Boneca

22 XVIII - ... Vai queimar na luz.


Notas iniciais
Oi gente, eu tô aqui, quase uma hora da manhã tenho prova amanhã, não estudei só pra deixar com vocês o último capítulo. Sim, o último capítulo. Eu tô tão triste, você não sabem. Mas também estou feliz, vocês finalmente vão saber qual o é o tão esperado final. Não tem música no capítulo, mas se quiserem, podem ouvir isso: https://www.youtube.com/watch?v=HIszMdr8xNA Bom, nos vemos nas notas finais. Enjoy:*

Capítulo XVIII – E tudo que você ama vai queimar na luz (parte final).

Quatro meses depois...

E assim o tempo passava, os preparativos para o casamento estavam a todo vapor há meses e, finalmente era chegado o dia do casamento.

O dia estava perfeito, o sol brilhava como há muito não se via, o céu plenamente azul, brisas suaves espalhavam o cheiro delicioso das flores da primavera, não poderia haver dia melhor para um casório.

A capela trouxa e abandona que estava nos fundos da Mansão Malfoy há mais tempo do que se pode contar, antes parecia com um casebre mal-assombrado, havia sido restaurada e se tornara um templo resplandecente.

Ele havia sido decorado com flores em diversos tons de lilás, o luxo predominava no salão, com cortinas de pérolas e detalhes em dourado em toda parte.

Narcisa estava nos jardins, supervisionando o trabalho dos serviçais que limpavam e organizavam o local da cerimônia enquanto tomava uma taça de champanhe borbulhante.

A senhora Malfoy estava muito bem trajada num elegante vestido verde musgo, sapatos altos e diversas joias adornando-a, seu cabelo estava parcialmente preso e enrolado.

Não demorou muito para que os passos pesados de Lucius esmagassem a grama fofa.

— Como andam os preparativos? – perguntou o homem.

— Vão bem, alguns convidados chegarão em breve. – a mulher suspirou – Pode cuidar por alguns momentos do jardim? Vou conferir como está Pansy e os cuidados na cozinha.

— Sim, querida, vá sem pressa.

— Caso chegue algum convidado, por favor, ofereça-lhe uma taça de champanhe.

E com isso aparatou.

~*~

Quarto de Hospedes, Mansão Malfoy, Londres.

Com as cortinas abertas e recheado de flores, o quarto de hospedes se tornou o esconderijo da noiva.

A cama e os demais móveis foram dispensados, dando lugar a uma enorme penteadeira de mogno e diversos espelhos espalhados pelo cômodo.

Pansy estava sentada em uma confortável poltrona, a chamada poltrona-da-noiva, tradicional da família, onde todas as noivas estiveram antes de seus respectivos casórios.

A mãe de Parkinson estava rigorosamente parada ao lado do espelho, observando sua filha com olhos de águia, não permitiria que a garota estragasse todo seu esforço de anos, de maneira alguma. Seus cabelos castanhos estavam presos e ela usava um vestido roxo e preto, sobrepondo sempre os tons escuros. Definitivamente, Georgia Parkinson era uma mulher assustadora.

A noiva observava atentamente sua imagem refletida. Estava deslumbrante com seus cabelos loiros enrolados e presos de um modo desajeitado proposital, a maquiagem suave e o vestido perfeitamente encaixado em baixo de um longo casaco branco de cetim e renda.

As joias da família Malfoy lhe apetrechavam gloriosamente, mas a garota só tinha olhos para o grande anel de noivado sobre a luva clara.

Pansy segurava-se para não se derramar em lágrimas pela quarta vez, nas três vezes anteriores as empregas corriam para consertar o estrago. Sentia uma alegria agoniante de saber que agora Draco seria exclusivamente seu, visto que nos últimos meses ele se comportara, dormia todas as noites em casa, era presente e, apesar de um pouco abatido, participara das decisões do casamento. As tulipas roxas que aromatizavam o ambiente haviam sido escolha dele.

Ao ouvirem a porta se abrir, tanto a noiva quanto a mãe direcionaram seus olhares para a extremidade do quarto.

Narcisa sorriu e se aproximou da jovem loira, abaixando-se à sua frente.

