Os dias se passavam e a mesma coisa. Não sinto mais prazer em nada, mais vontade de nada, não quero nada! Só quero dormir! Aulas, Host Club, as "missõesinhas " passadas pelo Tamaki, pois segundo ele ele é o papai e deve proteger seus filhinhos e depois disso tudo aturar os olhares reprovadores de meus pais. Já tive dias ruins, mais todos eles tem sido péssimos. Já tive o pior dia da minha vida, que foi quando a maluca da Renge beijou o Hikaru, e o dia mais vergonhoso de minha vida, que foi quando meus pais me ouviram conversando com o Honey-sempai e com o Mori-sempai.

Estava eu na sala de aula olhando para o nada como de costume, quando Haruhi pegou sua cadeira e colocou-a no lado da minha.

_ Haruhi?

_ Você não está bem, o que houve?

_ Quem te disse que não estou bem?

_ Ninguém. Já está tão obvio, que esse já está sendo um fator para diferenciar você de seu irmão. Você está pálido e apático. Me conta o que aconteceu. Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? Não somos amigos?

"Amigos?"

Nunca fui acostumado a isso. Amigos. Nunca tive, agora que tenho não sei como agir. Não sou acostumado a gentilezas providas da amizade.

_ Só não se preocupa ok? Ah, Haruhi, hoje tem aula de química no laboratório?

_ Uhum

_ MERDA! Esqueci de trazer meu jaleco, meus óculos e minhas luvas! meeeeeerda!

_ Ah, o professor avisou na ultima aula que não era preciso trazer nada — a nojentinha da frente disse com cara de desdem — uhm, é porque você estava ocupado de mais mexendo em seu celular do que prestando atenção na aula

Na verdade estava tirando fotos do quadro, dos slides que ele passava e duma experiência que ele passou para fazermos

_ Primeiramente, deve ser muito divertido brincar de" vamos pisar em qualquer resquício de felicidade, auto-estima e amor próprio que o Kaoru demonstrar, vamos diminuí-lo ao nada que ele é ", mas é melhor parar porque tá virando abuso, e segundo, você e suas amiguinhas ficam aí na cara do professor, não calam a porra da boca e ficam mexendo no celular, então não podem falar nada.

_ Tire foto pois não me lembro de nada disso

_ Mas eu lembro — Haruhi e eu falamos em oníssono.

Nisso, a professora que estava na sala interviu. Sinceramente, agora entendo os assassinos passionais. Aquelas aulas de merda se foram, chegando o horário do almoço, em que quase não comi pois dividi minha comida com a Haruhi, recebendo um olhar reprovador do Hikaru. Eu não sentia a mínima fome, comi apenas por comer.

No Host Club, a mesma merda de sempre, fazendo as mesmas coisas de sempre. No final do dia...

_ Kaoru, quero saber se não quer vir ao shopping comigo e com a Haruhi. — Hikaru chamou. Não estou com paciência pra isso meu Deus, não estou.

_ Não, muito obrigado — respondi rispidamente — vão só vocês dois, pois como você não sabe parar de falar na Haruhi! — percebi que estava me descontrolando. Sorte que Haruhi já foi embora — Haruhi pra lá, Haruhi pra cá, pra cima e pra baixo. Não irmão, não se preocupe, se quer tanto ela assim, eu saio de cena, pois parece que mesmo eu não atrapalhando, vou ser sempre um impessílho pra vocês! Se você a quer tanto assim, fique com ela, ela é toda sua!

Nisso vi Hikaru levantar a mão espalmada levando-a contra meu rosto. Segurei-a fortemente. Tá, eu posso até amá-lo, mas servir de saco de pancadas pra ele nunca! Por mais que eu não tenha amor próprio, eu tenho dignidade, pois se ele tivesse me dado esse tapa, ele receberia um soco em troca.

_ Hikaru Hitachim. Já brigamos antes, muitas vezes para falar a verdade — comecei falando baixo. Todos nos olhavam — mas eu NUNCA OUSEI TOCAR EM VOCÊ! NUNCA! SE VOCÊ TIVESSE ME ACERTADO, VOCÊ IA SAIR DAQUI DE OLHO ROXO, ISSO EU GARANTO! NUNCA MAIS COJITE ESSA IDEIA DE NOVO, POIS NÃO RESPONDO POR MIM, ESTÁ ME ENTENDENDO? _ Gritava descontrolado. Queria matá-lo. Nisso Haruhi voltou.

_ Ahm.... é que eu esqueci meu caderno aqui.... o que houve aqui? — olhava a cena com uma expressão um tanto incrédula.

Largei Hikaru e passei por todo mundo a passos largos e firmes. Peguei minha mochila, passei por Haruhi.

_ Você está certa Haruhi. Eu não estou nada bem. Eu quero morrer — sussurei a Haruhi e saí correndo.

Esbarrava nas outras pessoas que andavam despreocupadamente pelos corredores. Cheguei no pátio da escola e saí correndo dela, e irônicamente estava chovendo. Pouco me importava se eu estava me ensopando, ou ensopando meu material, pouco me importava até o caminho que estava fazendo. Depois de longos minutos correndo desorientadamente, cheguei em casa. Entrei na propriedade, passei pelo motorista que se preparava para entrar na limusine para ir nos buscar. Comprimentei-o.

_ Porque veio na chuva senhor Kaoru? _ provavelmente me reconheceu pela voz — e o seu irmão?

_ Pode ir buscá-lo na escola, mas por favor vá rapidamente, pois ele esta noite sairá novamente com a Fujioka. Ah, e me faça mais um favor, não diga que me viu ok? Diga que...sei lá. Diga que foi nos buscar, espere ele perguntar e fale que não me viu e como somente ele estava alí você o levará pra casa, ok?

