Notas iniciais
Olá minhas damas e meus damos!! (?????) Cá estou novamente e finalmente com mais um capítulo novo! Dessa vez pegando uma parte mais emocional da nossa menininha. Espero que gostem! Caso encontrem algum errinho pelo caminho, peço mil desculpas! Como eu disse antes, por mais que eu revise várias e várias vezes, uma coisinha ou outra sempre acaba escapando! Boa leitura a todos! ♥

Um dos dias mais ansiados pela turma A havia chegado. Era hora de escolher seus próprios codinomes de super heróis. A idéia de ser chamado principalmente por outros heróis profissionais pelo seu próprio nome profissional estava deixando os alunos completamente eufóricos e empolgados, o que não demorou muito para fazer com que Erase Head usasse sua própria peculiaridade para calar toda aquela bagunça. Tempos depois, Midnight havia entrado na sala, para a alegria dos garotos, principalmente Mineta e Kaminari.

Enquanto a heroína dava orientações e explicava a respeito das escolhas de seus nomes de heróis, Ayamine quase se mantivera alheia em tudo. Involuntariamente, seu olhar acabava se deslocando em direção a Tenya. Havia algo de errado com ele e a garota via isso claramente no olhar distante e um tanto preocupado do rapaz, ainda mais sendo aquele, um dia importante para toda a turma. Mesmo que Uraraka mostrasse toda a sua empolgação, balançando freneticamente os ombros do garoto, ele parecia não se importar e nem reagir aquilo. Aya não sabia o que estava acontecendo, sentia um estranho desconforto no estômago e uma certa falta de ar, e esse comportamento ansioso, vez ou outra fazia com que a garota escovasse seus longos cabelos de forma ríspida entre os dedos.

— Aya-chan, está tudo bem? — Perguntou Hanabi sacudindo levemente os ombros da amiga.

— Estou sim, por que? — Aya respondeu quase automaticamente.

— Você está inquieta demais e algo me diz que não é pela escolha de nome de herói, aquieta essa perna menina! — Disse Hanabi se referindo as pernas de Aya, que balançavam para frente e para trás sem parar, mesmo que de forma sútil.

— Desculpe, acho que não estou me sentindo tão bem hoje... — Disse a garota de longos cabelos lilases, estranhando a si mesma e sua preocupação repentina.

— Quer que eu diga a Midnight?

— Não! Hoje é um dia importante, preciso muito escolher o meu nome de heroína...

— Certo mas qualquer coisa,diga a Midnight que precisa beber água ou coisa assim... Tem alguma coisa deixando você muito ansiosa...

— Tudo bem, não precisa se preocupar, Hanabi-san...

Ter Hanabi como amiga era quase como ter uma mãe da mesma idade. Aquilo podia soar extremamente estranho,mas a garota dos fogos de artifício percebia tudo,notava qualquer coisa antes que qualquer um e sabia exatamente quando tinha algo de errado acontecendo. Se não fosse sua recusa a participar da eleição de representante de classe, Hanabi seria uma forte candidata.

Após uma série de nomes estranhos e desaprovados por Midnight e outros nomes de fato heróicos como Uravity e Red Riot, chega a vez de Aya se apresentar.

— Cystal Hero — Opal! — Ela disse.

— Que fofo!! Combina muito com você!! É o nome de uma pedra, não é?? — Perguntou a professora com uma curiosidade eufórica.

— Cada mês tem uma pedra preciosa correspondente e a Opala é a pedra do mês em que nasci e particularmente é uma das minhas favoritas... — Respondeu Aya com um sorriso.

— Oooh essas pedras preciosas são mesmo incríveis! Cada uma tem um significado pelo o que eu soube... Quero saber mais a respeito depois se não for incomodá-la, Aya-san! — Respondeu Momo.

— Magnifique! — Acrescentou Aoyama.

Aya estava feliz por seu nome ter sido aprovado, pois já havia escolhido Opal desde criança. Se lembrava de sua mãe dizendo que as Opalas eram as pedras mais belas e se pareciam muito com ela.

Enquanto sorria tímida e constrangida para a turma que aplaudia seu novo nome de herói, Aya correu seu olhar por todos os colegas, inclusive Tenya, que se mantinha alheio a tudo, cabisbaixo e com a caneta parada entre seus dedos.

