Bom garoto mau
5 Annabeth
Notas iniciais
Antes.
Acho que todo mundo tem um momento onde sua bolha estoura. Puft. Então você percebe que, oh, o mundo é mais do que eu pensava que era. Quem diria?
Não consigo dizer agora o exato momento que minha bolha pessoal estourou, mas acho que consigo apontar quando esse processo começou: no dia que eu tirei meu aparelho.
Depois de passar por todo o processo que envolvia: dor, suga-saliva, puxões firmes com alicates cirúrgicos, água-boceja-cospe, aquele negocinho desagradável que parece uma lixa elétrica, água-boceja-cospe outra vez, suga-saliva, barulho de metal com metal que soa tão desagradável quando os próprios dentes rangendo, e então água-boceja-cospe uma última vez – eu estava finalmente livre do aparelho.
Enquanto enxugava a baba no canto da minha boca com o lenço descartável que a assistente de dentista deixou pra mim, ouvi a Dra. Sullivan falar como eu ainda precisava, na verdade, usar um aparelho móvel durante a noite. Nem tive tempo de pensar no quão desagradável era esse fato porque estava ocupada demais me sentindo deslocada sem nada nos dentes.
“Mas vamos, nos mostre esse sorriso, Annabeth!” Pediu a Dra. Sullivan. Ela e minha mãe estavam no meu campo de visão, a dentista com a máscara agora embaixo do queixo, olhos ansiosos em expectativa que se refletia nas feições de minha mãe.
Abri o que deve ter sido o sorriso mais estranho do mundo.
Eu me senti... Banguela. Um pouco literalmente, e um pouco como o Banguela, aquele dragão fofo do filme animado, naquela cena que ele abre um sorriso estranho. Só conseguia sentir minhas gengivas inchadas, como se tivesse o triplo do seu tamanho natural, e onde antes estava o metal não havia mais nada, fazendo minha boca parecer estranhamente vazia.
Mas minha mãe me garantiu que eu estava ótima, e a Dra. Sullivan ficava repetindo a importância de usar o aparelho móvel toda noite.
É óbvio que eu estive sonhando com esse dia nos 3 anos anteriores de tratamento dentário. Ainda assim, enquanto voltava para casa naquela manhã, todo o mundo parecia sonolento demais para qualquer coisa importar. Com o tempo um tanto nublado somado ao fato de não ser nem 6 horas ainda, eu estava processando as coisas um pouco lentamente.
“Você sabe o que tem para hoje?” Minha mãe perguntou, enquanto dirigia. Ela frequentemente agia como se fosse minha assistente pessoal, como se a principal tarefa de uma mãe fosse lembrar diariamente as responsabilidades da filha. Nunca questionei muito isso, acho que até apreciava e compartilhava o esforço. Eu, por exemplo, sabia que minha mãe tinha treino de crossfit, seguido de uma reunião com um fornecedor italiano (reunião por vídeo conferência que ela faria da nossa casa, o que significava que não precisaria se arrumar tanto), então ir para o escritório a fim de trabalhar, trabalhar e trabalhar. Acho que eu até que sabia bastante.
Quando a mim, minha rotina era: aula, aula e outras aulas. Essa resposta, porém, não iria satisfazer mamãe, eu sabia. Então disse:
“Escola. Francês. Ballet.” Aulas, mas pelo menos eu tinha sido específica. Mamãe assentiu uma única vez.
“E, no fim do dia, você tem um encontro com Luke.”
Certo, aquilo era novidade. Mas ela falou com uma voz tão limpa de emoções que eu também não reagi.
“O que ele quer?” Mamãe olhou para mim pela primeira vez desde que entramos no carro, pelo espelho retrovisor. Era um olhar de aviso. “Eu estou animada, mãe.” Concertei, sem mentir. Ver Luke me fazia ficar com um frio na barriga, sem vontade de comer e super ansiosa. Isso se enquadrava em ‘estar animada’, certo? “Só pensei que, de repente, ele tinha lhe dito sobre o que se tratava. Assim eu poderia me preparar melhor.”
A resposta a deixou satisfeita.
“Não disse.” Nós entramos no nosso condomínio. “Mas pode relaxar, ele provavelmente só quer ver você.”
Para deixar registrado, quando Atena Chase, de todas as pessoas, te diz para ‘relaxar’ provavelmente não há nada para se preocupar de fato, afinal ela é a pessoa menos relaxada que eu conheço. Infelizmente, eu sou a segunda pessoa menos relaxada que conheço, então as palavras não tiveram o efeito desejado em mim.
Se pensasse muito sobre isso, no entanto, seria incapaz de até mesmo tomar café da manhã, porque Luke tinha esse efeito em mim: deixava meu estômago do tamanho de uma ervilha.
Em casa, enquanto me arrumava para a escola, condicionei essa ansiedade em um empenho específico para arrumar meu cabelo. Em partes, uma preocupação foi substituída por outra: a realização de que as pessoas provavelmente olhariam muito para mim naquele dia na escola, agora que eu estava sem o aparelho. Demoraria um tempo para elas se acostumarem, assim como eu.
Não queria ninguém olhando muito pra mim, mas sabia que iria acontecer, então fui especialmente minuciosa quando passei chapinha no meu cabelo naquela manhã.
No final das contas, fiquei sem tomar café não por causa de Luke, mas porque acabei atrasada demais para isso.
“Estou indo, mãe.” Sussurrei, enquanto passava pela cozinha. Ela me levantou o polegar em sinal de joinha, voltando o olhar para a tela do computador rapidamente. Reunião com fornecedor italiano, eu acho. Ainda bem que não falei tão alto. Com as reuniões em videoconferência, nunca era uma boa ideia gritar em casa, porque não dava pra saber quando mamãe estaria no meio de uma coisa importante. Não que nós tivéssemos o hábito de gritar muito em casa. Nem de conversar, na verdade.
Ficou ainda mais claro que eu estava atrasada quando desci os degraus da frente de casa e encontrei Thalia já me esperando. Tinha certeza que ela faria alguma piada sobre pretender registrar aquele dia em algum lugar, o dia que eu me atrasei, mas ao invés disso Thalita levantou uma mão na altura nos olhos e disse, como se tivesse ofuscada por algo muito brilhante:
“Ah, Deus. O que é isso?”
Olhei para o céu atrás de mim, confusa. Não havia nada de incomum.
“O que é isso, se não uma divindade grega, com um sorriso esplêndido o suficiente para cegar uma simples mortal como eu!”
Quase tropecei enquanto ria, abraçando Thalia ao dizer: “Eu te odeio.” Ela me abraçou de volta, mantendo um braço em meus ombros enquanto caminhávamos em direção ao carro. “Se todo mundo fizer um grande caso sobre isso assim como você, meu dia será tão irritante!”
“Passar o dia ouvindo que está bonita. Ah, meu Deus, Annabeth. Sua vida é tão difícil.” Eu lhe dei um cotovelada de brincadeira. “Mas você está bonita, Chase.”
“Obrigada.” Em geral, minha tendência era duvidar da sinceridade de elogios, mas não com Thalia, então isso levantou meu humor.
“Luke me disse que vocês vão se encontrar hoje.”
“Ah.” Meu estômago vazio se revirou. “É... É.”
“O que você acha? Ele vai te beijar agora que você tirou o aparelho?” Perguntou Thalia, quando nos separamos do abraço para entrarmos no carro, que quase imediatamente começou a andar.
“O quê? Não é como se Luke tivesse deixado de me beijar por causa do aparelho.” Thalia arqueou uma sobrancelha em descrença, e, em defesa das pessoas de aparelho, afinal eu era um delas apenas umas 3 horas antes, adicionei: “Pessoas de aparelho beijam, você sabe. Ás vezes até mais do que pessoas sem.”
Embora ainda fosse verdade que Luke nunca tinha me beijado, e ela sabia. Eu estava falando, você sabe, hipoteticamente. Thalia riu. “É verdade, nunca me impediu.” Disse, mostrando seu sorriso quase perfeito, aquele de quem se recusou a usar o aparelho móvel depois do anos longos de tratamento.
