu prefiro pensar que tudo isso foi um mal entendido e que a Debrah realmente alterou a gravação. Mas não dá. Mesmo que seja verdade, todos aqui na escola amam a Debrah e nunca duvidariam dela. É uma batalha perdida, Kaplan.
— Não é não! — Falei. — Se eu tiver alguma oportunidade para me vingar! Encontrar a gravação original, talvez. Eu poderia mostrar para todos e faria com que acreditassem em mim.
— Você só terá mais trabalho e, no final, não adiantará nada. Mas até que tudo se resolva, não fale mais comigo. Você diz uma coisa, mas as evidências provam o contrário. Se quer um conselho: Fique na sua. Se você der sorte, seus colegas irão esquecer em algumas semanas.
Semanas? Eu não tenho todo esse tempo! Não vou suportar ficar sozinha por tanto tempo!
— Não. — Falei, decidida. — Você foi um covarde quando não quis enfrentar a situação. Não espere que eu tenha a mesma atitude!
— Obrigado. Além de estúpido, eu também sou covarde. — Nathaniel limpou os olhos com a manga da camisa. — Vou acrescentar isso na minha “lista de elogios”.
— Espera… Não foi o que eu quis dizer, eu apen…
— Vá embora. — Nathaniel disse, seus olhos ficando mais vermelhos.
— Por favor, me dê uma…
— VÁ EMBORA! — Ele gritou, furioso. No mesmo instante, saí do grêmio, completamente desolada. Se eu fosse humana, provavelmente estaria chorando naquele momento. Eu tinha uma luva que escondia meu corte. Mas não tinha nada pra esconder minha frustração.
Não havia mais nada a fazer. Eu tentava conversar com todos, mas ninguém me ouvia. Tentei explicar a situação para Castiel, já que ele havia desistido de participar da turnê de Debrah, dizendo que ela não valia à pena. Mas, ao contrário do que imaginei, ele me disse o seguinte:
— Eu não quero falar com você, nunca mais! Pensei que você realmente fosse minha amiga. Mas agora, eu olho para o seu rosto e vejo uma cópia mal feita de Debrah. Você me convenceu a não ir à turnê porque ela era falsa, iria me decepcionar como fez no passado. Mas, pelo visto, você não está muito longe desse conceito. Não só decepcionou a mim, como também decepcionou todo mundo. Eu tenho nojo de gente assim.
Eu nunca pensei que estaria tão sozinha. A única coisa que restava era fazer o que Nathaniel disse: Esperar. Torcer para que tudo se resolvesse o mais rápido possível.
Mas não se resolveu. Já havia se passado duas semanas e ninguém falava comigo. Me evitavam no corredor e, sempre que eu passava, ouvia cochichos e risadinhas de mal gosto. A única que não parecia ligar muito era Ambre, que se sentia feliz por não ser a única odiada da escola — e porque, de acordo com ela, Castiel poderia dar uma chance para ela comigo fora da jogada. O que, obviamente, não deu certo. Não que Castiel estivesse apaixonado por mim, mas ele nunca suportou garotas que fossem obcecadas por ele. Era até engraçado como Ambre nunca desistia de falar com ele. Pra falar a verdade, era a única coisa que me fazia rir naqueles tempos. Até em casa eu não falava muito com meus pais. Eu não podia contar o que houve, porque Debrah podia muito bem mentir novamente e pedir demissão da gravadora. E no final das contas, quem iria sofrer as consequências era meu pai. E mesmo depois de tanto tempo, eu ainda usava a luvinha na mão esquerda. Não queria perturbar meu pai com detalhes pequenos, ainda mais porque não fazia nem um mês que ele teve que ligar para a tia Agatha, procurando uma maneira de consertar meu pé (graças ao salto alto que eu resolvi usar naquele jantar dos Armitage).
E então, um dia, tudo estava para mudar quando eu ouvi — acidentalmente — uma conversa de Ambre, Li e Charlotte depois da aula.