O sorriso da garota morreu no mesmo instante, era como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago e sua ansiedade voltou. Após retornar a sua carteira, Aya se deu conta de que toda sua preocupação e ansiedade era por causa de Iida. De todos, ele era seu melhor amigo e de tempos em tempos vem sentindo coisas estranhas perto dele,ela não sabia explicar, seu estômago parecia revirar seu coração estranhamente batia mais rápido, mas ao mesmo tempo era uma sensação que ela gostava. Aya imaginou que seria uma boa ideia perguntar a sua tia o que era tudo aquilo, mas naquele momento, precisava descobrir se estava tudo bem com seu amigo. O olhar aterrorizado e aflito no rosto de Tenya não era nada normal,e aquela altura,a julgar pela euforia da turma, ele já teria chamado a atenção de todos. Mas ele não disse uma palavra sequer e aquilo tudo estava deixando Aya inquieta demais.

Enquanto os alunos saiam para o intervalo, apenas Bakugou e Tenya haviam ficado na sala escolhendo seus nomes. Enquanto os outros se dispersaram, Aya arrancou uma folha rapidamente de sua agenda e escreveu um bilhete. Quando se levantou, passou rapidamente pela mesa do representante e disfarçadamente largou um pequeno papel dobrado. Iida logo percebeu e antes de completar seu nome de herói, abriu rapidamente o bilhete.

"Você está bem? Se precisar conversar me encontre no pátio".

Iida apenas soltou um suspiro. Sabia que Aya havia percebido que havia algo errado,por mais que ele tentasse não incluir seus amigos próximos nos seus problemas pessoais. A amiga era muito observadora e se preocupava com os amigos mais do que ela mesma e depois dos noticiários a respeito do estado de saúde de seu irmão, sabia que Aya devia estar desesperada para falar com ele, só não o fez assim que ambos chegaram na U.A pela manhã, porque ela não queria ser invasiva por mais que se preocupasse, ela era daquele jeito e Tenya a admirava muito por isso.

Mas não a colocaria nisso também, aquele era um dilema só dele.

E então, Iida guardou o bilhete no bolso de seu uniforme e se apresentou diante dos alunos que ainda estavam na sala,com seu nome de herói sendo simplesmente "Tenya".

*****

Aquele dia foi mais longo do que de costume. Por mais que Aya tentasse se aproximar de Iida para tentar uma conversa, ele parecia evitá-la a todo custo e imaginando que ele não queria conversar, decidiu respeitar seu espaço. Porém, aquilo a estava deixando angustiada. Na saída, se reuniu com Uraraka e Izuku para irem para casa juntos, mas ao chamarem por Iida, viram que ele já tinha partido antes de todos. Naquele dia, a cabeça de Aya ficou a mil, e Sayaka percebeu o semblante aflito da sobrinha assim que ela chegou em casa.

— Tem alguma coisa te deixando apavorada, não tem meu amor?? — Disse a tia escovando os longos cabelos de Aya.

— Tia, você soube o que aconteceu com o Ingenium, não soube?

— É claro... Está em todos os lugares... — A pergunta da sobrinha pegou Sayaka totalmente desprevenida e ela teve que lutar para não deixar transparecer o seu desespero e a vontade de sair correndo para ver como seu velho amigo de infância estava naquele momento. Sayaka buscava sempre se manter forte diante de sua sobrinha já que toda a força e motivação que Aya precisava, vinham dela. Porém, saber do que havia ocorrido com Ingenium estava deixando a mulher sem saída, precisava ir vê-lo o mais rápido possível. Porém, com os recentes ataques de vilões, a patrulha em Hokkaido também havia aumentado e tinha dias que Sayaka não conseguia nem mesmo voltar para casa. Patrulhava a noite inteira ao lado de Crystal Knight.

— O Iida-kun, ele... Tava tão aflito hoje, tão mal... Ele tentava disfarçar mas eu conseguia ver claramente o quanto ele estava sofrendo... — Aya continuou. Seus braços abraçavam os joelhos enquanto a sua tia escovava delicadamente seus longos cabelos.

— Ele é muito ligado ao irmão... Eu sei que Tenya-kun quer ser igual ao Ingenium de qualquer forma e depois disso tudo o que aconteceu, eu imagino o quanto ele deve estar abalado...

— Eu tô com um mal pressentimento, tia... Eu sinto que alguma coisa muito ruim vai acontecer, eu não sei explicar... Quando penso no Iida-kun e tudo o que aconteceu, o assassino de heróis... Parece que minha respiração falha, meu coração aperta... Não, só de pensar no Iida-kun ou me aproximar dele, eu me sinto estranha... O que está acontecendo comigo, tia??? Aya saiu de sua posição e sentou sobre seus joelhos no carpete enquanto encarava sua tia ansiosa por uma resposta, enquanto Sayaka se mantinha sentada no sofá a encarando um tanto surpresa. Aya se surpreendeu ao ver sua tia abrir um sorriso radiante e até seus olhos azuis brilhavam de um jeito diferente.

— Aya-chan!! Você tá gostando do Tenya-kun!! — Sayaka riu e puxou as bochechas da sobrinha, que a encarava com os grandes olhos arregalados e tentando entender o que sua tia acabara de dizer.

— O-o que?? — A menina dizia assustada com a reação da tia.

— Você está apaixonada por ele... — Sayaka ainda tinha um grande sorriso que se estendia de orelha a orelha.

— A-apaixonada??

— Eu sei que isso pode parecer demais para você digerir agora, mas saiba que algo completamente normal. Na verdade amar alguém nos faz sentir diferentes, renovados, mais felizes... E eu estou tão feliz em saber disso! Tenya-kun é um rapaz perfeito e eu senti no dia que ele esteve aqui para ajudá-la nos estudos, que você sentia algo mais por ele... Seus olhos brilham de um jeito diferente perto dele... — Sayaka segurava o rosto da sobrinha com ambas as mãos, mas Aya continuava a encarando com uma grande interrogação. Porém, em meios as palavras da tia, seu coração parecia querer saltar pela boca. Aquilo realmente estava sendo repentino demais para ela compreender.

— A-apaixonada?? Mas... Como... — A garota não conseguia formular uma frase diante de tantas informações aleatórias que surgiam em sua cabeça.

— Você vai entender logo, não é algo que se explica... É algo que só você consegue sentir... — Sayaka sorriu e acariciou o rosto da sobrinha.

— Mas saiba que estou muito feliz em saber disso! E vou te ajudar no que for necessário! — Ela concluiu.

Naquela noite, Ayamine foi dormir mais cedo do que costumava, mas não tirava as palavras de sua tia da cabeça, por mais que aquilo tudo fosse muito confuso para ela entender. Mas uma frase no meio daquela confusão fazia muito sentido para a garota: "Quando amamos alguém, nos tornamos mais felizes, mais animados, é uma sensação incrível!". Aya se pegou pensando nisso, porque de tempos em tempos, vinha se tornado uma pessoa mais aberta, mais sorridente, principalmente quando estava com Iida.

Ao pensar no nome do amigo novamente, seu coração deu um pulo.

Foi quando Aya fitou seu notebook, que estava carregando sobre a cama, e em seguida sua estante onde havia vários livros e na parte de baixo, vários filmes em DVD. Ela decidiu buscar por algo que esclarecesse melhor as suas dúvidas do que as palavras de sua tia naquele dia, e encontrou um filme que talvez pudesse ajudá-la a entender melhor. Ela pegou um DVD e observou a capa por alguns instantes. Era um romance que costumava assistir sempre com sua mãe quando estava em Hokkaido e quando Aya se mudou para a casa de sua tia, sua mãe lhe deu o filme de presente, para se manter sempre próxima dela. A garota então se acomodou em sua cama e ligou seu computador, colocou o CD no compartimento e em alguns minutos depois, o filme se iniciou.

Aya tinha seus olhos vidrados na tela enquanto abraçava seus joelhos e deixava o cobertor jogado por cima de seus ombros. Enquanto sua mente viajava nas palavras de uma das personagens do filme e uma música suave tocava de fundo, ela só conseguia pensar em Iida e logo em seguida na frase proferida pela personagem:

"Amar significa que ele é o seu primeiro e o último pensamento do dia, a pessoa que você mais quer ver, a pessoa com quem você não negaria uma dança mesmo não sabendo dançar, só para ficar mais próxima dele."

— Amar...? — Aya disse sonolenta, se deixando levar pela melodia do longa metragem que passava na tela de seu computador.

