Boa sorte, Natsu

1 Boa sorte, Natsu - Capítulo único


Notas iniciais
Preciso ir dormir now... Sério, não sigam o meu exemplo; ficara acordado até tarde é feio.

Os gritos, a euforia contagiante, a empolgação que emanava da arena... Ela podia ouvir tudo. O quarto dia dos Grandes Jogos Mágicos estava ocorrendo naquele instante e ela estava perdendo-o.

A visão de Lucy entrou em foco aos poucos à medida que ela despertava. Quando conseguiu distinguir as silhuetas à frente, viu os rosto preocupados de Wendy e Charle a encará-la.

— Lucy-san! Você está acordada?! — perguntou a pequena Wendy.

— Wendy... — ainda deitada, Lucy perguntou. — Que partida é agora?

— A primeira partida acabou agora — Wendy explicava. — Parece que a Blue Pegasus ganhou.

— A segunda partida está prestes a começar — completou Charle. — É entre Lamia Scale e Mermaid Heel

Lamia Scale contra Mermaid Heel. Ainda não era o combate que preocupava Lucy; este seria o último do dia.

— Entendi... Então a partida do Natsu e dos outros ainda não começou.

Wendy negou com a cabeça e, sorrindo de forma meiga para a amiga, avisou:

— O Natsu-san disse que viria te ver antes da partida dele. — E Lucy surpreendeu-se um pouco. Charle, tomando nas patas os lençóis de Lucy, cobriu-a com cuidado.

— Descanse um pouco mais até lá — disse a Exceed. — É importante para você conseguir as suas forças de volta.

Lucy sorriu para as duas, agradecendo a gentileza.

— Obrigada. Eu farei isso.

Após Wendy e Charle terem se despedido e fechado a porta da enfermaria, Lucy tornou a adormecer.

O tempo passou depressa. A batalha entre Lyon e Yuka contra Kagura e Milliana estava próxima do fim. A multidão vibrava nas arquibancadas. Lucy, porém, no leito, havia despertado recentemente. Ela olhou para o lado e viu o melhor amigo sorrindo brando e silencioso ao vê-la acordar.

— Oi — cumprimentou Natsu. — Como você se sente?

Lucy sentiu-se muito mais disposta ao vê-lo ali com ela; era assim todas as vezes que estava perto dele. Sorrindo de volta, ela conseguiu se erguer e sentar-se sobre a cama.

— Eu estou bem — ela respondeu. — A sua partida é a próxima?

—Sim. E vou ganhar com certeza.

Lucy achou graça. O jeito como ele sempre demonstrava empolgação e confiança era único, pensava Lucy. E Natsu parecia irradiar tais sensações; fazia com que todos confiassem plenamente nele.

Ao longe, um brado tonitruante de multidão. A partida entre Lamia Scale e Mermaid Heel havia chegado ao fim. O duelo mais esperado, Fairy Tail contra Sabertooth, em breve se iniciaria. Como competidor, Natsu deveria se retirar naquele instante.

— Parece que acabou — Natsu, desviando os olhos para a janela, murmurou a respeito da finda batalha. — Finalmente chegou a minha vez.

— É... — Lucy estava serena a contemplá-lo. A mente dela focava-se na luta de Natsu minuciosamente, bem como no próprio mago. Torceria também por Gajeel, o Dragon Slayer do Ferro e parceiro de Natsu Dragneel na luta contra a Sabertooth, mas ela não fazia questão de esconder: era com o rapaz de cabelos rosados que ela estava mais preocupada, afinal, ele era seu melhor amigo, seu companheiro de time, o primeiro mago que ela havia conhecido na Fairy Tail, a pessoa com a qual tinha mais entrosamento e, talvez, intimidade.

“Natsu... Natsu Dragneel”. Ela o observava quieta, assim como ele o fazia. Silenciosos, harmoniosos, eles viam um ao outro sem nada dizer. Para ambos, a troca de olhares era mais que suficiente para se comunicarem, era melhor que qualquer diálogo.

— Se cuida, viu? Vou torcer por você — Lucy segurou a mão se Natsu no momento em que ele se sentou sobre a cama, frente a frente com ela.

— Ah, pode deixar, Lucy! — Ele sorriu radiantemente. O sorriso que encantara Lucy desde que conhecera o Dragon Slayer. — Eu te disse, não? Vou vencer com certeza! Estou empolgado!

Lucy deu uma risadinha. Natsu, manso, próximo dela.

