Bone Blades
7 Dragão Safira
Notas iniciais
Depois de alguns dias de viagem, Eri e Adell chegavam à Floresta de Ézer. Eles diminuíram o ritmo ao entrar na floresta, cuidadosos, pois os elfos de Ézer não eram muito amigáveis, ainda mais depois de ataques por parte dos Bone Blades. Nesse momento eles poderiam considerar qualquer um invasor.
Tudo estava muito quieto, mas era estranho, pois pareciam estar sozinhos ali. Onde estavam os elfos? Saberiam se estivessem sendo observados. Eles continuaram a caminhar e começaram a ouvir um barulho. O chão estremecia. Ouviam espadas e flechas sendo lançadas.
Estavam sendo atacados.
Os dois correram na direção dos sons e se surpreenderam com o que acharam:
Havia um enorme Dragão Esqueleto Safira.
Dragões Safira era como eram chamados os dragões do submundo. Suas chamas azuis tinham a capacidade de queimar os corpos de dentro para fora, e se fosse atingido por elas seria inevitável uma grave dor e lesão, ou, a morte.
Os elfos batalhavam contra a criatura, mas mal conseguiam lhe fazer danos, enquanto o dragão dizimava os soldados.
– Senhor! Estamos perdendo muitos soldados, não vamos resistir ao ataque!
– Continuem lutando! Não podemos permitir que se aproximem mais da cidade. – Ordenava o elfo do qual se destacava bastante por sua armadura repleta de ornamentos e sua grinalda dourada na cabeça.
Quando percebeu, o dragão estava de frente para o elfo de grinalda preparando seu expelir de fogo, até que, de repente, o dragão fora atingido no pescoço, quase desabando ao chão. Eri o atingiu com sua espada, com um salto e uma velocidade impressionante. Antes que o dragão se recuperasse correu velozmente para o próximo ataque, contudo notou que o golpe anterior havia quebrado sua espada:
–- Mas que mer...? – sua distração foi o suficiente para que o dragão usasse suas chamas pálidas contra ela.
Conseguiu escapar com um impulso, mas o fogo atingira seu braço esquerdo, fazendo sua manga pegar fogo. Ela mostrou suas escamas na mão direita para que pudesse arrancar a manga em chamas, expondo as escamas da parte do braço atingida. Eri puxou sua segunda espada e com a mão parcialmente transformada segurou a lâmina perto de seu rosto, e então, suavemente, soprou fogo na lâmina, deixando-a vermelho-brilhante e quente. O dragão a encarava de frente, preparando suas chamas e antes que ele pudesse, Eri partiu para uma sequência de ataques ao dragão. Ela o golpeava de várias direções, deixando o dragão atordoado durante o ataque.
Adell observava impressionado e surpreso com Eri. Ela se movimentava tão rápido que ele mal podia ver que seu rosto estava se alterando. Quanto mais poder usava, mais era difícil manter a forma humana.
A atenção de Adell foi desviada para o elfo, que apontava uma flecha para o dragão e dizia palavras estranhas. A ponta da flecha, aos poucos ganhava uma cor arroxeada.
–- Eri! – Adell gritou seu nome para que Eri notasse o golpe do elfo que estava quase em seu fim.
Eri cessou os ataques contínuos e então o dragão também percebeu que o elfo estava preparando seu golpe fatal. Mas quando estava prestes a atingir o elfo ouviu-se um estalo. No mesmo instante, a luz azul no peito do dragão se tornou maior e mais forte. Em volta da luz, seus ossos começaram a ficar pretos e se despedaçavam, sendo sugados pela luz. Do centro, de onde estava a luz, até a cabeça, as patas e a cauda. Em questão de segundos, o dragão fora completamente sugado e a luz desapareceu em um grande flash. No seu lugar surgiu uma figura coberta por uma capa e capuz cinza. Foi possível ver o rosto do homem sorrindo e, com um leve riso, puxou sua capa para cima, formando uma espiral que se sugava pelo centro até que o mesmo desapareceu, como o dragão.
