Bolinhos
2 II - Efeitos
Notas iniciais

Bolinhos
Chapter 2 — Efeitos
Sasuke Uchiha esperava qualquer tipo de reação, menos a que a garota teve...
— Ah, olá Naruto. – Disse Sakura assim que se aproximou dos dois rapazes.
— Sakura-chan, o que você tá fazendo aqui? Sua aula não é só a noite? – Naruto perguntou.
— Ah, eu mudei de turno, com esse aumento no índice de assalto e estupros, minha tia e meu pai acharam melhor que eu mudasse de horário, e até que tô achando legal estudar a tarde.
“Ela não tá me vendo aqui? Cumprimente-me garota” Foi o que Sasuke pensou, mas a garota fingiu que não o viu e continuou a tagarelar com Naruto, simplesmente ignorando a presença do Uchiha ao lado.
Ela não bate muito bem da cabeça. Que garota em sã consciência ignorava Uchiha Sasuke? – ele chegou a pensar.
Parecia que ele nem estava ali.
— …e a Karin disse que ia quebrar a cara dela! Foi muito engraçado! O teme quase cava um buraco para se esconder, não foi teme?
— Hm.
Ele deu um de difícil porque sim, mas o que ele realmente queria dizer era “Agora eu tô aqui? Lembrou que eu existo? Amigo ingrato, vai, vai embora com a tua amiguinha cor de rosa e me esquece, aproveita e pede pra ela parar de incomodar as pessoas de madrugada”
— Ah, tava me esquecendo! Sakura-chan, esse é o teme, teme essa é a Sakura-chan – Naruto apresentou.
— Prazer em conhecê-lo “teme” – Ofereceu a mão em forma de cumprimento, sorrindo forçadamente – Ele pôde constatar, e pensou que talvez ela estivesse se recordando do lamentável episódio em que saiu fedendo a vômito.
— Hm, meu nome é Sasuke – Disse aborrecido por ter que se apresentar para a garota que ele não fez muita questão de ser educado da primeira vez que se viram. Correspondeu o aperto de mão, mas se soltou rapidamente.
— Bom, a conversa tá boa meninos, mas preciso ir, tenho que encontrar com o Neji e já estou atrasada, a gente se vê por ai Naruto, até mais Sasuke-San – A garota se despediu com um aceno e um sorriso educado.
— A Sakura-chan é tão legal, estou animado por ela estar estudando à tarde, acho que vou pedir pra ela trazer um dos bolinhos pra mim, pra você não porque é todo cheio de frescura e não gosta de doce e bla bla bla...
E Naruto continuou a falar e falar, e o resto do dia foi Sakura-chan pra cá e Sakura-chan pra lá.
E no dia seguinte ela estava lá de novo, e no outro dia de novo, e de novo, e quando Sasuke se deu conta, a garota já estava totalmente inserida na roda de amigos dele.
Aquela intrometida.
Claro que ele ficava na dele, não puxava assunto com a garota, cumprimentava por educação mas apenas isso.
Ela também nunca mais apareceu em seu apartamento vendendo os Bolinhos doces. E ele também não sabia o motivo dela os vender.
Falando em doces, ela até trouxe pra eles, algumas vezes, os bolinhos, mas ele nunca os provou, afinal de contas, ele odiava coisas doces.
Mas, seus amigos – que agora eram amigos dela também – pareciam gostar. Na verdade, todos pareciam gostar muito da garota, principalmente Lee.
E aquilo o irritava muito, ela o irritava muito.
O irritava por ser o centro das atenções quando estavam com os amigos, sendo que ele sempre era o centro das atenções, era pra ele que guardavam lugar na lanchonete, era pra ele que perguntavam o próximo local em que iriam se reunir.
O irritava por estar sempre sorrindo pros outros, pra ele. Sempre com aquela voz macia, educada e encantadora.
Era irritante principalmente o fato dele não parar de pensar nela.
Ela era um conjunto de coisas irritantes que o deixavam louco.
Louco simplesmente pelo fato dele estar gostando... Não, gostando não é a palavra, afinal, estamos falando de Uchiha Sasuke e ele não gostava de ninguém, digamos que ele estava apenas interessado, curioso, atraído.
É, essa é a palavra.
Ele estava atraído pela maldita garota de cabelo rosa que vendia doces.
