Boneca

19 XV - Os mesmos erros.


Notas iniciais
EU VOLTEEEEEEEEEEEEEEEEEI (8' E com menos de um mês dessa vez ~comemora~ Eu fui muito, muito, muito má nesse capítulo, estou me sentindo até mal. Bem, vou dizer que, esse é um capítulo importante bônus, então vai dedicado para, tananam Ruby e Ravenna DiAngelis, sua lindas! Obrigada pelas recomendações maravilhosas!

Lindo.

Aquele vestido era lindo.

Depois de um longo e relaxante banho, Pansy procurava algo com que se vestir para o encontro com Draco quando se lembrou de uma peça antiga, há muito esquecida em seu armário e ele era perfeito.

Tinha alças bem largas, um decote profundo, mas não aberto. Era de uma tonalidade azul bebê, com algumas pregas sobre a saia rodada, além de alguns delicados brilhantes emoldurando a cintura.

Cuidadosamente, Pansy vestiu-se, calçou um par de sapatos bege e se direcionou a penteadeira, onde se acomodou e fixou seu olhar no espelho.

Eu não poderia te dizer

Por que ela se sentiu daquele jeito

Ela se sentia assim todos os dias

E eu não podia ajudá-la

Simplesmente a assisti

Cometer os mesmos erros outra vez

Seus olhos brilhavam intensamente enquanto penteava suas madeixas loiras onduladas, sua face estava corada e aquele sorrisinho bobo persistia em repousar sobre seus lábios.

Seu coração palpitava e as pontas de seus dedos formigavam de tanta ansiedade, ao pôr a tiara simples do mesmo tom do vestido sobre os cabelos sedosos, Parkinson sentia que aquela seria a noite em que Draco e ela se acertariam, para, finalmente, poderem viver felizes juntos.

Depois de aplicar uma camada suave de maquiagem, Pansy colocou jóias simples e delicadas, para combinar com a sutileza do perfume e do vestido que usava.

Quando finalmente estava pronta se levantou e caminhou até poder encarar o reflexo no espelho. Estava deslumbrante.

O vestido lhe dava uma silhueta feminina e delicada, a loira parecia brilhar, sua beleza natural era mais visível que nunca.

O que está errado, o que está errado agora?

Muitos, muitos problemas

Não sei onde ela pertence

Onde ela pertence

O sorriso ainda estampava o rosto da garota quando observou o grande anel de brilhantes que exibia em seu anelar direito.

Por um momento, seu subconsciente sorrateiramente lhe disse que aquele anel não deveria estar em seu dedo, que era apenas uma jóia brilhante.

Seu reflexo no espelho se distorceu, se tornando quase uma sombra com vida própria que lhe sorriu e, arranhando audivelmente o vidro, escreveu:
“Os detalhes revelam demais, se prestar atenção na tempestade perderá a sua paz”.

Pansy estava petrificada no mesmo lugar, enquanto o reflexo ria, lembrando-a de Pirraça, e caminhava de volta para as sombras.

A loira sacudiu a cabeça rapidamente, piscando por vezes, até que a frase no espelho sumisse.

Fora apenas uma alucinação, pura ansiedade.

Nada poderia estragar aquela noite.

Exceto é claro… Draco.

Ela quer ir para casa, mas ninguém está em casa

É onde ela deita, machucada por dentro

Sem nenhum lugar para ir, nenhum lugar para ir

Para secar seus olhos, machucada por dentro

~*~

Parkinson descia as escadas pulando de dois em dois degraus, a adolescente há tanto esquecida em seu interior pulava e gritava de excitação, seus joelhos tremiam e sua garganta estava seca, nunca havia sentido sensação semelhante antes.

— Pansy? — chamou Narcisa.

— Sim?

— Vai sair?

— Sim senhora! — respondeu alegre.

A mulher lhe sorriu.

— Está linda.

A loira sorriu e agradeceu com um movimento leve, agora sim, ela se sentia pronta para ir.

~*~

Docce Vita, Londres Trouxa.

Mais um dos novos edifícios mágicos implantados no mundo trouxa, por fora aparentava ser apenas mais um restaurante fino como qualquer outro.

Quando Pansy chegara ao local todos os olhares se viraram para sua direção, fazendo seu ego e sua confiança inflarem dentro de si.

Ao ser guiada até a mesa, a loira sentiu a falta de Draco, que não estava acomodado tipicamente na mesa do restaurante e, aparentemente, não havia sinal de que o sonserino havia estado por ali.

Respirando fundo, a garota agradeceu ao garçom e acomodou-se, observando as horas no relógio.

Abra os seus olhos

E olhe para fora

Encontre as razões, pelas quais (pelas quais)

Você tem sido rejeitada (você tem sido rejeitada)

E agora você não consegue achar

O que você deixou para trás

“Dois minutos adiantada” — pensou.

“Draco é muito pontual” — continuou mentalmente — “Ele virá, não há dúvidas”.

E assim o tempo foi passando.

De adiantado, o loiro se atrasou dez minutos, e então vinte, quarenta, cinquenta…

Quando o relógio bateu duas horas de atraso, Pansy já havia tomado três taças de champanhe e sentia novamente o olhar de todos sobre si, mas não te uma forma positiva dessa vez.

Juntando toda sua dignidade, se levantou, deixando o dinheiro sobre a mesa.

A sonserina começou a caminhar rápida e o mais silenciosamente possível até a saída quando sentiu dedos longos envolverem seu pulso e apertarem, puxando-a para que se virasse.

— Será que você pode me explicar onde está Draco Malfoy? — sibilou enraivecida.