*****

O dia dos estágios havia chegado. Aya havia recebido uma sugestão de estágio de seu pai e por isso, era provável que sua tia também participasse. Finalmente ela teria a chance de participar de uma patrulha na sua cidade natal e estava ansiosa por isso, ainda mais por ter a oportunidade de estar atuando ao lado de seu pai. No metrô, ela embarcaria para uma cidade vizinha, onde seu estágio iria iniciar e logo depois, seguiria para Hokkaido.

No terminal, durante uma conversa entre Izuku e Uraraka, Aya descobriu que Iida faria estágio em Hosu, a cidade onde Ingenium foi atacado. Aquilo fez a ansiedade da garota voltar como um soco no estômago e a sensação de perigo iminente a fazia ter uma dor de cabeça repentina.

Depois de uma breve observação dada a turma por Erasehead, todos seguiram seus seus respectivos caminhos na estação de metrô e ao ver que Izuku e Uraraka se mostraram preocupados com Tenya, que havia seguido em silêncio sem dizer uma única palavra para a direção oposta à eles, que indicava o metrô para Hosu, Aya não pensou duas vezes e na mesma hora, suas pernas se moveram para correr até ele, o que fez Hanabi se assustar com a reação repentina da amiga.

Tenya parou quando sentiu alguém puxar a manga de seu uniforme e já imaginando quem pudesse ser, se virou imediatamente mostrando a expressão mais calma e confiante que podia. Aya olhava para ele com uma expressão aflita, a testa franzida e seus grandes olhos azuis que insistiam em brilhar involuntariamente mesmo em um momento como aquele Qualquer um que não a conhecesse, diria que ela estaria prestes a chorar naquela hora, mas Tenya sabia que não. Aya estava aos poucos mostrando mais o que sentia e por isso, tendia a ser intensa ao demonstrar seus sentimentos, para deixar claro o quanto ela se importava.

— S-se precisar conversar... Não hesite em me mandar uma mensagem... — Ela disse em um tom baixo.

Tenya apenas sorriu e colocou sua mão sobre a cabeça da amiga, acariciando levemente e sentindo a maciez de seu cabelo. Ele não disse uma palavra, mas apenas com aquele gesto, Aya entendeu que ele quis dizer que ficaria tudo bem. Sua mão era quente e acolhedora e por mais que a ansiedade da garota persistisse, ela não tinha outra alternativa a não ser confiar nele.

Enquanto o observava se afastando, Hanabi se aproximou e tocou o ombro da amiga.

— Ele vai ficar bem, é o representante da turma! Ele sabe se manter no lugar... — Ela sorriu numa tentativa de tranquilizar Aya.

— É... Tem razão...

— Vem, temos que ir logo...

******

Aya só ficou sabendo do que ocorreu em Hosu após terminar seu estágio. Não fora tão longo quanto a garota esperava, já que as ocorrências de vilões em Hokkaido eram muito menores do que em Tóquio por exemplo. Porém, Aya teve um grande aprendizado, acompanhando a rotina de seu pai e tia, ficando mais próxima deles. Embora Crystal Knight não dissesse mais que o necessário que sua filha devesse saber quanto ao seu trabalho, Aya sabia que ele, mais do que qualquer um na sua cidade natal, se importava com cada atividade suspeita, cada cidadão amedrontado. Porém, as pessoas ainda o olhavam com desconfiança. Era automático que os civis mudassem de calçada sorrateiramente ao ver a família Sawamura passando por eles. Era compreensivo, já que, aquela família de heróis passou a ser conhecida como duas caras após o incidente envolvendo o matriarca que passou a ser chamado vilão de cristal. Nobuyuki notava os olhares e mesmo que a polícia local contasse com sua ajuda na investigação dos crimes, os homens pareciam manter uma certa desconfiança e estavam sempre prontos para apunhalar o herói pelas costas caso ele fizesse um movimento suspeito. Por muitas vezes, Ayamine tentou abordar sobre o assunto com seu pai, mas ele sempre ignorava mantendo sua frieza, mas apesar da indiferença, o olhar triste ainda estava ali. Era como se Nobuyuki usasse a máscara da tragédia. Se mostrando como um homem frio para ocultar sua tristeza por todos esses anos e continuar sendo um herói que aquela cidade precisava, mesmo que as pessoas não o vissem como tal. Sua tia não era tão diferente, mas ao invés disso, ela usava a máscara da comédia. Sempre espontânea e fazendo os outros rirem para esquecer seu trágico passado.