O motorista assentiu. Fui em direção a mansão, mas antes, passei pela lavanderia onde tirei minhas roupas molhadas e coloquei um roupão. Quando fui a mansão, passei por meus pais na sala de estar. Meu Deus, que novidade, ambos estão em casa, e ao mesmo tempo. Isso aí é raro de se ver.

_ Meu Deus Kaoru, o que houve? Vimos nas câmeras de segurança você chegando em baixo da chuva, você vai ficar doente — minha mãe falou

_ Sinto muito kaa-san, tou-san, mas, com todo respeito, posso disser-lhes uma coisa?

_ Diga garoto, diga — meu pai falou desinteressadamente.

_ Desde quando vocês se importam? Lembram-se, eu não sou filho de vocês, só sou " esse garoto ". Um garoto qualquer não é mesmo? Mas não se preocupem, vou me retirar, para não precisarem mais torturar esse garoto. Então, sinto muito novamente pelo o que eu disse e com licença — curvei-me e saí. Meus pais pareciam embasbacados, mas foda-se.

Tomei um banho quente, beeem quente para ver se consigo relaxar um pouco. Fui pro meu quarto, onde vou separar minhas coisas, pois hoje não durmo na mesma cama que Hikaru nem por um decreto. Nisso consigo ouvir as portas se abrindo. Provavelmente Hikaru acabara de chegar. Nisso consigo ouvir a conversa que acontecia lá em baixo.

_ Tou-san, Kaa-san, o Kaoru já chegou?

_ Chegou sim e está lá em cima. Aconteceu alguma coisa? Ele chegou ensopado, pálido e de péssimo humor. — nossa mãe falou

_ Nada não mãe, só que nos desintendemos hoje só isso, a noite resolvo isso com ele.

_ Não me pareceu ser apenas um desentendimento Hikaru. Ele chegou transtornado — nosso pai falou.

_ Tá, foi um pouquinho mais que um desentendimento, mais mesmo assim resolverei isso com ele.

Corri apressadamente, separei meu pijama e algumas coisas, como um uniforme limpo e levei prum quarto de hóspides. Já devidamente vestido, fui para a biblioteca, peguei um livro e comecei a ler. Um livro de que? Drama! A menina e seu namorado sofriam bulliyng na escola, então eles fizeram uma lista de pessoas que eles odiavam e que queriam que morressem, e num belo dia, o garoto do casal fez uma chacina na escola seguindo cada nome da lista, mas atingiu sua namorada sem querer, namorada esta que não sabia que ele pretendia fazer aquilo de verdade, então por isso ele se matou. Isso é pra levantar o astral de qualquer um. Olhei para meu celular que vibrara. Vejamos: 20 ligações do Tamaki, 15 mensagens de texto do Tamaki, 18 ligações do Honey-sempai, 35 ligações do Hikaru e 15 ligações da Haruhi. Ah, foda-se, que pensem que eu morri. E Hikaru já estava em casa, e tinha que se arrumar pra ver a Fujioka.

Nisso, ouço socos na porta da biblioteca.

_ Posso entrar? — Era Hikaru

_ Claro, você também mora aqui não é?

_ Kaoru, é que eu quero me.....

_ E aliás já estou indo, e você tem que se arrumar pro seu encontro.

_ Eu não vou mais sair com a Haruhi. Eu quero ficar com você!

_ Tá perdendo seu tempo — falei quando estava na porta, já me preparando pra sair.

Na hora do jantar, o clima ficou pesado, quase que nebuloso. Não olhava diretamente para Hikaru, mas surpreendentemente, nossos pais falaram que cancelaram um compromisso para ficar com a gente. Mas isso não me importa nem um pouquinho.

Na hora de dormir, já estava quase tudo pronto, estava até indo deitar quando ouço alguém na minha porta.

_ O que você quer Hikaru — falei após abrir a porta.

_ Não consigo dormir sem você lá no quarto. Volta pra lá vai, por favor!

_ Por....

_ Pera Kaoru, me deixa falar. Eu quero me desculpar com você Kaoru, e você tem razão. Nunca chegamos a esse ponto, e peço que me perdoe, porque eu não consigo ficar brigado com você, então por favor, me perdoa — falou com um olhar triste.

" Droga de coração mole"

_ Tudo bem Hikaru, tudo bem

_ Então vem pro nosso quarto vai?

_ Ok Hikaru, Ok, só espere um minuto

Peguei meu uniforme escolar e levei-o comigo. Chegamos no quarto, eu coloquei-o no lugar, tirei minha pantufa e deitei-me na cama.

_ Mas isso não quer dizer que ainda não estou irritado com você.

_ Vai Kao-chan, para com isso! Vai ficar de cu doce agora?

_ Hikaru — disse com a voz um pouco mais grossa

_ Vai Kao-chan? — nisso ele colocou suas mãos por baixo da blusa de meu pijama e começou a fazer cócegas na minha barriga.

_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, PARA HIKARU, PARA — Não me aguentava de rir, sempre fui sensível a cócegas.

_ Só se pedir por favor

_ POR FAVOR, POR FAVOR

Então ele parou

_ Viadinho — murmurei fazendo bico.

_ Além de tudo faz biquinho agora?

_ Ah Hikaru, vai se fuder e me deixa dormir, valeu?

Ele riu

_ Mal humorado — falou fazendo biquinho também. Deitou-se ao meu lado e me abraçou e dormimos. Foi tão bom senti-lo hoje, depois deste dia infernal. Pela primeira vez hoje, senti-me protegido, seguro. Sentia como se pudesse acontecer qualquer coisa que estaria tudo bem, pois Hikaru me protegeria.