A mulher que falava tinha os cabelos louros presos num coque rígido, sua pele enrugada era — nem tão bem — disfarçada por alguns pontos esticados, ela trajava um vestido preto longo e mantinha uma pose arrogante. Impossível não reconhecer.

— Eu não sei, mamãe.

— Não sabe? — a mulher abriu um sorriso maníaco — Como assim você não sabe?

— Olha, mãe, eu…

— Você nada, garota insolente! Você não sabe onde está o seu noivo, e acaba de me fazer passar a maior vergonha na frente das esposas e noras dos membros da corte! Pode ter certeza, querida, sozinho Draco não está!

Seja forte, seja forte agora

Muitos, muitos problemas

Não sei onde ela pertence

Onde ela pertence

— Ele deve estar com Blásio… — disse acuada.

— Ele não tem que estar com Blásio, tem que estar com você! Tem noção de como seu pai e eu nos esforçamos para ficarmos perto dos Malfoy? Para que você se tornasse noiva dele? Sabe o quanto nós investimos em você? Em todos esses vestidos e jóias? Estamos falidos, Pansy! Você não pode ser uma ingrata agora!

— Você não pode me culpar pelo que se tornou! — exclamou a garota sentindo as lágrimas se acumularem em seus olhos.

Os olhos da mais velha faiscaram e ela novamente agarrou o pulso da jovem, dessa vez cravando-lhe as unhas em sua carne.

— Escute bem, nunca mais abra a boca para me desrespeitar, principalemente e público, sua inútil! Tem noção do quão incapaz você é? Não conseguiu realizar sequer o propósito biológico mais comum, engravidar de um filho! Foram tantas tentativas de segurar Malfoy a força, mas nenhuma deu certo, sabe por quê? Porque você é frígida. Olhe para si mesma! Vestida como a personagem do conto trouxa de "Maravilhas de Alice no País"! Sabe que nunca conseguiria conquistar um homem como Draco e tem razão. Agora você vai voltar para a Mansão dos Malfoy e vai fazer com que ele seja seu marido, mas fará direito!

— Essa é sua última chance, Pansy, eu realmente não quero ter de tomar medidas drásticas.

Ela quer ir pra casa, mas ninguém está em casa

É onde ela deita, machucada por dentro

Sem nenhum lugar pra onde ir, nenhum lugar pra onde ir

Para secar seus olhos, despedaçada por dentro

E a assim a Senhora Parkinson soltou o pulso da filha, virando-se para as senhoras que lhe acompanhavam, a mulher sorriu como se nada tivesse acontecido e voltou a se sentar, comentando sobre qualquer assunto.

Pansy se recusava a chorar em público, ela não o faria, de jeito nenhum.

E, novamente, ela aparatou.

~*~

Quarto de Draco Malfoy, Mansão Malfoy, Londres.

E as lágrimas da sonserina caíram, assim como ela desabou no chão.

A garota soluçava e tremia, enquanto o carpete era regado por suas lágrimas.

Ela se sentia diminuída, humilhada, seu dedo anelar direito pesava toneladas e mais toneladas.

Será que sua mãe tinha razão? Será que ela realmente era uma incapaz?

Seus sentimentos, ela esconde

Seus sonhos, ela não consegue encontrar

Ela está perdendo a cabeça

Ela está caindo para trás

Ela não consegue encontrar seu lugar

Ela está perdendo a sua fé

Ela está caindo

Ela está por aí (sim!)

Seu coração parecia estar se dobrando sobre um prego enferrujado, a loira se sentia sufocada e seus olhos ardiam profundamente.

Quem ela tinha se tornado?

Juntando todas suas forças a garota se ergueu, sentindo as pernas tremerem e seus joelhos prestes à cederem ao peso, seu olhar foi de relance para o espelho e, escrita com sangue, a frase estava lá novamente:

“Os detalhes revelam demais, se prestar atenção na tempestade perderá a sua paz”.

Ela quer ir para casa, mas ninguém está em casa

É onde ela deita, machucada por dentro

Sem nenhum lugar pra onde ir, nenhum lugar pra onde ir

Para secar seus olhos, machucada por dentro

O sangue borbulhou nas veias da garota e ela arrancou o anel de noivado do dedo, arremessando-o contra o espelho, fazendo com que se dividisse em milhares de pedaços espalhados pelo quarto.

Pansy se deitou na enorme cama de casal.

Fria.

Vazia.

Ela estava sozinha outra vez.

E então seu coração falhou uma batida, voltando a bombear lentamente, enquanto ela pegava sua varinha e reparava o estrago feito.

Ela está perdida por dentro, perdida por dentro (oh, oh)

Ela está perdida por dentro, perdida por dentro (oh, oh, sim)

Depois disso se encolheu, ficando numa posição fetal, sentindo toda a solidão, estresse e perturbação subirem por entre seus dedos dos pés, fazendo seus olhos pesarem.

E assim, Parkinson caiu num sono profundamente perturbado, com os barulhos de sua mente.

Os detalhes revelam demais, se prestar atenção na tempestade perderá a sua paz.

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Leia também minhas outras One Shots:

Até Que A Luna Nos Separe | Carpe Diem | Carta Para Sirius | Inverno |Íris|Diamond Eyes | Dark Paradise

E a minha outra Longfic: Frutos Do Amor



Notas finais
Me perdooooooooem por qualquer erro ortográfico (me avisem!), não tenho tempo de revisar agora, mas vou tentar revisar um pouco, prometo! E aí, gostaram do capítulo? Espero que sim! Nos vemos nos comentários (e nas recomendações também. Não? Okay :c) Haha, beijos! Xx (: