Bon appétit
1 Acidentalmente, desperto o terrível sono de minha mãe
Notas iniciais

Meu nome é Alec Siebold.
Tenho quatorze anos. Até algumas semanas, ajudava minha mãe com o restaurante dela, o Foo Mare, que em algum tempo, foi ficando bem reconhecido, pela ótima comida feia por ela, e seus cozinheiros.
Sou um menino bem problemático. Desde que fiz dez anos de idade, coloquei na minha cabeça, que deviria sair para uma jornada. Porém, era impedido por minha mãe e meu pai. Eles me obrigavam a ficar no Foo Mare, e meu pai era pior, todo dia, ele me obrigava a ir para a nossa plantação (que ficava a cerca de um 1 km da minha casa) pegar frutas e verduras para o restaurante, e também, toda quarta-feira íamos a uma pequena ilha, para pegarmos bebidas, como sucos e refrigerantes.
Eu poderia partir a qualquer hora daquele lugar, largar tudo, e seguir rumo à liga Pokémon, mas as coisas começaram a mudar no ultimo mês de setembro, quando meu pai quebrou um contrato que tinha com a distribuidora de bebidas. Para mim aquilo não foi tão ruim por um tempo. Finalmente minhas quartas-feiras estavam totalmente livres. Porem, o restaurante não podia ficar sem bebidas, então toda segunda-feira (dia que o restaurante não abria) íamos à fazenda do meu avô, pegar algumas outras frutas, para podermos fazer suco natural para as pessoas, o que por um lado, ajudou bastante, por que algumas pessoas tinham certo “nojinho” de bebidas industriais.
De qualquer modo, durante as quartas-feiras que “ganhei” liberdade, ficava o dia todo fora de casa andando pela cidade junto de meus amigos, o Owen, que era o meu melhor amigo, Ryan, e a Briana que eram gêmeos. Éramos praticamente inseparáveis, desde crianças sempre saiamos pelas ruas da cidade, indo até a praia e brincando com alguns pokemons da água. Foi então que a coisa começou a mudar.
Estava tendo um sonho ótimo à noite, foi então que acordei de repente assustado ouvindo uma batida na janela. Cobri-me rápido com o cobertor, então comecei a ouvir vozes, e logo captei que era a voz de Ryan. Só podia ser aquele sarnento pra me perturbar mesmo.
–Ei! Siebold! – Ele começou a jogar algumas pedrinhas do meu quintal na minha janela, e quando abri a janela, o infeliz conseguiu acertar uma pedrinha bem na minha cara.
–Ai! Seu sarnento pare de jogar coisinhas em mim. – Reclamei com ele, e logo notei que o céu ainda estava escuro. – Ah, não basta ter me acertado uma pedra, por que veio me acordar de madrugada?
– Ué, se não jogasse pedras em você de que outro jeito ia acordar? – Ele foi largando as outras pedrinhas que guardava no bolso, me assustei com a quantidade que ele tinha preparado pra mim. Logo notei que ele estava arrumado, não estava de pijama, e não estava com uma cara de sono, muito menos parecia desanimado. – Agora, anda rápido, que eu o Owen e a Briana vamos estar de esperando na praia m frente o seu restaurante. – Ele nem deu tempo para perguntar alguma coisa, terminou de falar e sauí correndo para a praia. E como assim, Owen e Briana já estavam lá? O que aqueles estavam fazendo?
Tentei sair sem meu pai me ver, mas como sempre, ele estava dormindo na sala, vendo o noticiário que passava na madruga, o que simplesmente, diminui as chances de eu sair de 100 para -100. Tive muita sorte de ele não ter me notado, e não ter notado Ryan jogando pedras na janela. Tentei sair pela janela do meu quarto, o que foi muito complicado, porque debaixo da janela, havia uma grande quantidade de cactos, que minha mãe adorava plantar. Tentei ficar de pé na janela pra pegar um impulso e pular por cimas das plantas, mas com o barulho que ia fazer caindo no chão, ia acabar chamando a atenção do Diggersby do meu pai, que mesmo me conhecendo ia acabar me atacando. Foi então que tive a ideia brilhante de pular a janela do quarto da minha mãe, o que não era uma ideia tão ruim. Ela tinha um sono extremamente pesado, a janela dava para um beco, que era só atravessar um portão que estava do lado de fora.
Fui até o quarto dela, com todo meu cuidado, tirei os chinelos, pois eles ficavam pregando no meu pé e fazendo um barulho nada silencioso. Abri a porta dela bem devagar, vi aquela coisa dormindo, roncando tão alto, que não sei como ela mesma não acordava com seu próprio ronco. Passei por trás da cama com o coração a mil, temendo cada passo que dava, então finalmente cheguei ao pé da janela e ligeiramente consegui pular, e cai no beco fazendo um eco por causa do barulho que meus chinelos fizeram no chão, olhei devagar a janela do quarto para ver se minha mãe tinha escutado, por sorte continuava a dormir, então corri até o portão e suspirei aliviado de ter saído de casa, foi então que um vento forte e frio passou, e me arrependi de não ter pegado uma blusa de frio. Foi ai que escutei um grande barulho vindo da minha casa, e deduzi que o vento fez a porta do quarto de minha mãe bater, de longe pude ver minha mãe se levantando e fechando a janela que esqueci aberta, por muita sorte ela não me viu, então sem espernear corri até a praia que meus amigos me esperavam.
