Bokura No Digital World

1 Capítulo Único: Bokura no Digital World


Notas iniciais
Puxa, eu tinha feito as notas antes e perdi-as. Não me lembro o que escrevi....
Ah, usei mais diálogos de propósito, lembrem-se de que isso ée uma reflexão sobre o papel do Mundo Digital e tudo mais! Desculpe-me se houver algo fora do contexto ou sem sentido na one-shot, porque eu corri muito para terminá-la.
Aproveitem!

Primeira Geração: 1º de Agosto de 1999 – 1º de Agosto de 2013

Digitamas multicoloridos despencavam do imenso céu de dados e sonhos, concebendo novas vidas.

Era quase como se o tempo não houvesse passado.

Mas é claro que havia passado. Ainda que a Cidade do Princípio apresentasse-se idêntica ao que era na primeira vez em que viram os blocos coloridos gigantes que a rondavam de forma infantil , feliz e divertida e puseram os pés no chão aveludado, elástico e macio; os mesmos pés desacostumados, na época, a percorrer longas distâncias com apenas bruscas paradas para descanso. Mas o que podiam fazer se precisavam correr para salvarem-se dos incontáveis perigos que passaram a persegui-los no momento em que selaram de vez seus destinos ao ir acampar, num estranho verão do ano de 1999? Quiçá haviam selado seus destinos em 1995, ao assistir o embate entre duas criaturas no meio de uma noite fria. Não. Tinha sido antes.

Nasceram destinados àquela aventura.

E, ainda que o mundo no qual ela se protagonizara não apresentasse mudanças a primeira vista, eles sabiam que o tempo tinha passado apenas olhando para si mesmos. E ainda havia novos aventureiros, cerca de milhares – e sabiam que o número de Escolhidos só iria aumentar -, denunciando-se com os suspiros de surpresa e assombração de quem não está acostumado a estar ali ou ainda não compreende, percorrendo sem rumo os campos de dados com seus novos parceiros, confusos e apavorados com as coisas intrigantes que veem, meio desajeitados, mesmo alguns sendo até adultos, como eles próprios tinham se tornado.

Um grande sentimento de comoção alastrava-se por aquele mundo.

A nostalgia acertava-lhes fundo quando se lembravam de um menino enérgico, teimoso, forte e corajoso, o líder de cabelos rebeldes e com óculos de aviador que ansiava conquistar o céu ao transformar sua coragem em asas. E do loiro com olhos azuis frios, de personalidade tímida e retraída, amante da música suave de sua gaita e da serenidade, que escondia um coração amigável e leal.

Também havia a menina de alma amorosa, responsável, bondosa e com um grande e irrefreável instinto maternal, que sempre procurava cuidar dos que ela amava com todo o empenho de seu coração. Lembravam-se do ruivo inteligente, sereno, com uma curiosidade incansável, maduro, buscando a sabedoria e sempre tentando entender e decifrar o mundo a sua volta enquanto digitava em seu laptop.

E da menina escandalosa, sorridente e chorosa, incrivelmente sincera, de alma e paixões genuínas e doces, cujo sonho era ser uma princesa e viver num lindo castelo rosa repleto de luxos e coisas boas, sem maldades e aflições. Do garoto sério, porém gentil, com sensos indomáveis de honestidade e caráter, disposto a arcar com todas as responsabilidades por ser o mais velho e cuidar de todos com toda a sua confiança e fé.

Do pequeno menino de olhos azuis que chorava quando as coisas dificultavam-se, que era o primeiro a dar-lhes um imenso sorriso nos dias alegres e tristes, que se escondia atrás do irmão para não ver os que estavam a sua volta sofrer e os enchia de esperança. E, por fim, a última ajuntar-se ao grupo, a pequena, meiga, calma, altruísta e frágil garotinha muitas vezes doente que sempre punha os outros antes dela mesma.

No tempo em que aquele mundo era só deles.

É. O tempo passara.

(...)

Oito pessoas e oito Digimons faziam um círculo na grama, meio longe dos Digitamas.

Não eram meninos e meninas: eram homens e mulheres, adultos.

“Realmente.” Taichi Yagami, de 25 anos e diversão espalhando-se pelos seus olhos castanhos, sentou-se na grama novamente após examinar-se no reflexo do lago pela enésima vez. “Eu nunca irei me acostumar com esse cabelo.” Lembrou-se saudosamente quando as mechas rebeldes empinavam-se para cima, uma selvageria que fazia jus à sua antiga personalidade corajosa e indomável. Agora, estava curto – dava-lhe a aparência madura, positiva , firme e tranquila da qual ele era dono.

