Bolhas de sabão
1 Bolhas de sabão
Plop.
Alguma coisa rapidamente explodiu-se em pleno ar, em milhares de pequenas partículas. Lal, num reflexo, piscou ao sentir o estouro perto de seu rosto.
– E essa agora... – murmurou, enquanto caminhava pelos jardins próximos ao centro de treinamento.
À medida que se aproximava do jardim mais escondido pelas casas do quartel, ela percebeu estar cercada por cada vez mais bolhas de sabão a cada passo que dava. Andou mais um pouco, dando a volta no refeitório, e não ficou nem um pouco surpresa ao ver que quem estava soprando-as era Colonnello (sempre ele, sempre aquele idiota).
Estava com um copo cheio de detergente com água numa mão, um tubo de caneta na outra e o sorriso de sempre nos lábios.
– Oi, Lal. – disse ele, sorriso visivelmente mais largo, antes de soltar outra bolha no ar. – Sabia que ia acabar me encontrando.
– Voltando à infância, é? – Lal respondeu, encarando as esferas de diferentes tamanhos que pairavam à sua volta. – Devia estar treinando, ao invés de perder tempo com coisas infantis como essa.
– Você que é séria demais e deveria tirar uma folga de vez em quando. Te faria bem.
– Ha, ha. Não é como se eu tivesse tempo para isso, de qualquer jeito. – riu sarcasticamente, antes de estourar uma bolha.
O silêncio, então, instaurou-se entre os dois. Lal apenas observava a dança das pequenas bolas, cujos movimentos suaves e delicados enfeitavam a imensidão azul acima, enquanto Colonnello continuava a soprá-las e admirá-las com uma expressão pensativa.
– O que foi? – ela perguntou, com um tom de voz um tanto entediado, quando ele encarou-a com aqueles grandes olhos azuis. – No que você está pensando?
– É só que... talvez bolhas de sabão não sejam tão infantis assim. Se você parar para pensar, elas são iguais às pessoas, de um certo modo.
– Isso não faz o menor sentido.
– Faz sim, pense comigo: as bolhas vêm em todos os tamanhos, e uma nunca é igual a outra, seja na cor refletida ou nos desenhos do sabão. E assim como a vida... – falou, antes de ver uma bolha desfazer-se pouco acima de sua cabeça. – ...elas são muito frágeis, e podem desaparecer a qualquer instante.
– Então, na verdade, todos nós somos apenas bolhas de sabão, e nada além disso?
– Exatamente. Eu, você, e todo o resto.
– É idiota, mas agora fez sentido. – disse Lal, sentindo algo revirar-se dentro de seu estômago ao processar a ênfase que Colonnello dera às palavras "eu" e "você", excluindo-as de "todo o resto".
Ele apenas riu e soprou mais algumas bolhas, que rodopiaram pelo céu claro e límpido, onde o sol se mantinha firme. O teto azul estava agora repleto de esferas coloridas, que prenderam a atenção de Lal. Aquela visão na qual estava fortemente absorta lhe transmitia tanta tranquilidade que ela nem percebeu quando Colonnello se aproximou sorrateiramente e colou seus lábios aos dela.
– E você diz para eu ficar sempre atento. – ele falou, rindo, ao ver a expressão confusa de ódio, surpresa e sabe-se lá o que mais formar-se no rosto de sua treinadora (que agora, por sinal, estava variando entre todos os tons de vermelho que existiam no mundo), antes de sair correndo.
– O q-quê... Colonnello! Você vai p-pagar por isso! – ela gritou, antes de começar a persegui-lo.
A vantagem imposta por ele não era tão grande, então Lal logo o alcançou. Mas mesmo depois de levar tapas o suficiente (em quantidade e força) para atordoar qualquer pessoa normal, Colonnello não se arrependeu nem um pouco de ter aproveitado a oportunidade perfeita.
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