Bokura no Love Style
15 Capítulo extra: Cookies
Notas iniciais
Boa leitura...!
— Ah! Está pronto! – Haruhi admirou com o semblante de uma mãe orgulhosa o fruto do seu trabalho do dia. Os vários biscoitos, de diversas formas e sabores estavam dispostos em arrumadas fileiras, exalando um cheiro agradável por toda a sala. Haruhi colocou todo o conteúdo da forma dentro de um saquinho de plástico transparente e amarrou cuidadosamente.
Depois de terminar de arrumar suas coisas, ela se precipitou a porta, despedindo-se das colegas de clube. Se ela se apressasse, conseguiria alcançar seu senpai a tempo, e fazê-lo experimentar os biscoitos que ela fizera seguindo a receita dele.
— Takahama-senpai! – Haruhi gritou, ao finalmente avistar o colega no fim do corredor – Aqui – ele estendeu o pacote com biscoitos, sorrindo.
Antes de qualquer outra ação, Haruhi sentiu seu braço ser puxado com considerável força para trás. Assombrada, ela fitou o loiro a sua frente, que dividia olhares entre ela e o senpai (que silenciosamente procurava um jeito de fugir), num misto de surpresa e fúria.
— O que você estava fazendo, Haruhi-chan? N-não... eu me recuso a aceitar que você tenha usado essas lindas mãos para cozinhar para essa... esse... plebeu... um réles plebeu! Oh não, Haruhi-chan... – Tamaki virou-se para Haruhi, dando chance para Takahama sair de fininho — eu deveria ter sido o primeiro a provar qualquer alimento que tenha passado por suas mãos, mesmo que tudo o que você tenha feito seja abrir a embalagem. E você! – ele apontou para o senpai, que já sumia virando o corredor – Nunca mais chegue perto da minha Haruhi, ouviu bem?!
Tamaki voltou seu olha novamente para Haruhi, que o encarava estupefata. Ele respirava com dificuldade, e parecia ainda muito perturbado. Tentou sorrir do seu habitual modo cativante, que vazia garotas suspirarem e desmairem, mas tudo o que conseguiu foi fazer uma careta.
— Você pirou? Enlouqueceu? – Haruhi berrava e ria de um jeito descontrolado. Aquela não era sua maneira costumeira de agir, algumas pessoas que espiavam silenciosamente chegaram a discutir qual era a probabilidade de Haruhi ter vindo para a aula bêbada — Ah! É claro! Você só está querendo chamar a atenção! Poderia por favor não colocar pessoas que não tem nada a ver com isso nessas suas tentativas absurdas de auto-promoção!
— Eu não e-estava... Haruhi! Eu...
— Não me interessa o que você quer! Fique longe de mim – ela gritou quando loiro fez menção de se aproximar, e saiu apressada, pisando duro, deixando para trás um Tamaki totalmente aturdido.
-
Haruhi se preparava para ir embora. Ela havia se esforçado o dia inteiro em ignorar a presença de um certo meio-francês, por causa do dia anterior, e se saído consideravelmente bem na tarefa, e agora implorava por um banho e uma boa noite de sono.
Abriu o armário de sapatos e inesperadamente um pequeno envelope cor-de-rosa, com desenhos de corações, caiu rodopiando no ar. Será que erraram o armário? Ou quem sabe a confundiram com um garoto de novo! Mas ela estava até usando saias, não tem como isso ter acontecido.
Relutante, ela catou a carta do chão, e se espantou ao ver seu nome na parte de trás, escrito com uma letra caprichada, em caracteres ocidentais.
A carta dizia, em resumo, para ir até o telhado da escola, e assinava como anônimo (o que era totalmente inútil, já que a primeira frase da carta começava com ‘Eu, Tamaki Suou... ’).
Respirando fundo e contando até dez, Haruhi subiu as escadarias.
— Ei! – ela ouviu alguém chamar. Virou-se de costas automaticamente, encontrando um garoto ruivo, de olhos felinos, que a encarava inexpressivo. Aquele sem dúvidas era uma das fontes de problemas da sua amiga... mas qual deles seria? – você poderia entregar isso aqui a ela? – ele indagou, colocando um pequeno objeto metálico nas mãos da garota, e sem esperar por resposta, saiu apressado.