A mais velha segurou-lhe as mãos e as apertou levemente.

— Você está linda, Pansy! Você será tão feliz, querida. – as lágrimas ameaçaram escorrer pela face da garota, mas com um sorriso largo conseguiu controla-las – Agora vamos, está na hora.

Naquele momento, ninguém sabia, mas aquela pequena e frágil promessa se despedaçaria mais rápido do que se poderia imaginar.

~*~

Quarto de Draco Malfoy, Mansão Malfoy, Londres.

E o “grande dia” havia vindo mais rápido do que pudera imaginar.

Hoje era o dia de seu casamento.

Se ele estava preparado pra isso?

Não.

Se ele queria isso?

Não.

Se ele gostava, ao menos, de Pansy?

Não.

Mas se havia de passar o resto de sua vida ao lado dela que, pelo menos, fosse agradável, visto que jamais seria o que ele realmente desejava.

O loiro arrumava o meio fraque em frente ao espelho, enquanto Blásio estava sentado em sua cama.

O silêncio dominava o ambiente, até que Zabine resolveu falar.

— Como se sente? – perguntou.

Draco demorou algum tempo para responder.

— Sim...

O moreno riu baixo, o garoto sequer prestara atenção a sua pergunta.

— Não quer se casar, não é mesmo? – disse em tom compreensivo.

Draco suspirou.

— Não...

— Eu sabia, Malfoy! Quem é ela?

— Ela quem, Blásio? Está variando?

— Não minta pra mim, conte logo.

O loiro caminhou pelo quarto, se dirigindo à cômoda para servir uma dose dupla de Firewisky a si mesmo.

Por alguns segundos, o noivo apreciou seus sentidos serem mergulhados na embriaguez passageira, enquanto todas as lembranças inundavam sua mente.

Lembrou-se imediatamente da sensualidade dos olhos castanhos borbulhando em luxúria, da forma como sua pele cor de mel queimava contra a sua própria, como se movia, moldando-se a si, seus gemidos, sua boca aveludada, a maneira de pronunciar seu nome...

Com os olhos fechados, ele se afogava cada vez mais, agora se recordando da menina pequena e frágil que encontrara da primeira vez, machucada, humilhada e submissa, lembrou-se da febre, de suas histórias, mas também lembrou a fatídica noite em que inconscientemente magoou-a, mas era passado, ele já havia feito novamente.

O rapaz de olhos azuis tempestade daria tudo, absolutamente tudo para fazer diferente, mas era tarde.

Esse pensamento fê-lo sentir um aperto no peito.

— Draco Malfoy! – exaltou-se Blásio.

— Perdão...

— Oh Mérlin, o caso é mais grave do que pensava. – lamentou o amigo.

— Não, Blás, passou, ela... Não quer mais saber de mim...

Sem deixar tempo para resposta, uma das governantas abriu a porta. Pediu licença, se desculpou e avisou que já era hora de ir.

E assim o assunto acabou.

Mas o aperto no peito continuava.

~*~

Capela, Jardim, Mansão Malfoy, Londres.

Toda a elite dos comensais estava presente e devidamente acomodada nos assentos do casório.

As pessoas conversavam sobre qualquer assunto supérfluo, sem sequer se importar sobre os noivos.

Draco estava parado, a expressão vazia, os olhos distantes, assim como seu coração.

O aperto no peito continuava lá, mas não importava, não mais.

A marcha nupcial invadia seus ouvidos, perturbando, dilacerando seus sentidos.

O salão era todo voltado para a noiva.

Pansy estava maravilhosa, o casaco estava caído até os cotovelos, dando um ar de sensualidade tradicional, ela brilhava, brilhava excepcionalmente, como uma noiva brilharia. No rosto, um sorriso brilhante, cheio de expectativas.

O ar estava ficando rarefeito, o lugar abafado e menor, menor, menor.

O loiro olhava fielmente para o carpete, ouvindo cada comentário aleatório escoar em sua mente.

“Ela parece tão feliz”.

“Ela está linda”.

“Mal posso acreditar que Draco Malfoy vai se casar.”

“Jamais acreditaria que ele seria capaz de assumir alguém assim”.

“Ele não parece feliz”.