Logo após, Thalia começou a falar sobre suas aulas, e eu me senti imensamente aliviada por nós termos deixado de lado qualquer coisa relacionada a Luke ou, pior, beijos.
A coisa ruim de ter Thalia como melhor amiga é que ela era mais velha e já estava no último ano. Então, nossos interesses às vezes não se encontravam. Ela já estava preocupada com todo o processo de aceitação em universidades, enquanto eu ainda estava começando o penúltimo ano. Isso significava que nós tínhamos que nos separar todas as manhãs, ela pra um andar e eu para outro.
“Te vejo mais tarde, Chase.” Ela disse, enquanto se afastava, falando alto o bastante no meio do corredor para chamar a atenção de outras pessoas. “Sorria muito, e tudo mais. É o primeiro dia de aula, baby. Você ama isso.”
Eu realmente amo. As férias de verão pareceram um tanto vazias sem escola, apesar dos esforços de mamãe de preencher o meu tempo com o máximo de atividades possíveis. Thalia e Luke viajaram com os pais para a Nova Zelândia, então eu fiquei muito sozinha, tempo o suficiente para sentir saudade da escola. Eu poderia me incomodar ao ser chamada de nerd, mas acho que sou mesmo, então não me incomodo.
Me agarrei às alças da minha mochila, um pouco acanhada, mas acho que fiz um bom trabalho em fingir que não me importava com as pessoas olhando. Mantive a boca bem fechada enquanto caminhava, tentando me convencer da verdade: o mundo não girava em torno de mim mesma. Sendo assim, todo o mundo não estava me olhando de fato.
Essa perspectiva é na verdade bem funcional, tanto que quando cheguei na classe para a aula de Geografia, já estava quase completamente relaxada. Alguns colegas me cumprimentaram, e eu acenei de volta. (“Annabeth! O que fez de bom nas férias?/Ah, você sabe. Uma coisa e outra./Você tirou o aparelho! Ficou bonita!/Valeu!”). É só quando estava a um passo do meu assento usual – aquele bem no centro e bem na frente, é claro – que um solavanco me puxou para trás.
Apesar dos meus melhores esforços, acabei apoiada contra um peito muito largo atrás de mim. Só de olha um pouco para cima, consegui encontrar o sorriso de Bruce, cheio de dentes.
A Escola St. Clair tinha um esse nome pomposo que combina muito, porque a escola é pomposa, de fato. Thalia disse uma vez que era uma escola “muito de elite e muito, muito branca”. Então eu fiz os cálculos com os documentos que consegui na coordenadoria e descobri que, na verdade, nós temos uma porcentagem de 12% de alunos bolsistas integrais e 17% de alunos não-brancos. O que não era exatamente impressionante, mas nos deixava mais ou menos na média.
Não que eu fosse esse tipo de nerd que colocava a escola num pedestal ou algo assim. Por exemplo, eu estava completamente consciente que, embora a St. Clair se vendesse como uma escola formadora de grandes nomes e com seleção rígida, todo mundo na verdade sabia que você só precisava ter dinheiro o suficiente para pagar a mensalidade, então estaria dentro. Segunda opção: ser uma espécie de gênio e fazer parte dos 12% dos bolsistas.
No entanto, eu gostava da minha escola de verdade, sabe. Sempre achei o uniforme charmoso, aqueles terninhos, as saias, as gravatas e calças eram na verdade de muito bom gosto. Ah, e tinha uma boa educação, eu acho... Brincadeira! É claro que, em primeiro lugar, minha mãe não me colocaria aqui se a educação não fosse boa, de fato.
Enfim, o ponto é que eu estava confortável estudando ali, apesar de ser uma escola branca e elitista e tudo mais. (Thalia diria: “É claro, que você está confortável em uma escola branca e elitista! Você é branca e rica, ora!”). Esse conforto era interrompido em momentos como aquele, graças à pessoas como Bruce.