Haruhi fitou confusa o corredor vazio, colocando o objeto no bolso de fora da mochila, e voltou a subir as escadas, resolvendo parar para pensar nisso mais tarde.
Chegando ao telhado, encontrou Tamaki a esperando, e como era a primeira vez que ela realmente o via nesse dia, se surpreendeu com as olheiras abaixo dos olhos azuis, e os cabelos despenteados. Eram sinais evidentes de uma noite mal-dormida, e no caso de Tamaki, de uma depressão profunda, e de verdade. Haruhi, sentiu-se despencar ao ver a aparência, sempre minuciosamente bem cuidada do loiro estar num estado que beirava o deplorável, mas manteve-se de cabeça erguida, tentando parecer inabalável.
— Olha só, Tamaki... – Haruhi começou, mas foi interrompida por Tamaki, que havia se aproximado.
— Me perdoe por interrompê-la, Haruhi, mas dessa vez sou eu quem quer falar, então peço que me escute – Haruhi calou-se, levemente surpresa , e Tamaki continuou – sei que não devia ter falado daquela maneira, mas eu perdi o controle, eu fiquei com ciúmes de você... e acabei me excedendo.
— C-ciúmes? – Haruhi custou a acreditar no que seus ouvidos registravam, mas Tamaki não havia conseguido ouvir o seu murmúrio.
— Haruhi, eu já não posso mais conter o lamento do meu coração – Tamaki discursava emocionado – Eu te amo! — A garota congelou, em estado de choque. Tamaki segurou as mãos dela junto ao seu peito, se aproximando ainda mais – Por favor, aceite esses meus sentimentos.
— V-v-v-v-ocê... você tá louco??!! – ela finalmente conseguiu falar, empurrando Tamaki para longe. Não sabia como reagir a uma situação dessas, e tudo o que podia pensar era que essa era uma brincadeira muito sem graça de Tamaki – Isso não é certo! – lágrimas de indignação corriam livremente pelo rosto lívido da garota – eu não quero... não brinque comigo dessa maneira!!!
— Não é brincadeira... Haruhi querida – Tamaki sorria, com seu rosto perigosamente perto – eu nunca brincaria com você... – ele agora estava corado, claramente inseguro sobre qual seria o próximo passo.
Vagarosamente, ele chegou tão perto que podia contar as pequenas lágrimas que pendiam nos cílios da garota, encarando-a com carinho. Incerto, ele envolveu a morena em seus braços, e depois acariciou seu rosto delicadamente. Como ela não esboçava nenhuma reação (por estar em estado de choque) ele tomou a liberdade de se aproximar ainda mais. Com uma das mãos, ele juntou o rosto de Haruhi com o seu, tocando seus lábios ligeiramente, e depois voltando a tocá-los, dessa vez mais intensamente, ainda com leveza.
Fitou Haruhi com curiosidade, avaliando sua reação. Não foi como ele esperava.
— O q-q-que você pensa que está... faze-e-endo – sua voz tremia, enquanto ela chorava ainda mais – fica longe de mim seu idiota, mimado!
— Eu... – Haruhi não deu chances para Tamaki falar, saiu correndo rapidamente para longe dali, com a visão embaçada e os passos cambaleantes. Sua mente se arrastava, procurando entender.
O que foi que aconteceu aqui?
-
Haruhi caminhava apressada pela rua que a levava a escola. Depois de desabafar com a amiga, sentia-se muito mais leve, e segura na decisão que havia tomado durante a noite.
Não havia mais motivos para se esconder, para mentir para si mesma. Ela amava aquele riquinho, mimado, idiota, exagerado, e ... lindo... Haruhi sorriu para si mesma com o pensamento. Como havia sido idiota de perceber antes... desde aquele fatídico dia em que ela aceitou acompanhar as amigas em um encontro em grupo... quem podia imaginar... logo ela, que era tão centrada, séria, focada...
Sem nem perceber, Haruhi chegou à escola. Seu coração batia acelerado, e suas pernas tremiam levemente... mas ela estava determinada, não ia fraquejar.
