Bon Appétit
1 Valentine's Day
Notas iniciais
Valentine's Day
— Ah cara, eu realmente espero receber pelo menos um chocolate de alguma garota esse ano! — Kaminari comentava, jogado no sofá do primeiro andar do dormitório da turma 1-A da Yuuei.
Era noite de domingo e a maioria dos garotos se encontrava ali, enquanto as meninas tinham misteriosamente desaparecido. Mineta apontou que era óbvio que elas deviam estar se preparando para o Valentine’s Day que seria no dia seguinte, já que pareciam bem empolgadas com a data.
— Se continuar com essa cara de idiota, vai ser difícil conseguir chocolate. — Kirishima alfinetou, rindo.
— Eu sempre ganhei chocolates da minha irmã...
— Chocolate assim não vale, Todoroki! — Kaminari reclamou imediatamente.
— Parentes não contam, o importante é receber chocolate de garotas que estão a fim de você, meu irmão me contou que essa é a regra. — Iida também interviu de modo sério.
— Então é assim que funciona...? — Todoroki perguntou inocentemente, percebendo que nunca havia parado para pensar no real significado daquela data até então. Sempre esteve ocupado com outras coisas para se importar com aquilo antes.
— Espero ganhar um chocolate feito pelas mãos da Yaoyorozu... — Mineta falou, quase babando ao imaginar a cena em sua cabeça.
Sero, que havia acabado de se unir aos garotos, riu abertamente diante da fala do colega, dizendo como aquilo era impossível de acontecer, sendo logo apoiado por todos os outros.
— Eu acho que a Jirou vai me dar um! — Kaminari suspirou, também sonhador — Ouvi ela combinando com a Ashido de se reunir na casa da Yaoyorozu para fazerem chocolate nesse fim de semana.
— Será que o Bakugou vai ganhar algum? — Kirishima perguntou de repente, fazendo todos os olhos se voltarem para Katsuki, que estava sentado um pouco mais distante no chão, encostado na ponta do sofá, até então ignorando a conversa deles.
— Kacchan costumava ganhar bastante chocolate quando éramos mais novos — Midoriya comentou baixinho, ganhando um olhar assassino do outro em resposta.
— E você não ganhava nenhum, Deku idiota! — Ele devolveu em seguida, deixando claro como até naquilo conseguia ser superior ao pobre Midoriya.
— Oh então quer dizer que o Bakugou era famoso? — Kirishima parecia impressionado, assim como todos os outros.
— Ditam os costumes que você deve ser respeitoso e retribuir todos os presentes no White Day. — Iida ajeitou os óculos, se lembrando do que havia aprendido — Você também deu chocolate para elas depois, Bakugou?
— É claro que não. — O outro respondeu, dando de ombros e se levantando. — E essa conversa ridícula me deu sono...
Kaminari suspirou.
— Vindo dele nem me surpreende. — Ele falou assim que Bakugou se afastou — Mas dizem que somente se deve retribuir um chocolate no White Day quando você também gosta da garota.
— Sério? — Midoriya pegou um caderno imediatamente, anotando aquela nova informação, como se fosse realmente importante. — Mas como saber se a garota te deu chocolate somente por você ser amigo? Ou tem algum outro segredo no formato do chocolate que significa que ela está se confessando...? Se pensar nas possibilidades... — E então ele começou a murmurar várias coisas sem nexo, completamente absorto em seus pensamentos.
E enquanto a conversa se desenrolava sobre Valentine’s Day e White Day, apenas Todoroki permanecia em silêncio, absorvendo as informações com um ar pensativo e curioso.
Ele nunca havia parado para pensar que no real significado de tudo. Para ele sempre foram chocolates que ganhava sem qualquer tipo de intenção a mais. Como a páscoa, por exemplo.
E conforme pensava nisso e em como tudo funcionava, ele se perguntava se agora, finalmente depois de compreender tudo, ganharia chocolate de alguém.
Não havia exatamente alguém em especial que gostaria de receber o doce.
Exceto... Foi inevitável a imagem dela aparecer em sua mente, deixando-o bastante confuso.
“Por que estou pensando na Yaoyorozu de repente?” talvez fosse porque era a única mulher que ele tinha mais contato além de sua irmã e mãe, ou talvez fosse porque Mineta falara dela há pouco tempo e a conversa acabou ficando em sua cabeça.
De qualquer forma ele não sabia.
Mas estava curioso para ver como aquele dia iria se desenrolar.
No dia seguinte, de manhã, Todoroki acordou cedo e se dirigiu para o prédio da Academia que teria aula, chegando na sala da 1-A que ainda se encontrava com poucos alunos e se sentando em seu lugar de sempre. Ele pegou um livro para reler os últimos exercícios que Aizawa havia passado, um pouco em dúvida sobre certo cálculo que fizera, ainda sem entender muito bem sobre a matéria.
Aos poucos ele ouvia as vozes de seus colegas que chegavam na sala de aula, mas não se deu ao trabalho de erguer sua cabeça para dar atenção à ninguém.
E enquanto isso, distraído como estava, ele nem ao menos percebeu uma envergonhada Yaoyorozu entrando na sala carregando um pequeno embrulho em suas mãos.
Ela estava nervosa. Não sabia por que havia concordado em fazer chocolate e muito menos não sabia por que havia cedido à pressão de Ashido e ter feito chocolate para ele.
"Você é a garota mais próxima do Todoroki, tenho certeza que ele está esperando por um chocolate seu!" ela dissera, sendo apoiada por Hagakure que parecia extremamente empolgada, ainda que Momo não conseguisse vê-la de fato.