Quando cheguei à praia, de longe vi Briana com um vestido branco sendo balançado pelo vento, e sentado ao lado esta Ryan, com uma faixa na testa também branco, e parado em frente os dois estava Owen, que também estava com seu chapéu, também branco. Logo me analisei para ver se estava com algo branco, a única coisa que me salvou foram meus chinelos. Então Owen acenou para mim e fui correndo até eles, cheguei e pulei caindo sentado ao lado de Briana.
– Olá, senhor Siebold, chegou bem cedo hein. – Briana falou brincando comigo, apenas ri e olhei para frente olhando para Owen.
– Nossa Owen, o que tá acontecendo que até você acordou cedo?
– Bom como vocês já sabem. Ou melhor, alguns sabem. — ele me cerrou com os olhos. – Hoje, seria o dia em que nos sairíamos para... – Ele fez suspense por um momento e logo se virou – PESCAR! – Levantou uma vara de pescar para o alto.
– Ah... Então era isso, sabia que era algo do tipo – Falei irônico, não fazia a menor ideia disso. – Mas, gente, pra que pescar uma hora dessas? São quantas horas afinal?
Ryan bufou. – São 3h e 15min, era pra gente ter ido 3 horas em ponto...
– Mas não tem problema, a maré está cheia, acho que 15minutos não vão nos atrapalhar em muita coisa. – Briana interrompeu Ryan, ela então ficou de pé e se dirigiu até um barco. – Siebold! Venha até cá- Me levantei e fui andando até Briana, que se abaixou e cochichou em meu ouvido alguma coisa sobre a pesca, que a gente ia fazer alguma coisa se chegarmos antes do nascer do sol... Mas não consegui entender, muitas ondas estavam se quebrando no rochedo ali perto. Então como sempre, só assenti, e sentei no barco ao lado dela, e logo Owen e Ryan vieram, e então Owen colocou o barco para velejar.
Após ficarmos cerca de 1hora parados no meio do mar, pegando e soltando pokemons pecados, Owen decidiu que estava na hora de voltar. Owen era o único de nós que realmente tinha Pokémon. Ele já foi a uma jornada por Kalos, mas perdeu na liga. Eu, Briana e Ryan, tínhamos um motivo que nos deixavam “presos” aqui. Ele quase sempre ia ao mar para tentar capturar algum Pokémon raro... Como se por ali tivesse algum.
Briana se inclinou para frente e colocando a mão na água, e logo um Chinchou começou a segui lá. Naquele momento quando olhei para Bri, senti uma coisa estranha, uma sensação diferente, a via quase todos os dias, mas era a primeira vez que isso me acontecera. Um calor passou pelo meu corpo, e logo foi cortado pelo barulho do motor do barco parando.
– Ah, que droga, será que a gasolina acabou? – Owen foi checar. Era isso mesmo, mas o problema é que estávamos sem gasolina. – E agora? Vamos ficar aqui presos? Vamos voltar e deixar o barco do meu irmão aqui? – Ele parecia desesperado, também, não era pra menos, o barco ficou sem gasolina no meio do mar, e não tinha como nós descermos pra buscar gasolina, era muito longe, e o irmão mais velho de Owen ia acabar pegando ele.
– Owen. – Ryan começou a falar. – Você não tem nenhum Pokémon aquático para nos empurrar até a costa não?
– Pois é... Ter eu tenho, um Mantine, mas acabei deixando a pokebola dela em casa.
– Ótimo tudo que precisava. Ficar preso aqui no meio do mar. – Bufei e debrucei na borda do barco, olhando alguns pokemons debaixo d’água. Nunca tinha visto tanta variedade de pokemons assim antes, fique encantado com aquilo. — Pokemons do tipo realmente são demais! – Falei sozinho.
Depois de ficarmos alguns minutos a deriva Owen teve a brilhante ideia de usar seu Jumpluff para impulsionar o barco, deu certo até o ponto de que Jumpluff ficou exausto e acabou desmaiando. Mas ele ajudou bastante, agora estávamos bem perto da costa, cerca de 30metros da costa. Então mergulhamos na água e fomos empurrando o barco de Owen.
Quando finalmente chegamos a areia, Briana notou que o Chinchou estava na água, e ele tinha seguido ela.
– Olha só, Chinchou gostou de mim... – Ela foi saltitando até a água e se abaixou perto do Pokémon o acariciando. Ela se virou e chamou minha atenção, e quando olhei para ela, Briana estava me chamando, então fui correndo até ela e sentei ao lado dela.
– Então, o que foi? – Assim que me sentei, ela se debruçou em meus ombros.
–O que tinha te dito, pra gente poder ver o nascer do sol daqui. Acho isso tão bonito... – Chinchou fez uma carinha fofa, e logo se apoiou nos pés dela e ficou observando o sol junto de nós. – Briana bocejou e ia revirando os olhos de sono. Aquilo foi contagiante, dei um bocejo, e senti um sono tremendo. Quando olhei para um lado vi Briana e Chinchou dormindo, e quando olhei pro outro lado Jumpluff estava balançando seus “braços” jogando um Sleep Powder na minha direção, então cai no chão dormindo.
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