Adentrou pelos portões, olhando para todos os lados, procurando pelos cabelos dourados, pelos olhos azuis, que povoaram seus sonhos na última noite. Tudo o que encontrou foram os restos do príncipe, jogado embaixo de uma árvore, com uma áurea densa de depressão a sua volta.
Haruhi se aproximou, andando rapidamente, e sentindo seu coração falhar a cada passo vacilante.
— T-tamaki... – ela chamou, corando levemente ao pronunciar o nome dele em voz alta.
— Não adianta, Kaoru – Tamaki esticou a mão dramaticamente a frente – não importa o que você faça, eu não sairei daqui! Não percebe que eu estou morrendo aos poucos, Kaoru?
— Você não parece estar morrendo para mim... – Haruhi disse sorrindo, um pouco mais alto para chamar a atenção dele.
— Oh! Kaoru! Por um momento você pareceu Haruhi falando e... –Tamaki finalmente levantou os olhos, que estavam úmidos e inchados, e focou na pessoa a sua frente. Pareceu demorar a entender o que ocorria a sua volta, com o semblante abobalhado, e lentamente um sorriso ia se formando em sua face, à medida que ele ia compreendendo.
Finalmente, ele se levantou num salto, abraçando Haruhi com força, erguendo-a do chão por alguns segundos.
— Me desculpe, Haruhi-chan! Eu fiz tudo errado... não queria lhe assustar... se você me deixar, eu começo tudo de novo, eu... – ele tagarelava febrilmente, gesticulando com as mãos.
— Não, você não precisa fazer nada – Haruhi sorriu tranqüilizante, apesar de estar com o coração aos saltos... – eu que tenho que me dsculpar por ser tão tola.
— Não! Você não é tola! É o ser mais inteligente, mais compreensivo...
— Eu te amo, Tamaki!
— ... mais magnífico, mais perfeito... perdão... o que disse?
— Que eu te amo – ela sorriu, com expectativa.
— Haruhi! Esse com certeza é o dia mais feliz de toda minha vida! – ele tornou a abraçá-la com força, sendo correspondido com igual intensidade – A menos que eu esteja sonhando... eu estou sonhando, Haruhi?
— Não! – Haruhi riu da curiosidade quase infantil do garoto – então... – ela se desvencilhou do abraço, e sentou no lugar onde antes Tamaki morria, na sombra da árvore – agora, eu e você... estamos... namorando...? – indagou, corando furiosamente, e olhando para a grama, como se fosse a coisa mais interessante do mundo vê-la crescer.
— Ah! Isso é o que eu mais quero... – Tamaki a acompanhou, sentando-se também – você... quer ser minha namorada? – perguntou, fitando-a com intensidade e insegurança.
— S-sim...
Tamaki sorriu, sentindo seu peito explodir em alegria. Agindo sem pensar, ele segurou a mão de Haruhi, e puxou seu rosto, forçando-a a olhá-lo nos olhos. Apesar de estar levemente corado, ele usou todas as habilidades que dispunha para prender Haruhi (mesmo que isso não fosse exatamente necessário). Aproximou-se lentamente, depositando um beijo suave nos lábios entreabertos da garota, que fechou os olhos, esperando por mais. Tamaki aprofundou o beijo, sentindo Haruhi correspondê-lo.
Relutante, Haruhi se separou de Tamaki, sorrindo feliz. Sentia-se completa, finalmente, e mal podia esperar para contar as novidades a Hanako, afinal, se não fosse por ela, Haruhi ainda estaria...
— Ei, aonde você vai? – Haruhi perguntou, confusa, a Tamaki, que corria para longe.
— Eu preciso de um espelho! – ele gritou em resposta, correndo ainda mais rápido – essa aparência... é inaceitável. Inaceitável!
Haruhi sorriu, ao ver Tamaki se afastando rapidamente, em desesperada corrida. Seu namorado...
E pensar que tudo começou por que ela resolveu fazer alguns biscoitos...
Notas finais
Não se esqueçam de deixar um reviewzinhoo!!!
Kisu~
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