Aya e Sayaka desembarcam na estação de metrô e estavam voltando para casa quando ouviram a respeito do incidente envolvendo o assassino de heróis e três alunos da UA, sendo transmitido em um dos grandes telões que haviam na estação. A garota entrou em um estado de torpor. No começo ela não queria acreditar, mas ao parar para ouvir a notícia mais atentamente, seu sangue subiu e suas pernas estremeceram, imaginando que algo pior poderia ter acontecido. No mesmo instante, várias hipóteses e vários alunos lhe passaram pela cabeça, mas em especial sua turma e seus amigos mais próximos, principalmente Tenya, que estava fazendo estágio nessa região quando tudo aconteceu.

Uma força desconhecida despertou em Aya e suas pernas simplesmente se mexeram e ela correu o mais rápido que podia estação afora, enquanto sua tia, que havia ficado para trás, apenas gritava para que a sobrinha esperasse. Porém, ao presenciar a aflição da garota estampada nos olhos enquanto ela via a notícia sobre o incidente naquele momento, tudo o que pôde fazer foi vê-la correr e desaparecer na multidão da estação. De fato, algo estava mudando em Aya, e Sayaka estava vendo isso.

******

Tenya, Izuku e Shoto passaram um bom tempo em silêncio após a visita do delegado e os heróis Gran Torino e Manual. Refletiam sobre o resultado de suas ações e como aquilo afetaria suas escolhas daquele momento em diante. Como teriam que manter aquilo para si mesmos e acreditar que era Endeavor quem os tinha salvo, sendo que eles sabiam a verdade, pois carregavam as cicatrizes das lâminas de Stain pelos braços para que jamais esquecessem aquele dia.

Foi quando os três amigos, cabisbaixos, ouviram passos se aproximando de maneira apressada, e logo parar diante da porta. Ao erguerem a cabeça para ver de quem se tratava, Izuku e Shoto ficaram um tanto surpresos, afinal, não esperavam ver Ayamine de pé diante da porta do quarto hospitalar. Porém, ao presenciar o olhar aflito da amiga, Tenya engoliu em seco e sentiu todo o seu corpo pesar. Ele sabia que ela estava preocupada, não só com ele, aquilo era óbvio. Mas foi Iida quem ignorou os sinais da aflição da amiga, foi ele quem evitou conversar com ela e dizer o que estava acontecendo, logo ele, que havia prometido ser o amigo que ela precisava

— Eu vi o que aconteceu no noticiário e vim o mais rápido que podia. — Disse a garota

— Aya-san... V-você deixou seu estágio só pra vir aqui? — Disse Izuku com um certo tom de culpa em sua voz.

— Meu estágio terminou mais rápido que o previsto. Não havia incidência de crimes na minha cidade natal e por isso a maioria da patrulha veio para cá depois dos ataques dos vilões... Então eu decidi vir logo pra cá!

— Agradecemos a preocupação... — Disse Shoto. Ele notara que havia algo diferente com Aya. Por mais que ela estivesse tentando manter a compostura, demonstrando seu comportamento sempre calmo e centrado, sua voz estava um tanto trêmula e ela evitava olhar todos fixamente.

— Vocês...Estão bem agora? — Perguntou ela. Ao notar o estado dos braços enfaixados de Iida, se aproximou e os tocou, enquanto observava com atenção, na esperança de entender de fato, tudo o que aconteceu.

— Sim. Apesar dos ferimentos, o médico nos disse que agora estamos bem e devemos receber alta logo e... — Tenya tentava soar o mais tranquilo possível, mas parou de falar ao notar que uma gota havia caído sobre um de seus braços. Aquilo era... Lágrima?

— A-Aya san...? — Iida ficou sem palavras. Estava mesmo vendo aquilo?