O último ecoava cada vez mais alto, mais agudo, mais insuportável.

Quando olhou para frente, seus olhos se encontraram com os de Pansy.

Tão brilhantes que queimavam a alma de Draco.

E aquele aperto no peito, não passava.

Ele ouviu um zumbido qualquer de um “cuide bem” ou algo assim enquanto Kevin entregava-lhe a filha.

Mas quando suas mãos estavam prestes a se tocar uma onda de arrepios se alastrou por sua espinha.

Seu coração parecia estar sendo torcido, uma vontade súbita de gritar lhe ocorreu.

— Hermione. – sibilou o loiro, de maneira paranoica.

E quando menos se esperava ele desapareceu, deixando Parkinson com as mãos ao ar.

Ninguém podia acreditar.

— Ele disse Hermione?

~*~

Lugar Desconhecido, Londres.

— Não pelo amor de Deus, não, não!

— Acredita mesmo que qualquer Deus trouxa possa te livrar disso, vagabunda?

— Não, por favor... Não! – gritou a garota.

Hermione fechou os olhos fortemente, enquanto sentia seus joelhos serem rasgados pelo chão de pedra, sem qualquer piedade.

Ela sangrava, por dentro e por fora, não conseguiria mais suportar.

Ao longe, conseguia ouvir o choro das demais garotas.

Perdoem-me, das demais Bonecas.

Seu rosto estava cortado, seu corpo era encoberto por marcas, seu interior doía.

Estupros, agressões, torturas, ela não podia...

— Segure o choro, cadela, se quiser continuar com todos os dentes dessa sua linda boquinha.

A Grifinória se encolheu, segurando tudo que guardava dentro de si.

Não demorou muito até que chegassem à cela mofada, onde a castanha foi jogada sem qualquer piedade.

Estava tremendo e suando, mas um frio imenso se alastrava por seu pequeno corpo.

Os comensais fecharam a cela e saíram rindo alto, enquanto a leoa libertava suas lágrimas frustradas, doloridas, reprimidas.

Se arrastando aos poucos, Hermione conseguiu se agarrar a uma manta fina, cobrindo-se parcialmente.

E ali, deitada no chão frio, começou a recordar.

Tudo começava com seus pais, seus doces e amáveis pais.

Sentia tanta falta de todas as manhãs ser bronqueada por esquecer-se de passar o fio dental, ou de como sua mãe fazia a comida favorita de seu pai aos Domingos.

Uma de suas lembranças mais bonitas era de quando aprendeu a orar.

Era um domingo à noite, e ela estava com medo, muito, muito medo, mas não conseguia se recordar do que.

Sua mãe entrou no quarto com uma grande xícara de chá-de-mel e sentou-se ao seu lado.

Disse-lhe palavras doces, lhe ofereceu o chá e deitou-se ao seu lado.

Sussurrando disse que havia alguém que estava ouvindo, a qualquer hora e qualquer lugar.

E simplesmente começou a orar, até que caísse no sono profundo e tranquilo.

Gostaria de poder ensinar isso à Draco algum dia.

Mas nunca teria a chance.

Voltava agora às lembranças mais recentes, de suas carícias e suas palavras ao pé do ouvido.

Achava que nada poderia deixar seu coração pior depois da Guerra, estava errada. Céus, e como estava!

Em algum lugar, qualquer lugar bem lá no fundo tinha uma única gota esperançosa, correndo em seu sangue.

Esperança de que Draco poderia curar e fazer esquecer.

Mas ele se casaria.

E, se algum dia fosse vê-la, não passaria de uma diversão qualquer por uma noite, como era para vários outros.

Mas passaria.

A mágoa estava lá o tempo todo, mas há coisas muito piores e mais assustadoras.

Aquele sentimento estranho e desconhecido que se manifestava em seu coração.

Talvez fosse só a morte.

A tão querida e esperada morte.

E falando nela, a visão de Hermione começou a escurecer, os sons iam se afastando, a respiração pesada.

Um enorme alívio se espalhava dolorosamente por seu corpo, mais do que conseguia aguentar.

Um grito gutural atravessou por vários momentos sua garganta seca, a dor era insuportável, as dores que sentia diariamente nunca se comparariam àquela.