Atraído por aquele conjunto de coisas que o irritavam. ...
A vida de Sakura nunca foi muito fácil, afinal, ela sempre teve que se dedicar mais que os outros na escola para conseguir boas notas e manter as bolsas de estudos, apesar de que sua condição social permitia que ela estudasse pagando, seu pai sempre exigia esforço, dedicação, que ela fosse a melhor e que sempre desse valor àquilo que adquiria com o próprio esforço.
Ela nunca teve muita sorte no amor – o que não mudou muito – durante os anos, pois tinha o incrível talento de se apaixonar pelas pessoas mais erradas – as que ela considerava perfeitas e inalcançáveis – e no fim, sempre acabava do mesmo jeito:
Magoada.
Sakura aprendeu com a vida que amar é o sentimento mais lindo de todos, mas também pode ser o mais doloroso.
Ela era uma garota dedicada e bondosa que morava apenas com seu pai, Kizashi Haruno, – Contador e dono de um escritório de contabilidade –. Sua mãe morreu quando ela estava para completar seus onze anos, vítima de um câncer cerebral, entretanto, ao contrário do que seu pai e a maioria de seus familiares pensaram, Sakura se mostrou uma garota forte e apesar de ter sofrido com a perda, superou a morte da mãe de cabeça erguida, e sempre quando precisava de ajuda, de direção – ou com algo que seu pai não podia ajudar – ela podia contar com a sua tia Tsunade – irmã de sua mãe –, apesar da distância que as separavam.
Sua vida não era tão complicada, afinal, estudar à noite e vender bolinhos durante o dia para ajudar o orfanato que seu pai fora criado era bem tranquilo, – apesar de que um certo garoto arrogante e mal educado nunca a tratava bem quando ia tentar vender bolinhos para ele – mas o problemas em sua vida começaram mesmo quando Sakura mudou para o turno da tarde e passou a vê-lo todos os dias.
Ela acabou desenvolvendo um sentimento diferente por ele.
Mais uma vez, pela pessoa errada.
Sasuke Uchiha não era o cara mais simpático da face da terra, muito pelo contrário.
Mas, após constatar pra si mesma – e confessar para a melhor amiga – a atração que sentia por ele, Sakura esqueceu esse defeito e todos os outros e passou a suspirar apaixonada toda vez que se imaginava nos braços de Sasuke Uchiha.
Tá, que ela o conhecia a pouco tempo, e que mal se cumprimentavam. Além dele nunca ter provado um de seus maravilhosos bolinhos, mas ela estava apaixonada, e os defeitos do moreno eram apenas detalhes, mínimos, que ela ignorava.
Como dizia Ino, “O amor é o que importa, principalmente se o cara for bonito.”
Sakura sabia que isso não fazia o menor sentido, principalmente porque ela não o amava, estava atraída, apaixonada.
Mas, além de bonito, Sasuke Uchiha era uma incógnita.
Ela nunca poderia determinar suas ações e pensamentos, muito menos suas escolhas, o que é um tanto quanto tentador.
E falando em escolhas, ela viu que não se encaixava nas dele assim que passaram a conviver mais. Ele sempre sendo o centro das atenções femininas, ouvia seus amigos e ele próprio falarem de festas e garotas, de como aproveitavam a bebida e o sexo como algo puramente carnal e sem sentimento, algo completamente o oposto do dela, que movida pelos sentimentos, buscava para si algo fixo, previsível, algo romântico e duradouro. Um porto seguro.
Ele era tudo aquilo que ela não precisava pra si, o oposto do que ela queria.
Mas, como explicar essa situação para o seu coração? Como fazê-lo deixar de acelerar quando Sasuke olhava ou chegava perto dela?
Como fazê-lo parar de perder o compasso quando seus ouvidos escutavam a voz dele?
Como fazer seu coração ouvir seu cérebro?
Ela disse pra si mesma que eram perguntas que só o tempo poderia trazer as respostas que ela precisava para resolver essas questões de uma vez por todas. Só o tempo livraria seu coração da angústia que a invadia. Só o tempo seria capaz de resolver.
Com esse pensamento calou a vozinha, aquele seu eu esperançoso e apaixonado que não parava de falar “O destino fará tudo se acertar”.
Ou talvez não.
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