Às vezes, punha a mão na cabeça ainda esperando sentir os óculos de aviador.

O dinossauro que estava ao seu lado lhe sorriu, mas Taichi podia perceber a nostalgia em seu tom: “Diferente... Mas o que importa é você por dentro!” O moreno apertou afetuosamente a pata de Agumon, concordando.

“Não reclame, Taichi.” A risada de Yamato Ishida fê-lo encarar o velho rival com uma ligeira e brincalhona carranca. O loiro estava sentado, de pernas cruzadas, com sua noiva descansando a cabeça em seu ombro. Aquela risada já fora mais fria e apática: agora era serena, sincera e direta. Talvez um tanto dura, mas amigável. “Ao menos, você não está tão anormal quanto antes. Koushiro lhe fez um favor ao cortá-lo; ele estava certo, não iriam nem pensar em levá-lo a sério no emprego como Diplomata com aquele cabelo.”

“Ele não cortou por isso, certo? Como ele cresceu, nada mais natural que seu cabelo ficasse diferente de quando era criança.” Opinou Gabumon, em tom baixo, querendo encerrar o assunto desnecessário e partir para o que estivera pensando: “Yamato, por favor, você pode-”

Ele começou a tocar a gaita antes mesmo do pedido ser terminado.

“Sabe...” Resmungou a noiva ruiva de Yamato, ajeitando-se e erguendo a coluna do ombro dele. Sora Takenouchi parecia um tanto aborrecida quando encarou os olhos azuis do futuro marido: “Pelo menos, como Diplomata, Taichi não vai passar meses longe de mim. E quando você estiver no Espaço? Não acredito que vai me deixar por tanto tempo para ir à Lua, ou a Marte, ou sei lá, com o Gabumon! Como foi que de músico você virou Astronauta?”

Ela falara isso, por incrível que parecesse, calma e amorosamente, cutucando-o de brincadeira nas costelas. Ela parecia apenas interessada na questão, apesar de chateada – ela nunca fora do tipo que precisava dos outros para cuidarem-na, apesar de apreciar a companhia dos que amava.

“Vocês mudaram tanto!” Cantarolou Biyomon, alegre, quando o ex-músico apenas dera de ombros e dissera, entre um sopro musical e outro: ‘gostos se alteram sem motivo, querida. Acho que o Teenage Wolves foi bom, mas não a melhor forma de eu continuar a minha vida’

“Talvez o Mundo Digital tenha mudado mais do que nós.” Koushiro Izumi desviou os olhos – a curiosidade ainda queimava neles, mas boa parte substituiu-se com a mais pura sabedoria — do laptop para fazer a observação. Infelizmente, o amarelo que ele levava consigo desde sempre fora quebrado há alguns anos, então ele arrumara um mais moderno, preto com um abacaxi arroxeado. Todos olharam, curiosos. O Mundo Digital parecia-lhes o mesmo!

Explicou: “Em termos populacionais! Estou tendo um bom trabalho monitorando tudo que acontece por aqui. Os novos Escolhidos não estão causando tantos problemas intencionais, mas estão fazendo certa bagunça. Devem estar assustados... Eu entendo como eles se sentem.” Sorriu.

“Nós não mudamos fisicamente como vocês.” Tentomon pensou alto. “Logo, vocês irão nos confundir com as outras dezenas de milhares de parceiros que estão surgindo desde 2002 e aumentando demais desde o ano passado.”

“Nós nunca faríamos isso!” A voz que antes sairia esganiçada e urgente, para assegurá-lo que eles amavam-nos demais para confundi-los, saiu divertida, terna e confiante. Mimi Tachikawa – a que quebrou laptop de Koushiro num show ao qual ela o arrastara, por acidente -, uma jovem mulher animada, festeira, afável e madura, riu: “É mais capaz vocês confundirem a gente, Tentomon! Quer dizer, Sora Takenouchi está se tornando uma estilista renomada. Sora Takenouchi. ESTILISTA! Eu nunca pensei que viveria para ver algo tão louco assim!”

O sorriso de Mimi alargou-se quando Sora alegremente jogou-lhe sua bolsa, tentando acertá-la, dizendo que talvez ela devesse ajudá-la na criação de quimonos, e ela desviou enquanto recusava, agradecida sinceramente pela oferta.