Havia sangue como nunca havia visto antes, seu corpo estava gelado, ela tremia e agonizava ininterruptamente.

Ela podia sentir as unhas da morte se enroscando em seus calcanhares.

Estava pronta para se entregar quando ouviu uma voz distante.

— Hermione! – aquela voz, ela conhecia...

Um som estrondoso foi ouvido e, de repente, uma mão quente envolveu a sua.

— Hermione! – disse Draco, ofegante.

Os olhos castanhos faziam movimentos retardados, e miravam toda a extensão visível do corpo de Malfoy, ele era tão lindo.

— Hermione, fale comigo, por favor!

Mas seus olhos tempestade estavam tão tristes e desesperados, será que ele estava chorando?

— Por favor, Mione, não feche os olhos...

Alguns soluços escaparam pela garganta do loiro.

Não podia acabar assim, não, não podia!

Ele se curvou e passou a beijar repetidamente a testa suada e congelada da castanha.

Cada vez Granger ouvia e via menos, a morte estava arranhando seu corpo, cada vez mais próxima de seu coração.

Com muito esforço, ela levantou uma de suas mãos e encostou os dedos frios na face quente de Draco.

E, com um sorriso fraco, ela disse:

— Eu te amo. – sussurrou fracamente.

Sua mão caiu lentamente, grudando-se a de Malfoy.

E, olhando dentro de seus olhos azuis acinzentados, começou a sibilar, sem fazer nenhum som.

Ela estava orando.

Orando para Draco, por ele.

Mas antes de conseguir sequer falar um “amém” a vida abandonou o mar chocolate de seus olhos.

Não.

Não podia ser real.

O loiro se debruçou sobre o corpo frio, chorando desesperadamente.

Selou seus lábios sem vida e sussurrou diversas vezes:

— Eu amo você, Hermione, eu amo, amo muito, por favor...

Os soluços não o deixaram continuar.

As mãos dela estavam geladas.

Geladas como metal.

Depois de vários minutos em desespero, o sonserino soltou-se da amada, puxando o lençol para cima, tentando fugir dos olhos castanhos.

Mas o que era aquilo?

Levantando um pouco mais a coberta sentiu uma enorme pontada no peito.

Era o que seria um futuro Herdeiro Malfoy.

Um feto.

E, literalmente, tudo à sua volta parou.

A única coisa que ouvia era as batidas de seu coração.

Hermione estava, estava...

— Grávida. – sibilou em voz alta, desacreditado.

As lágrimas corriam livremente por seu rosto.

Aquele feto, tão pequeno e frágil era seu filho.

Seu filho com Hermione Granger.

E ele se levantou assustado, até se chocar com algo rígido.

Uma mão pesada foi depositada em seu ombro.

— Já chega. – era a voz de Lucius.

Draco olhou para trás, sobre os ombros.

Uma Pansy vestida de noiva, com a maquiagem borrada o olhava desapontada.

Ele sabia que ela havia visto tudo.

E, infelizmente, ele também.

*“ Por não te possuir, tendo-te minha

Por só quereres tudo, e eu dar-te nada

Hei de lembrar-te sempre com ternura.”

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Leia também minhas outras One Shots:

Até Que A Luna Nos Separe | Carpe Diem | Carta Para Sirius | Inverno |Íris|Diamond Eyes | Dark Paradise | Misguided Ghosts | The Real Alice | Rafaella

E a minha outra Longfic: Frutos Do Amor

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Notas finais
* Trecho retirado do Soneto de Quarta-Feira de Cinzas, Vinicius de Moraes. E aí, gostaram? Eu sem dúvida espero que não me matem. Entendam, uma história onde não haveria possibilidade de um final feliz. Mas enfim, ainda temos o epílogo. Bem, se você foi fantasminha até agora, se revele, por favor, eu quero muito saber de vocês nesse último capítulo. Vocês me acompanham e eu quero acompanhá-los também. Não precisa ser nos comentários, me enviem uma MP se quiserem, ou pelo Facebook, qualquer lugar. Eu amo vocês. Amo muito. Sempre vou amá-los. Nunca se esqueçam de mim. Até os comentários ( e o epílogo).