Bruce não fazia parte da porcentagem bolsistas ou não-branca, caso você esteja se perguntando. É, ele não tinha nada de especial, era apenas alguém como eu: mais um filho de pais ricos. A coisa sobre Bruce é que ele fazia, você sabe, o estilo valentão.
Seu sorriso enorme e cheio de dentes sempre me lembrou seu xará, o tubarão Bruce, de Procurando Nemo.
Soltei um suspiro resignado, tentando desvencilhar a alça da minha mochila do aperto forte de Bruce, que me puxou para trás. Entrei imediatamente em estado de nervosismo, mas estava tentando fingir que não. O objetivo era agir como se ele fosse o mais leve incômodo do meu dia, do contrário ele continuaria me incomodando trinta vezes mais.
“Qual foi, cara?” Eu sabia que soava um pouco forçada quando usava termos como ‘cara’ e ‘mano’, porque me faziam soar como uma velha tentando se enturmar, mas me restava esperar que Bruce não notasse. Infelizmente, nem o fingimento de desinteresse nem a minha força bruta conseguiram tirar minha mochila das mãos dele.
Ainda sorrindo como um maníaco, Bruce disse, me avaliando de um jeito que fazia meu estômago revirar:
“Annabeth, ouvi dizer logo que cheguei que você tinha ficado mais bonita e mais careta nas férias.” Além de valentão era fofoqueiro, pelo visto.
“É, acho que sim. Você pode devolver minha mochila?” Pedi, tentando apelar para a razão. Tirei as alças dos ombros, e agora estávamos em um pequeno cabo de guerra estúpido.
“Deixe a garota em paz, Bruce.” Alguém disse, não sei quem. A professora estava um minuto e meio atrasada, notei, de repente super consciente de tudo ao meu redor. Apesar da iniciativa anti-atormentação-de-Annabeth-Chase, ninguém falou mais nada. Principalmente porque, apesar de ser inconveniente, Bruce não ia muito além de falar um pouco comigo. Quer dizer, não é como se aquilo se enquadrasse em bullying nem nada; mas sabe, eu ainda estava incomodada. Não era recente a tendência de Bruce de me importunar, e é claro que no final das contas aquilo acabava na mente de outras pessoas sob o pretexto de ‘Ah, relaxa. Ele só está tentando chamar sua atenção porque gosta de você.’ (Insira, por favor, uma imagem minha revirando os olhos de forma muito profusa. Grata. Nunca entendi porque alguém justificaria importunação como forma de demostrar afeição velada).
Eu estava começando a me sentir um pouco zonza de repente, contando segundo dolorosos na espera para que a professora aparecesse na sala, finalmente. A professora de Geografia, a Srta. Roberts, era sim uma membro da iniciativa anti-atormentação-de-Annabeth-Chase, e eu sabia que sempre podia contar com ela. Naquele dia, no entanto, alguém decidiu se juntar ao movimento sem nenhum aviso prévio.
Aconteceu de maneira um tanto inusitada. Num segundo, estávamos eu e Bruce segurando minha mochila em lados opostos, e no outro Bruce estava caindo para frente em um desequilíbrio óbvio. Lembrando de como ele me puxou para trás alguns minutos antes, eu pensei: yes!!! Karma! Mas logo em seguida me ocorreu que ele estava se desequilibrando para cima de mim, então saltei um pouco desesperada para fora do caminho, levando minha mochila comigo e a segurando junto ao peito com bastante força.
Um monte de apostilas geográficas caíram desgovernadas em cima de um Bruce muito confuso. Ele lançou um olhar para trás cheio de ódio, que lendo minuciosamente eu tinha certeza que significava ‘Você quer morrer?’.
Eu salto de susto quando uma outra pilha de apostilas cai com um barulho alto sobre a minha carteira, bem na frente.
“Desculpa, cara, não te vi aí. Você estava simplesmente parado no meio do caminho.”