A música tranquila ainda os embalava.

“O seu bom gosto por moda continua, Mimi.” Palmon mirou-a com carinho. “Deixe as roupas com a Sora, porque eu prefiro a comida que você cozinha. É tão boa! Suas receitas me deixam encantada! Fico tão, tão feliz que você não tenha herdado a habilidade da sua mãe!” Riu, e foi acompanha pelo resto do grupo.

Mimi soltou um suspiro profundo de saudade ao recordar-se das receitas de sua progenitora. Não eram perigosamente fatais e destrutivas como as da Sra. Yagami, mas de fato eram extravagantes, pomposas e vibrantes como a adorável moça que as fazia, tão dedicada, para uma Mim mais nova e mais mimada.

Ao longe, nos campos sob o sol, ouviam-se crianças gritando de alegria.

“Não acho que apenas a população tenha crescido aqui.” O mais velho – que, aliás, reconhecia que sua idade não influenciava mais como nos velhos tempos de infância -, objetou. Quando os dedos ajeitaram os óculos, não fizeram isso de forma desajeitada e atrapalhada, mas sim pacífica, séria e gentilmente. Jou Kido tornara-se o primeiro medico do Mundo Digital, realizando seu sonho da melhor maneira possível, e agora aquela aura confiante ao seu redor se fortificara: como se pudessem literalmente depositar suas vidas nas mãos dele.

“No fundo, vocês sabem que tem algo diferente. Ainda que a aparência seja quase idêntica, as nossas lembranças ficaram grudadas aqui. As recordações das nossas batalhas podem estar apagadas, mas deixaram marcas que os dados não retiraram da nossa mente.”

“Não esquecemos os seus gritos de pavor, também, Jou. Aos doze anos, você gritava como uma garota.” Gomamon lembrou-os, arrancando risadas de todos, inclusive do próprio médico, que há muito, muito tempo deixara de se irritar com as piadinhas carinhosas do parceiro. Pegou-o da grama e lhe aplicou um cascudo leve.

“Garanto-lhes que não incomodava mais do que quando eu chorava. Devia ser chato.” Um homem de cabelos loiros gargalhou. Takeru Takaishi segurava com firmeza uma pasta verde-amarelada, a que continha os rascunhos do seu futuro livro – ele a levara para a típica reunião anual, a fim de dividir os melhores trechos com os amigos, que ouviam com atenção. A esperança era algo que ele mantinha com determinação dentro de si, apesar de as coisas estarem sempre muito bem; o desespero era algo que os abandonara.

“Bobagem, eu mal percebia.” Patamon murmurou. A memória de um parceiro pequenino não ficara com ele, até porque o próprio Digimon era bem infantil no ano em que haviam se conhecido – e ainda era, já que eles não amadureciam como os humanos. Patamon sentia falta do chapéu de a Takeru, que, bastante velho, agora usava como cama durante a noite.

“Nada era incômodo nenhum, pessoal.” Hikari prosseguia sendo doce e incrivelmente compreensiva. O temperamento fora fundamental para ela se formar em pedagogia e assumir várias turmas numa escola, lecionando para o primário, tanto conhecimento como seus bons valores. A doença não a perseguia mais como uma sombra, e a jovem era feliz com sua Luz, sabendo contrabalançá-la com os pedaços de Trevas da vida. “Era a nossa maneira de ser.”

“Era uma boa maneira.” Tailmon divagou. “Não havia dificuldade em amá-los mesmo com os seus defeitos, sabia? As qualidades sobressaíam-se nos momentos certos.”

Seus Brasões ainda estavam em pulsando junto com seus batimentos cardíacos.

Ficaram ali, conversando sobre tudo e sobre nada, até que os Digimons, cansados por terem passado o dia correndo e se divertindo, dormiram, confortados com a certeza de que não havia mais necessidade de vigiar.

“O tempo dia ter passado mais devagar.” Desejou Mimi de repente.

“Para você ter tido oportunidade de comprar todas as roupas que queria?” Riu Sora, movendo-se para o lado de sua melhor amiga de infância, que bufou, consternada de mentira com o comentário, ao lado de uma Palmon adormecida. Seus olhos caramelo pousaram em uma flor vermelha que brotara fazia pouco tempo. “Ah, de verdade, Mimi, eu sei o que é isso.” Assentiu de maneira simpática. “Estou me sentindo meio velha.”