No fim, Yaoyorozu decidiu fazer. E ela realmente se esforçara naquilo, feliz por seu resultado, mas mais nervosa do que nunca com a ideia de ter que entregá-lo para Shouto Todoroki bem no Valentine's Day.
Porque não era como se ela gostasse dele daquele jeito.
Bem, não exatamente... Quer dizer...
Ah! Era melhor parar de pensar nisso, se não nunca conseguiria entregá-lo e seria atormentada por Ashido e todas as outras meninas pelo resto do ano escolar!
Ela passava por entre as mesas onde vários outros colegas já se encontravam, ouvindo Bakugou, escandaloso como sempre, ter uma conversa no mínimo curiosa com Kirishima.
— Oi, toma aí — Bakugou falava para Kirishima, jogando-lhe uma caixa de chocolates, no qual o ruivo se atrapalhou todo para pegar, por pouco não derrubando no chão.
Ele olhou curioso da caixa para Bakugou, que deu de ombros, fingindo não se importar muito (embora seu rosto avermelhado denunciasse o certo constrangimento).
— Minha mãe me obrigou a fazer e dar pra alguém, que dia de merda, não sei pra que isso existe... — E os xingamentos dele continuaram enquanto Yaoyorozu se afastava, indo até o fundo da sala.
Se não estivesse tão ansiosa com aquela situação do chocolate, certamente teria achado graça da cena que se desenrolava entre aqueles dois.
Ela continuou a andar até chegar ao fundo da sala, encontrando Todoroki completamente distraído, com um livro aberto e o cenho franzido, parecendo tentar entender alguma coisa da matéria escrita ali.
Momo suspirou, tentando controlar seu corpo tremendo e seu coração que de alguma forma ficara estranhamente agitado.
— Todoroki-san — E foi só a voz dela o chamando que o fez tirar seu foco do livro, erguendo os olhos.
— Yaoyorozu. — Ele olhou para ela e não pode deixar de observar como a garota parecia mais nervosa que o normal, desviando os olhos dele, parecendo não saber muito bem como agir. — Aconteceu alguma coisa?
— Bem, é... Aqui, eu fiz pra você — Ela curvou o corpo e estendeu o pequeno embrulho em suas mãos para Shouto, que olhou surpreso.
Aquilo era... chocolate?
E então toda a conversa dos garotos que acontecera na noite anterior voltou à sua mente.
Ele pegou o presente das mãos trêmulas dela, abrindo cuidadosamente, sem saber exatamente o que dizer.
Estava surpreso, mas ainda não tinha certeza do que aquilo significava. De repente se sentiu um pouco como Midoriya, questionando o que poderia fazer e como deveria agir.
— Não... Não é nada demais, eu também fiz pras meninas e provavelmente nem deve estar tão gostoso quanto os bolos do Sato-san, mas... — Yaoyorozu continuava falando, colocando o cabelo atrás da orelha, sem encará-lo exatamente.
— Obrigado — Ele então a interrompeu, esboçando um curto sorriso de forma gentil, tentando tranquilizá-la.
Todoroki abriu a embalagem, comendo o doce em silêncio, deixando uma Yaoyorozu desconcertada ainda de pé ao seu lado.
— Gostoso... — Ele comentou mais para si mesmo do que para a garota, mas depois ergueu seu olhar para ela — Está ótimo, muito obrigado Yaoyorozu.
Ao ouvir aquelas palavras, Momo soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Percebendo só então o quanto estava mesmo nervosa com aquilo. Ela ocupou seu lugar na mesa ao lado de Todoroki, aliviada.
— Fico feliz que tenha gostado. — Sorriu ainda um pouco encabulada, se virando para frente ao perceber que o professor Aizawa tinha finalmente entrado na sala.
Momo agradeceu mentalmente pelo professor ter sido pontual naquele dia, visto que dessa forma tinha uma desculpa para desviar o rosto de Todoroki, escondendo o rubor e o nervosismo que estava tão escancarado antes ao falar com ele.
Enquanto isso, na mesa ao lado, Shouto decidiu que não precisava tentar se esforçar para descobrir o significado de ganhar aquele chocolate dela no Valentine’s Day. O que ele sabia é que tinha gostado do gesto, independente da profundidade que tivesse. Ele gostava de Yaoyorozu o suficiente para querer retribuir algum dia.
“White Day” e então a fala de Iida da noite anterior iluminou seus pensamentos, e ele esboçou um curto sorriso. Certo! Era aquilo que devia fazer!
— Yaoyorozu — Ele a chamou baixinho, tentando não interromper a aula que Aizawa já iniciava na frente da sala. Ela se virou para ele ao escutar seu nome, curiosa.
— Hn?
— Logo tem o White Day, certo? Eu vou te retribuir. — Momo pareceu processar o que o garoto disse, ficando em silêncio olhando para ele, sentindo seu rosto enrubescer novamente enquanto coração parecia dar um salto em seu peito.
Ela sorriu de forma tímida e então respondeu:
— Sim! Estarei esperando!
Todoroki devolveu o sorriso, sentindo-se de alguma forma mais leve e feliz. Não era comum ele ficar desse jeito, mas curiosamente parecia ser frequente aquela sensação quando conversava com Yaoyorozu.
E, bem... ele gostava. Bastante.
— Todoroki — A voz preguiçosa de Aizawa o despertou de seus pensamentos, o professor apontava para ele, parecendo até mesmo um pouco surpreso — Seu uniforme está pegando fogo, é melhor cuidar disso.
Merda.
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