Soava muito natural quando Percy Jackson dizia cara, ao contrário de mim. Além disso, eu tinha certeza que aquele era o máximo de palavras que eu o ouvi dizendo na vida, mesmo que tenhamos passado o ano anterior inteiro compartilhando a maioria das aulas. Aquele era apenas o primeiro dia depois das férias de verão e eu já tinha visto Percy falando umas duas frases inteiras. Fiquei um pouco em choque, não vou mentir.
Bruce se levantou a espalhou ainda mais as apostilas, ao mesmo tempo que Percy se abaixava para apanhar as que caíram. De pé, Bruce disse:
“Você enlouqueceu?”
E então a situação saiu de uma inconveniência para outra. Eu tinha minha mochila de volta, mas aí me encontrei no meio de uma discussão em formação. Sem poder fazer nada, porque os dois estavam bem na frente da minha cadeira.
Percy olhou pra cima, confuso, sobrancelhas um pouco franzidas, mas não o suficiente para parecer que ele estava com raiva.
“O que foi? Já pedi desculpas, não te vi aí.” Percy era muito bom em parecer inocente e, na verdade, estava olhando de volta para Bruce daquele jeito que eu tentei mais cedo, como se ele não fosse nada mais além de um incômodo passageiro, como uma mosca sozinha que vai embora depois de um abano curto. O pedido de desculpas veio rápido, e exatamente por causa disso o interesse de Bruce também se foi com a mesma rapidez.
O momento não podia ser melhor, porque a Srta. Roberts entrou na sala logo em seguida, pedindo desculpas pelo seu atrasado de 3 minutos. Com a sua cena destruída, Bruce foi para o fundo da sala, e quando olhei para a pilha enorme de apostilas sobre minha mesa, me perguntando o que fazer com ela, Percy as tirou de lá e pôs sobre as mesa da professora. Certo. Por que ele não fez isso em primeiro lugar?
No primeiro momento meu palpite realmente era que ele era adepto do movimento anti-atormentação-de-Annabeth-Chase, pelo menos naquele dia, mas Percy era tão imprevisível que eu não poderia dizer com certeza. Ele não tinha motivo nenhum para agir motivado por bondade a mim, isso eu sabia.
“Obrigada, Percy.” A Srta. Roberts disse.
Ele caminhou até o fundo da sala, onde geralmente ficava, sem me olhar uma única vez. Não que devesse, ou algo assim, mas eu meio que esperava que ele fizesse isso. Estava todo mundo fazendo, fui chamada de bonita umas 5 vezes já no começo do dia, então por quê não?
Quando ficou claro que não havia mais emoções reservadas para aquela manhã, eu me sentei enfim, relutantemente lembrando de que o mundo não gira em torno de mim e que não há motivos para pensar demais sobre aquilo.
Dos tipos de estudantes da St. Clair, Percy Jackson é difícil de ser inserido em alguma categoria. Na verdade, acho que ele criou uma própria, onde permanece sozinho. Percy não é filho de pais ricos. Nós sabemos disso porque, bem, todo mundo diz, então deve ser verdade. Ao mesmo tempo, ele não é um bolsista genial, então ninguém sabe ao certo como ele entrou ou porquê permanece ali.
Ninguém sabe muito sobre ele, o que naturalmente faz todo mundo querer saber mais. Thalia diz que eu sou especialmente obcecada com esse assunto, mas isso não é verdade. Todo mundo sussurra sobre Percy de vez em quando, inclusive ela. Ele é aquele tipo de fofoca especulativa suculenta que é ótima para preencher silêncio.
Eu abri meu pequeno espelho que deixo no estojo sobre a mesa, enquanto a Srta. Roberts pedia para alguém distribuir as apostilas. Naquele dia, fiz algo muito idiota, que foi posicionar o espelho para que refletisse os alunos no fundo da sala. Não foi difícil encontrar Percy, deitado sobre sua carteira, girando um lápis entre os dedos.
Me senti estúpida imediatamente, e ficou logo claro que não era corajosa o suficiente: baixei o espelho no primeiro vestígio de olhos verdes encarando de volta.
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