“Você não está velha. Está madura e sábia, e com umas rugas, mas não velha.” Taichi provocou-a como se tivesse onze anos novamente. Apesar do semblante meio sério que o entregava, os outros entenderam.

Como se tivessem voltado no tempo.

Yamato entrou no jogo:

“Será que você não pensa nos sentimentos dos outros, Taichi?!” Levantou-se e fez menção de socá-lo, mas recuou o punho e deu-lhe um abraço. Taichi riu. A voz de Takeru alcançou-lhes, pedindo para não brigar, como ele pedia quando eram pequenos e o loirinho nem sonhava em ter força para parar pelo menos um dos dois. O moreno nem se mexeu, apenas olhava o melhor amigo com uma expressão dolorida de lembrança mesclada ao seu sorriso corajoso de sempre.

Sentaram-se lado a lado.

“Eu quero ir para casa!” Mimi gemeu, brincando, de forma dramática, então se deitou bruscamente, como se houvesse se cansado. Não se passou um segundo, sentou-se, com algumas folhas grudadas nas mexas castanhas, fazendo uma careta que os divertiu: “Acho que até não estranho mais dormir no chão.... Me acostumei? Isso não pode ser bom.”

“Nós aprendemos a sobreviver em situações difíceis.” Afirmou Koushiro, firme: “E isso foi uma lição valiosa.” Todos assentiram, sem brincar desta vez.

“Nem me lembre.” Mimi esfregou as têmporas num falso gesto de exaspero, dissipando a leve tensão. “Nunca senti tanta falta da minha cama na minha vida.”

“Ah, não era tão ruim.” Hikari cruzou os braços, convicta de que sua amiga estava exagerando. Mimi olhou-a, cética. A de vinte e dois anos deu uma risadinha e admitiu: “Certo, era.”

“Sora...” Takeru parecia meio perplexo, e retomou algo que o incomodara: “Você realmente está se sentindo velha aos vinte e cinco anos? É um exagero!”

Jou franziu o cenho: “Concordo. Eu sei que eu costumava valorizar muito a idade de alguém, mas ainda temos muito pela frente! Somos jovens, espere até os setenta para se preocupar.”

“Há sonhos para se realizar.” Completou Koushiro. “Metas para bater, planos para seguir...”

“Sim, sim, vocês estão certos, como sempre.” Sora sorriu. “É só uma sensação, de qualquer maneira. Mas é reconfortante saber que ainda teremos tempo para tantas coisas... Crescer na carreira, viajar, fazer novas amizades e não perder as antigas, casar, construir uma linda família de dois filhos...”

“Espera. Dois?” Yamato arqueou as sobrancelhas. “Um não basta?”

Dois. E não ouse discordar, amor.”

“Não estou discordando.” Garantiu rapidamente, para não irritá-la. “Podem ser dois ou trezentos, contanto que sejam com você.” Tinha momentos em que a pouca timidez que restara em Yamato ia para o espaço, assim como ele mesmo iria no ano seguinte, e ela dava lugar a uma maneira de agir carinhosa, como a de seu irmão mais novo.

Aww.” Mimi juntou as mãos, tocada, ao ver o sorriso cheio de amor que moldara os lábios de Sora com a frase, e a mirada apaixonada do loiro que em tempos remotos fora tão reservado. Hikari também achou a cena calorosa e apertou forte a mão de Takeru na sua, que devolveu o gesto sem hesitação. Alguns laços eram tão poderosos que nunca se rompiam. “Casem-se de uma vez, sério. Eu estou morrendo de vontade de ser uma das damas de honra! E, então, quando seu primeiro filhou ou filha nascer, eu serei a madrinha!”

“Será.” Garantiu a ruiva. “E, ah, por falar nisso, a primeira será filha.”

Quê?” Yamato arregalou os olhos para a barriga da noiva, numa expressão tão assombrada que Taichi não pôde evitar de rir. Takeru tentou esconder o seu imenso sorriso, mas falhou.“Sora, você está-”

“Não, não.” Ela revirou os olhos. Yamato suspirou, aliviado.

“Que pena.” Takeru confessou.

“Sei que você gosta da ideia de ser tio, Takeru, mas vamos esperar um pouquinho para tê-la.” Consolou-o , gentil. “E sei que é menina porque é intuição de futura mãe.” No fundo, era apenas um desejo, dar a luz a uma menina, e ela não tinha como prever se isso iria realizar-se.

