Boneca

23 Epílogo - Eu não estou mais com medo.


Notas iniciais
Oh, eu demorei tanto tempo para acreditar que esse é o fim. Minha última nota inicial em Boneca. Eu estou chorando, eu não quero que acabe. Mas não vou impedi-las de ler e de finalmente marcarem como "Já lida". Esse capítulo é dedicado a Dreams, que fez a última recomendação de Boneca antes do fim. E a todos vocês. Todos que me acompanharam, que comentaram, que favoritaram, que recomendaram, que leram, que divulgaram. Especialmente a algumas leitoras que eu amo e amei, mas que nunca mais tive contato: Maria Fernanda, Patt Soares, Joycce Andrade, Jujuba Granger e várias outras. E as que sempre estiveram comigo: Nani C, nopereira, Ruby e todas as outras. Eu realmente as amo. Por favor, não se esqueçam de mim. A música do capítulo (que DEVE ser ouvida, por favor) He Is We - I Wouldn't Mind. Nos vemos lá em baixo... Enjoy;*

Epílogo – 50 anos depois.

Em algum lugar no fim do mundo, Itália.

Numa pequena casa situada sobre um lago, banhada aos vacilantes últimos raios do sol laranja que anunciavam a chegada da noite morava um senhor há muito conhecido.

O antes alto e esbelto Draco Malfoy se tornara um velho ranzinza e enrugado, as marcas de seu passado faziam questão de serem visíveis em sua pele, através de todas as rugas ele conseguia ver sua história.

O grisalho estava sentado numa cadeira de madeira de segunda mão, observando o reflexo dos raios solares no lago e também o seu próprio.

Naquele reflexo ele via um jovem.

Um jovem cheio de desejos, mas com medo.

Muito medo.

Medo de ser rejeitado, de seu pai, de não ser bom o suficiente.

Mas veja só, ele se casou, formou-se com honras em Hogwarts, foi um comensal reconhecido, ajudou na queda da Ordem.

Apesar de para que seu falecido pai ele tenha se tornado um orgulho, não era suficiente.

No momento onde precisou ser mais forte fraquejou e nada poderia pesar mais do que carregar o arrependimento, a culpa por ter sido fraco, por ter errado, por ter se deixado controlar. E depois disso por perder tudo.

Suas riquezas, sua juventude, sua beleza, sua liberdade, seu amor, sua esposa, que falecera a cerca de dois anos.

E ali, sentado na varanda, sentindo a brisa lhe acariciar a face com pena, percebeu que nunca valera realmente a pena.

Draco levantou-se, estava esfriando.

Seus passos aveludados rangiam sobre o piso de madeira gasto, enquanto o senhor se dirigia até o quarto.

O cômodo era pequeno e nada confortável, todavia era tudo o que Malfoy tinha, àquela altura não poderia reclamar.

O grisalho deitou-se na cama gelada, sentindo suas costas reclamarem quanto à posição desconfortável em que estava.

No entanto não importava.

E pensar que, há muitos anos, todas as noites uma jovem diferente se dispunha a esquentar sua cama e seu corpo, mas elas poderiam ser tão frias quanto aquele colchão em que agora repousava.

Ele não queria ter sido igual a elas.

Não queria ter sido uma pessoa vazia, completamente cega por futilidades.

Draco queria ter sido alguém de quem se lembrariam.

Não por seu dinheiro, ou sua fama difamada.

E sim por quem era.

Por sua personalidade e feitos.

Assim como Hermione.

Ah, Granger.

A mulher em momento algum abandonara seus pensamentos e sonhos.

Nunca sequer havia imaginado que poderia sentir algo tão intenso por alguém como sentia pela Grifinória.

Ela lhe ensinou tudo.

Ensinou-lhe que vida é bem mais do que bens materiais, ajudou-o a descobrir uma terra completamente desconhecida de sentimentos.

Mostrou que há muitas formas de se amar.

E o principal.

O fez sentir esse amor.

O amor incondicional, irreverente, imortal.

Mas não houve tempo suficiente, para que lhe fizesse perder o medo.

O medo de expor, de viver esse amor.

E agora era tarde demais.

O senhor sentou-se na cama, com certa dificuldade e olhou para sua imagem refletida no espelho.

Será que todo aquele medo, todo aquele temor, poderia mata-lo algum dia?

Com certeza.

Mas do que Malfoy tinha medo?

Seus pais, sua esposa, seus amigos, todos mortos.

O que mais ele teria a perder?

Sua vida? Não valia nada. Não mais.

A morte literal é apenas mais um passo para quem já está morto por dentro.

O senhor coçou os olhos, sua visão estava turva, a hora de tomar suas poções se aproximava.

Mas havia algo mais urgente para se fazer.

Ficando de pé, ele abriu as gavetas da cômoda, procurando entre as meias e camisas algo que estava guardado há muito.