Novamente tornaram a se contemplar silenciosos. A mão esquerda de Lucy, a que estava segurando a de Natsu, soltou-se, subindo pelo braço do mago. As pontas dos dedos de Lucy fazendo leves carícias na pele do Dragon Slayer, que sequer estranhou tudo aquilo, antes, porém, observava o rosto da amiga sem piscar.

Quando, por fim, a mão de Lucy repousou sobre a marca da Fairy Tail no ombro direito de Natsu, a jovem sussurrou próxima do rosto dele.

— Boa sorte, Natsu...

Talvez, no mais profundo espaço em seu ser, Lucy quisesse ter feito aquilo. Não havia nada mais agradável, pelo menos conhecido para a maga celestial, do que ter a companhia de seu Dragon Slayer preferido. Ela sempre pensou o quão eles eram compatíveis. Viam um no outro a melhor parceria; dentre os companheiros de time, eles dois eram os que mais se davam bem; juntos, protagonizavam cenas tão divertidas e até constrangedoras para ambos; pareciam tão completos quando unidos.

E Lucy percebeu isso definitivamente quando sentiu o toque inocente e, talvez, tímido dos lábios de Natsu aos dela. Não havia maldade, não havia lascívia qualquer; era um introvertido e curto beijo. Tão breve cronologicamente, tão longo na mente de ambos.

— Natsu...

— Hum?

— Eu acredito em você. — Ela sorriu. — Eu acredito em você desde o dia em que entrei na guilda.

Diante daquela declaração sincera da amiga, Natsu viu-se mais que na obrigação de vencer o combate. Lutaria e venceria pela Fairy Tail, lutaria e venceria por Lucy.

— Obrigado. Deixa comigo! — Ele sorriu para ela, transmitindo-lhe confiança. A plena convicção de que naquela tarde os Dragões das Fadas sobrepujariam os dos Tigres.

A porta se abriu. Wendy e Charle entraram.

— Desculpe, Lucy-san! — falou Wendy. — Nós apenas fomos verificar o que estava acontecendo na arena.

— Oh, Natsu? — Charle notou o Dragon Slayer no quarto com Lucy. Ele se levantou da cama, olhou pela última vez para Lucy e após ver o sorriso nos lábios dela, dirigiu-se à porta.

— Wendy, Charle... Cuidem dela pra mim. — Otimista, Natsu passou pelas companheiras de guilda e deixou o quarto.

— Boa sorte, Natsu-san! — desejou Wendy.

Charle, porém, voltando-se para Lucy, perguntou:

— Lucy, o que você estava falando com o Natsu?

Mas Lucy, deitada novamente e coberta até o pescoço, apenas sorriu tímida. Aquele momento antes do combate — a despedida, o desejo de boa sorte, os sorrisos, o beijo tímido —, seria o maior segredo deles.

Natsu atravessou o corredor onde Gajeel, recostado à parede, de braços cruzados o estava esperando.

— Você está pronto? — perguntou o Dragon Slayer do Ferro.

— Sim — disse Natsu otimista. — Vamos logo fazer a Lucy e os outros felizes ganhando essa coisa.

— Natsu! — O chamado de Happy atraiu a atenção dos dois gladiadores da Fairy Tail. O Exceed olhava calmo para o parceiro.

— Happy? Alguma coisa errada?

— Você está aqui para desejar boa sorte? — Um pouco mais ríspido, Gajeel questionou ao Exceed, e dirigindo-se a Natsu, prosseguiu: — Salamander, estou indo na frente.

Gajeel deu as costas para os dois, caminhando a passos curtos para a arena.

— Nada em especial — declarou Happy.

— É? Então te vejo mais tarde. — Virando-se para a entrada, Natsu pôs-se a andar.

— Não direi nada! — exclamou Happy. — Eu não vou falar nada!

Natsu não pôde deixar de sorrir brando com aquele comportamento de Happy.

— Sim. — E virou-se novamente. — Eu entendi. Parceiro.

Às lágrimas, Happy ergueu a pata direita, o sinal de companheirismo nos dedos do Exceed.

E Natsu atravessou o túnel que levava à arena com o braço igualmente erguido para Happy. Do lado de fora, Natsu foi recepcionado pelo calor vindo das arquibancadas. Ao lado dele, o parceiro Gajeel; à frente, os adversários, Sting e Rogue.

Notas finais
Obrigado por ler!

Até mais o/

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!