“Eu gostaria de ter uma filha... Não me vejo criando um garoto. Seria algo fora do meu alcance, porque dificilmente teríamos algo em comum para partilhar.” Mimi confessou. “E eu não gostaria de deixar a criação apenas para o meu futuro marido. Quero que ele ou ela tenham algo de mim...” Ela não se apavorava mais com a ideia de responsabilidades. A dedicação maternal de Sora a influenciara a tornar-se mais forte.

“Tenho certeza de que você irá conseguir, se for o caso.” Hikari balançou a cabeça.Seus amigos eram capazes de tudo, ela sabia. Ela não mais desconhecia seu valor: ela também era capaz de fazer o que quiser, e orgulhava-a poder admitir isso sem medo.

“Bebês dão trabalho, mas compensam...” Jou, o único que já era pai, contou-lhes. Seu filho, que o lembrava bastante no rosto e nos olhos, ainda era muito pequeno, e ele se recusava a deixá-lo um segundo sequer. O fato de ser jovem, ter 26 anos, nunca o impedira de ser um excelente pai. Mas, cedera a si mesmo esse tempo – assim como os demais haviam cancelado compromissos e afazeres do trabalho ou da vida pessoal, para ir até lá, naquele lugar, naquele data.

1º de agosto, de qualquer ano, jamais deixaria de ser especial.

Era o Memorial de Odaíba.

“Você será uma mãe maravilhosa, Sora.” Taichi falou, sem dor ou mágoa, apenas contendo certa emoção. Um silêncio meio atordoante em que eles foram atingidos em cheio pelo fato de que aquilo – as construções de novas famílias e vidas mais sólidas, mesmo dos que costumavam ser as criancinhas do velho grupo — não estava longe de acontecer se passou. Acrescentou: “E tenho certeza que você será um pai tão protetor que seus filhos vão amar mais o tio Takeru.”

Ele apenas riu.

“E parece que ontem...” Murmurou Koushiro. “Éramos oito crianças que estavam salvando o mundo.”

Mimi assentiu: “Agora, estamos falando sobre filhos e empregos. E nem temos trinta! Maravilha.”

“O tempo passou, mas aprendemos tantas coisas que não há dúvidas do quanto isso valeu. Esse mundo é como uma segunda casa. Uma mais feliz, que não iremos esquecer nem que um milhão de anos se passem.” Takeru observava Patamon em seu sono. “Mal posso explicar qual foi a lição mais importante, ou o momento que mais me marcou naquela aventura.”

Ele poderia dizer, porém, que a parte do seu livro em que Devimon matava Angemon continuava em branco, mas não disse. Daria um jeito nisso assim que chegassem em casa: passara muitos anos enrolando para não narrar essa parte em especial, mas não iria mais fugir dela.

“É, todos foram importantes, tanto os bons quanto os ruins, para nos formar como seres humanos. Pouco a pouco, esse lugar nos transformou para sempre. Ajudou-me a entender o que é a verdadeira coragem. Acho que o mais estranho nisso é que não pedimos por nada disso...”

“...E as coisas maravilhosas aconteceram com a gente mesmo assim. Mesmo que, naquela época, não merecêssemos.” Mimi suspirou, finalizando o que Taichi começara.

“Conseguimos no final.” Jou não tinha dúvidas. “Vencemos o que era nosso dever vencer, e agora o Mundo Digital é livre para todos acessarem. Nós o remodelamos para o bem. É graças a nós – ao que vivemos e aprendemos, e usamos para preservar a paz– que tudo deu certo.”

“Não podemos mais chamá-lo de nosso, porém.” Sora franziu a testa. “Preciso dizer que tenho certa inveja dessas crianças que estão ganhando os Digimons agora e atravessando os portais. Elas estão aqui para se aventurar, assim como nós estivemos em 1999.” Enquanto sua amiga falava ao seu lado, Mimi inclinou-se para pegar a bolsa que trouxera.

“Elas ao menos puderam preparar-se. Viemos desavisados.” Yamato lembrou-a. “A surpresa não foi nenhum pouco agradável no início, mas, no fim, foi duro deixarmos para trás a terra na qual, verdadeiramente, crescemos. É interessante observar outras pessoas crescendo aqui também.”