— E-eu pensei que... Ele tinha matado vocês... Eu pensei que o pior tinha acontecido quando vi a notícia... — Aya não se segurou, e agora lágrimas rolavam incessantemente por seu rosto enquanto ela imaginava tudo de pior que poderia ter ocorrido ao seus amigos, o que estaria sendo se naquele momento, Endeavor não estivesse por lá. O assassino de heróis Stain. Só de ouvir esse nome, a garota sentia que o vilão não hesitaria em matá-los só porque são apenas adolescentes. Aquela história teria um desfecho trágico se o herói flamejante não estivesse lá. Só de pensar naquilo tudo, a tristeza e preocupação de Aya tomavam a forma de lágrimas grossas que desciam por seu pequeno rosto como uma cascata. Sentimentos esses, que Aya não demonstrava a sua vida inteira.

Diante daquela situação, tudo o que Tenya conseguia sentir era ódio de si mesmo. Ter arriscado a vida por razões pessoais daquela forma só o desviou do que ele realmente almejava ser. E se seus amigos não tivessem aparecido? E o pior, ele havia ignorado todos os sinais de preocupação de seus amigos, principalmente Aya. Ele havia sido egoísta e agora aquela menina estava bem ali diante dele, chorando como ele nunca havia visto. Tudo resultado de seu pensamento egoísta em tentar vingar seu irmão.

— Aya-san! E-está tudo bem! Nós estamos aqui agora, nós estamos bem... Não precisa ficar assim... — Izuku se adiantou em se aproximar da colega de classe que estava aos soluços e tocou-a no ombro de forma a reconfortá-la.

— O que importa agora é que tudo isso acabou e Stain está preso. Não tem que pensar nisso agora... — Disse Todoroki também se aproximando.

— Aya-san eu peço perdão... — Disse Iida se curvando diante dela. Por mais que quisesse deixar tudo esclarecido, infelizmente não podia contar o que realmente aconteceu. Deveriam manter a mentira de que foi Endeavor que os salvou das mãos do assassino.

— Eu fui egoísta e não fui atencioso quanto a sua preocupação comigo e os demais. O tempo todo você foi uma grande amiga enquanto eu não valorizei isso e eu peço mil desculpas...

— E-estou feliz... Todos vocês estejam bem... — Disse ela enxugando as lágrimas e esboçando um sorriso, no que os amigos sorriram de volta, aliviados por terem conseguido confortá-la.

******

Depois da visita, Aya retornou para casa, onde Sayaka aguardava a sobrinha preocupada, esperando por notícias dos meninos.

— Aya-chan? Como foi? Eles estão bem? — Disse a mulher. Porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi surpreendida por um abraço apertado da garota, que soluçava e chorava incessantemente.

— A-Aya... O que aconteceu?? — Sayaka não sabia o que sentir naquele momento. Estava preocupada e com medo de que algo pior pudesse ter acontecido aos meninos para que sua sobrinha chegasse em casa naquele estado. E ao mesmo tempo surpresa e um tanto assustada, pois não se lembrava da última vez que viu a garota derramar uma lágrima que fosse.

— Eu fiquei com medo, tia! Fiquei com medo deles terem morrido! Fiquei com medo de nunca mais vê-los! Fiquei com medo de perdê-lo... — Dizia a menina aos prantos, a voz sendo abafada pelo abraço apertado que dava em sua tia. Porém, em meio às palavras que deixavam a mais velha sem saber o que fazer, ela se sobressaltou ao ouvir a última frase: Medo de perdê-lo.

— I-isso é porque... Eu amo ele, tia..? — Aya ergueu seu olhar para ela. Com os olhos vermelhos e brilhantes pelas lágrimas, ela buscava ansiosamente por uma resposta.

— Aya... — Mas Sayaka não tinha palavras naquele momento. Ao invés disso, ela abraçou de volta sua sobrinha e ali ficou por um bom tempo, até que a menina parasse de chorar.

De fato, sua sobrinha havia mudado da água para o vinho. Mas aquilo aconteceu tão depressa, que estava sendo demais até para que a própria Aya entendesse. Iria levar um tempo para que a garota aceitasse tudo o que estava acontecendo. Não era nada fácil se manter distante de qualquer sentimento durante toda a sua vida e em um dia, se ver apaixonada por alguém e se ver rodeada de tantos amigos importantes, que valorizavam a sua presença. Agora, Ayamine teria um novo desafio pela frente: Vencer essa batalha interna consigo mesma e carregar o fato de que realmente estava apaixonada por Tenya Iida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.