Durante algum tempo ele tateou às cegas, até tocar num objeto gélido e quebradiço.

Com uma empolgação repentina o senhor o puxou, erguendo-o até a altura de sua íris.

Aquele pequeno vira-tempo significava tudo para Draco.

E, por obra do destino ou não, ele havia sido dado pro Hermione.

Durante anos havia se dedicado a consertar o pequeno objeto, sem se dar conta de suas cãs que aumentavam conforme o tempo.

Havia uma pequena chance de dar certo.

Mas ele acreditava com todas as forças que daria.

E forçando a visão para poder enxergar a pequena data, Draco iniciou sua jornada através do tempo de olhos fechados.

Ele sabia exatamente para quando ir.

~*~

Em meio à escuridão sem fim, Malfoy sentiu um grande impacto em sua face.

Uma dor instantânea espalhou-se por seu corpo, algo quente escorreu por seu nariz, mas ele nada ouvia além de sua respiração pesada.

Seu coração falhou uma batida.

Ele não poderia ter falhado, não, não podia ser verdade.

Uma forte onda de choque atravessou seu corpo, ele sentia seu corpo ser sacudido desesperadamente.

– Malfoy! Você está bem? Responda!

Aquela voz, ele conhecia...

Não, não podia ser verdade.

Seu batimento cardíaco se elevou e ele sentiu sua face queimar de uma maneira positiva.

Com certo receio, lentamente abriu os olhos, torcendo para que não fosse apenas um sonho.

E não era.

Ele via a grama fofa e úmida cobrindo os jardins de Hogwarts.

Céus! Aquela voz era de Crabbe!

– Crabbe, Goyle! São vocês! – exclamou com excitação.

O loiro se levantou e sacudiu os amigos com toda empolgação.

– O que se passa, Draco? Bateu com a cabeça? É melhor o levarmos para Madame Pomfrey!

O loiro ignorou o comentário de seu amigo, sentindo todo o vigor de sua juventude voltar a correr em suas veias.

Todavia aquele não era o momento certo para aproveitar de velhas sensações.

Seus olhos vorazes correram por todo o jardim em busca de uma única silhueta.

– Aquele é Harry Potter! – exclamou ofegante, cada vez mais sentia que aquilo era real.

Antes que seus amigos pudessem protestar o sonserino saiu correndo em direção ao moreno.

– Ei! – exclamou em alto e bom som, fazendo o menino que sobreviveu estacar e virar-se para ele, com um olhar de cólera.

E foi nesse momento que o loiro reparou em mais um elemento do grupo.

Ronald Weasley.

– Você está vivo! – exclamou obviamente.

– Mas é lógico que estou vivo, idiota! – retrucou o moreno.

– O que quer aqui Malfoy? Já não foi suficiente a outra cena com seus amiguinhos?

Se Draco tinha alguma dúvida de que existia uma força maior que controlava o universo, nesse momento ela se esvaia.

Aquela voz de sabe-tudo irritante soou como música aos seus ouvidos.

Num ímpeto, o loiro correu até a castanha que lhe olhava com uma expressão completamente aterrorizada com a surpresa.

Ele lhe abraçara forte, como nunca abraçara ninguém antes.

Ela estava viva.

Completa e cem por cento viva!

– Malfoy!

– Graças à Deus, Hermione! Perdoe-me, me perdoe por não ter feito isso antes, oh céus, Hermione Granger, eu te amo!

– Draco Malfoy! O que está dizendo? Ficou louco?

– Oh cale a boca! – nada poderia impedir o loiro de fazer o que fez a seguir.

Ele a segurou fortemente e lhe beijou com toda vontade e paixão possível.

E a partir de agora nada o faria desistir de suas vontades e desejos.

Desse dia em diante não importa o que aconteça, ele seria feliz.

Feliz com Hermione.

Este é o começo de uma história de amor.

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Leia também minhas outras One Shots:

Até Que A Luna Nos Separe | Carpe Diem | Carta Para Sirius | Inverno |Íris|Diamond Eyes | Dark Paradise | Misguided Ghosts | The Real Alice | Rafaella

E a minha outra Longfic: Frutos Do Amor

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Notas finais
Esse é o fim. Foram dois anos - ou quase - de luta e, finalmente, eu finalizei essa fanfic. E tudo que eu tenho a dizer é Obrigado. Sem vocês eu não seria nada. Espero que tenham gostado e eu quero saber se sim ou se não. Entrem em contato comigo, me mandem MP's, ask no Tumblr, mensagens no facebook, façam tag no twitter, comentem. Por favor, se manifestem, eu quero conhecê-las. E você, mesmo que esteja lendo depois do fim, eu também te amo. Então não deixem de fazer o que fazem melhor. Eu escrevi essa fic com todo o amor do mundo para e por vocês! Eu espero que tenha valido a pena. Até os encontros da vida, minhas meninas (e meninos, será?). Ramona Malfoy.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!