“Parte de mim...” Taichi expirou com força o ar. “Sente dificuldade em abrir mão desse mundo, e, a outra, quer receber tantos novos heróis de braços abertos e perdi-lhes para não deixar que seus medos o impeçam de alcançarem seus céus. É egoísta, mas, há vezes em que gostaria que fôssemos os únicos, além da Segunda Geração, a conseguir vir para cá.” Falou abertamente.

“É compreensível. Você foi o melhor líder que poderíamos ter.” Koushiro suspirou. Taichi mandou-lhe um olhar de genuíno de amizade e gratidão.. “Pena que não há mais situações nas quais precisamos ser liderados para superá-los. Acabou, não é?”

“Acabou.” Não houve hesitação na voz de Jou. Mimi encarava o interior da sua bolsa com um sorriso que ninguém viu. “Mas, enquanto durou, não poderia ter sido melhor.”

“Uma coisa que você disse, Takeru, chamou-me a atenção.” Takeru notou como sua cunhada parecia pensativa ao embalar Biyomon nos braços. “Você disse que não esqueceríamos nem que se passem um milhão de anos, e é verdade. Acontece que o tempo passará fora do nosso controle, e iremos morrer. Mas o Mundo Digital continuará aqui, e os novos Escolhidos continuarão nascendo. Até nossos Digimons não poderão mais viver quando nossa hora chegar. No fim, nós é que seremos esquecidos por esse mundo.”

Hikari discordou: “A nossa essência ficará aqui, Sora. Talvez fraca, meio soterrada com as memórias que os demais irão criar, assim como nós fizemos, mas não irão morrer conosco.” Angustiou-se, ainda com sua mão entrelaçada a de Takeru. “Mas é triste pensar que esse lugar deixou de nos pertencer, se é que um dia já tenha pertencido. Só que eu tenho certeza que ele ficará em boas mãos. O portal se abrirá para pessoas que continuarão nosso trabalho.”

“Eles o farão bem feito!” Taichi sorriu. “Podem até não saber quem nos fomos; mas esse mundo sabe quem lutou para pacificá-lo.”

“A única sensação que nos resta, no fim, é o agradecimento.” Concluiu Yamato.

“E um legado, irmão.” Takeru fez um gesto em direção à pasta. “Aquele livro será nosso legado morto. O vivo, nós ainda estamos construindo.”

De repente, Koushiro fechou o laptop, parecendo meio emburrado: “ A quantidade de pessoas aqui é tão elevada que pressinto problemas. A liberdade e as mudanças têm um preço, por mais decepcionante que isso soe.”

“Não é isso que irá nos deter, agora que chegamos tão longe.” A bravura de Taichi fora florescendo em Hikari ao longo dos anos. “Nem um exército de Escolhidos contra nós irá nos impedir de defender a nossa casa.”

“Uma casa que nos fez tornar o que nós somos.” Sora fechou os olhos e mirou o céu. “Por enquanto, não precisamos deixá-la.”

Como uma só alma, entoaram: “Obrigado.”

De súbito, algo os chamou atenção: uma vastidão de borboletas percorrendo o céu.

Tinham se esquecido de esperar o momento. Podiam vê-las claramente, cada asa batendo com a energia de um sonho que se tornou realidade. Isso lhes tirou o fôlego, maravilhando-os de tal forma que só reagiram quando Mimi riu e lhes disse: “Vocês estavam tão distraídos conversando sobre tudo isso! Deixe a sinceridade tomar conta dos seus corações, em vez de pensar tanto!” Apontou para cima: “ Não lembram que isso acontece todo primeiro de agosto depois que Oikawa morreu? A energia dele faz as borboletas cruzarem esse mundo nesse dia. Acho que ele quer nos dar a certeza de que somos lembrados.”

“I-isso na sua mão...” Jou apontou, assombrado. O que ela estivera buscando na bolsa. Era um chapéu rosa. Aquele chapéu.

“Eu comprei um novo.” Informou-lhes. “Pode não ser o mesmo, mas é simbólico.” Quando os demais olharam-na em confusão, ela deu um sorriso travesso: “Está ventando, pessoal.” E soltou-o na forte brisa, que o levou para o topo do céu, na mesma direção da Montanha Mugen.

“Iremos compartilhá-la com novos protagonistas.” Taichi cerrou os punhos. “Mas, no fundo, isso aqui sempre será...”

Viram o exato momento em que o chapéu rosa rodopiou no ar com as borboletas, e completaram como um só:

O nosso Mundo Digital.”