— Você espera gravar a aula dos professores e depois ouvir em casa? — Li perguntou para Ambre.
— É mais fácil. — Ambre respondeu. — Assim eu posso ouvir enquanto faço exercícios. Fico linda e inteligente ao mesmo tempo!
— Não sei o que você tem tanto contra os livros! — Charlotte comentou.
— São cansativos demais, Char! Além disso, essa canetinha aqui tem conexão direta com meu computador. — Ambre ergueu uma caneta. — Posso clicar nesse botão e enviar tudo o que eu gravar pra lá em um piscar de olhos! E depois é só passar pro celular.
Nessa hora, me veio uma ideia espetacular: Eu poderia usar a caneta para fazer a mesma coisa que Debrah fez: Pegá-la desprevenida e gravar uma conversa em que ela confessa tudo. Seria fácil até demais.
— Posso pegar sua caneta emprestada? — Perguntei à Ambre.
— Nem vem! Compre uma pra você! — Ambre disse.
— É por uma boa causa!
— Poupe-me de suas boas ações. — Ambre revirou os olhos.
Droga! Como é difícil conversar com patricinhas medíocres!
— Na verdade… É para uma vingança. Contra Debrah. — Falei, quase cochichando para evitar que outra pessoa ouvisse. — Você sabe o que ela fez comigo. Quero pegá-la desprevenida e fazê-la confessar tudo. E gravar a confissão.
— Hum… Não sei… — Ela disse, pensativa. — O que você me dá em troca?
— Uma oportunidade. — Respondi. — Por que você acha que Castiel não quer nada com você? Debrah está no caminho e todo mundo acredita nela. Se eu provar que tudo o que ela disse sobre mim é mentira, todos vão passar a odiá-la e aí você tem chances com o Castiel.
— Acha que eu sou idiota? Você irá se passar por boazinha, Castiel vai voltar a ser seu amigo e depois você vai querer algo a mais. Eu não vou correr esse risco!
— Ele não queria nada comigo antes de a Debrah aparecer. Por que acha que ele ficaria interessado agora? — Perguntei, tentando convencê-la.
— Hum… É, você tem razão. — Ambre respondeu, rindo de forma arrogante. — Que se interessaria por você, além do idiota do meu irmão?
— Nathaniel não está interessado em mim. — Falei. Ambre revirou os olhos.
— Você está totalmente por fora! — Ela disse.
— Tanto faz! — Falei, tentando não desviar o assunto. — E então? Temos um acordo?
— Temos. — Ela disse, me entregando a caneta. — Quero ela de volta amanhã.

Concordei. Eu tinha até o dia seguinte para arrancar uma confissão de Debrah. E foi o que tentei fazer.
Logo que cheguei em casa, esperei um intervalo das gravações (que, ainda bem, já estavam quase terminando) fui conversar com ela. Prendi a caneta em minha peruca, tendo todo cuidado para que ela ficasse bem escondida, e apertei o botão “gravar”.
— Você deve estar muito feliz, não? — Perguntei. — Já fazem semanas que ninguém de Sweet Amoris conversa comigo.
— Você mesma provocou isso, querida. — Debrah disse. — Se tivesse ficado quieta em seu canto, nada disso teria acontecido.
— Eu estava, até você chegar e mentir pra todo mundo. Mudar a sua gravação e fazer todos os meus amigos acreditarem que eu os enganei.
— Não os forcei a acreditar em nada. — Ela disse. — Eles simplesmente escolheram o melhor lado.
— É uma pena que você precise mentir pra conseguir isso. — Falei.
— Cada um usa o que pode. E aí você aprende que não se pode competir comigo. — Debrah sorriu. — Quando se é totalmente boazinha que nem você, não se consegue muita coisa. E eu pensei que você realmente podia manipular o pessoal daquela escola. Mesmo depois de tanto tempo, eles ainda acreditam em mim. São mesmo uns estúpidos, não são?
Não acredito. Estava dando certo! Debrah estava confessando e eu estava gravando tudo.
— Cuidado, Debrah. Como você mesma disse, tudo tem seu fim. Quando você menos esperar, sua máscara vai cair e todo mundo vai perceber a verdade.
— Ah é? — Ela disse em tom ameaçador. — Estou esperando sentada.
Eu já tinha o que eu queria. Estava pronta para sair de lá. Dei as costas para Debrah e fui subindo as escadas.
— Ah! Só mais uma coisa, Kaplan… — Debrah começou. E não demorou dois segundos para que ela pulasse em cima de mim e arrancasse a caneta. Tive que segurar a peruca o mais forte que pude para que ela não fosse junto.
— Aprenda a ser menos óbvia. — Debrah disse, jogando a caneta no chão e quebrando-a com seu salto. Perfeito! Agora, além de não conseguir minha gravação, a caneta de Ambre estava quebrada e eu teria que comprar uma nova.
Oh sorte, onde está você quando eu preciso?
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Antes de ir para a escola no dia seguinte, passei em uma loja de eletrônicos e comprei uma caneta idêntica à de Ambre. Ela provavelmente não perceberia a diferença.
Quando passei pelo portão principal, tive que aguentar os olhares de repreensão de sempre. E o pior de tudo é que eu nem ligava mais, pois já estava acostumada. Fui direto para o banheiro do ginásio. Lá, provavelmente, eu teria paz até que a aula começasse.
De repente, ouvi passos. Rapidamente, me escondi em uma das cabines dos sanitários para ter que evitar falar com alguém.
— Eu te disse que seria perda de tempo! — Ouvi uma voz conhecida. Era de… Debrah! Provavelmente ela falava ao celular, pois ninguém mais entrou no banheiro. Mas o que ela estava fazendo em Sweet Amoris?
— É… Sim… Eu fechei minha matrícula hoje. Meu agente, Philippe Foxy, não quer que eu me distancie dos estudos enquanto eu estiver gravando por aqui. Mas eu ainda acho perda de tempo, porque as gravações já estão quase encerradas… — Ela dizia. — Como eu aturo o pessoal daqui? Ah, Tessalya, nem te conto!
Tessalya!? Esse nome me era familiar. Não era o nome de uma das integrantes da banda Stars From Nightmare?
É claro! Ela estava conversando pelo celular com uma das garotas de sua banda sobre… A escola! E estava falando mal dela! Procurei discretamente em minha mochila e encontrei a caneta que tinha comprado para Ambre. Era a oportunidade perfeita!
— Eu tenho que ter muita calma. — Debrah dizia. — Porque conviver com gentinha nem sempre é fácil. Especialmente quando uma dessas “gentinhas” é meu ex-namorado, o Castiel. Você deve se lembrar, é aquele garoto que fez o teste para guitarrista na mesma época que eu, e que eu te disse que não estava pronto para entrar para a banda.
"Oh!", eu mal podia acreditar. Então… Nathaniel falava a verdade! E Debrah havia mentido para Castiel.
— Acredita que um dia desses ele quis me trocar por outra? É, exatamente! Me esnobou e tudo mais. Mas não se preocupe, eu dei meu jeito… Como? Você sabe exatamente como eu dou um jeito pra tudo, Tessa. E ele se chama manipulação. É exatamente isso que faz com que eu sempre vença e os outros percam.
Debrah estava tão preocupada com sua conversa que nem percebia minha presença atrás de uma das cabines. Dessa vez daria certo. E então o sinal tocou, avisando que a aula iria começar.
— Tenho que desligar, a gente se fala depois! — Debrah disse, desligando o celular.
Nesse momento, pude sair da cabine. Debrah precisava ouvir umas coisas antes de eu entregar a gravação para os outros.
— Parece que eu não sou tão óbvia quanto você pensa, não é mesmo? — Falei. E Debrah se assustou. Ela não esperava que eu estivesse lá.
— O que você faz aqui? — Ela perguntou.