Eri relaxou, desfazendo sua posição de ataque. Olhou para sua espada e viu que estava cheia de rachaduras e provavelmente não iria durar muito mais que aquilo. Olhou para Adell que lançou um olhar curioso a ela, e então desviou para o elfo que já havia se virado e seguia para sua cidade:
– Ah... Ei! – Eri correu até o elfo que pareceu ignorá-la. – Viemos para conversar sobre esses ataques dos Bone Blades. Queremos saber se vocês teriam alguma informação útil sobre eles para nos ajudar a encontrá-los. – ele continuou ignorando-a. – Ei, eu salvei sua vida, não vai dizer nada? – Disse ela já irritada
– Não temos nada para conversar – o elfo respondeu com arrogância.
– Lo-amme! – disse uma voz grave que fez o elfo parar. Era outro elfo. Ele era grande, de barba longa e com armaduras que o deixavam maior ainda. Ele encarava o elfo com um olhar de repreensão.
– Ahi-kam... – o elfo falou baixo e com raiva, como se o outro o aborrecesse.
– Conversaremos mais tarde sobre seu comportamento como general. – disse o elfo corpulento. Então, se virou para Eri e Adell que fora atrás dela, fez uma reverencia e disse. – Perdoe pelo comportamento imaturo de meu irmão mais novo. Como gratidão por terem salvado a vida dele, permitirei que entrem na cidade e conheçam nosso pai, o Rei de Ézer. Eu me chamo Karze-Lo-him, meu irmão, Lo-amme. Por favor, venham conosco.
Karze-Lo-him emprestou a Eri e Adell dois cavalos e eles seguiram até a grande cidade de Ézer.
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Não demorou para que chegassem aos muros, mas dalí ao palácio foram cerca de horas. A cidade era impressionavelmente grande e seu palácio ficava em seu centro.
– Achei que não chegaríamos nunca – Adell disse suspirando. -, que lugar imenso.
– Fale mais baixo, vamos entrar na sala do trono, idiota. – Eri o repreendeu.
– Avisarei ao meu pai da presença de vós. Aguardem aqui. — Falou Karze-Lo-him.
Logo as grandes portas foram abertas e eles entraram no enorme salão. Havia uma escadaria até o trono, e de trás dele, enormes janelas de onde vinha uma grande luz que iluminava o salão. Delas era possível ver A Grande Árvore. Olhava pela janela uma figura em pé, robusto, de trajes longos e uma longa coroa prateada de detalhes dourados:
– Salvar a vida de meu filho foi uma atitude honrosa. — Disse a figura com voz imponente. Ele virou o olhar para os visitantes. – Haveria algum motivo para tal ato?
Eri deu alguns passos à frente e se ajoelhou. Um pouco atrasado, Adell fez o mesmo:
– Rei Anla-Hezir, meu nome é Eri e ele se chama Adell, nos dirigíamos à sua cidade pois soubemos dos ataques que estavam sofrendo por parte dos caçadores. Quando chegamos, um Dragão Safira atacava a tropa que aparentemente seu filho liderava. Ataquei o dragão mas não tinha a intenção de salvar sua vida. – Eri disse com uma diplomacia que Adell não esperava que ela tivesse.
– Mesmo assim o salvou, e portanto tem minha gratidão. Permitirei que permaneçam a noite na cidade. Se quiserem informações dos caçadores, Karze-Lo-him poderá cuidar disso. Agora...- Ele interrompeu o que dizia de repente e ficou em silêncio por uns instantes. – O que? – disse baixo. – São forasteiros, não têm o direito de entrar no Jardim. – Ele elevou o tom de voz, parecia estar conversando com alguém. Suspirou. – Está bem... – Retornou à Eri e Adell. — ... Eri... não é seu nome verdadeiro, estou certo? – Continuou antes que ela pudesse responder. – Zirme-Leor deseja vê-la. – Assim que disse, os outros elfos presentes ficaram surpresos.
Fez um sinal e Karze-Lo-him pediu para que Eri o seguisse, Adell foi guiado para outro caminho.
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