Notas finais
Entããão? Por pouco isso sai dia 2 de Agosto! HÁ! \õ/
AH, ISSO PODERIA TER FICADO MELHOR SE EU NÃO TIVESSE CORRIDO TANTO! (Estou com receio do modo como redigi a história. O jeito como as primeiras falas estão intercaladas, numa ordem, com o Digimon falando exatamente após o parceiro, foi proposital, e, apesar de ter ficado um tanto estranho, gostaria de avisar.) Eu tentei dar a devida atenção a cada um, menos aos Digimons, que eu pus para dormir, hahaaha XD
Caso algo tenha saído confuso, é porque na primeira vez em que escrevi o rascunho da história, ela não era assim: primeiro, o Takeru e a Hikari não apareciam no começo, só lá para o meio, trazendo a Segunda Geração com eles e todos eram adolescentes.Resolvi mudar e dar destaque só aos primeiros oito! Mas, caso desejem que eu faça um Memorial da Segunda Geração qualquer dia, falem! Mas só se vocês tiverem gostado desse!
Ah, o FINAAAAAL! ♥ Eu quis torná-lo épico com o lance do chapéu da Mimi, que é uma das cenas mais perfeitas da minha infância, e eu juntei às borboletas que apareceram no final de ZT,! O lance das borboletas cruzarem o céu todo primeiro de agosto desde a derrota de BelialVandemon foi uma ideia que me ocorreu de última hora e espero que tenham gostado! :)
Foi muito estranho escrevê-los como adultos. As "Crianças" Escolhidas, como adultos! Temo não tê-los retratado bem! Imagino que suas dúvidas e pensamentos tenham mudado bastante - empregos, divagações sobre a profissão, filhos, Sora achando-se velha quando na verdade é JOVEM, esse tipo de coisa. Tentei mesclá-las ao enredo de nostalgia, espero que não tenha ficado chato!! Imagnei que a Mimi teria um certo tipo de "medo" de ter um garoto, porque evidentemente ela se daria melhor com uma princesinha fofa para cuidar (legal que no Epílogo ela tem um menino!)
O momento Sorato (gostaram?) foi em homenagem ao Epílogo, já que eles são o único casal oficial da Primeira Geração.
Foi complicado retratá-los. Tipo, muito mesmo. A personalidade deles mudou em algumas partes com o crescimento, e eu não sei se acertei nas mudanças! Tentei fazê-los agir e interagir entre si com naturalidade: um Taichi maduro lembrando-se dos velhos tempos e provocando a Sora de brincadeira, ele abraçando o Yamato, Hikari e Takeru de mãos dadas, a Sora brincando com a Mimi, etc. E ainda coloquei novos elementos nas personalidades deles, tipo o Takeru querendo muito ser tio (ou ele enrolando para escrever aquela parte do livro, que não é algo novo, mas que eu achei legal mencionar), cabelo curto do Taichi, o Yamato não sendo mais tãoo reservado, e o Jou sendo um pai dedicado. Nossa. Jou. Pai. (Pelo meus cálculos, ele seria o primeiro da primeira geração a ter um filho. Hikari e Takeru logo depois, acho. Não lembro se o/a filho/a ais velho/a da Sora e do Yamato é menina ou menino, então nõa posso dizer se a intuição materna dela acertou!) É bizarro, porque para mim eles sempre serão crianças - mesmo que eles sejam muito maduros e tal, acho que eles tem alma de criança! Mas imagino que a Sora seria uma mãe sensacional, não pude deixar de mencionar isso! :)
Acho que os retratei um tanto mais novos, mas, enfim. E ainda coloquei um tanto de humor, porque quando estamos entre amigos surgem coisas meio engraçadas, não? E eles são amigos muito próximos! Espero que os diálogos mais descompromissados não tenham entrado em choque com o objetivo da One-shot.
A última conversa , a filosófica, em maior parte são meus pensamentos sobre tudo que ocorreu e como isso os afetou. Não vou falar muito disso aqui porque a história em si já fala! Sintam-se mais do que à vontade para exporem suas opiniões sobre isso!!
Digam o que acharam do meu presente de primeiro de agosto que vocês só viram no dia seguinte! ;) Espero MESMO que tenham gostado!! Vou respondê-los com mais atenção do que escrevi aqui.

Muuuito obrigada por lerem, Até mais õ/
B.Star Fic

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!