— O mesmo que você. Eu estudo aqui. — Respondi com ironia, o que a fez ferver de raiva.
— Eu não sei o que você ouviu. Mas se você gravou alguma coisa, é melhor me falar agora. Antes que você saia machucada. — Debrah ameaçou.
— Não tenho mais medo de você, vadia. — Falei, cruzando os braços. — Em pouco tempo, todos saberão quem você é.
— Só por cima do meu cadáver! — Ela gritou, pulando novamente em cima de mim para tentar arrancar a caneta de mim. E começamos uma verdadeira “luta de mulheres”, com direito a xingamentos, tapas e puxões de cabelo. Mas eu confesso que fiquei DESESPERADA quando uma mecha do meu cabelo saiu nas mãos de Debrah. Ela poderia descobrir tudo!
Então comece a gritar. Gritar o mais alto que pude. Até me lembrar que o sinal já havia batido e todos já estavam em sala de aula. Não ia adiantar!
— Pare com isso, sua putinha escandalosa! — Debrah gritou para mim.
— Não me mande parar com isso! — Gritei mais alto ainda. — Você é a errada aqui!
E então, meu aparelho vocal começou a falhar. Eu devo ter gritado além do limite. Agora, não conseguia mais gritar.
E então, uma caneta que estava no bolso de trás de Debrah, caiu no chão. Era exatamente igual à caneta de Ambre. Talvez ela tenha usado aquilo para gravar a nossa conversa e depois editá-la.
Tentei pegá-la, mas Debrah segurou minha mão, me impedindo e fazendo com que a caneta fosse empurrada para longe, caindo bem ao lado da caneta que eu havia acabado de comprar para Ambre. E então, notei que eu estava sem a luva. Debrah havia arrancado-a enquanto tentava me impedir de pegar a caneta-gravador. Meu corte estava exposto, mostrando o plástico por baixo. E os olhos de Debrah estavam fixos nele.
— O que é isso? — Ela perguntou, arregalando os olhos.
Pronto! Lá se vai meu disfarce. Tantos anos para escondê-lo e um segundo para acabar com ele.
— Senhoritas!!!!! — Ouvi um grito furioso. — Eu exijo que tenham uma boa explicação.
Era a diretora Shermansky. Debrah rapidamente parou e eu aproveitei para pegar e colocar minha luva de novo.
— Quero as duas na minha sala imediatamente! — Ela disse, andando em direção à nós. Seu pé tocou nas canetas, e ela as pegou.
— Canetas-gravador? O que significa isso? — Shermansky perguntou, apertando o botão do “play” em uma delas.
Não havia aparecido a gravação que eu acabara de fazer. O som que saiu da caneta era a gravação original que Debrah não havia excluído. A gravação que fez todos ficarem contra mim.
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Depois de uma bronca imensa sobre “não brigar na escola”, a diretora Shermansky ligou para meu pai e explicou a situação. É claro, ele ficou furioso com Debrah. E fez questão que a diretora mostrasse a gravação verdadeira para todos os outros alunos, fazendo, assim, com que a situação fosse esclarecida e a justiça fosse feita.
Passei o dia ouvindo pedidos de desculpas de todos os que duvidaram de mim. Disseram o quanto estavam arrependidos por terem acreditado em Debrah e que estavam envergonhados agora que descobriram a verdade. Mas, como toda boa amiga, eu os perdoei. Não era culpa deles se Debrah tinha um poder de manipulação incrível. Foi esse mesmo poder que os colocou contra Nathaniel no passado e, agora, contra mim. Mas eles eram apenas vítimas; não vilões.
Quando voltei pra casa, descobri que a fúria do meu pai havia de extrapolado e ele acabou por demitir Debrah e expulsá-la da gravadora. Agora, Os Engravatados teriam tempo integral para poderem usar o estúdio. Sinceramente, me senti triste por Debrah. Mas, ao menos, ela não iria mais me incomodar.
Aos poucos, tudo voltaria ao normal. E eu não poderia estar mais feliz.
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